
INTRODUÇÃO
O ministério profético em Israel, cobriu aproximadamente uns 450 anos, 850-400 a.C., surgindo em decorrência das falhas do ministério levítico-sacerdotal.
Os sacerdotes eram os mestres religiosos do povo, regularmente designados. Constituíam o “clero”, uma classe mais culta, hereditária, “profissional” e, muitas vezes os homens mais ímpios da nação. Ainda assim eram mestres religiosos. O povo tinha a obrigação de sustentá-los. Ao invés de bradarem contra os pecados do povo, caíam com ele nas mesmas faltas e tornavam-se líderes na iniquidade. No decorrer do tempo, tornaram-se mais políticos do que espirituais.
Os profetas do Antigo Testamento foram homens chamados por Deus em períodos de declínio e apostasia. Foram, em primeiro lugar, reavivamentalistas e patriotas, falando em nome de Deus ao coração e à consciência da nação.
Antes da destruição de Jerusalém houve um período de intensa atividade profética. Deus enviou uma legião brilhante de profetas, num esforço de salvação. Não conseguindo salvar a Cidade Santa pecadora, os profetas brilham literalmente com explicações e garantias de que o colapso do povo de Deus não significa o aniquilamento dos planos divinos; que, depois de um período de castigo haverá uma restauração e, para o povo de Deus, um futuro glorioso.
“Este cenário serve como séria advertência para a igreja em todos os tempos. Uma estatística do final do século 20 registrou que cerca de 60% dos pastores da América do Sul abandonam o ministério:
10 a 20% – Não foram chamados;
40% – Frouxidão moral, prostituição, adultério, homossexualismo etc.;
– Analfabetismo bíblico;
– Amor ao dinheiro (outras propostas mais vantajosas).
A igreja de Deus é um organismo vivo. O excesso de organização é doentio. Se a organização é autossuficiente (captação de recursos através de aluguel de imóveis, por exemplo), ela não cai quando deveria cair. Entretanto, Deus é quem deve sustentar a obra. Há que depender dele.” (Pr. Álvaro Trindade)
1. ORIGEM
Tomando o termo na acepção mais ampla, pode-se dizer que os primeiros profetas foram os patriarcas, desde Adão até Moisés (Gn 20.7). Moisés, mesmo sendo renomado legislador, foi também profeta (Dt 18.15; 34.10). No sentido restrito, é em Samuel que começa o ministério profético. Segundo as próprias palavras de Jesus, João Batista encerra esse período (Mt 11.13), assinalando assim a grande divisão entre a antiga dispensação (da Lei) e a nova (da Graça), isto, após um intervalo de cerca de 400 anos de silêncio (período Interbíblico).
Os profetas canônicos viviam sob a dependência do Espírito de Deus, e a sua mensagem vinha de Yahweh. O Espírito de Deus escolhia os homens de acordo com o seu propósito, e a seguir os usava para o fim desejado (Is 6; Jr 1.5 etc.). Nenhum profeta verdadeiro jamais falou por sua própria autoridade. Eram os porta-vozes de Deus, sempre pregando pela autoridade do Espírito Santo. “Assim diz Yahweh” era a constante afirmativa. Cada profeta é uma individualidade em si. Como tal, a sua mensagem conserva o selo da sua individualidade, tanto quanto a da sua origem divina. A cada qual Deus revelou uma parte da verdade necessária à sua geração. Quando alguém reunir os ensinos mais enfáticos dos diversos livros proféticos, então será mais fácil avaliar o todo do plano divino para o mundo. Então poder-se-á apreciar mais intensamente a sabedoria divina, por ter escolhido o método que adotou.
2. PROFETAS E SACERDOTES
Sacerdote no Antigo Testamento era aquele que levava as transgressões das pessoas diante de Deus e intercedia por elas com vistas ao perdão divino. Portanto, ele ficava de costas para o povo e de frente para Deus. Além de mediador e intercessor era também um ensinante (ver também Ml 2.6-7).
