Pequenos Grupos, Grandes Resultados

Introdução          

O mundo gira em torno da globalização, porém as pessoas continuam caminhando nas suas tribos, nos seus grupos de afinidade!

Muitos são os fatores que podem exercer um papel importante no crescimento de uma igreja, um crescimento integral, que contemple aspectos muito além de números, tais como, maturidade espiritual, estreitamento da comunhão com Deus e com os irmãos, adoração autêntica, conhecimento da palavra e prática da fé, integridade moral, influência e transformação de pessoas, famílias e da sociedade. Neste caso, os pequenos grupos desempenham um papel relevante e determinante que precisa ser considerado.

Desde já é preciso esclarecer que não defendemos o modelo de estrutura de igreja celular ou em células ou em grupos, porém, o modelo tradicional, com ênfase na igreja como um todo, com grupos ou com células que são uma extensão ou ferramenta usada complementarmente para alcançar seus objetivos. Veja no “Apêndice” uma conceituação mais ampla dos dois modelos.    

O presente estudo tem o propósito de chamar a atenção para a importância dos pequenos grupos e do discipulado no crescimento da igreja; para a responsabilidade da liderança em preparar novos líderes e viabilizar essa assistência aos irmãos, promovendo crentes conhecedores e praticantes da Palavra de Deus.

Desenvolvimento:

1. PEQUENOS GRUPOS, NO ANTIGO TESTAMENTO

Pequenos grupos de convivência, compartilhamento e desenvolvimento não são novidade. Podemos considerar que a família consanguínea, de certa forma, é o embrião de pequenos grupos.  No Antigo Testamento há um clássico exemplo em termos de divisão de responsabilidade na gestão de pessoas, com a correspondente divisão em grupos, no conselho de Jetro ao seu genro e líder de Israel, Moisés (Êx 18). Muitos séculos depois, num tempo de restauração pós-cativeiro, Esdras, o sacerdote, escriba e líder espiritual maior, se dispôs a buscar, cumprir e ensinar a lei do Senhor (Ed 7.10; Ne 8.1-6). E ele teve a sabedoria divina de dividir esta responsabilidade e privilégio de ensinar e liderar com outros (Ne 8.7-8).

2. PEQUENOS GRUPOS, NO NOVO TESTAMENTO

“E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.” (At 5.42)

No Novo Testamento Jesus mesmo nos dá o exemplo quando chama e discipula o pequeno grupo dos doze. A igreja primitiva surge e se reúne no templo e nas casas, em pequenos grupos (At 2.42; 5.42; 20.20; Rm 16.5; 1Co 16.19; Cl 4.15). Foi com este modelo que a igreja neotestamentária se manteve ativa, se fortaleceu e se expandiu. Se deu certo naquele tempo, por que não daria hoje?

3. PEQUENOS GRUPOS, HOJE

Uma igreja com o templo superlotado de pessoas rasas na fé, inoperantes e centralizadas em um “pastor estrela” não é bom prognóstico. Não há garantia de futuro nesse modelo sonhado e desejado por muitos pastores. “Uma igreja não pode subsistir apenas na forma de auditórios superlotados, transformando-se em plateia consumidora de porções de regalo espiritual”. 

O Espírito Santo foi derramado sobre todos os salvos, distribuindo dons e chamando-os para adorar e servir a Deus; viver plenamente, testemunhar e pregar o Evangelho onde estiver; ensinar, discipular e exercer misericórdia. Fomos salvos para servir e não para incrementar estatísticas eclesiásticas, para ser mais um número na multidão. Fomos salvos e comissionados para sermos sal da terra e luz do mundo; infiltrados em toda a parte, presentes em todos os espaços que nos forem permitidos, a partir do lar e na sociedade. Isso está em perfeita harmonia com o ensino bíblico do sacerdócio universal dos crentes (1Pe 2.9).   

As Sociedades Internas ou Departamentos e Escola Bíblica Dominical (EBD), nas dependências da igreja, bem como os Pequenos Grupos, nos lares, são formas de promover a comunhão, o discipulado, o pastoreio e a evangelização entre os membros e os visitantes. Particularmente, os pequenos grupos desempenham um papel fundamental na vida e na dinâmica das igrejas em todo o mundo.

4. PEQUENOS GRUPOS E SUA RELEVÂNCIA

Eles são conhecidos por vários nomes, como grupos de células, grupos familiares, grupos de estudo bíblico ou grupos de comunhão, mas, independentemente do nome, sua importância para o crescimento espiritual e numérico da igreja é universalmente reconhecida pelos seguintes motivos, dentre outros:

1º) Comunhão e Relacionamento

Proporcionam um ambiente acolhedor onde os membros da igreja podem se conhecer melhor, desenvolver relacionamentos sólidos e não fluidos, e construir um sentimento de comunhão cristã. Isso promove um senso de pertencimento e apoio mútuo dentro da igreja.

2º) Crescimento Espiritual

São espaços ideais para o estudo da Bíblia, oração e discussão de temas espirituais. Eles permitem que os participantes cresçam em sua compreensão da fé, aprendam uns com os outros e apliquem princípios cristãos à vida cotidiana.

3º) Cuidado Pastoral

Os líderes dos pequenos grupos, bem como as lideranças presentes, muitas vezes desempenham um papel importante no cuidado pastoral. Eles podem identificar necessidades individuais, oferecer apoio emocional e espiritual e encaminhar pessoas para o pastor ou líder da igreja quando necessário.

