Desculpas que não justificam!?

Introdução

A brevidade da vida é uma realidade que todos nós inevitavelmente enfrentamos. A vida, com todas as suas complexidades e belezas, passa num piscar de olhos. Cada dia é um presente efêmero, e as experiências que vivemos, os momentos que compartilhamos, logo se transformam em memórias. Essa transitoriedade nos lembra da importância de valorizar o presente, de apreciar as pequenas alegrias e de cultivar relações significativas. É um convite a viver com propósito e intensidade, a não adiar os sonhos e a expressar amor e gratidão a cada oportunidade.

Mário Quintana escreveu assim sobre “O Tempo“:

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
……………………..”

A consciência da brevidade da vida deve nos ensinar a ser mais humanos, a ter mais empatia, a fazer mais, a amar mais, a perdoar mais, a complicar menos e a investir para deixar um legado que transcenda o tempo limitado que temos este mundo.

Entretanto, mais importante do que tudo isso, é encontrar e percorrer o caminho que nos leva a eternidade. Há muitas desculpas e posicionamentos que nos impedem de alcançar o mais sublime objetivo desta vida, que nos catapulta para a vida eterna. Não se trata de aderir a uma religião, mas encontrar o único caminho que nos leva a Deus, nosso Criador – Jesus Cristo, que disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6).

Veja, a seguir, algumas dessas desculpas e o que a Bíblia diz. No final você encontrará um SUMÁRIO que facilitará a consulta dos itens.
Nota: Clique no versículo com link para lê-lo.

Veja: Gálatas 2.16 | Efésios 2.8-9 | Tiago 2.10 | Mateus 9.13

||> O esforço humano, por si só, não pode trazer a salvação ou tornar a pessoa justa diante de Deus. O evangelho ensina que a nossa salvação e justificação não vêm das nossas obras ou méritos pessoais, mas pela fé em Jesus Cristo e pela graça de Deus.

– A Justificação pela fé, não pelas obras da lei (Gl 2.16)
– A salvação é um presente de Deus, não é por mérito (Ef 2.8-9)
– A gravidade de quebrar um só mandamento (Tg 2.10)
– Misericórdia, não sacrifício (Mt 9.13)

A questão não é o que fazemos, mas crer no que Deus fez por nós, em Cristo. A natureza humana caída é pecadora, nada podendo fazer para satisfazer a justiça divina: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). Não somos nós que estendemos a mão para Deus, na tentativa de chegar a ele. É Deus mesmo quem nos estende sua mão de amor e misericórdia, na pessoa de Cristo. Todos precisamos ser regenerados e habitados pelo Espírito Santo para vivermos uma nova vida e herdarmos a vida eterna!

Veja: Provérbio 14.12 | Mateus 7.21 | João 14.6 |  Atos 4.12

||> É importante respeitar as convicções pessoais, mas também é essencial mostrar o que a Bíblia ensina sobre a verdade e o caminho para a salvação. A Palavra de Deus nos adverte sobre o perigo de confiar nas nossas próprias ideias e nos chama a reconhecer Jesus como o único caminho para Deus.

– O caminho que parece certo, mas leva à morte (Pv 14.12)
– Fazer a vontade de Deus, não apenas ter convicções (Mt 7.21)
– Jesus é o único caminho (Jo 14.6)
– A salvação está somente em Jesus Cristo (At 4.12)

Observem o que disse George R. Foster: “As religiões podem ser em dois tipos – as organizadas e as pessoais. Uma religião organizada pode ser comparada a uma muda de roupas que alguém mandou fazer e depois resolveu obrigar todo mundo a modificar seu corpo para poder vesti-la. A religião pessoal é aquela em que o indivíduo tira suas medidas e depois manda fazer a roupa. Embora aceitemos as doutrinas de uma determinada crença, “costuramos” para nós uma religião própria, adequada às nossas exigências. Até os ateus ´fabricam` sua religião antirreligiosa, para ter uma base de apoio pessoal.”

Não se trata de ter ou defender uma religião, mas de crer que só existe um Salvador, Jesus Cristo, o Filho de Deus! “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2Co 5.18-21)

Portanto, a Bíblia deixa claro que não podemos confiar em nossas próprias opiniões para determinar o caminho para a vida eterna. Precisamos nos submeter à verdade de Deus, revelada em Jesus Cristo, o único que pode nos salvar.

Veja: Isaías 1.18 | 1Timóteo 1.15 | Marcos 2.17 | Lucas 19.10

||> Já é um bom começo esse sentimento de culpa, acreditando que seus erros o afastaram completamente de Deus. Felizmente, a Bíblia nos mostra que não há pecado grande demais para o perdão de Deus. A graça de Deus é maior do que qualquer pecado, e ele deseja salvar todos aqueles que se arrependem e vêm a ele com fé.

– Deus perdoa todos os pecados, não importa o tamanho (Is 1.18)
– Cristo veio para salvar os pecadores, mesmo os “piores” (1Tm 1.15)
– Jesus veio para os pecadores, não para os justos (Mc 2.17)
– Jesus busca e salva os perdidos (Lc 19.10)

Sim, o fato de você reconhecer que é um pecador já é um bom começo; um sinal e evidência de que o Espírito Santo já está atuando e te levando à convicção do pecado. Cristo tem o poder de salvar, do jeito que a pessoa estiver. “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” (Is 55.7)

Portanto, não importa o quão grandes seus pecados pareçam ser ou sejam, Jesus veio justamente para pessoas como você. Ele está pronto para perdoar, restaurar e dar nova vida àqueles que se arrependem e creem nele.

Veja: Jeremias 13.23 | Lucas 12.19-20

||> Pode até parecer boa a ideia de que você precisa resolver suas próprias questões antes de se aproximar de Deus ou de entregar sua vida a Cristo. No entanto, a Bíblia ensina que não podemos nos consertar sozinhos e que adiar essa decisão é perigoso, pois a salvação é urgente.

– A incapacidade humana de se transformar sozinho (Jr 13.23)
– O perigo de adiar a decisão (Lc 12.19-20)

Não se começa a construir uma casa pelo telhado. É preciso iniciar assentando um bom alicerce. Não se pode organizar uma biblioteca sem ter uma boa estante. Não se pode pôr em ordem uma vida sem uma regeneração espiritual, sem a alicerçar com princípios e valores superiores.

Portanto, a melhor decisão é vir a Deus agora, do jeito que você está. Não espere para “organizar” sua vida primeiro, porque é Deus quem te ajuda a colocar as coisas em ordem. Ele é o único que pode transformar seu coração e dar a verdadeira paz e direção para sua vida.

Veja: Mateus 11.29-30 | Mateus 6.33 | Marcos 8.36 | Romanos 8.32

||> De fato, é comum alguém considerar a necessidade de se renunciar muitas coisas, isso geralmente revela uma preocupação com o que precisaria ser abandonado para seguir a Cristo. No entanto, a Bíblia ensina que aquilo que Jesus nos oferece é infinitamente superior ao que podemos “perder”. O que renunciamos ao segui-lo é substituído por algo muito mais valioso: vida plena e eterna.

