Sete Operações do Espírito Santo

INTRODUÇÃO

O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade. Como tal, vem atuando em toda a história. É ele quem deu a inspiração aos autores humanos da Bíblia, usando suas características e estilos pessoais para a composição das Escrituras Sagradas, sob sua supervisão e direção.

No Antigo Testamento (AT) ele está presente na Criação, vindo seletivamente sobre certas pessoas para a realização de um propósito específico, capacitando-os para alguma missão ou serviço.

No Novo Testamento (NT) ele opera na vida e pessoa de Jesus Cristo, o novo Adão, na sua concepção, na sua unção confirmatória e ministério, na sua morte e  na sua ressurreição. No Pentecostes, ele veio em cumprimento às promessas do Senhor (Jo 14.15-26; At 1.8) e a igreja foi inaugurada. 

Esta abordagem tem o propósito de apresentar suscintamente as sete grandes operações do Espírito Santo nos remidos do Senhor, nos salvos, nesta era da igreja de Cristo.

1) CONVENCIMENTO

“7 Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.
8  Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:
9  do pecado, porque não creem em mim;
10  da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;
11  do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.” (Jo 16.7-11)

Convencer significa persuadir, esclarecer a verdade espiritual do Evangelho, para a salvação do pecador. A tarefa do crente é pregar e a do Espírito Santo convencer, e o convencimento dele é irresistível.

Pecado: O Espírito Santo convence as pessoas da realidade do pecado em suas vidas, da natureza humana caída e pecadora, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23), que “não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10, 12), e da necessidade de arrependimento. Enfim, ele revela a natureza do pecado e suas consequências espirituais.

Justiça: O Espírito Santo convence as pessoas da santidade de Deus que rejeita o pecado, mas ama o pecador. Que a justiça de Deus estabelece que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Ele convence as pessoas de que a justiça de Deus é plenamente satisfeita em Jesus Cristo, que é o único meio pelo qual os seres humanos podem alcançar a justificação diante de Deus.

Juízo: O Espírito Santo convence as pessoas da realidade do juízo vindouro: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,” (Hb 9.27). Ele desperta uma consciência da necessidade de prestação de contas diante de Deus e do destino eterno das almas.

Em resumo, o Espírito Santo age para convencer as pessoas da verdade espiritual, despertando nelas uma consciência do pecado, revelando a justiça de Cristo como o único caminho para a salvação e alertando sobre o juízo futuro. Esse processo de convencimento é fundamental para a obra de regeneração e conversão espiritual na vida de um indivíduo.

2) REGENERAÇÃO

“4  Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos,
5  não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,
6  que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador,” (Tt 3.4-6)

Regenerar é tornar a gerar, é o ato divino pelo qual o Espírito Santo, pelo seu poder, transforma e renova interiormente uma pessoa. É um nascer da água e do Espírito, sendo a água a palavra de Deus (Jo 3.3-7). Essa regeneração não é um processo, é uma obra sobrenatural e instantânea do Espírito Santo na vida de uma pessoa, resultando em uma nova vida espiritual e uma mudança de coração e mente.

3) HABITAÇÃO

“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19)
“o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” (Jo 14.17)

A “habitação do Espírito Santo” nos crentes, após sua regeneração espiritual é mais elemento admirável da fé cristã. É o Espírito Santo presente e ativo na vida dos crentes de maneiras profundas e transformadoras. Alguns aspectos importantes relacionados à habitação do Espírito Santo, são:

A Promessa: Antes de sua ascensão ao céu, Jesus prometeu aos seus discípulos que enviaria o Espírito Santo para habitar neles para capacitá-los em sua missão de testemunhas (Jo 14.16-17, 26; João 16.7).

As Pessoas: A habitação do Espírito Santo é parte da experiência de ser “nascido de novo” espiritualmente. O Espírito Santo transforma o coração e a vida do crente, capacitando-o a viver uma nova vida em Cristo (Jo 3.5-8; Tt 3.5). Quem não tem o Espírito não é de Deus (Rm 8.9b). Quem o tem precisa cuidar para não apagá-lo (1Ts 5.19).

O Santuário Humano: Paulo ensina que os corpos dos crentes são templos do Espírito Santo, onde o Espírito habita (1Co 6.19-20). Por extensão a igreja, a comunidade da fé, também é o Templo do Espírito Santo. Isso destaca a proximidade e a intimidade da relação entre os salvos e Deus, que reside dentro deles.