4º) Evangelismo

Os pequenos grupos proporcionam oportunidades para que os membros da igreja convidem amigos, vizinhos e colegas de trabalho não crentes para participar. Um ambiente menos formal muitas vezes é mais convidativo para pessoas que podem se sentir desconfortáveis num culto público no templo. Portanto, oferece a oportunidade para se alcançar pessoas que ainda não conhecem a Jesus, através do testemunho e do convívio.

5º) Participação Ativa

Em uma igreja com muitos membros, pode ser desafiador mobilizar todos os membros para se envolverem ativamente. Os pequenos grupos oferecem um espaço onde as pessoas podem participar, liderar estudos bíblicos, orar em público e servir de várias maneiras, o que pode fortalecer seu senso de responsabilidade e utilidade na igreja. Portanto, oferece a oportunidade do desenvolvimento de dons, talentos e ministérios para servir a Deus e ao próximo.

6º) Apoio em Tempos de Crise

Quando membros da igreja enfrentam dificuldades pessoais, como doenças, perdas familiares ou desafios financeiros, os pequenos grupos muitas vezes se tornam uma fonte valiosa de apoio prático e emocional. É um espaço precioso para o encorajamento e fortalecimento espiritual através da oração, do estudo da Bíblia e da orientação espiritual.   

7º) Crescimento da Igreja

Os pequenos grupos podem servir como um meio eficaz de crescimento da igreja. À medida que os membros se envolvem em grupos menores, eles se sentem mais conectados à comunidade e são mais propensos a permanecer e convidar outras pessoas para se juntarem à igreja. Também oferecem um ambiente propício para o discipulado, onde os cristãos mais maduros podem orientar e mentorear os mais novos na fé. Desta forma, proporcionam a oportunidade de um crescimento integral.

5. PEQUENOS GRUPOS E ALGUNS DESTAQUES

As Sociedades Internas ou Departamentos da igreja são normalmente formados levando-se em conta faixas de idade (crianças, adolescentes e jovens) ou sexo (adultos homens, adultos mulheres) ou grupos organizados por afinidade e áreas de interesse (casais, sós, idosos etc.). Portanto, desta forma constituídos, procura-se reunir pessoas que se identifiquem melhor por possuírem interesses e expectativas comuns, bem como adequar melhor o conteúdo ao estado de desenvolvimento do ser humano e/ou às suas necessidades, dentre outras razões.

Os pequenos grupos nos lares, com uma composição mais heterogênica, como uma família consanguínea estendida, oferecem a oportunidade de um convívio mais estreito e necessário das pessoas, afinal, os jovens precisam se apropriar da experiência e legado dos mais velhos, bem como os mais velhos precisam se atualizar sempre, precisam conhecer e ver melhor o mundo vivido pelos mais jovens, até mesmo para se posicionarem de forma mais realista e poderem contribuir mais e melhor para o bem de todos.

Os Pequenos Grupos podem  ser considerados ou usados como uma extensão da família menor. Podem ser a única “família de fato” para os que não têm mais família ou que estão morando muito longe da família e de outros parentes.

O destaque final e comprovado na minha própria experiência de vida é que, os Pequenos Grupos, conseguem formar laços de relacionamento tão fortes e viscerais, que mesmo quando algumas pessoas do grupo se transferem para outras igrejas ainda continuam frequentando o grupo.

6. PEQUENOS GRUPOS E LIDERANÇA

“E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2Tm 2.2)

Considerando que os pastores não têm como trabalhar sozinhos, é preciso investir na formação de líderes, pessoas fiéis e idôneas, que possam atuar na igreja e, também, nos Pequenos Grupos para um discipulado efetivo, que é muito mais do que um projeto eventual, é um estilo de vida permanente. Jesus fez isso com os doze e nos deu o exemplo. Ele os ensinou, os treinou, fazendo e ensinando a fazer, fez na presença deles e os enviou para fazerem sem a presença física dele. Ele chamou homens simples e os capacitou. Na história da igreja muitas pessoas, de diversos tipos, formação e classes sociais, foram chamadas, mas deveriam esvaziar-se de si mesmas, para serem moldadas e capacitadas pelo Espírito Santo. Sem dúvida, o treinamento adequado das pessoas certas será de grande valia para o discipulado e crescimento integral dos crentes e da igreja.

Conclusão

Em resumo, os pequenos grupos desempenham um papel vital na vida da igreja: fortalecendo a comunhão e os relacionamentos; promovendo o crescimento espiritual dos crentes; cuidando pastoralmente dos membros; atraindo e evangelizando amigos e vizinhos; proporcionando a oportunidade de participação ativa, bem como o desenvolvimento de dons e talentos, com vistas ao sacerdócio universal dos crentes; apoiando e sustentando os irmãos em tempos difíceis;  e, contribuindo para o crescimento integral e o impacto da igreja na comunidade. Eles oferecem uma experiência mais pessoal e envolvente em complemento ao culto público e são uma parte essencial do ministério cristão eficaz.

Vale transcrever aqui parte do texto de capa do livro citado no item 4 da Bibliografia:

“As igrejas deveriam ser o último lugar para alguém se sentir só.

Fomos criados para viver em comunidade. Nosso coração anseia pelo tipo de relacionamento autêntico e profundo no qual Jesus pensou ao orar para que seus discípulos fossem um. Mesmo assim, essa qualidade de relacionamento ainda é muito difícil de encontrar. Como, então, uma igreja pode se transformar em um lugar onde ninguém se sinta sozinho?