– O jugo de Cristo é leve (Mt 11.29-30)
– As prioridades certas redundam em provisão divina (Mt 6.33)
– De que adianta ganhar o mundo e perder a alma? (Mc 8.36)
– Deus nos dá todas as coisas com Cristo (Rm 8.32)

A vida é feita de escolhas que podem ser boas ou más. Há coisas e situações que à primeira vista parecem boas, atraem, enchem os olhos, seduzem, mas levam a um triste fim. É preciso saber distinguir entre as coisas efêmeras e sem valor do tempo presente, e as coisas valiosas e perenes. Jesus esvaziou-se assumindo a forma de servo (Fp 2.7-9) e pagou um alto preço para nos reconciliar com o Pai (1Pe 1.18-19). O que para o apóstolo Paulo era lucro, ele o considerou como perda, por causa de Cristo (Fp 3.7-9). Há supostas perdas que, na realidade são grandes lucros!

Portanto, seguir a Jesus pode envolver renúncias, mas o que ganhamos ao entregar nossa vida a ele é infinitamente superior a qualquer coisa que possamos deixar para trás. A verdadeira vida está em Cristo, e tudo o que renunciamos por ele será retribuído com bênçãos e a alegria da vida eterna.

Veja: 2Coríntios 6.2 | Isaías 55.6 | Salmos 95.7-9 | Tiago 4.13-17

||> Esperar, antes de entregar sua vida a Cristo ou se comprometer com Deus, é uma tentativa de adiar uma decisão fundamental. Contudo, a Bíblia deixa claro que o tempo para buscar a Deus é agora, pois não temos controle sobre o futuro.

– O tempo da salvação é agora (2Co 6.2)
– Busque a Deus enquanto há tempo (Is 55.6)
– Não endureça o coração hoje (Sl 95.7-9)
– O futuro é incerto (Tg 4.13-17)

Se você ainda não tomou uma decisão por Cristo, o tempo é hoje, agora mesmo. Como expressa o dito popular: “Antes tarde, do que mais tarde”, ou “Antes tarde, do que nunca”. Não há como garantir que teremos mais uma hora de vida, outro dia, outro ano…. O assunto é muito sério e a resposta é inadiável.

Portanto, adiar a entrega da vida a Cristo é uma decisão perigosa, pois o amanhã é incerto. A Bíblia nos chama a buscar a Deus agora, enquanto ouvimos sua voz e enquanto temos a oportunidade de nos aproximar dele. Hoje é o dia da salvação, e não há tempo a perder.

Veja: Romanos 1.19-22 | Salmos 19.1 | Salmos 14.1

||> É fato que há pessoas que creem na ciência, mas recusam-se a acreditar em Deus. A Bíblia responde com uma visão clara sobre a existência de Deus e sua revelação tanto na criação quanto na consciência humana. A Escritura nos ensina que, mesmo quando alguém nega a existência de Deus, há evidências claras de sua presença e poder.

– A evidência de Deus na criação (Rm 1.19-22)
– A criação declara a glória de Deus (Sl 19.1)
– Negar a existência de Deus é insensatez (Sl 14.1)

Alguns se declaram ateus, outros dizem: “Eu não sou ateu. Sou agnóstico. Não digo que não há Deus. Digo que não sei se há Deus”. Um europeu, atravessando o deserto do Saara, estava sendo guiado por um árabe. Três vezes por dia este ajoelhava-se na areia quente e invocava o nome de Alá. Depois de alguns dias o europeu perguntou-lhe: “- Por que oras, como sabes que há Deus?”. O árabe fitou os olhos no sujeito e replicou: “- Senhor, um homem passou por nossa tenda, não o vi, mas vi os seus rastos na areia e sei que ele passou. Ora, nunca ouvi Deus falar, nunca o vi, mas em toda a natureza posso ver os seus rastos; portanto sei que ele existe”. É isso mesmo. Os rastos de Deus, que se veem em todo o lugar, são a melhor prova que ele existe.

No dizer de Philip Schaff, “Há uma tríplice revelação de Deus: 1- A revelação interna da razão e da consciência, em cada indivíduo (Rm 2.15; Jo 1.9); 2- Há uma revelação externa, na criação, a qual proclama o poder, a sabedoria e a bondade de Deus (Rm 1.20; Sl 19); 3- Há uma revelação especial, através das Santas Escrituras, como também na pessoa e na obra de Cristo, que confirma e completa as outras duas revelações, exibindo a justiça, a santidade e o amor de Deus”. Dizem que se precisa de mais fé para rejeitar a crença em Deus do que para aceitá-la. Agostinho, bispo de Hipona, disse: “Todo homem nasce com um vazio dentro de si, que tem o formato de Deus e só pode ser preenchido pelo Filho de Deus.”

Portanto, a posição bíblica é clara: Deus existe e suas evidências são visíveis em toda a criação. Negar essa realidade é uma escolha que resulta em insensatez e afastamento da verdade. Deus está sempre revelando sua presença, e todos são chamados a reconhecê-lo e buscá-lo enquanto é tempo.

Leitura sugerida: Deus existe?

Veja: 1João 1.8-10 | Tiago 3.2 | Provérbios 24.16 | Gálatas 6.1 | Mateus 26.41

||> Que os crentes têm falhado e há alguns que são hipócritas pode ser uma crítica legítima que tem a ver com a falibilidade humana, incluindo a dos cristãos. A Bíblia reconhece que, mesmo aqueles que seguem a Cristo, ainda lutam contra o pecado e às vezes falham. No entanto, ela também ensina como devemos lidar com essas falhas e nos orienta sobre a importância do arrependimento, da restauração e da vigilância espiritual.

– Todos pecamos, mas há perdão (1Jo 1.8-10)
– Todos tropeçamos de muitas maneiras (Tg 3.2)
– O justo pode cair, mas se levanta (Pv 24.16)
– Ajuda e restauração em vez de condenação (Gl 6.1)
– Vigiar e orar contra a tentação (Mt 26.41)

Os crentes (ou o cristianismo) não têm falhado na vida daqueles que realmente receberam Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Na igreja, também há o “joio” (o falso crente) no meio do “trigo” que, eventualmente, pode confundir os olhares menos atentos! Somos libertos da Condenação do Pecado (Rm 8.1) e do Domínio ou Poder do Pecado (Rm 6.14), mas não da Presença do Pecado (Rm 13.11). Portanto, enquanto está neste corpo, o cristão está sujeito a pecar, mas aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado (1Jo 3.9). É preciso deixar claro que somente Cristo serve de referência e exemplo! “Quem sai da igreja por causa de pessoas, nunca entrou lá por causa de Jesus.” E, mais: “Quem entra ou deixa de entrar, para a igreja, por causa de pessoas, ainda não teve um verdadeiro encontro com Cristo! Alguém disse: “É melhor passar um pouco de tempo com ´alguns hipócritas` aqui na terra, do que passar a eternidade com todos eles no inferno!”

