A parábola do fermento

Foco: O crescimento do reino.
Textos base: Mateus 13.33-35; Marcos 4.33-34; Lucas 13.20-21

Introdução

Este estudo tem como foco o reino de Deus ou o reino dos céus, particularmente o propósito de Jesus de afirmar ou profetizar a realidade futura do seu crescimento, explicando e ilustrando tal fato através da parábola do fermento. Cabem aqui algumas perguntas: Por que Jesus empregava esse estilo de comunicação por parábolas? Aqueles ouvintes, sendo pessoas simples, conseguiriam entender as parábolas de Jesus, sem o recurso de uma explicação da sua parte?

Quanto ao termo “parábola”; quanto às 11 (onze) “parábolas do reino”; e, quanto ao uso de parábolas por Jesus, veja a introdução do estudo da “Parábola do grão de mostarda”.

20  Disse mais: A que compararei o reino de Deus? (Lc 13)
21  É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado. (Lc 13)
33  Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.(Mt 13)

1) O REINO E O FERMENTO

Talvez nenhuma outra parábola tenha sido alvo de tantas interpretações radicalmente divergentes entre si como esta. A maior dificuldade gira em torno do sentido do símbolo do fermento.

“O fermento era uma substância que se empregava para produzir a fermentação da massa e fazê-la crescer, Êxodo 12.15, 19; 13.7. Nos tempos das Escrituras, o fermento fazia-se com um pouco de massa velha e fermentada. O pão fermentado por esse processo, tinha sabor desagradável e mau cheiro. Para evitar estes defeitos empregavam a levedura. Toda a oferta que se fazia ao Senhor não devia levar fermento, Levítico 2.11. Quando a oferta era consumida pelo ofertante, poderia levar fermento, Levítico 7.13; 23.17. O motivo principal da proibição baseava-se em que o fermento é uma decomposição incipiente, e servia de símbolo para representar a corrupção moral. Também para simbolizar as doutrinas falsas, Mateus 16.11; Marcos 8.15, e a perversidade do coração, 1Coríntios 5.6-8. As influências boas ou más comparam-se aos efeitos do fermento. A lei cerimonial proibia o uso de pão levedado e tê-lo em suas casas durante a festa da Páscoa. A ausência do fermento simbolizava a santidade de vida que se requer no serviço de Deus; relembrava a pressa com que abandonaram a terra do Egito, a farinha que trouxeram amassada sem tempo para meter-lhe o fermento e a insipidez do pão, Êxodo 12.39; Deuteronômio 16.3; 1Coríntios 5.7,8.” (Dic. da Bíblia)

2) AS DUAS PRINCIPAIS LINHAS DE INTERPRETAÇÃO

1ª) Fermento é símbolo de maldade, corrupção. Portanto, segundo os que defendem esta linha de interpretação, a parábola refere-se a influência penetrante do pecado, quer do diabo, da religião falsa, da política maliciosa ou dos homens em geral. Ou seja:

O uso do fermento nas três medidas de farinha era igualmente para representar o mal dentro do Reino dos Céus. O ensino de que o fermento nesta parábola representa a influência benéfica do Evangelho permeando o mundo não tem justificativa bíblica. Em parte alguma das Escrituras o fermento representa o bem; a ideia de um mundo convertido no fim dos tempos é contestada pela presença do joio entre o trigo e dos peixes ruins entre os bons no próprio Reino. A parábola é, portanto, uma advertência de que a verdadeira doutrina, representada pela farinha, pode ser corrompida pela falsa doutrina (comparar 1Tm 4.1-3;  2Tm 2.17-18;  4.3-4; 2Pe 2.1-3). Segundo alguns intérpretes, a intenção desta parábola é ilustrar como o reino haveria de receber elementos pervertidos e assim se estragaria com o aparecimento de heresias etc. Outros concluem que a mulher é a falsa igreja e que introduziu os falsos ensinamentos até tudo ficar contaminado.

2ª) Esta parábola ilustra o poder de penetração do reino dos céus, gerando crescimento. Por outro lado, segundo os que defendem esta outra linha de interpretação, embora seja verdade que as Escrituras apresentam o fermento como símbolo da corrupção, e que os rabinos tenham usado o termo nesse mesmo sentido, não há razão para crer que Jesus não tenha tido coragem suficiente para mudar o símbolo, neste caso, a fim de que passasse a simbolizar outra coisa. Parece que muitos não admitem as palavras simples (e sem interpretação de Jesus) que ele proferiu. Os símbolos nem sempre são fixos, como se pode observar em diversos casos: a) A semente, na parábola do semeador, significa a palavra. Porém, na parábola do joio, significa os resultados da palavra, que são os “filhos do reino dos céus”. b) Nas Escrituras e nos escritos rabinos, a serpente sempre tem um sentido mau, usualmente indicando Satanás ou o mau caráter de sua pessoa; porém, em Mateus 10.16 descobrimos que Jesus empregou esse símbolo  com bom sentido. c) O símbolo do leão é usado tanto para indicar a Satanás (1Pe 5.8) como para indicar o próprio Cristo (Ap 5.5). d) Nem sempre as Escrituras usam o fermento como símbolo de coisa má. Diz Levítico 23.17: “Das vossas habitações trareis dois pães de movimento; de duas dízimas de farinha serão, levedados se cozerão; primícias são ao Senhor”. Dificilmente podemos entender que essas “primícias” de Deus são coisa má.

