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Posts Tagged ‘Dia dos pais’

Pai, que ser é esse?

Filho pensa do pai

1. O que o filho pensa do pai?

Eu ainda era muito jovem, talvez um adolescente, quando meu falecido pai, há mais de 40 anos me deu um pequeno cartão laranja com o título: “O que o filho pensa do pai”. Os dizeres eram mais ou menos como os da figura ao lado. Ao ler o texto, naquela ocasião, fiquei com algumas interrogações: Será que é assim mesmo que funciona a relação filho x pai? Será isso uma “estratégia de pai” para facilitar a aceitação de suas argumentações e posicionamentos? Será isso mais uma daquelas filosofias populares sem muita sustentação?  Confesso que o texto dá o que pensar. É claro que cada relacionamento filho x pai é única. É claro, também, que há todo tipo de pai e todo tipo de filho. Sem querer dar um veredito final na validade ou não desse texto, devo admitir que um aspecto positivo nele é que nos leva a refletir sobre o fato de que um filho passa por várias fases em sua vida. Em algumas dessas fases ele valoriza mais o pai e em outras pode chegar até a ignorá-lo e desprezá-lo. A lição que se pode tirar daqui é que, independentemente desse pai ser um “super-homem” ou alguém muito limitado vale a pena ouvi-lo, desenvolver uma boa amizade com ele, dentro do possível.

2. O relacionamento pai x filho reflete o formato biológico?

Na gênese de um novo ser humano, a biologia comprova o que já se sabia na prática: o pai participa do processo de fecundação, mas é a mãe que, além de participar, se compromete integralmente, gestando em seu próprio corpo, nas suas entranhas o seu filho. Não é difícil perceber que este “formato biológico” definido por Deus tem desdobramento direto no comportamento de pai e de mãe para com seus filhos. Penso que pai e mãe normais desenvolvem grande amor e apego a seus filhos. Entretanto, o vínculo mãe x filho é algo diferenciado, expresso em prosa e verso. Por exemplo, quando Deus quis referir-se a algo quase impossível de acontecer, referiu-se à quebra desse vínculo: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” (Is 49.15). É claro que há exceções; pai que desenvolve um relacionamento com filhos muito mais forte e próximo do que a mãe. É claro que também há mães insanas capazes de jogar seu filho no lixo.

3. Como lidar com pai e mãe?

A bíblia ensina, de capa a capa, que os filhos devem honrar pai e mãe. É um mandamento com promessa (Ex 20.12; Mt 15.14; Ef 6.2). Uma forma de fazer isso é entendendo esse jeito de ser de pai e mãe, bem como a influência desse “formato biológico” mencionado anteriormente. Pai e mãe não têm o poder de mudar esse projeto de Deus, assim como nenhum de nós escolheu a família onde nasceu. Entretanto, creio que os filhos podem se abstrair um pouco desse fato gerador e construir, ao longo da vida, um relacionamento sadio e equilibrado com pai e mãe. Para ajudar nesse processo podemos citar dois aspectos distintos envolvendo pai e mãe, como regra geral (certamente há exceções):

Mãe: A aproximação dos filhos é muito importante.
Pai: A autorrealização dos filhos é muito importante.

Não estou dizendo que o pai não faz questão da aproximação dos filhos, nem que a mãe não se importa com a autorrealização deles. Minha teoria aqui é que a mãe considera o filho “parte dela”. Se um filho quiser deixar sua mãe na pior é só não telefonar pra ela, não visitá-la etc. Esse apego de mãe, as vezes, extrapola o limite da normalidade e vira superproteção. E, assim, os filhos marmanjos correm o risco de se acomodar vivendo à sombra dos pais. No projeto original de Deus a mulher ficava protegendo “sua cria”, enquanto o homem, mais forte fisicamente, saia para caçar ou cuidar dos animais e da plantação. Por outro lado, o pai pode parecer as vezes um pouco distante, mas vibra com o progresso do filho em todas as áreas (espiritual, conjugal, profissional e social). É claro que há casos em que o pai não apenas parece distante, ele está distante mesmo, deixando toda a responsabilidade da criação para a esposa, o que é lamentável.

Mãe: Vocação para cuidar dos filhos
Pai: Vocação para prover o sustento dos filhos

Normalmente o pai é muito desajeitado para cuidar dos filhos: segurar o bebê no colo, trocar uma fralda, vesti-lo, preparar sua refeição etc. Já a mãe faz tudo isso, quase ao mesmo tempo e de forma magistral.