Portanto, o cristianismo não é sobre perfeição humana, mas sobre a graça de Deus que restaura e transforma, mesmo quando falhamos. Os verdadeiros cristãos reconhecem suas falhas e buscam mudança e restauração por meio de Cristo.

Veja: Isaías 55.6-7 | Efésios 1.13 | Efésios 2.8 | João 1.12

||> É preciso crer para sentir e não o contrário. Algumas pessoas expressam uma dificuldade comum em termos espirituais – a luta para sentir ou entender a fé. No entanto, a Bíblia nos oferece respostas encorajadoras para essa questão, apontando que a fé não depende das emoções humanas, mas da verdade de Deus e da sua obra em nós.

Deus é acessível para aqueles que o buscam (Is 55.6-7). Mesmo quando não sentimos nada, somos chamados a buscá-lo pela fé, crendo que ele está perto. Mesmo que você não sinta nada agora, busque a Deus com sinceridade. Ele está mais perto do que você imagina, e sua promessa é que, ao nos voltarmos para ele, encontraremos perdão e graça.

A fé vem pela Palavra da verdade (Ef 1.13). A fé vem ao ouvir a mensagem da verdade – o evangelho. Ouça, leia e medite na Palavra de Deus, e deixe que ela desperte a fé em seu coração, independentemente de como você se sente.

A fé é um dom de Deus (Ef 2.8). A fé não é algo que você precisa “gerar” sozinho – ela é um presente de Deus, oferecido a você pela sua graça. Peça a Deus por esse dom, e confie que ele está disposto a concedê-lo.

Intelecto – Vontade – Emoções | Essa é a sequência sadia!

a) O intelecto reconhece o fato.
b) A vontade toma uma decisão.
c) A emoção pode ser alegria.

Conversão é uma experiência de CRER para SENTIR!

Veja: Romanos 3.10-19 | Romanos 3.23a | Romanos 5.12 | 1João 1.10

||> Quando alguém afirma: “Não faço nada de mal“, essa pessoa pode estar expressando uma crença de que sua vida moral é suficiente para ser justificada diante de Deus. No entanto, a Bíblia nos ensina que todos os seres humanos, sem exceção, são pecadores e necessitam da graça de Deus.

A condição universal de pecado (Rm 3.10-19).
Todos pecaram (Rm 3.23a).
O pecado entrou no mundo e afetou a todos (Rm 5.12).

O apóstolo Paulo cita vários textos do Antigo Testamento para deixar claro que todos são pecadores e estão afastados de Deus por natureza. Ele enfatiza que não há ninguém justo por seus próprios méritos. Quando alguém diz que “não faz nada de mal”, a Bíblia responde que, segundo o padrão perfeito de Deus, todos se desviaram e não fazem o bem de maneira completa e pura. A palavra “pecado” significa errar o alvo – o alvo da perfeição moral e espiritual que Deus exige. Mesmo que alguém pense que suas ações são moralmente boas, aos olhos de Deus, ninguém alcança a perfeição de sua santidade. Pecado não é apenas fazer algo visivelmente errado, mas também deixar de fazer o bem perfeito que Deus exige.

Ainda que você não veja maldade em suas ações, todos pecaram e estão distantes da perfeição que Deus requer. Isso inclui tanto o que fazemos (ação), quanto o que deixamos de fazer (omissão). Isso significa que, diante de Deus, ninguém pode ser justificado pelas próprias ações, pois todos pecam de uma forma ou de outra, seja em ações, pensamentos ou omissões. Não importa se você não faz grandes maldades aos olhos humanos; a Bíblia diz que todos se desviaram do caminho de Deus e não há nenhum justo por si mesmo. Todos estão sob o julgamento da lei de Deus.

– Negar o pecado é chamar Deus de mentiroso (1Jo 1.10).

Ao dizer que não peca, você está rejeitando a verdade que Deus revelou. Todos são pecadores, e negar isso é chamar a Deus de mentiroso, colocando-se fora da comunhão com ele.

Veja: 1João 3.10 | João 8.44a | João 1.12

||> Quando alguém afirma: “Todo mundo é filho de Deus“, essa pessoa expressa uma visão comum, mas não exatamente bíblica. A Bíblia ensina que, embora Deus seja o Criador de todos, nem todos são chamados de “filhos de Deus” no sentido espiritual e relacional. As Escrituras deixam claro que ser filho de Deus é um privilégio concedido àqueles que creem em Jesus Cristo e o recebem como Salvador.

– A distinção entre filhos de Deus e filhos do diabo (1Jo 3.10)
– Os Filhos do diabo rejeitam a verdade de Deus e vivem na mentira (Jo 8.44a)
– O privilégio de ser feito filho de Deus (Jo 1.12)

Enfim, a ideia de que “todo mundo é filho de Deus” é uma noção popular, mas não está alinhada com o ensino bíblico. Portanto, ser chamado de filho de Deus é um privilégio exclusivo para aqueles que depositam sua fé em Jesus Cristo e vivem de acordo com a verdade e vontade de Deus. Somente por meio de Cristo, uma pessoa pode entrar em um relacionamento de verdadeira filiação com o Pai celestial.

Veja: Lucas 16.22-23 | João 5.28-29 | 1Coríntios 15.16-17

||> Sim, para lá vai o corpo! E a alma e o espírito para onde vão?! Quando alguém afirma que a morte é o fim de tudo, está expressando uma visão materialista da existência humana, como se a morte fosse o término completo da consciência e do ser. No entanto, a Bíblia ensina claramente que a morte não é o fim. Ela fala de uma vida além do túmulo, de um julgamento e de uma ressurreição, tanto para os justos quanto para os injustos.

– A morte leva a um destino consciente (Lc 16.22-23)
– Existe ressurreição e julgamento após a morte (Jo 5.28-29)
– A esperança da ressurreição em Cristo (1Co15.16-17)

A Bíblia mostra que, após a morte, as pessoas continuam vivas de forma consciente, sendo levadas a destinos diferentes. A morte não é o fim, mas uma passagem para uma nova realidade, seja de consolação ou de tormento. Jesus deixa claro que haverá uma ressurreição após a morte, tanto para os justos quanto para os ímpios. Todos os que estão mortos serão chamados a se levantarem de seus túmulos, e haverá um julgamento que determinará seus destinos eternos.

O apóstolo Paulo, em sua defesa da ressurreição dos mortos, afirma que se não houvesse ressurreição, então nem mesmo Cristo teria ressuscitado. Mas, como sabemos pela Escritura, Cristo ressuscitou dos mortos, e essa é a base da nossa fé. A ressurreição de Cristo é a garantia de que nós também seremos ressuscitados. Se a morte fosse o fim, nossa fé seria inútil, e permaneceríamos em nossos pecados. A morte é uma transição, não o fim! Portanto, a morte é o início de uma nova fase de existência, onde haverá vida eterna para os justos e condenação para os ímpios. A esperança dos cristãos está firmada na certeza da ressurreição e da vida eterna com Deus, conquistada por meio de Jesus Cristo.