Muitas igrejas estão descobrindo a resposta nos grupos pequenos. De modo único, eles oferecem o ambiente ideal que edifica e fortalece o corpo de Cristo, preparando o para crescer impactar o mundo. Na Willow Creek Community Church, os grupos pequenos são tão importantes que definem sua visão estratégica organizacional.

Em Edificando uma igreja de pequenos grupos, os autores compartilham a história de como Willow Creek se tornou uma igreja onde mais de 18000 pessoas se relacionam em 2700 grupos pequenos todas as semanas. Eles também mostram como uma igreja – não importando o tamanho – pode se tornar um lugar onde homens e mulheres, adultos e crianças, podem experimentar uma vida frutífera em comunidade e crescer com saúde e vitalidade espiritual.”
(Larry Crabb, psicólogo e autor)

Que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Fazei Discípulos (Ed. Didaquê).
4. Edificando uma Igreja de Grupos Pequenos (Bill Donahue, Russ Robinson) (Editora Vida).
5. Internet.


Veja, também: Discipulado e crescimento da igreja.


Apêndice

Qual a diferença de uma igreja em grupos ou células, e com grupos ou células?

“A diferença entre uma igreja em grupos ou células e uma igreja com grupos ou células está relacionada à ênfase e ao papel desses grupos na vida da igreja. Vamos entender as distinções:

1. Igreja em Grupos ou Células:

   – Ênfase Principal: Nesse modelo, a ênfase principal recai sobre os grupos ou células. A igreja é vista como essencialmente composta por esses grupos pequenos, e as reuniões congregacionais são frequentemente vistas como complementares às atividades dos grupos ou células.

   – Funcionamento: Os grupos ou células são o núcleo da vida da igreja. Eles se reúnem regularmente para estudo da Bíblia, oração, comunhão e apoio mútuo. Muitas vezes, esses grupos são liderados por membros da igreja e desempenham um papel fundamental no discipulado e na comunhão.

   – Objetivos: Os grupos ou células em uma igreja desse modelo são geralmente responsáveis pelo discipulado, crescimento espiritual e cuidado pastoral dos membros. O objetivo é aprofundar relacionamentos e criar um ambiente íntimo para o crescimento espiritual.

2. Igreja com Grupos ou Células:

   – Ênfase Principal: Nesse modelo, a ênfase principal recai sobre a congregação como um todo, e os grupos ou células são uma extensão ou ferramenta usada pela igreja para alcançar seus objetivos.

   – Funcionamento: A congregação reúne-se regularmente em cultos e eventos congregacionais, que são o ponto central da vida da igreja. Além disso, a igreja usa grupos ou células para complementar o discipulado, a comunhão e o crescimento espiritual.

   – Objetivos: Os grupos ou células em uma igreja desse modelo podem ser usados para alcançar metas específicas, como discipulado mais próximo, cuidado pastoral eficaz ou alcance de diferentes grupos demográficos. Eles são considerados uma parte importante da estratégia da igreja, mas não substituem o papel central dos cultos congregacionais.

Em resumo, a principal diferença entre uma igreja em grupos ou células e uma igreja com grupos ou células está na ênfase dada a esses grupos em relação à congregação como um todo. Em uma igreja em grupos ou células, os grupos são a pedra angular da vida da igreja, enquanto em uma igreja com grupos ou células, os grupos são usados como uma ferramenta para apoiar e complementar os objetivos gerais da igreja. A escolha entre esses modelos depende das necessidades e da visão específica de cada congregação.” (Internet-IA)


Literatura

Certamente poderá ser encontrado no mercado literário evangélico alguns livros sobre a organização de Pequenos Grupos nas igrejas. Não conhecemos, portanto, não podemos recomendar, porém, apenas mencionar, para os que se interessarem em se aprofundar no assunto,  os seguintes livros:

– Liderança de Pequenos Grupos Com Propósitos (Steve Gladen)(Editora Vida).

– Edificando uma Igreja de Grupos Pequenos (Bill Donahue, Russ Robinson) (Editora Vida).

– Conduzindo pequenos grupos (Colin Marshall)(Editora Fiel)

– Pequenos Grupos: Implantação, revitalização e multiplicação na igreja (Dietmar Wimmersberger)(Editora Esperança).

– Pequenos Grupos. Um Guia Prático Para Implantação na Igreja (Dietmar Wimmersberger)(Editora União Cristã).

Certifique-se de escolher livros que se alinhem com a visão e os valores da sua igreja, bem como com a orientação teológica que você segue. Isso ajudará na implementação bem-sucedida de Grupos Pequenos na sua igreja.

Discipulado e Crescimento da Igreja

Introdução          

O que deve ser feito para promover o crescimento da igreja neste século 21?

Esta é uma pergunta que pastores e líderes de igreja se fazem continuamente. Muitos são os fatores que podem exercer um papel importante no crescimento de uma igreja. E é imprescindível pensar num crescimento integral, que contemple aspectos muito além de números, tais como, maturidade espiritual, estreitamento da comunhão com Deus e com os irmãos, adoração autêntica, conhecimento da palavra e prática da fé, integridade moral, influência e transformação de pessoas, famílias e da sociedade.