Na história dos meus ascendentes há dois extremos. Meu avô paterno deixou minha avó grávida de meu pai e com mais três filhos, em terras portuguesas, e veio para o Brasil. Até onde eu sei ele abandonou minha avó, que passou a vestir luto de marido vivo e a cuidar de toda a família. Por outro lado, meu avô materno, não tendo como prover o sustento da família naquelas terras portuguesas, foi sozinho trabalhar em terras inglesas distantes. Ouvi um relato de que a despedida dos dois foi dramática, coisa vista nos filmes. Ele esteve longe dos quatro filhos durante dez longos anos, correspondendo-se apenas por cartas. Permaneceu fiel à sua esposa, minha avó, durante todo esse tempo, mandando-lhe regularmente o sustento. A família ficou bem, financeiramente, mas todos sofreram muito com essa ausência. Alguém teria coragem de dizer que este pai (meu avô materno) é menos digno de amor e apreço do que aquela mãe (minha avó materna) porque ela é que cuidou dos filhos?

4. Um cenário preocupante

Historicamente o pai é o principal provedor da família. Entretanto, nesta área, a mãe e esposa também desempenha papel importante, basta dar uma olhada no texto bíblico de Provérbios 31.10-31 (a mulher virtuosa). O grande erro cometido por muitos maridos é o de dedicar-se demasiadamente ao seu trabalho, sua profissão, distanciando-se dos filhos e delegando sua criação à esposa. Todo pai precisa entender que mais importante do que dar alguma coisa aos filhos, é dar a si mesmo!  Todo pai e toda a mãe precisa entender que, mais importante do que dar as coisas prontas para os filhos, é ensinar-lhes o passo-a-passo e dar a eles a oportunidade de fazer, por si mesmos!

O que está acontecendo hoje? Se antes tínhamos a figura do pai provedor, que sai de casa para trabalhar, hoje também temos a figura da mãe provedora, que também sai para trabalhar. Se antes era muito comum a situação de “pai distante”, agora também temos a figura de “mãe distante”. O que será desses “filhos sem pais” e da sociedade?  Não há um discurso aqui contra a mulher trabalhar fora, mas um ponto para reflexão. O que acontecia com o homem e prejudicava a paternidade, agora também está acontecendo com a mulher e prejudicando a maternidade. A mulher tem sido atraída pelo glamour da carreira profissional, pelo salário atrativo que patrocina o consumismo moderno,  pela oportunidade de convivência social, pela possibilidade de autorrealização etc etc.  De quebra a instituição familiar está sendo ameaçada devido à combinação de, pelo menos, dois fatores: o baixo padrão moral da sociedade com a oportunidade de novas experiências amorosas fruto desse convívio.

5. Choque de gerações

Pai, que ser é esse? Um ser capaz de dedicar-se intensamente ao trabalho, abrindo mão do seu tempo de descanso e de lazer, de cursos de aperfeiçoamento, para poder investir mais na educação dos filhos, mesmo sabendo que lá na frente o nível cultural desses filhos poderá dar ocasião ao desprezo e humilhação por serem pais ultrapassados. Infelizmente isso não é somente cena de novela, é muito real!

Há duas situações com alto potencial de conflito de gerações:

1ª) Pais que, por serem mais velhos que os filhos, acharem e agirem como se soubessem tudo.

2ª) Filhos que tiveram uma formação educacional privilegiada acharem e agirem que, por conta disso, estão na vanguarda dos pais e não precisam ouvi-los.

Em vez de pai e filhos viverem como se estivessem medindo forças é bem melhor que unam o que cada um tem de melhor a oferecer e dediquem isso a Deus, a família e à sociedade!

Conclusão:

Longe de ser uma autocrítica ou um ensaio de psicologia, o que foi escrito acima pode ser considerado uma reflexão a ser compartilhada. Cada um deve aproveitar como puder para melhorar a relação filho x pai ou pai x filho.

Quando se trata de pai e filho, de gerações diferentes e tão distintas, não se deve desprezar os seguintes aspectos:

– A intuição pessoal (é pérola de grande valor e independe de idade e cultura).

– A sabedoria e experiência adquiridas na escola da vida real.

– O mundo virtual pode oferecer muita informação e dar muitas respostas; entretanto, nem tudo ali é verdadeiro.

– A graça divina e a iluminação de Deus sobre uma pessoa (1Co 1.12).