Profeta no Antigo Testamento era aquele que ouvia a palavra de Deus e a transmitia ao povo. Portanto, ele ficava de costas para Deus e de frente para o povo. Era um mensageiro de Deus em nome de Deus: “Assim diz o SENHOR…”. Os profetas não eram uma classe hereditária. Cada um recebia diretamente de Deus o seu chamado.
Fazendo um paralelo entre o profeta e o sacerdote, podemos dizer que:
– O profeta ficava de costas para Deus e de frente para o povo;
– O sacerdote ficava de costas para o povo e de frente para Deus.
Algumas particularidades:
Os profetas tiveram diversas origens e procederam de diferentes profissões e ofícios.
– Jeremias e Ezequiel foram sacerdotes; e talvez também Zacarias.
– Isaías, Daniel e Sofonias pertenceram à realeza.
– Amós foi pastor.
– Quanto aos demais, não se sabe o que foram.
3. MISSÃO
Devemos banir do nosso pensamento a ideia popular de que o principal serviço do profeta era predizer. É verdade que vários profetas falaram de coisas futuras, mas isso não foi sua mensagem principal. Diz o Dr. George Adam Smith: “No uso comum, o nome profeta tem degenerado para o sentido de um que prediz o futuro. É o dever de cada estudante de profecia livrar-se desse sentido. No grego, profeta (profetês) não significa quem fala anteriormente, mas quem fala por, ou em lugar de outro. É neste sentido que havemos de pensar nos profetas do Velho Testamento. Falaram por Deus. Sendo participantes dos conselhos de Deus, o profeta vem a ser portador ou pregador da palavra divina. A predição do futuro é somente uma parte, e muitas vezes parte subordinada e acidental, de um ofício cuja função era declarar o caráter e a vontade de Deus”.
No Antigo Testamento encontramos profetas que nada escreveram, como Elias, Eliseu etc.; outros que falaram e escreveram (ou, ao menos, cujas palavras foram escritas por outros) e, talvez, algum que escrevesse sem falar.
4. MENSAGEM
Ênfases: MONOTEÍSMO / MORALISMO / MESSIANISMO (3 M’s )
As profecias, no seu sentido mais alto e nobre, eram sermões que conservavam o seu valor para todas as idades, porque o seu conteúdo retém os propósitos de Deus, que jamais poderão falhar. Os profetas estavam mais interessados na vida do que na lógica dos fatos, de maneira que a sua mensagem carecia, muitas vezes, da sequência lógica dos nossos sermões modernos. Por isso mesmo, eram, às vezes, muito mais eficientes.
As mensagens proféticas tinham caráter duplo:
1º) Aquela que era local e para o período de vida do profeta.
Geralmente denunciando os pecados dos líderes e do povo de Deus, a corrupção política, a opressão e podridão moral, exortando-os ao arrependimento.
2º) Aquela que era preditiva do propósito divino no futuro.
Incluía a predição da vinda de Jesus Cristo, o Messias, e outros acontecimentos.
É claro que, para entender qualquer profeta, é preciso tomar muito sentido no tempo em que ele vivia, e discernir se ele tinha uma mensagem de valor para seus contemporâneos, ou se a sua profecia tinha referências apenas a sucessos num futuro distante. Mui frequentemente, as circunstâncias nacionais em que o profeta ministrava fornecem a chave para entendermos a sua profecia.
Geralmente a predição brotava imediatamente das circunstâncias locais (por exemplo, Is 7.1-11 com os vv.12-14).
É preciso manter em mente o caráter israelítico do profeta. Geralmente, seu ministério preditivo, junto com o seu ministério contemporâneo tinha em vista o povo da aliança, seu pecado, fracasso e seu futuro glorioso. O gentio é mencionado como instrumento do castigo de Israel, julgado por isto, mas também participando da graça que ainda será demonstrada para com Israel. Os poderes gentios são mencionados em conexão com Israel. Contudo, a profecia, exceto em Daniel, Obadias, Jonas e Naum, não está principalmente preocupada com a história do mundo gentio. A Igreja corporativamente, não está na visão do profeta do Antigo Testamento (Ef 3.1-6).