Ao refletirmos sobre crescimento da igreja não podemos deixar de levar em conta a importância do discipulado. Discipulado e crescimento espiritual são da responsabilidade indelegável das duas partes interessadas – do crente e da igreja. É comum se ver por aí pastores e líderes focados em encher os templos de pessoas e construírem templos cada vez maiores. Não há qualquer equívoco em investir para  expandir o Reino de Deus aqui na terra. O grande erro da liderança e da igreja é achar que a missão está cumprida e terminada quando mais uma pessoa é acrescentada ao rol de membros. A grande comissão de Jesus é para “pregar o evangelho a toda a criatura” (Mc 16.15) e “fazer discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). A chegada de um novo convertido na comunidade de fé não é o término da missão, a linha de chegada, mas, o ponto de partida, o início da jornada de uma nova criatura em Cristo, que, como um recém-nascido precisa de cuidado, alimento, proteção, orientação, enfim, de atenção. Como eu e você, a igreja e sua liderança, estamos tratando dessa questão? 

“Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores[1] em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus.” (1Co 4.15)

O apóstolo Paulo nos dá o exemplo: “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.11). Quem “gera” e ama também precisa cuidar e acompanhar o crescimento, assumindo a paternidade/maternidade: “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós;” (Gl 4.19). 

Alguém resumiu bem as três fases da maturidade cristã, por analogia à maturidade humana:

1ª) Ele é servido: leite (peito -> mamadeira) -> papinha -> alimento sólido).

2ª) Ele mesmo se serve.

3ª) Ele primeiro serve outros para depois se servir. Esta é a fase mais madura!

O presente estudo tem a intenção de chamar a atenção para a importância do discipulado no crescimento da igreja; na responsabilidade da liderança em preparar novos líderes e viabilizar essa assistência aos irmãos, promovendo crentes conhecedores e praticantes da Palavra de Deus.

Desenvolvimento:

1. O CRESCIMENTO DA IGREJA PRIMITIVA

O crescimento da Igreja Primitiva é um tema complexo e multifacetado que envolve diversos fatores e eventos ao longo do primeiro século do Cristianismo. Alguns dos principais aspectos que contribuíram para o crescimento da Igreja Primitiva são:

a) O Ministério de Jesus

“Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (At 1.1-3)

A pessoa de Jesus Cristo e seu ministério na Palestina impactou o mundo desde então e atraiu seguidores. Sua autoridade divina, seus ensinamentos, milagres e ressurreição foram aspectos e eventos essenciais que impulsionaram o início e expansão da Igreja.

b) O Pentecostes

“E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. … mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo,” (At 1.4-5, 8a)

O evento de Pentecostes, anunciado por Jesus antes da sua ascensão (At 1.4-5, 8) e cumprido em Atos 2, inaugurou o período da igreja Cristã e impulsionou o seu notável e expressivo crescimento inicial. No dia de Pentecostes, após a ascensão de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, capacitando-os a falar em línguas e pregar o Evangelho com ousadia e poder, bem como a operar sinais e milagres. Isso atraiu a atenção de uma multidão de judeus e prosélitos de diferentes regiões, resultando na conversão e adesão de muitos deles à fé cristã.

c) O Ministério dos Apóstolos

“… mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8)

O que teria acontecido, após a ascensão de Jesus, se ele não tivesse chamado e instruído intensivamente, por três anos, um pequeno grupo de seguidores, os apóstolos? O que acontece se um missionário realiza missões transculturais, em determinada tribo indígena ou povo isolado da civilização, por alguns anos, e retorna para seu país, sem deixar líderes locais e a Bíblia?  

Os apóstolos desempenharam um papel relevante na propagação dos ensinos de Jesus. Eles e outros convertidos viajaram por diversas regiões, pregando o Evangelho e estabelecendo comunidades de crentes. Suas ações e ensinamentos atraíram seguidores e permitiram que o Cristianismo se espalhasse rapidamente.

d) A Perseguição e a Diáspora

“Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele. … Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.” (At 1.13-14; 8.1.b)

O chamado de Jesus sempre contemplou o “estar” e o “ir”: “Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar” (Mc 3.14). A perseguição dos primeiros cristãos, especialmente no Império Romano, ao invés de destruir a igreja, serviu para espalhar os cristãos e o evangelho para outras regiões. Isso levou à disseminação do Cristianismo para além das fronteiras da Palestina, superando barreiras raciais e culturais, em cumprimento a Atos 1.8.

e) A conversão de Saulo-Paulo

O livro de Atos dos Apóstolos registra a relevante atuação e ministério de outras pessoas convertidas, além dos doze inicialmente chamados por Cristo, que também muito influenciaram na expansão da igreja: Estêvão, Felipe, Barnabé, Tiago (meio irmão de Jesus), dentre tantos outros. Merece destaque o apóstolo Paulo, que exerceu um papel significativo na expansão e sistematização da fé cristã.

f) As Comunidades cristãs locais

Se, atualmente, muito se valoriza os grandes templos, no início da igreja as comunidades cristãs locais, muitas vezes organizadas em casas particulares, proporcionaram um ambiente acolhedor e de apoio para os novos convertidos. Ressalte-se a comunhão e a generosidade dos cristãos que compartilhavam seus bens e suas vidas uns com os outros, atraindo a simpatia do povo (At 2.42-47; At 4.32-35). Essas comunidades também desempenharam um papel importante na propagação do Evangelho.

g) A escrita e literatura cristã

Desde sempre Deus orientou que se escrevesse e registrasse suas palavras, suas alianças e os acontecimentos (Êx 17.14; 34.27; Jr 30.2; Hc 2.2; Ap 1.11). A produção de escritos cristãos, como cartas e evangelhos, ajudou na disseminação dos ensinamentos cristãos e na coesão das comunidades cristãs. A Bíblia, em particular, desempenhou e desempenha um papel fundamental na formação da teologia cristã.