3) UMA INTERPRETAÇÃO SENSATA

Devemos evitar as interpretações que ensinam significados estranhos e exagerados, e que obviamente ultrapassam a simples intenção das palavras do texto. Questões complexas de teologia, história eclesiástica ou história universal não têm lugar legítimo na interpretação dessas parábolas. Por essa ótica, a segunda interpretação é a mais viável. Enquanto a primeira interpretação parece muito mais o resultado de uma análise do desenvolvimento do reino dos céus, do seu início até hoje, do que a intenção de Jesus nessa parábola.

A parábola do fermento, assim como a do grão de mostarda, simbolizam o crescimento. No entanto, a parábola do grão de mostarda retrata crescimento por si próprio, orgânico e divino determinado pelo Criador, ao passo que a do fermento, destaca um crescimento induzido ou estimulado  da massa original que, com o auxílio externo (mulher e fermento), produz a expansão do volume do elemento original, sem, no entanto, alterar o seu peso. Através destas duas parábolas estaria Jesus simplesmente querendo comunicar a ideia de um crescimento espetacular ou de um crescimento espetacular divino-humano?  Não sabemos! O fato é que o reino crescerá admiravelmente e exercerá a sua influência e poder no mundo. “Esse poder é intenso e transformador; a causa não é visível, mas os resultados se tornam notórios”. É importante notar que esta parábola não pretende ensinar que o mundo inteiro se converterá, como alguns, especialmente entre os pós-milenistas, têm sugerido.

Conclusão

Através desta parábola do fermento Jesus está transmitindo a ideia de que o reino de Deus começa pequeno, porém, nas suas entranhas há um poder transformador e expansivo que afeta tudo ao seu redor, assim como o fermento faz com a massa de pão. Trata-se de uma ação invisível, porém poderosa em seus efeitos.

Assim como o fermento participa do processo com uma pequena quantidade misturada na massa, proporcionalmente muito maior do que ele, o reino de Deus podia parecer pequeno e insignificante no início, como a pregação de Jesus ou como o testemunho e pregação de um pequeno grupo de discípulos. No entanto, sua ação é profunda e expansiva. Mesmo agindo de forma invisível, o fermento transforma toda a massa. Essa transformação não acontece instantaneamente, porém, progressivamente, até que sua influência esteja completamente disseminada. O mesmo acontece no reino de Deus.

Por fim, fica aqui a pergunta: Qual tem sido o meu e o seu papel nesse crescimento do reino?

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista ENSINOS DO REINO (Ed. Didaquê).
4. Boyer, Orlando – MATEUS, O Evangelho do Rei.
5. Davis, John D. – Dicionário da Bíblia (JUERP).
6. R. N. Champlin, Ph. D. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia  (Ed. Hagnos).
7. Internet / ChatGPT.


APÊNDICE

O que é, e como atua o fermento?

“Os fermentos são ingredientes que dão volume, textura e maciez às preparações culinárias. Existem dois tipos de fermento, classificados segundo sua origem: fermento biológico, utilizado na fabricação de pães e pizzas e fermento químico ou em pó, indicado para bolos e biscoitos.

O fermento biológico é composto de microorganismos vivos[1] (saccharomyces cerevisae) que se reproduzem na presença de temperatura e do açúcar presente na massa. Este açúcar é o alimento do microorganismo, que se reproduz e libera o gás carbônico (CO2) necessário ao crescimento da massa.

O fermento químico é um composto de bicarbonato de sódio e um ácido que na presença de umidade e calor reagem e liberam gás carbônico. O gás carbônico (dióxido de carbono – CO2) liberado fica preso na massa formando bolhas. Com a temperatura do forno, as bolhas são expulsas para cima, levantando a massa, enquanto os outros ingredientes das receitas são assados. Como resultado, temos produtos fofos, macios e com volume.

Origem do Fermento (químico)

Por volta de 1800 descobriu-se que o bicarbonato de sódio produzia gás dióxido de carbono na presença de certos ácidos. As donas de casa da época descobriram que o bolo poderia crescer mais e ficar mais alto quando se utilizava o bicarbonato. Mas a utilização tinha os seus limitantes devido à tecnologia: o bicarbonato reagia muito rapidamente quando misturado à massa. Em 1835, o ´cremor de tártaro` foi misturado ao bicarbonato de sódio e o resultado foi surpreendente. Assim, foi criado o primeiro fermento. Por volta de 1850, o ácido utilizado passou a ser o “ácido fosfato monocálcico”. O poder do bicarbonato de sódio com este ácido melhorava o desempenho em cerca de 60%. O fermento químico passou, então, a ser utilizado cada vez mais.“[2]

“Em 1859, Louis Pasteur, o pai da microbiologia moderna, descobriu como o fermento funcionava. Alimentando-se de farinha de amido, o fermento produzia dióxido de carbono. Este gás expande o glúten na farinha e leva a massa de pão a expandir e crescer.”[3]

“A razão pela qual as pessoas geralmente preferem o fermento à levedura é porque esta demora muito, de 2 a 3 horas, para produzir as bolhas. O fermento em pó é instantâneo e você pode preparar uma massa de biscoito e comê-los depois de 15 minutos.”[4]

Considerando o fermento como algo mau, símbolo do pecado e da corrupção humana, podemos sugerir que o tempo de atuação do fermento biológico (antigo) está para o tempo de atuação do fermento químico (moderno), assim como a velocidade de propagação do pecado na antiguidade está para a velocidade de propagação do pecado hoje, que conta com todo o aparato tecnológico de transporte de pessoas e de ideias, cenas, imagens, comportamentos etc.

[1] Inofensivos à saúde.
[2] Internet: site Dona Benta (2009).
[3] Internet (2009).
[4] Internet (2009).

Autor: Paulo Raposo Correia

Um servo de Deus empenhado em fazer a sua vontade.

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