Veja: João 3.17, 36b | Lucas 13.3 | Romanos 2.4-5 | 2Pedro 2.4, 6, 9

||> Quando alguém diz : “Deus é bom e não me condenará!“, está expressando uma visão simplista de que o amor e a bondade de Deus são incompatíveis com o julgamento ou a condenação. No entanto, a Bíblia nos ensina que, embora Deus seja de fato amoroso e bondoso, ele também é justo e santo. O seu amor não anula a sua justiça, e ele oferece uma oportunidade de salvação por meio de Cristo, mas aqueles que rejeitam essa oferta enfrentam a condenação.

– Deus oferece salvação, mas há condenação para quem rejeita o Filho (Jo 3.17, 36b)
– A necessidade do arrependimento (Lc 13.3)
– O amor de Deus chama ao arrependimento, mas haverá julgamento para os impenitentes (Rm 2.4-5)
– Deus não poupa o pecador, mas sabe livrar os justos (2Pe 2.4, 6, 9)

Foi o próprio homem que se autocondenou! (Rm 5.12). Assim, Deus, em seu grande amor, enviou Jesus ao mundo para trazer salvação e não para condenar. Isso mostra claramente o coração amoroso e bondoso de Deus, que deseja que todos venham ao arrependimento e obtenham a vida eterna. No entanto, a salvação só é possível através da fé em Jesus Cristo. O amor de Deus nos chama ao arrependimento para que possamos escapar da ira vindoura e ser salvos por meio de Jesus Cristo. Aquele que rejeita essa oferta de salvação permanece debaixo de condenação.

Veja: Gálatas 6.7-8 | Filipenses 4.13 | Mateus 11.28-29

||> É compreensível quando alguém expressa esse sentimento de impotência diante das dificuldades e lutas interiores relacionados a maus hábitos, maus comportamentos e vícios. No entanto, a Bíblia nos dá esperança e mostra que, através da fé em Jesus Cristo, não estamos sozinhos em nossa luta contra o pecado e os vícios. Deus oferece força, libertação e transformação para aqueles que se voltam para ele.

– As consequências de semear na carne (Gl 6.7-8)
– O poder de Cristo para suportar e vencer (Fp 4.13)
– O descanso e a libertação em Jesus (Mt 11.28-29)

O chamado de Deus é para que a pessoa venha como está e com a bagagem de vida que tiver, por pior que seja. Então, é o Espírito Santo de Deus que fará a transformação. Engana-se quem pense ou defenda algo diferente disso. Quando alguém vive continuamente nos caminhos maus, semeando na “carne” – ou seja, vivendo segundo os desejos pecaminosos e vícios – colherá a corrupção. Isso significa destruição física, emocional e espiritual. Contudo, Paulo apresenta uma alternativa: semear no Espírito.

Quem vive em obediência ao Espírito de Deus colherá vida eterna e os frutos da nova vida em Cristo. Isso significa que, embora os vícios pareçam inescapáveis, há uma escolha a ser feita: plantar em terreno bom, entregando a vida Cristo e buscando a força do Espírito Santo para vencer.

Veja: Hebreus 2.3 | Hebreus 9.27 | João 5.28-29 | Lucas 16.29-31

||> Essa ideia de uma segunda chance após a morte contraria o ensinamento bíblico sobre o destino eterno do ser humano. A Bíblia deixa claro que a vida que vivemos agora é a única oportunidade que temos para nos arrependermos e buscarmos a Deus. Após a morte, não há uma segunda chance para se reconciliar com Deus.

– A gravidade de negligenciar a salvação (Hb 2.3)
– O julgamento após a morte (Hb 9.27)
– A ressurreição para vida ou condenação (Jo 5.28-29)
– A parábola do rico e Lázaro (Lc 16.29-31)

O destino eterno de cada pessoa é selado com base nas escolhas feitas durante esta vida. Na narrativa ou parábola do rico e Lázaro Jesus descontrói a crença ou doutrina da mudança do destino eterno. Esta crença sugere que, após a morte, o destino eterno de uma alma pode ser alterado ou revisado. Algumas visões sobre essa doutrina são:

(i) Universalismo ou Salvação Universal: Argumentam que, eventualmente, todas as almas serão reconciliadas com Deus, implicando uma eventual mudança de destino eterno para todos, independentemente da vida que viveram.

(ii) Segunda chance após a morte: Algumas crenças sugerem que as pessoas terão uma segunda chance de aceitar a salvação após a morte.

Essas visões são amplamente rejeitadas pela maioria das denominações cristãs, que ensinam que o julgamento acontece imediatamente após a morte (Hb 9.27).

Veja: Hebreus 9.27 | Marcos 12.25 | João 5.28-29

||> Essa ideia ou crença da reencarnação se choca diretamente com os ensinamentos da Bíblia sobre a natureza da vida após a morte. A reencarnação, que sugere múltiplas vidas e oportunidades de purificação, não tem base nas Escrituras. A Bíblia ensina que cada pessoa vive uma só vez, e após a morte, enfrenta o julgamento final de Deus.

A morte é seguida pelo julgamento (Hb 9.27). O texto afirma que o ser humano vive uma vez e, após a morte, vem o julgamento. Não há ciclos de reencarnação.

A vida após a ressurreição (Mc 12.25). Jesus ensina que, após a ressurreição, os mortos não voltarão a viver na terra como antes, mas terão uma nova existência.

A ressurreição para a vida ou condenação (Jo 5.28-29). Jesus descreve a ressurreição final para a vida ou para a condenação eterna, sem espaço para múltiplas vidas.

Enfim, Jesus desconstrói a crença ou doutrina da reencarnação. Essa  doutrina defende que, após a morte física, a alma ou espírito de uma pessoa renasce em um novo corpo. Este processo de renascimento pode ocorrer repetidamente, permitindo que a alma evolua espiritualmente através de múltiplas vidas. Jesus deixa claro que as almas dos mortos não voltam para o mundo dos viventes para ocuparem outros corpos. Não há fundamentação bíblica para essa doutrina! Depois da morte segue-se o juízo: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,” (Hb 9.27).

A doutrina bíblica ensina que a salvação (a justificação, o perdão e a remissão de pecados) é alcançada por meio da fé em Jesus Cristo (Ef 2.8-9; Jo 3.16), e não através de um processo de purificação ao longo de múltiplas encarnações. A fé e a graça de Deus determinam o destino eterno de cada indivíduo. O que a bíblia nos revela é a ocorrência milagrosa de alguns casos de ressurreição, quando a alma retorna para o mesmo corpo como manifestação do poder de Deus (1Rs 17.17-24; 2Rs 4.32-37; 2Rs 13.20-21; Lc 7.11-17; Mc 5.21-43; Lc 8.40-56; Jo 11.1-44; Mt 27.52-53; At 9.36-42; 20.7-12). A ressurreição de Jesus (Mt 28; Mc 16; Lc 24; Jo 20-21) é a garantia da ressurreição dos salvos (1Co 15).