Vale ressaltar que o crescimento da Igreja Primitiva, além de perseguições externas, também enfrentou desafios e controvérsias internas, como questões teológicas e divergências doutrinárias. No entanto, esses fatores mencionados foram contornados e não a impediram de pavimentar o caminho para a sua expansão, nos primeiros séculos, e seu subsequente avanço alcançando o mundo, atravessando séculos e chegando até nós.

2. A IMPORTÂNCIA DOS PEQUENOS GRUPOS

Pequenos grupos de convivência, compartilhamento e desenvolvimento são verdadeiramente muito especiais para o discipulado e crescimento da igreja. Assim sendo, resolvemos dedicar-lhe um artigo exclusivo para abordar e desenvolver um pouco mais o assunto.

Veja o artigo: Pequenos Grupos, Grandes Resultados

3. O CRESCIMENTO DA IGREJA ATUAL

Alguns dos fatores para esse crescimento são:

  • Liderança eficaz: Uma liderança sólida, agregadora e inspiradora é fundamental para o crescimento de uma igreja. Um pastor carismático, dedicado e que prega e ensina a palavra de maneira envolvente pode atrair novos membros e manter os existentes fortalecidos e engajados.
  • Comunidade acolhedora: Uma igreja amorosa, que ama a Deus e cuida do irmão, que faz com que os visitantes e novos membros se sintam bem-vindos e incluídos é um ambiente favorável ao crescimento. A construção de relacionamentos saudáveis e o oferecimento de oportunidades a todos dentro da congregação são aspectos importantes.
  • Dependência de Deus e Santificação: Uma igreja que busca sinceramente a orientação de Deus e unção do Espírito Santo, que mantém contínua oração. Estes são aspectos fundamentais para o seu crescimento espiritual e numérico. Certamente que a separação do mundo, pela santificação, é fator preponderante para ação de Deus na igreja.
  • Ensino bíblico sólido: Um ensino bíblico consistente, relevante e aplicável pode atrair e manter membros.
  • Evangelismo: O compartilhamento da fé e a busca ativa por novos membros através do evangelismo são práticas importantes para o crescimento da igreja.
  • Qualidade do culto: Um culto que agrade a Deus, incluindo música, louvor e adoração, liturgia e mensagem, pode desempenhar um papel significativo na atração e retenção de membros.
  • Programas e ministérios diversificados: Oferecer uma variedade de programas, ministérios e oportunidades de serviço que atendam às necessidades espirituais, sociais e emocionais dos membros e da comunidade em geral pode promover o crescimento da igreja
  • Atuação na comunidade: Uma igreja ativa na comunidade local, envolvida em atividades de serviço e ajuda aos necessitados, pode atrair a atenção positiva e construir uma reputação benéfica.
  • Crescimento orgânico: À medida que os membros existentes crescem espiritualmente e são ativos na igreja, eles podem convidar outras pessoas para se juntarem à comunidade. A formação de pequenos grupos ou células nos lares que aproximam e discipulam os membros e visitantes é um aspecto extremamente relevante a se considerar e desenvolver.
  • Uso da tecnologia: A utilização eficaz da tecnologia, como transmissões ao vivo, redes sociais e sites, pode ajudar a alcançar um público mais amplo e a manter os membros conectados.

É claro que existem muitos outros fatores que favorecem o crescimento da igreja, tais como: a localização geográfica do templo e a acessibilidade, estacionamento, a gestão adequada dos recursos financeiros, a decisão da liderança de investir no crescimento e mobilizar os membros, dentre outros.

É importante ressaltar que o crescimento de uma igreja deve se dar em números, mas também em termos de maturidade espiritual dos membros e do impacto positivo que a igreja tem na comunidade e na vida das pessoas. Cada igreja local é única e pode precisar adaptar suas abordagens de acordo com suas circunstâncias específicas.

Conclusão

Considerando que estamos tratando de discipulado e crescimento da igreja vale olhar para o passado, para a igreja neotestamentária, vale investir nos Pequenos Grupos e vale, também, olhar com atenção para os fatores elencados no tópico 3 acima tão relevantes para esse crescimento.

Que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Fazei Discípulos (Ed. Didaquê).
4. Internet.


[1] Educador, mentor, instrutor.

Coração ardendo por Cristo!

Introdução

No Pentecostes a igreja começou a sua trajetória de forma impactante. Jesus foi assunto ao céu, mas o Espírito Santo desceu e inflamou os corações dos primeiros discípulos. E eles saíram por toda a parte cumprindo o IDE de Jesus e “transtornando” o mundo. Cada um dos onze apóstolos já havia dedicado sua vida integralmente ao Mestre e continuaram até o seu martírio. Outros discípulos e irmãos foram agregados, como Estêvão (também martirizado), Felipe, Barnabé e tantos outros. O poder de Deus se manifestou de forma explícita e inconfundível. O evangelho foi propagado de forma irresistível, porque as portas do inferno não podem prevalecer contra a igreja, que cresceu dia após dia.