Ore a Deus pelo seu pai, valorize-o e seja seu amigo.

Sugiro que você ouça e reflita na letra do cântico abaixo:

Velho (Grupo Logos)

Velho, o tempo já se foi…
As águas são passadas, moinhos não movem mais.
Velho, de um dia tão antigo…
teus dias, gastos comigo, fizeram de mim o que sou

Fruto do tronco desta vida tua,
em plena rua, teu vigor roubei;
da tua paz tirei, do teu amor suguei,
do teu suor comi, no teu calor dormi.
Sou filho teu!

Velho, o tempo está aqui:
no filho que é teu renovo, de novo a vida se fez.
Velho, tu foste a semente,
pra que eu fosse, somente, a continuidade de ti.

Fruto…
Velho, o tempo está aqui…

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Sete coisas que todo pai precisa saber e praticar

Sete coisas que todo pai precisa saber e praticar (Gênesis 34; 35.1-15)

1ª) Você é imperfeito e incapaz de evitar todo o mal que possa ser produzido contra ou por tua família. (Gn 34)

Só pra lembrar….

Você não é totalmente responsável:

a) Por tudo de bom que acontece com teus filhos ou por todas as suas boas ações e práticas; ou,

b) Por tudo de mal que acontece com teus filhos ou por todos os seus maus comportamentos.

Porém, você tem muita influência nisso, quer através do teu exemplo pessoal, quer através da forma com que você se relaciona com eles!

Diná[1] (Gn 30.21; 46.15) é a personificação do mal do mundo sobre a tua família.

“Ora, Diná, filha que Lia dera à luz a Jacó, saiu para ver as filhas da terra. Viu-a Siquém, filho do heveu Hamor, que era príncipe daquela terra, e, tomando-a, a possuiu e assim a humilhou.” (Gn 34.1-2)

Depois de Jacó e sua família viajarem cerca de 800 Km chegaram à cidade de Siquém, uma terra estrangeira com gente desconhecida. Ali habitando, a curiosidade ingênua da jovem Diná resultou em uma tragédia inesperada.

De quem é a culpa de tragédias familiares como essa? Falta de orientação dos pais? Imprudência dos filhos?

– O jovem Siquém serve de alerta para o perigo de gente movida por impulso, que primeiro faz e depois pensa como remediar a situação.

– A jovem Diná serve para alertar que gente nova precisa saber que a curiosidade às vezes mata ou deixa sequelas indeléveis.

– Essa tragédia serve para alertar que gente madura precisa ajudar a formar anticorpos sociais nos mais novos.

Os riscos da nossa época são menores?

– Creio que não. Nossos filhos nem precisam sair para ver; os maus comportamentos e armadilhas entram, sem pedir licença, nas nossas casas, pela porta da TV, Telefone, Internet etc.

Simeão e Levi (Gn 34.25-27) são a personificação do mal da tua família sobre o mundo.

“Ao terceiro dia, quando os homens sentiam mais forte a dor, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, entraram inesperadamente na cidade e mataram os homens todos. Passaram também ao fio da espada a Hamor e a seu filho Siquém; tomaram a Diná da casa de Siquém e saíram. Sobrevieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade, porque sua irmã fora violada.” (Gn 34.25-27)

Inconformados com o estupro da irmã, Simeão e Levi tramaram uma terrível vingança. Convenceram, maliciosamente, o jovem estuprador e seu pai de que dariam sua irmã em casamento se ele, seu pai e todos os homens da sua cidade fossem circuncidados, como os judeus. Eles não somente concordaram, como também conseguiram convencer os seus patrícios a se circuncidarem. No terceiro dia após, a circuncisão, os dois filhos de Jacó atacaram, conforme relata o texto bíblico acima.

De quem é a culpa de comportamentos como esse? Falha na criação dos filhos?

Às vezes a culpa é mesmo dos pais!

– Filhos criados com excesso de atenção tendem a se tornar parasitas e eternos dependentes.

– Filhos criados sem atenção e sem limites tendem a se tornar verdadeiros monstrengos.

Entretanto, quem pode dominar a natureza humana?

– Diná era a filha caçula de Lia, primeira esposa de Jacó, e tinha seis irmãos. Se Absalão não sossegou enquanto não vingou o estupro de sua irmã Tamar pelo seu meio irmão Amnon, imagina o estado de revolta desses seis irmãos mais velhos de Diná e dos seus outros meio irmãos, com Siquém?