A bênção futura de Israel como nação repousa sobre a Aliança Palestiniana da restauração e conversão (Dt 30.3) e sobre a Aliança Davídica do reinado do Messias, o Filho de Davi (2Sm 7.16); e isto concede à profecia preditiva o seu caráter messiânico. A restauração final de Israel está garantida no reino, e a fonte de bênçãos no reino é o Rei, que não é apenas o Filho de Davi, mas também Emanuel.
Mas, assim como o Rei também é Filho de Abraão (Mt 1.1), o Redentor prometido, e considerando que a redenção é apenas através do sacrifício de Cristo, assim também a profecia messiânica apresenta necessariamente o Cristo em um aspecto duplo:
1º) Um Messias sofredor (por exemplo, Is 53);
2º) Um Messias reinante (por exemplo, Is 11).
Esta dualidade – sofrimento e glória, fraqueza e poder – envolvia um mistério que deixava os profetas perplexos (Lc 24 26-27; 1Pe 1.10-12).
A solução deste mistério jaz, como o NT torna claro, nos dois adventos – o primeiro advento para redenção através do sofrimento; o segundo advento para o reino na glória, quando as promessas nacionais, a Israel, serão cumpridas (comp. Mt 1.21-23; Lc 2.28-35; 24.46-48 com Mt 2.2, 6; 19.27-28; Lc 1.31-33, 68-75; At 2.30-32; 15.14-16). Os profetas descrevem o advento em duas formas que não podiam ser contemporâneas (por exemplo, Zc 9.9; contraste 14.1-9); mas a eles não foi revelado que, entre o advento para o sofrimento e o advento para a glória, seriam realizados certos “mistérios do reino” (Mt 13.11-17, 34-35), nem que, após a rejeição do Messias, a Igreja do NT seria chamada. Estes eram, para eles, os “mistérios escondidos de Deus” (Ef 3.1-12).
Falando generalizadamente, então, a profecia preditiva ocupa-se com o cumprimento das Alianças Abraâmicas, Palestiniana e Davídica.
As predições da restauração dos judeus do cativeiro da Babilônia no fim dos setenta anos devem ser diferenciadas daquelas sobre a restauração da nação da dispersão mundial, depois de sua rejeição de Cristo em seu primeiro advento. As Alianças Abraâmica, Palestiniana e Davídica (Gn 12.1-3; Dt 28.1 – 30.9; 2Sm 7.4-17) são o molde da profecia preditiva em seu sentido mais amplo:
– GRANDEZA NACIONAL;
– DESOBEDIÊNCIA NACIONAL;
– DISPERSÃO MUNDIAL;
– BÊNÇÃO MUNDIAL ATRAVÉS DO MESSIAS DE ISRAEL;
– ARREPENDIMENTO;
– A SEGUNDA VINDA DE CRISTO;
– O REAJUNTAMENTO DE ISRAEL E O ESTABELECIMENTO DO REINO;
– A CONVERSÃO E A BÊNÇÃO DE ISRAEL E O JULGAMENTO DOS OPRESSORES DE ISRAEL.
Resumindo:
A Missão e a Mensagem dos profetas foram:
- Procurar salvar a nação de sua idolatria e impiedade. O que mais incomodava os profetas era a IDOLATRIA do povo; a nação tinha ideias erradas a respeito de Deus. Já está quase que universalmente reconhecido pelos críticos de todos os credos que Judá foi completamente purgada da idolatria depois do cativeiro da Babilônia. Muitos outros males e pecados nacionais são denunciados e tratados nos registros pós-exílio de Esdras, Neemias e Malaquias, tais como: casamentos mistos com mulheres estrangeiras, opressão dos pobres pelos ricos, a violação do sábado e a sonegação dos dízimos. Jamais a idolatria foi mencionada sob qualquer forma ou aspecto, ainda que nos registros pré-exílio fosse muito comentada e severamente denunciada como o pecado número 1 de Israel.