Saulo de Tarso, o perseguidor da igreja, foi alcançado pela graça de Deus e recebeu a visita de Ananias e o comissionamento divino: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” (At 9.15-16). Com extremo zelo por Cristo, Saulo-Paulo e outros preciosos servos de Deus, expandiram os limites da igreja, escreveram o Novo Testamento e sistematizaram a Doutrina Cristã.

Ao longo dos séculos seguintes, apesar dos altos e baixos da igreja, Deus manteve a chama acesa e a igreja ainda hoje segue viva. Mais do que nunca essa igreja se depara agora com os sinais dos últimos tempos. Não importa quanto tempo falte (e é um erro marcar data), o fim está próximo! Jesus nos adverte: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai … Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.” (Mt 24.36, 44). O que fazer no tempo que ainda nos resta?

1. CONTORNANDO A APOSTASIA

“Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8b)
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.” (Mt 24.12)

A apostasia foi predita e já é uma realidade: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,” (2Ts 2.3). A Europa já vive um pós-cristianismo; o secularismo e o progressismo anticristão avançam em todo o mundo. Então, o que o remanescente fiel a Cristo deve fazer?

Nós somos hábeis para detectar “corpo mole” ou lentidão na execução da tarefa; de jogador ou time que não sua a camisa; de atendente que demora a dar a resposta etc. Você já parou para pensar que há um Deus onipresente e onisciente acompanhando o nosso desempenho como seus servos e discípulos? Como será que ele está avaliando o meu e o seu desempenho no Reino? Pense nisso!

Diante dessa triste projeção escatológica da apostasia e abandono de Deus e da fé, a igreja é desafiada a voltar o seu olhar e a reviver o mesmo ardor e primeiro amor da igreja primitiva (neotestamentária)! Entendemos que a advertência de Jesus jamais deve ser interpretada como algo que alcançará a todos e que, portanto, devemos aceitar passivamente, assimilar e cruzar os braços. Não! Definitivamente, não! Somos desafiados a nos empenharmos sempre e cada vez mais, mantendo-nos firmes no Senhor e na defesa da fé evangélica!

2. SERVINDO COM ZELO

“No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor;” (Rm 12.11)

Os discípulos de Jesus são diferentes em vários aspectos; têm mais ou menos capacidade mental e intelectual, escolaridade e recursos financeiros. Entretanto, todos temos 24h por dia e muitas oportunidades para testemunhar dele. Nenhum seguidor de Jesus será desculpado por sua negligência, apatia e falta de zelo em servir ao Mestre!  

O salmo messiânico fala do zelo do Messias vindouro, o que serve de referência e inspiração para os seus seguidores: “Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que te ultrajam caem sobre mim.” (Sl 69.9; comp. Jo 2.17). Zelo este não só pelo Senhor e sua obra, mas que deve alcançar, também, os seus servos: os nossos líderes, liderados, irmãos e necessitados (2Co 7.7; 9.2; 11.2).

Há muitos religiosos que têm zelo por Deus, porém, sem entendimento (Rm 10.2). O próprio apóstolo Paulo se incluiu entre estes que assim procediam, no seu passado sombrio, antes do seu encontro com o Senhor: “quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.” (Fp 3.6). Ele era fariseu e um dedicado religioso. Após a sua conversão, ele também se tornou um servo fiel e extremamente zeloso. “Alguém tentou captar o ardor da sua vida no seguinte esboço:

É homem sem preocupação de fazer amigos, sem esperança ou desejo de bens terrenos, sem apreensão por perdas terrenas, sem preocupação com a vida, sem temor da morte.

É homem livre de classe, país e condição. Homem de um só pensamento – o Evangelho de Cristo. Homem de um só propósito – a Glória de Deus. Louco, e contente por ser considerado louco por amor a Cristo. Que lhe chamem entusiasta, fanático, tagarela, ou qualquer outro grotesco título desclassificado que o mundo possa escolher para aplicar-lhe. Mas, que seja um desclassificado. Tão logo lhe chamem comerciante, chefe de família, cidadão, rico, homem do mundo, douto, ou mesmo homem de bom senso, tudo isto passa por alto sua personalidade. Ele é obrigado a falar, se não morre; e ainda que morra, falará. Não tem descanso, mas se apressa por terra e mar, por rochas e desertos ínvios. Brada alto e bom som, sem se poupar, e nada o deterá. Nas prisões, eleva a voz, e nos temporais do oceano, não fica em silêncio. Perante concílios temíveis e reis coroados, dá testemunho em prol da verdade. Nada pode apagar a sua voz, exceto a morte, e mesmo ao se lhe executar a sentença de morte, antes que a faca lhe separe a cabeça do corpo, ele fala, ora, testifica, confessa, suplica, luta e finalmente abençoa os homens cruéis.

Ao longo da história da igreja muitos servos e servas de Deus demonstraram o desejo ardente de agradar, obedecer e servir a Deus. Somos desafiados a seguir nesta mesma linha!