Conclusão

Finalizamos aqui parafraseando poeticamente Mateus 11.28 e João 11.25-26, para sua reflexão final:

Vem a mim, cansado, sofrido,
Eu sou alívio, descanso oferecido.
O peso do mundo, eu posso tirar,
Somente em mim, paz vais encontrar.

Meu jugo é leve, suave será,
Caminho contigo, onde quer que vá.
Na tua dor, vou te restaurar,
Em mim, tua alma pode descansar.

Eu sou a vida, sou a salvação,
Quem crê em mim, não vê escuridão.
Ainda que morra, viverá em luz,
Pois sou o caminho, sou o Cristo, da cruz.

Todo aquele que em mim confiar,
A morte nunca irá encontrar.
Você crê nisso? – pergunta o Senhor,
Na fé você achará o eterno amor.

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Almeida Revista e Atualizada – ARA).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Schluckebier, Ernesto H-G – Curso de Evangelismo – CMC
4. Zimmermann, Max. E. – Guia do Ganhador de Almas
5. Revista Mensagem da Cruz, nº 091
6. R. N. Champlin, Ph. D. – O Novo Testamento Interpretado – Versículo por versículo – MILENIUM Distribuidora Cultural Ltda.
7. Internet / ChatGPT.

O Portador

O PORTADOR
(Pr. Assis Cabral)
Bem recebido aqui e adiante maltratado,
Que importa se ele está uma missão cumprindo?
Pode viver chorando ou pode andar sorrindo,
Receber elogio ou se ver humilhado.

Vai a qualquer lugar, mesmo sem ser chamado.
Não sabe se será apupado ou bem-vindo.
Que há muitos homens bons sob este azul infindo
E, também, pode haver maus e incréus ao seu lado.

Que importa? É portador da Boa e Grata Nova,
Da Mensagem da Cruz que salva e que renova
E dá ao pecador a Eterna Salvação.

Na terra nem laurel nem qualquer recompensa
O mundo vai lhe dar, e nem nisso ele pensa,
Pois só nos céus terá o justo galardão.                                                                        


Este belo e sempre oportuno soneto pode ser expresso pela seguinte paráfrase:

Nem sempre é fácil ser um portador – não um mensageiro comum, mas o portador da mensagem de Deus. Em sua caminhada, ele enfrenta as mais variadas reações dos ouvintes. Alguns o recebem bem, enquanto outros chegam a maltratá-lo. No entanto, acima de qualquer adversidade, está a convicção de que ele cumpre uma missão divina. É essa missão que o impulsiona e fortalece. Ele entende que sua jornada exige estar preparado para enfrentar tanto a aprovação quanto a rejeição, pois o mundo é composto por todo tipo de pessoa. O que realmente importa é que a mensagem chegue aos corações necessitados — a Boa Nova, o evangelho que tem o poder de salvar, a mensagem da cruz. Quanto à sua recompensa, ele não espera nada deste mundo, pois sabe que o seu justo galardão está guardado nos céus.

E, a Bíblia, assim expressa o chamado de Deus:

“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.” (Is 6.8)

“Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR. Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras.” (Jr 1.7-9)

“Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.” (Ez 2.7)

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. E eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém.” (Mt 28.19-20)

“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8)

“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10.14-15)

“De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.” (2Co 5.20)

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1Pe 2.9)

Esses versículos enfatizam o papel dos profetas, apóstolos e de todos os cristãos como porta-vozes da mensagem de Deus, seja para anunciar sua vontade, proclamar o Evangelho ou compartilhar a esperança da salvação.

Que Deus nos ajude a entender e cumprir tão nobre missão!

Maldição hereditária!?

Introdução

O que é uma maldição hereditária? A bíblia fala sobre maldição hereditária? Podem os filhos pagar pelos pecados dos pais? É preciso quebrar a “cadeia da maldição hereditária”? Ela afeta o crente? Estas são apenas algumas questões que permeiam o consciente ou inconsciente coletivo, que nunca saem de pauta e que precisam ser esclarecidas.

Maldição e amaldiçoar, o que dizem os dicionários?

Maldiçãosubst. feminino; 1. ação ou efeito de amaldiçoar ou maldizer. 2. Figurado -palavra ou conjunto de palavras que revela a vontade de que algo negativo aconteça; imprecação, praga.

Maldição – Chamamento de mal, sofrimento ou desgraça sobre alguém (Gn 27.12; Rm 3.14). (Bíblia online)

Amaldiçoar – Pronunciar palavras de MALDIÇÃO contra alguém (Gn 12.3; Tg 3.9). (Bíblia online)

1. MALDIÇÃO E BÊNÇÃO HEREDITÁRIAS

1.1 A origem e a realidade da maldição hereditária

Desde o início da história humana, bênção e maldição, assim como, abençoar e amaldiçoar, têm caminhado juntos como forças opostas. A ocorrência inicial e primeira manifestação de maldição aconteceu como consequência da desobediência a Deus e a queda dos nossos primeiros pais, sendo proferida sobre a: Serpente“Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais…” (Gn 3.14);  Terra“E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa;” (Gn 3.17). E, assim, a desobediência, rebeldia e transgressão de um casal – Adão e Eva – acarreta a maldição de toda a criação. Surge, então aqui uma primeira ideia de maldição hereditária, quando os descendentes sofrem a maldição por causa do seu ascendente.

Algum tempo depois, Caim mata seu irmão Abel e é amaldiçoado por Deus (Gn 4.11).

Noé amaldiçoou o seu neto Canaã, porque Cam, o pai de Canaã, o teria desonrado por ocasião da sua embriaguez (Gn 9.20-27). A bíblia não nos revela se Canaã também esteve de alguma forma envolvido no episódio. Surge aí, então, mais um caso de maldição (hereditária).

1.2 A origem e a realidade da bênção hereditária

A Bíblia também menciona várias vezes o conceito de bênção transmitida de uma geração para a(s) seguinte(s), o que pode ser entendido como uma espécie de “bênção hereditária”. Neste sentido, dois exemplos muito emblemáticos, são: (i) Abraão e seus descendentes: Em Gênesis 17.7, Deus faz uma aliança com Abraão, prometendo bênçãos a ele e a seus descendentes (Gn 17.7-10). Essa bênção foi confirmada a Isaque (Gn 26.2-5) e a Jacó (Gn 28.13-15). Deus prometeu abençoar a descendência de Abraão, fazendo deles uma grande nação. (ii) Davi e seus descendentes: Deus promete a Davi que sua dinastia durará para sempre e que seus descendentes serão abençoados, com uma aliança eterna estabelecida com a sua casa (2Sm 7.12-16).