– A vingança foi praticada com requintes de crueldade. Por isso, eles perderam o direito a herança, por ocasião da divisão das terras conquistadas (Gn 49.5-7; 48.22).

2ª) Você precisa viver em comunhão com Deus. (Gn 35.1, etc)

Vejamos alguns flashes do relacionamento de Jacó com Deus:

Em Betel, indo para Harã, fugindo de Esaú:

“Perto dele estava o SENHOR, e lhe disse:…” (Gn 28.13)

Em Harã, passando por momentos difíceis no relacionamento com seus cunhados e sogro:

“E disse o SENHOR a Jacó: Torna à terra de teus pais e à tua parentela; e eu serei contigo.” (Gn 31.3)

“E o Anjo de Deus me disse em sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui!” (Gn 31.11)

Em Peniel, voltando para Berseba, a terra de seus pais:

“Também Jacó seguiu o seu caminho, e anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo.” (Gn 32.1)

“ Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.” (Gn 32.30)

Em Siquém, depois da atrocidade cometida pelos seus filhos:

“Disse Deus a Jacó:…” (Gn 35.1)

Jacó não é exatamente um modelo de pai ou de conduta. Antes, porém, é alguém humano e imperfeito como qualquer outro ser, com altos e baixos na sua história de vida. Entretanto, é interessante observar o seu relacionamento com Deus. É certo que se quisermos manter comunhão com Deus precisamos dizer não ao pecado. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” (Is 59.2).

3ª) Você precisa ser guiado pela Palavra de Deus. (Gn 35.1; Jr 15.16)

“Disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão.” (Gn 35.1)

Quem vive em comunhão com Deus, necessariamente é impelido a se orientar pela sua santa palavra. Jacó tinha o privilégio de ouvir diretamente a voz de Deus. Nós, temos hoje o grande privilégio de ouvir a voz de Deus através da Bíblia, a revelação completa de Deus aos homens.

Mais uma vez Jacó vivia um momento crítico em sua vida, devido à desgraça provocada por seus filhos, massacrando os moradores de Siquém. Algo precisava ser feito e não podia ser adiado. Naquelas circunstâncias, a palavra de Deus chegou até aquele pai e, perpassando os séculos, chega também até nós com as seguintes instruções (versículo 1):

a) Levanta-te: Saia imediatamente desse atoleiro ou dessa zona de conforto. Abandone esse estado de inércia, de acomodamento, de conformismo, como se você fosse uma estátua no cume de um monte ou um carro com os quatro pneus arriados. Mexa-se! Faça o que vou te dizer!

b) Sobe a Betel: Betel é o lugar do encontro com Deus. Lugar onde você chega extenuado da caminhada da vida, cansado dos seus próprios esforços, impossibilitado de continuar a caminhar pela densa escuridão da noite existencial que te envolve e te aperta e te sufoca. É o lugar onde você se prostra diante de Deus,  com todas as tuas crises e frustrações, fobias e apreensões, e ali, o Senhor estende uma escada de escape que liga o teu inferno existencial ao céu da graça e glória de Deus-Pai. E essa escada tem nome: Jesus Cristo, o Filho de Deus, Senhor e Salvador. Jacó tinha passado por ali em situação aflitiva, quando fugia do seu irmão Esaú e feito um voto. Esse voto precisava ser agora cumprido (Gn 28.20-22).

c) Habita ali: Deus não quer que Betel seja apenas um lugar de passagem. Betel não pode ser apenas lugar de abrigo e refúgio temporários em momentos de turbulência na caminhada da vida. Betel tem que ser lugar para estar sempre, para morar ali, pois “é a casa de Deus, a porta do céu” (Gn 28.16).

d) Faze um altar: O lugar onde Deus está e onde Deus quer que também nós estejamos é lugar de adoração. Não é possível imaginar estar com Deus e não adorá-lo em espírito e em verdade.

Betel ficava aproximadamente a 24 Km ao sul de Siquém. Para os caminhantes daquela época era logo ali. Quando Jacó foi para Harã ele viajou aproximadamente 90 Km de Berseba a Betel e 830 Km de Betel a Harã. Betel é lugar de confirmação de aliança e renovação de promessas; lugar de bênçãos (Gn 28.10-19). É muito perto de onde você está agora! Muito mais perto do que todos os caminhos que muitos pais têm trilhado na tentativa de fazer o melhor para a sua família confiando apenas no seu próprio esforço.