- Falhando nisso, anunciar que a nação seria destruída.
- A destruição não seria total. Um remanescente seria salvo.
- Do meio desse remanescente sairia uma influência que se espalharia pela terra e traria a Deus todas as nações.
- Essa influência seria um grande homem, que um dia se levantaria na família de Davi. Os profetas chamaram-no de “Rebento”. A árvore da família de Davi, que fora a mais poderosa do mundo, foi cortada nos dias dos profetas, para governar sobre um pequeno reino desprezado que tendia a desaparecer; uma família de reis sem reino: esta família faria uma volta espetacular. Reapareceria. Do seu trono brotaria um renovo, um rebento tão grande que se chamaria o Rebento.
5. QUADRO GERAL

6. LIVROS E ESCRITORES
A partir da divisão do reino encontramos 17 Livros dos profetas, sendo 16 profetas escritores visto que Jeremias escreveu dois livros: Jeremias e Lamentações de Jeremias.
Estes livros são chamados de “profetas maiores” e “profetas menores”, a saber:
– Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel.
– Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
A divisão em profetas maiores e menores, com base no simples volume dos livros, não é histórica e não é cronológica. Esta designação ou classificação se faz considerando o tamanho dos livros. Por exemplo, cada um dos três livros – Isaías, Jeremias e Ezequiel – é maior do que todos os 12 livros juntos dos profetas menores.


7. CRONOLOGIA DOS PROFETAS
A ordem em que encontramos os livros nas nossas Bíblias não é a ordem cronológica em que profetizaram. Em alguns casos, o lugar cronológico de um profeta é problemático, como por exemplo no de Joel, mas vamos acompanhar aqui a cronologia sugerida por H. H. Halley (Manual Bíblico), que se aproxima muito da cronologia aceita pela maioria dos expositores de confiança.
O reino do Norte (Israel) caiu em 732-722 a.C., cativo da Assíria.
O reino do Sul (Judá) caiu em 605-586 a.C., cativo da Babilônia.
Os livros proféticos podem ser divididos em três grupos:
PRÉ-EXÍLIO:

EXÍLIO:

PÓS-EXÍLIO (Restauração):

8. DESTINATÁRIOS PRINCIPAIS
Os Livros foram dirigidos principalmente aos seguintes destinatários:
– A Israel: Amós, Oséias.
– A Nínive: Jonas, Naum.
– A Babilônia: Daniel.
– Aos cativos na Babilônia: Ezequiel.
– A Edom: Obadias.
– A Judá: Joel, Isaías, Miquéias, Jeremias, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
9. O ÁPICE DA PROFECIA
“Eruditos modernos inclinam-se a reduzir ao mínimo o elemento profético da Bíblia. Mas esse elemento aí está. A ideia mais persistente de todo o A.T. é esta:
O SENHOR, o Deus da nação hebraica eventualmente vai tornar-se o Deus de todas as nações.
As gerações sucessivas de escritores do A.T. passam do geral ao particular na descrição dos pormenores desse fato e da maneira como se vai realizar. E nos profetas, embora eles mesmos possam não ter compreendido todo o alcance de algumas de suas palavras, e ainda que algumas de suas predições estejam obscurecidas por fatos históricos dos seus dias, mesmo assim toda a história de Cristo e da propagação do cristianismo na terra está descrita antecipadamente, em linhas gerais e em detalhe, numa linguagem que não se pode referir a nenhum outro evento da História.” (Halley, H. H. – Manual Bíblico)
BIBLIOGRAFIA
1. A Bíblia Anotada (MC – Editora Mundo Cristão).
2. Bíblia Online – SBB (ARA).
3. Halley, H. H. – Manual Bíblico.
4. Francisco, Clyde T. – Introdução ao Velho Testamento.
5. Anotações de Aula – Antigo Testamento, Pr. Álvaro Trindade.