1.3 As alianças de Deus com os homens e suas consequências

É preciso destacar que o registro bíblico nos dá conta de oito principais alianças de Deus com o homem. Uma aliança é um pronunciamento soberano de Deus através do qual ele estabelece um relacionamento de responsabilidade entre ele mesmo e um indivíduo, ou uma família, ou uma nação, ou a humanidade em geral. As oito alianças são: (1) Edêmica (Gn 2.16); (2) Adâmica (Gn 3.15); (3) Noética (Gn 9.16); (4) Abraâmica (Gn 12.2); (6) Mosaica (Êx 19.5); (7) Davídica (2Sm 7.16); e a Nova Aliança (Hb 8.8). Naturalmente é Deus quem estabelece as bases dessas alianças e compete às partes cumprirem suas obrigações, sendo desnecessário dizer que Deus jamais deixará de cumprir a sua parte.

Há bênçãos ou maldições, individuais ou coletivas, como consequência da obediência ou desobediência a Deus, à sua Lei, à sua Aliança (Lv 26; Dt 27-28).

“Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.” (Dt 11.26-28)

A característica básica dessas alianças, no que diz respeito à parte humana, é que a obediência é recompensada com bênçãos, ao passo que a desobediência acarreta disciplina e maldição. A cerimônia de ratificação da Aliança Mosaica, isto é, de Deus com Israel, registrada em Deuteronômio 27 e 28 é bastante interessante e pedagógica, ilustrando esta característica. “Moisés deu ordem, naquele dia, ao povo, dizendo: Quando houveres passado o Jordão, estarão sobre o monte Gerizim, para abençoarem o povo, estes: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim. E estes, para amaldiçoar, estarão sobre o monte Ebal: Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali.” (Dt 27.11-13). Os levitas pronunciam, em alta voz, testificando a todo o povo de Israel 12 maldições (Dt 27.14-26). Nesta mesma ratificação da Aliança, são proferidas as Promessas de Bênçãos (Dt 28.1-14) e as Promessas de Maldições (Dt 28.15-68). É sem dúvida impressionante a abrangência dessas bênçãos e maldições!

Na Nova Aliança, conforme revelada no Novo Testamento, os conceitos de bênção e maldição são abordados de forma diferente em comparação à Antiga Aliança. A bênção está centrada em Cristo. Aqueles que estão em Cristo são considerados abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais (Ef 1.3). A bênção não é mais apenas física ou material, mas abrange uma dimensão espiritual e eterna.  A bênção está intimamente ligada à fé em Cristo e à obediência ao Evangelho. A salvação, a vida eterna, a paz e o perdão dos pecados são algumas das bênçãos concedidas através de Cristo. A maldição, por outro lado, é vista no contexto da rejeição a Cristo. Para aqueles que rejeitam o Evangelho, há um juízo reservado. A maldição, portanto, na Nova Aliança, pode ser entendida como a separação de Deus e o julgamento e condenação eternos para aqueles que rejeitam a salvação oferecida em Cristo (Jo 3.36; 2Ts 1.8-9).

2. O PESO E A EFETIVIDADE DA MALDIÇÃO

O que significa exatamente a maldição proferida por Deus e a maldição proferida pelo homem ao seu semelhante? Qual o peso e efetividade de uma e de outra?

2.1 A manifestação de Deus

Quando da entrega dos dez mandamentos a Moisés e ao povo de Israel, na sequência do pronunciamento do segundo mandamento, Deus faz uma revelação surpreendente e impactante:

“Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êx 20.4-6; ver tb Dt 5.9-10)

Em relação ao assunto em pauta, há aqui duas declarações divinas que precisam ser bem entendidas. Para tanto é importante mencionar outras duas citações referentes ao texto acima. Após o cometimento do pecado e quebra da lei, por ocasião da feitura e adoração do bezerro de ouro (Êx 32), depois da intercessão de Moisés a Deus e do arrependimento do povo, quando da renovação da Aliança, Moisés assim clamou: “E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Êx 34.6-7). E, ainda, em outra ocasião posterior, após a manifestação de incredulidade e rebeldia do povo ao receber o relatório dos espias e ser castigado com quarenta anos de peregrinação no deserto, Moisés assim clama ao Senhor: “O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações.” (Nm 14.18)

a) A “maldição hereditária” (até a terceira e quarta gerações)

 “…visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem…” (Êx 20.5b)
“…ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!” (Êx 34.7b)
“…ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações.” (Nm 14.18b)

Diante destes textos e de tudo o que já foi exposto anteriormente, fica claro que há no registro bíblico maldição hereditária; que ela acontece quando os pais pecam, quando há pecado na família. Certamente o pecado acarreta maldição. No entanto, é preciso ter cuidado com conclusões precipitadas, ao associar problemas vivenciados pelo indivíduo ou pela família com maldição hereditária. Jesus veio para nos salvar e libertar da maldição do pecado.

É fato que todos nós herdamos várias características genéticas de nossos pais e ascendentes, que determinam aspectos físicos, de temperamento e mentais. No processo de criação de filhos, da mesma forma, é comum ocorrer a influência deles no que diz respeito a crenças, princípios e valores, e espiritualidade. No entanto, essas características físicas, psicológicas, éticas e espirituais não determinam completamente nossa identidade, nosso jeito de ser, nossas atitudes e escolhas. Cada pessoa é responsável por seus atos e decisões, possuindo a capacidade de definir o seu próprio destino, independentemente das influências herdadas. Embora as heranças físicas, psicológicas e espirituais possam impactar a vida, elas não determinam de forma absoluta quem somos ou como agimos. Através de escolhas conscientes, cada indivíduo tem o poder de superar ou reforçar essas influências, definindo seu próprio caminho. Naturalmente, se somos guiados pelo Espírito de Deus e vivemos na sua dependência, nosso destino é conduzido pelo Senhor!

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5.12)

Já foi exposto anteriormente que toda a raça humana foi afetada pela maldição hereditária dos nossos primeiros pais (Rm 5.12), e, não somente os nossos primeiros pais, mas todos nós temos uma natureza pecaminosa, uma inclinação para pecar e, não há quem não cometa pecado, não há justo, nem sequer um (Rm 3.10). Assim, quando cada pessoa peca, está afetando a si mesma, os seus familiares e a sociedade.

O texto diz enfaticamente que aqueles que rejeitam e desobedecem a Deus, cometendo pecados, seus pecados podem afetar três ou quatro gerações. Como entender isso? Primeiramente vale ressaltar que nossos pecados não passam impunes diante de Deus. Em segundo lugar, nossos pecados, além de afetar diretamente as nossas vidas, afetam nossa família e nossos descendentes. Na verdade, o bem ou mal que fazemos afeta tudo o que está ao nosso redor. Entendemos que a quantificação de três ou quatro gerações não deve ser interpretada literalmente, mas como uma forma de expressar que as consequências do nosso pecado terão efeito por “algum tempo“. Por exemplo, se um pai provedor da família arriscar e perder todo o seu patrimônio devido a uma decisão profissional equivocada ou no jogo, tendo filhos pequenos, todo o futuro desses filhos e dessa família poderá ser comprometido, por algum tempo, por conta da falta de recursos financeiros.