3. TURBINANDO A FÉ COM UM ATEU

É isso mesmo, você não entendeu errado. William MacDonald relata que C. T. Studd (1860-1931),  missionário britânico, foi estimulado por um artigo escrito por um ateu, a entregar-se à plena dedicação a Cristo. O artigo dizia assim:

“Se eu acreditasse com firmeza, como dizem milhões que acreditam, que o conhecimento e a prática da religião nesta vida influenciam o destino na outra, a religião significaria tudo para mim. Eu jogaria fora os gozos da Terra como refugo, as preocupações terrenas como loucuras, e os pensamentos e sentimentos terrenos como vaidade. A religião seria o meu primeiro pensamento ao despertar, e a última imagem em minha mente antes de dormir e afundar na inconsciência. Eu trabalharia somente por ela. Consideraria que ganhar uma alma para o céu vale uma vida de sofrimento. Consequências terrenas nunca deteriam a minha mão, nem selariam os meus lábios. A Terra, suas alegrias e suas penas não ocupariam um instante dos meus pensamentos. Lutaria para ter em consideração somente a eternidade, e para levar as almas imortais que me rodeiam a serem logo eternamente felizes ou eternamente miseráveis. Eu sairia ao mundo para pregar-lhe a tempo e a fora de tempo, e eis o texto que usaria: QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO E PERDER A SUA ALMA?”

C. T. Studd uma vez escreveu:

“Querem alguns viver dentro do som dos sinos de sua igreja.
Que eu dirija uma agência de resgate bem num pátio do inferno.”

João Wesley foi homem de zelo. Disse ele: “Dê-me cem homens que amem a Deus de todo o coração e não temam nada, exceto o pecado, e abalarei o mundo”.

4. APRENDENDO COM A MILITÂNCIA COMUNISTA

Não tenho dúvida de que o comunismo marxista é incompatível com o cristianismo, com a fé cristã. No artigo publicado no meu blog Cristão e Comunismo – Como conciliar? é feita uma ampla exposição sobre o assunto. Portanto, nosso objetivo aqui é chamar a atenção para o empenho de seguidores dessa nefasta ideologia.

“O avanço comunista no mundo é um tema complexo e controverso, que envolve diferentes perspectivas históricas, políticas e econômicas. De acordo com alguns resultados da web, o comunismo é uma ideologia que defende a abolição da propriedade privada e a igualdade social entre as classes. O comunismo foi inspirado pela teoria de Karl Marx e Friedrich Engels, mas nunca foi aplicado na sua forma original em nenhum país. No século XX, o comunismo se expandiu principalmente pela União Soviética e pela China, que lideraram blocos de países aliados contra o capitalismo ocidental. No entanto, o comunismo entrou em crise com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o colapso da União Soviética em 1991, que marcaram o fim da Guerra Fria e a emergência dos Estados Unidos como a única superpotência mundial. Atualmente, existem poucos países que se declaram comunistas, como China, Cuba, Vietnã e Coreia do Norte, mas eles apresentam diferenças significativas entre si e têm adotado algumas reformas de mercado e abertura política.”[1]

Há quem tenha declarado que a grande decepção da igreja cristã no século XX está no fato de que se viu mais zelo entre os comunistas do que entre cristãos!

William MacDonald registra que em 1903, Lênin, um homem com 17 seguidores começou o seu ataque comunista ao mundo. Por volta de 1918, o número tinha aumentado para 40 mil e, com estes, ele conseguiu o domínio de 160 milhões de pessoas da Rússia.

Na linha do tempo simplificada dos principais eventos relacionados ao comunismo, a seguir apresentada, pode-se ver como o Brasil está na mira dessa perversa ideologia, desde o seu início (Rússia – 1917 => Brasil – 1922).

  • 1848: Publicação do Manifesto Comunista de Marx e Engels, que expõe os princípios fundamentais do comunismo marxista[2] e critica o capitalismo.
  • 1917: Revolução Russa, que derrubou o czarismo e instaurou o primeiro Estado socialista do mundo, liderado por Lenin e pelo Partido Bolchevique.
  • 1922: Formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Rússia comunista é formalmente organizada como a URSS, uma união de repúblicas socialistas.
  • 1922: Fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB), um dos primeiros partidos comunistas da América Latina.
  • 1924: Morte de Lênin e ascensão de Stalin. Josef Stalin emerge como o líder dominante da URSS após a morte de Lênin, consolidando seu poder ao longo dos anos.
  • 1945: Fim da Segunda Guerra Mundial. A URSS desponta como uma das superpotências após a derrota da Alemanha nazista, dando início à Guerra Fria com os Estados Unidos e seus aliados ocidentais.
  • 1949: Estabelecimento da República Popular da China. Liderados por Mao Tsé-tung, os comunistas vencem a Guerra Civil Chinesa e estabelecem o governo comunista na China continental.
  • 1959: Revolução Cubana. Liderada por Fidel Castro, a Revolução Cubana resultou na instauração de um governo comunista em Cuba.
  • 1960-1980: Disseminação do comunismo. O comunismo se espalhou por várias partes do mundo, como os países do bloco oriental da Europa (Europa Oriental), Vietnã, Laos, Camboja e outros.
  • 1989-1991: Queda do comunismo europeu. Eventos como a queda do Muro de Berlim (1989) e o colapso da URSS (1991) marcam o fim do bloco comunista europeu e o enfraquecimento do comunismo globalmente.
  • Século XXI: Comunismo Contemporâneo. O comunismo continua a existir em alguns países, embora tenha perdido a influência global que teve durante o século XX.