4ª) Você precisa exercer os papéis de profeta, sacerdote e pastor da tua família. (Gn 35.2)

“Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes;” (Gn 35.2)

Profeta no AT era aquele que ouvia a palavra de Deus e a transmitia ao povo. Portanto, ele ficava de costas para Deus e de frente para o povo. Era um mensageiro de Deus em nome de Deus: “Assim diz o SENHOR…..”

Sacerdote no AT era aquele que levava as transgressões das pessoas diante de Deus e intercedia por elas com vistas ao  perdão divino. Portanto, ele ficava de costas para o povo e de frente para Deus. Além de mediador e intercessor era também um ensinante (ver também Ml 2.6-7).

Pastor no AT, o de ovelhas era aquele que guiava e cuidava do rebanho.

Quando Jacó ouviu as palavras de Deus e a transmitiu à sua família ele estava desempenhando o seu papel de profeta. Além de revelar os mistérios de Deus, um profeta denuncia o pecado. Vejamos as ações de um profeta, sacerdote e pastor na sua família:

a) Santificação: É a decisão de separação efetiva de qualquer outra divindade ou objeto de culto, para uma dedicação e entrega, totais e incondicionais, ao Deus único, vivo e verdadeiro.

b) Purificação: É o processo de limpeza, de retirada da nossa vida de tudo aquilo que contamina o nosso ser e, além de desagradar e nos afastar de Deus, nos é prejudicial. Começa com a confissão de pecados por pensamentos, obras, ações e omissões. Continua com o firme propósito de não viver pecando (1 Jo 3.9). Se efetiva com a expiação pelo sangue e o perdão de Deus.

c) Mudar as vestes: É a atitude de substituir o velho pelo novo, o sujo pelo limpo. Veste, na bíblia, é símbolo de justiça. Então, mudar as vestes é substituir a velha justiça e as velhas práticas, pela nova justiça de Cristo e por novas obras “preparadas por Deus para que andássemos nelas antes da fundação do mundo”. Não basta romper com o erro; é preciso praticar o que é certo!

Essas três etapas eram necessárias e seriam complementadas pelo profeta-sacerdote-pastor Jacó diante do altar, lá em Betel.

5ª)  Você precisa saber conduzir tua família a obedecer a Deus (Gn 35.4)

“Então, deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que tinham em mãos e as argolas que lhes pendiam das orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.” (Gn 35.4)

Isso deve ser feito com muita sabedoria, dedicação e oração, nunca por decreto ou por força ou por violência. Não é eficaz obrigar os filhos pequenos a participar de culto doméstico, ler a bíblia e ir à igreja. Conduzir não é obrigar! Antes de tudo é preciso viver uma vida cristã tão linda que contagie os outros membros da família a amar a Deus, obedecê-lo e fazer sua vontade. É preciso respeitar sempre a individualidade de cada um.

6ª) Você e tua família são protegidos pelo Senhor quando obedecem à sua voz (Gn 35.5-7)

“E, tendo eles partido, o terror de Deus invadiu as cidades que lhes eram circunvizinhas, e não perseguiram aos filhos de Jacó.” (Gn 35.5)

Por temor ou por tremor a família de Jacó obedeceu à voz de Deus. Então, o Senhor infundindo terror, impediu que os cananeus vingassem o massacre do povo de Siquém. Lembre-se: Deus não tem compromisso com ímpios!

7ª) Você é alguém que é alvo de um propósito de Deus. (Gn 35.9-15)

Deus tinha um propósito grandioso na vida de Jacó. Dele sairia a nação de Israel, o povo escolhido de Deus. Dessa nação nasceria Jesus Cristo, o salvador do mundo. Nele, em Jesus, todas as famílias da terra seriam abençoadas, conforme sua promessa a Abraão (Gn 22.18).

Eu não sei, você talvez não saiba, mas Deus sabe de todas as coisas. “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” (Jr 29.11). Ele tem um propósito para cada vida e para cada família. Cuide de realizar a tua parte, o teu papel, na liderança da tua família e o Senhor cumprirá o seu propósito.

Você que é Pai, anda na presença do Senhor e sê perfeito! Sê tu uma bênção! Toma posse dessa palavra a Jacó:

“Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo,  tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei,  não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” (Is 41.8-10)


[1] Diná (Hb.): seu nome no hebraico significa “justiça” ou “julgamento” ou “julgado”.

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