Como entender esse efeito negativo por algum tempo? Seria uma intervenção contínua e punitiva de Deus até aliviar sua ira, ou simplesmente, a ocorrência da “lei da colheita conforme a semeadura”? “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6.7). Se olharmos com este foco para as várias histórias das pessoas e famílias da bíblia veremos claramente as ações realizadas e suas consequências nas gerações seguintes. Um caso que ilustra bem isso é o pecado de Davi envolvendo o adultério com Bate-Seba e a morte encomendada de Urias, acarretando graves consequências na sua família. Como é Deus quem governa e conduz toda a história, não podemos colocar na conta do acaso e desdobramento natural, tudo o que acontece após o cometimento do pecado. Deus é soberano para interferir nessas consequências, aliviando ou pesando a sua mão, conforme a sua soberana vontade.

b) A misericórdia até mil gerações

e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êx 20.6)
“…Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações,…” (Êx 34.6b-7a)
“O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia,…” (Nm 14.18a)

Se Deus não inocenta o culpado, por outro lado, ele perdoa o pecado, quando há arrependimento e confissão, porque grande é a sua misericórdia, que é a causa de não sermos consumidos (Lm 3.22). Em dois desses três textos, que guardam certo paralelismo, encontramos a “quantificação” da misericórdia “até ou em mil gerações”. Da mesma forma que a quantificação de três ou quatro gerações não deveria ser interpretada literalmente, mas com a intenção de expressar a ideia de “algum tempo”, entendemos aqui a intenção de expressar a ideia de “muito tempo”. É por isso que o terceiro texto diz que “o Senhor é longânimo e grande em misericórdia”. É interessante que essa expressão da misericórdia de Deus “até” ou “em” ou “para” “mil gerações”, para com aqueles que amam a Deus e guardam os seus mandamentos, ocorre no Antigo Testamento sete vezes (Êx 20.6; 34.7; Dt 5.10; 7.9; 1Cr 16.15; Sl 105.8).

Misericórdia e maldição hereditária não são aspectos mutuamente excludentes, ou seja, a extensa misericórdia do Senhor, embora não inocente o culpado, está continuamente predisposta a perdoar o pecador penitente que deverá necessariamente arcar com as consequências dos seus atos, que poderão afetar a sua descendência.

2.2 A maldição proferida pelo homem

Uma maldição é um pronunciamento de infortúnio, miséria ou calamidade sobre alguém ou algo. Na antiguidade, uma maldição ou bênção proferidas não eram consideradas um mero desejo, mas uma força poderosa. De fato, a imprecação feita por um ser humano contra outro não tem qualquer poder, exceto o de afetá-lo psicologicamente, sugestionando-o a acreditar que a praga rogada vai acontecer, causando medo ou ansiedade que, por sua vez, pode levar a resultados negativos em suas vidas.

Uma maldição pode, também, se tornar uma invocação sobrenatural de punição ou de desgraça, como uma consequência do desagrado devido a ações ou comportamentos específicos, uma expressão de ódio ou condenação por alguém, desejando que algo de ruim aconteça ao outro. Ninguém determina a Deus que faça o mal contra outrem, mas, sabemos que há pessoas encomendam trabalhos junto a entidades malignas para prejudicar desafetos ou com outros propósitos. Neste caso, fica aqui então o alerta de que o ser humano precisa estar protegido contra essas investidas malignas. Não são aqueles amuletos de proteção, segundo a crença popular, que irão nos proteger de ataques malignos, ou de energias negativas, ou contra o mal e, por outro lado, atrair boas vibrações! Os que estão em Cristo estão seguros e protegidos por ele: “embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” (Ef 6.16); “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca.” (1Jo 5.18)

2.3 A culpa de sangue

A expressão “culpa de sangue” não é uma invencionice qualquer, é uma expressão cunhada pelo próprio Deus e mencionada literalmente várias vezes no Antigo Testamento (Dt 22.8; 2Sm 21.1; 1Rs 2.32; Ez 22.13; 23.37, 45; 24.7). A Bíblia aborda a questão da “culpa de sangue” principalmente no contexto da justiça e responsabilidade pelo derramamento de sangue inocente. Esse conceito está associado à ideia de que alguém é moralmente ou legalmente responsável quando causa a morte de outra pessoa, e isso traz consequências espirituais e/ou legais. Desde o princípio da história humana, o sangue inocente derramado “ergue a sua voz a Deus” clamando por justiça e vingança, como no caso de Abel (Gn 4.10).

– Deus diz a Noé e aos seus descendentes que haverá cobrança pela vida ceifada de qualquer ser humano (Gn 9.5-6).

– A Lei de Moisés prescreve punições para quem mata outra pessoa (Êx 21.12-14): (i) Homicídio doloso: quem mata intencionalmente (com premeditação) deve ser morto (Êx 21.12, 14); (ii) Homicídio culposo: se a morte ocorreu sem intenção (foi acidental), existiam cidades de refúgio onde a pessoa podia buscar proteção do “vingador do sangue – o parente mais próximo da vítima” até que o caso fosse devidamente julgado (Êx 21.13; Nm 35.11-12). O homicida intencional que nas cidades de refúgio buscasse abrigo seria retirado de lá e entregue ao vingador do sangue, para que fosse morto (Dt 19.11-13).

– É interessante destacar, ainda, que a culpa de sangue também recai sobre aquelas pessoas que, por irresponsabilidade ou descuido, tomam decisões equivocadas, colocando alguém em risco ou deixando de tomar as medidas protetivas ou de segurança, acarretando a morte de outrem, como no caso de construir um terraço sem o parapeito de segurança mencionado em Deuteronômio 22.8. Certamente sempre seremos responsáveis por nossa negligência e imperícia, porque o sangue da nossa eventual vítima será reivindicado.

– É impressionante o caso de três anos de fome em Israel por causa da culpa de sangue sobre Saul e seus descendentes pela morte dos gibeonitas com os quais havia uma aliança que foi quebrada por Saul. Essa culpa somente foi anulada com a matança de sete descendentes de Saul, com esse significativo desfecho: “Depois disto, Deus se tornou favorável para com a terra.” (2Sm 21.1-14). 

– No Novo Testamento, fica muito evidente a consciência que se tinha sobre essa “culpa de sangue”. Pilatos, ao lavar as mãos para simbolizar que não era responsável pela morte de Jesus, diz: “Estou inocente do sangue deste justo” (Mt 27.24). “E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” (Mt 27.25) .” 

Enfim, esses exemplos e textos refletem o ensino bíblico de que a vida é sagrada, e que o derramamento de sangue inocente traz consigo uma culpa que precisa ser tratada, seja por meio da justiça divina ou da humana. Cabe aqui uma boa reflexão sobre a prática do aborto e a culpa de sangue!

3. COMO SE LIVRAR DA MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

A Bíblia não menciona explicitamente o termo “quebra de maldição hereditária”, mas o conceito pode ser inferido, não como alguns entendem, mas como a bíblia diz, como veremos a seguir.