Engana-se quem ignora e subestima a força e a determinação expansionista e dominadora dos defensores do comunismo! Vale ressaltar que a causa nunca foi pela igualdade ou pelos menos favorecidos, mas sim pela ambição do poder. Eles estão mais vivos do que nunca, com tentáculos nos sindicatos, nas escolas e universidades, nas várias expressões e manifestações culturais (marxismo cultural) etc. É um comunismo travestido de socialismo. Eles podem esconder o rótulo, mudar a embalagem, mas o produto é o mesmo: estado forte e ditador; fim do direito a herança, a propriedade etc. Eles são como o diabo, nunca desistem! Por mais que nós cristãos esclarecidos e atentos repelimos essa ideologia, não podemos deixar de admirar o zelo e determinação que têm em prol da sua causa.

Conta-se que, em certa ocasião, Billy Graham leu uma carta escrita por um estudante universitário americano que se converteu ao comunismo, no México. O propósito da carta era explicar à sua noiva os motivos que o levavam a romper o seu compromisso com ela. Preste bem a atenção ao que ele diz e compare com a sua vida cristã. É bom deixar claro desde já que não há aqui qualquer incitação ao fanatismo cristão, tão somente à necessidade de reflexão sobre a proposta do discipulado cristão e como estamos respondendo a ela. Eis o texto da carta:

“Nós comunistas temos alto índice de baixas. Somos dos que são alvejados, enforcados, linchados, provocados, intimados, detidos, despachados dos empregos, e por todos os outros meios dão-nos tanto desconforto quanto possível. Certa porcentagem de nós é morta ou aprisionada. Vivemos virtualmente na pobreza. Devolvemos ao partido cada centavo além do absolutamente necessário para manter-nos vivos. Nós comunistas não temos tempo para muitos cinemas, concertos, lautas refeições, ou casas decentes e carros novos. Temos sido descritos como fanáticos. Somos fanáticos. As nossas vidas são dominadas por um grande fator que a tudo eclipsa: A LUTA PELO COMUNISMO MUNDIAL.

Nós comunistas temos uma filosofia de vida que nenhuma soma de dinheiro poderia comprar. Temos uma causa pela qual lutar, um propósito definido na vida. Subordinamos o nosso pequenino ´eu` pessoal a um grande movimento da humanidade, e se a nossa vida pessoal parece dura, ou se o nosso ego parece sofrer com a subordinação ao partido, temos adequada recompensa no pensamento de que cada um de nós a seu modesto modo, está contribuindo para algo novo, real e melhor para a espécie humana. Há uma coisa na qual estou empenhado com um intenso zelo, e essa coisa é a causa comunista. É minha vida, meu negócio, minha religião, minha distração, minha namorada, minha esposa, minha amante, meu pão, minha comida. Trabalho por essa causa o dia inteiro, e de noite sonho com ela. Sua posse sobre mim cresce; não diminui com o passar do tempo. Portanto, não posso dar continuidade a uma amizade, a um caso de amor, ou sequer a uma conversação, sem ligar isso a esta força que ao mesmo tempo empurra e guia a minha vida. Avalio as pessoas, os livros, as ideias e as ações segundo a forma como afetam a causa comunista e por sua atitude para com ela. Já estive na prisão por causa das minhas ideias e, se necessário, estou pronto para enfrentar o pelotão de fuzilamento.”

Enfim, se os comunistas podem ser assim tão determinados e dedicados à sua causa, quanto mais nós cristãos deveríamos nos entregar, de corpo e alma, à causa de Cristo? Ou, será que o que Cristo fez por nós não merece que façamos tudo por ele? Ou, será que uma causa como a comunista, terrena e limitada a esta vida, com efeito desastroso para a humanidade, seria mais importante do que a de Cristo, que traz uma nova vida que jorra para a vida eterna?

Conclusão

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10.25)

Muitos são os desafios que se apresentam para a igreja à medida que o dia da volta de Cristo se aproxima. Desafios externos e internos à igreja. A sedução do secularismo e dos atrativos efêmeros ofertados tentam nos desviar do foco e da nossa principal missão aqui neste mundo. Muitos que caminham conosco se levantam criticando a igreja e outros, que já desertaram seguindo “carreira solo” incentivam a opção de “desigrejados”. Muitos perderam de vista que foram salvos para servir e se comportam como clientes exigentes a serem servidos. A perseguição à igreja aumenta cada vez mais porque ela ainda incomoda e se opõe às ideologias nefastas e práticas pecaminosas desse sistema mundano.

“Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma.” (2Co 12.15)

Portanto, diante de tal contexto e na expectativa da iminente volta de Cristo, não é o caso de se render à apostasia. Ao contrário, vigiemos e oremos. Permitamos que o nosso coração possa arder por Cristo, continuamente. Que, no tempo que se chama hoje, possamos nos empenhar, nos gastar, servindo ao Senhor, à sua igreja, aos irmãos e aos ainda não alcançados pela graça divina!   

“exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.12)

É tempo de nos admoestarmos e encorajarmos uns aos outros!

Que o Senhor nos ajude!

Bibliografia
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. O Discipulado verdadeiro – William MacDonald (Ed. Mundo Cristão).
4. Enciclopédia Mirador Internacional.
5. Internet.


[1] Internet

[2] “Tendo em vista a situação específica de sua época, Marx fornece em seguida algumas características do comunismo: abolição da propriedade dos meios sociais de produção, o que não significa abolição de toda e qualquer espécie de propriedade privada; supressão da apropriação do trabalho de outrem; supressão da estrutura familiar burguesa, o que não significa supressão da família.”