3.1 A responsabilidade individual

“Tu usas de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos; tu és o grande, o poderoso Deus, cujo nome é o SENHOR dos Exércitos, grande em conselho e magnífico em obras; porque os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas obras.” (Jr 32.18-19)

“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.” (Ez 18.1-4)

Circulava um provérbio popular entre o povo em Jerusalém (Jr 31.29) e na Babilônia, afirmando que os filhos estavam sofrendo pelos pecados cometidos pelos pais. Embora essa ideia tivesse alguma base nas declarações do Senhor (Êx 20.5-6; 34.6-7; Nm 14.18), Deus deixa claro que cada indivíduo é responsável por seus próprios pecados. Isso reforça a ideia de que, apesar das consequências que os pecados de uma geração possam ter sobre a próxima, cada pessoa será julgada por suas próprias ações e escolhas.

Diante da maldição herdada da queda de Adão e dos nossos ascendentes, sendo notificados pelo Senhor sobre sua responsabilidade individual, o que resta ao homem?

3.2 A providência divina

“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Is 53.5-6)

“Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Rm 5.9)

“Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.” (Gl 3.10-14)

A norma da lei estabelecia: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.” (Ez 18.4). A culpa de sangue deveria ser expiada com sangue. O escritor aos hebreus afirma: “Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão.” (Hb 9.22) 

Cristo nos redime da maldição da lei, por haver-se feito maldição em nosso lugar (Gl 3.13). Jesus Cristo veio para libertar os eleitos de toda maldição do pecado, seja a maldição universal decorrente da queda de Adão, seja aquela herdada de nossos ascendentes. A obra redentora de Cristo rompe com qualquer maldição hereditária, oferecendo plena libertação, inclusive de situações como a de uma pessoa que quando bebê foi oferecida ou consagrada a entidades malignas. Dessa forma, o crente, salvo pela graça, tem o poder e a autoridade espiritual para enfrentar qualquer problema e viver na liberdade que Jesus oferece. Cristo não apenas perdoa os pecados, mas também remove os efeitos espirituais negativos que poderiam ser transmitidos através das gerações, permitindo que os fiéis vivam uma vida nova e livre em sua presença. Vale ressaltar e alertar aqui a lei da colheita, conforme a semeadura. O salvo por Jesus Cristo, após a sua conversão não ficará isento das consequências das suas más ações anteriores!

Portanto, o conceito de “quebra de maldição hereditária” pode ser visto como parte do processo de redenção e renovação oferecido por Cristo. Os crentes, ao colocarem sua fé em Jesus, são libertos de qualquer maldição que possa ter sido transmitida através de gerações, vivendo agora sob a bênção e proteção de Deus. Isso implica que a “quebra” ocorre quando uma pessoa recebe a Jesus Cristo e vive de acordo com os princípios do Evangelho.

3.3 A necessidade de arrependimento e confissão

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Pv 28.13)

O pecado de Davi envolvendo o adultério com Bate-Seba e a morte encomendada de Urias foi muito grave. A sentença divina proferida pelo profeta Natã também incluiu sua casa e descendência e começou assim: “Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa,…” (2Sm 12.9-10a). Davi assumiu sua culpa e pecado naquela mesma hora, pois ele era um homem segundo o coração de Deus (2Sm 12.13a). O Salmo 51 expressa bem a sua confissão e arrependimento. Deus prescruta a intenção do coração e o perdoou e declarou: “Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás. Mas, posto que com isto deste motivo a que blasfemassem os inimigos do SENHOR, também o filho que te nasceu morrerá.” (2Sm 12.13b-14). Apesar do perdão divino, teve um “mas” (conjunção adversativa), a criança gerada do adultério morreria, e as demais partes da sentença não seriam revogadas. A confissão e arrependimento traz o perdão, e com o perdão a revogação da culpa, porém, não traz a revogação das consequências dos pecados anteriormente cometidos.

No Antigo Testamento, há exemplos de orações de confissão de pecados coletivos, onde líderes ou profetas piedosos intercederam por todo o povo de Israel, reconhecendo e se incluindo como autores dos pecados cometidos pela nação, os “pecados geracionais”, clamando pela misericórdia e graça de Deus, como, por exemplo: o sacerdote e escriba Esdras (Ed 9.5-15); o copeiro do rei e, posteriormente, governador de Israel, Neemias (Ne 1.4-11); e o profeta e estadista Daniel (Dn 9.1-19).

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,” (At 3.19)
“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.” (Rm 9.5-6) 

O arrependimento e a confissão de pecados são elementos essenciais para a reconciliação com Deus e a justificação/salvação.

João Batista, o precursor do Messias, pregava o arrependimento como uma preparação para a vinda do reino dos céus: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mt 3.2). Após a ressurreição de Jesus, Pedro disse ao povo: “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (At 2.38).

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9)

Até mesmo os salvos, redimidos pela obra do Calvário, precisam se manter puros, confessando os seus pecados na jornada da vida.

Conclusão

Não é razoável ignorar aquilo que nossos antepassados fizeram de mau e que nos trouxe ou traz consequências negativas. Temos visto que de fato existe uma “cadeia genealógica de bênção ou maldição”, isto é, o que você faz de bom ou o seu pecado se torna herança para as próximas gerações. Também não podemos ignorar a responsabilidade que temos pelos nossos atos. Não podemos ignorar o que alguns chamam de “lei da herança” e “lei da responsabilidade individual”.

Afinal, a maldição hereditária afeta o crente?

Em Cristo somos feitos nova criatura: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2Co 5.17). Havendo arrependimento, confissão de pecados e fé em Cristo e na sua obra redentora somos libertos de toda e qualquer maldição do pecado. Habitados e revestidos pelo Espírito Santo somos fortalecidos pelo Senhor e protegidos de toda a obra maligna. Entretanto, isso não nos isentará de pagar o preço das consequências dos nossos atos equivocados ou pecaminosos anteriormente cometidos.

Libertados da pena/condenação e do poder/domínio do pecado, o crente não está livre da presença do pecado. Precisa permanecer sóbrio e vigilante, pois não está livre das investidas do diabo que anda em derredor procurando alguém para devorar (1Pe 5.8). É preciso resistir às investidas da carne, do diabo e do mundo. Se cair, durante a jornada da fé, o crente precisa se arrepender e confessar, restaurando a sua comunhão com Deus (1Jo 1.6-7, 9; 1Jo 2.1-2).

“Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos. A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos.” (Sl 112.1-2)

Na visão bíblica, os atos dos pais podem ter repercussões sobre seus descendentes, tanto em termos de maldição, quanto de bênção. No entanto, Ezequiel 18.19-20 oferece uma perspectiva importante, enfatizando a responsabilidade individual e afirmando que cada pessoa é responsável por seus próprios pecados. Portanto, embora a Bíblia reconheça o impacto das ações de uma geração sobre a outra, ela também sublinha a justiça individual de Deus, que julga cada pessoa de acordo com suas próprias ações.

É importante terminarmos com uma mensagem positiva: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão.” (Sl 37.25)

E, assim, que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. R. N. Champlin, Ph. D. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia & Filosofia (Ed. Hagnos) – 2011.
4. Internet / ChatGPT.