O Propósito: A habitação do Espírito Santo, além de ser a presença de Deus nos crentes, também propicia o exercício do seu papel como guia, consolador, conselheiro e capacitador. O Espírito Santo capacita os crentes a viverem de acordo com a vontade de Deus e a crescerem em sua fé (Rm 8.14; Gl 5.16; Ef 3.16).

4) BATISMO / ENCHIMENTO / PLENITUDE

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1Co 12.13)

Não há dúvida da atuação contínua da Trindade Santa desde a criação e ao longo de toda a história. No que se refere à terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, é notório para o leitor e estudante da Bíblia que, no Antigo Testamento (AT) e na Antiga Aliança ele era concedido, de forma pontual e especial, a certas pessoas e com determinados propósitos. Entretanto, desde o período do AT havia a promessa de um derramamento mais abrangente do Espírito Santo (Jl 2.28-29). Já no início do período do Novo Testamento (NT), João Batista anuncia um batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Durante o seu ministério público, Jesus fala sobre sua ida para o Pai e o envio de outro Consolador (Jo 14.16; comp. Jo 14.26; 15.26; 16.13). Foi, finalmente, no Pentecostes que a promessa se cumpriu e a igreja de Jesus Cristo teve a sua origem histórica ou visível (At 2). Esta experiência coletiva, histórica e racional unificou os discípulos em uma comunidade espiritual que os separou do mundo ou que os distinguiu do seu meio social.

O batismo com água é uma ordenança de Jesus contida na grande comissão (Mt 28.19) e deve ser administrado como sinal externo de uma fé interna. Este batismo com água deve ser precedido pelo batismo em Cristo, que é o batismo com o Espírito Santo, quando da regeneração do indivíduo (Gl 3.27-28; Rm 6.3-6; Cl 2.11-12). É quando o Espírito Santo faz morada no crente (Jo 14.23; Gl 2.20).

O Espírito Santo é o agente da Regeneração , Purificação e da Identificação ou União do crente com Cristo. Portanto, podemos afirmar que:

– Só há um batismo que nos leva ao revestimento de Cristo (Gl 3.27);

– Só há um batismo que nos liga a um corpo, em Cristo Jesus (1Co 12.13);

– Só há um batismo que nos faz morrer, sepultar e ressuscitar em Cristo (Rm 6.3-5);

– Só há um batismo que realiza em nós a Circuncisão de Cristo (Cl 2.11-12);

– Só há um batismo que interfere em nossa vida e nos conduz a um novo nascimento e sua ação e passagem por nós é misteriosa, mas seus efeitos são marcantes (Jo 3.5-8).

É o batismo com o Espírito Santo !

Revestido de Cristo e habitado pelo Espírito Santo o cristão passa a ter o sublime desafio do Enchimento do Espírito Santo, rumo à Plenitude do Espírito Santo: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,” (Ef 5.18). “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3.19). “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.13)

O enchimento e a plenitude do Espírito Santo são experiências essenciais para a vida cristã. Ser cheio do Espírito é um processo contínuo que capacita os crentes a viverem de maneira que agrada a Deus e a testemunharem de forma eficaz. A plenitude do Espírito está enraizada em nossa união com Cristo e na dependência e submissão à sua vontade. Juntos, esses conceitos apontam para uma vida transformada e abundante, conforme nos entregamos ao Espírito Santo e permitimos que ele opere em nós e através de nós.

5) SELO

“Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.” (2Co 1.21-22)
“em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa;” (Ef 1.13)
“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Ef 4.30)

Nos tempos antigos, o ato de “selar” tinha diversos significados e aplicações, muitos dos quais eram relacionados à autenticidade, segurança e autoridade. Selar um documento, carta ou contrato era uma maneira de garantir sua autenticidade e integridade. A Bíblia ensina que o selo do Espírito Santo é um sinal de propriedade e pertencimento, de autenticidade e de segurança para os crentes, ou seja:

(i) Marca os crentes como propriedade de Deus, mostrando que pertencem a ele;

(ii) Serve como uma garantia da nossa redenção futura. Ele é um penhor ou depósito que assegura nossa herança eterna.

(iii) Autentica os crentes como genuínos filhos de Deus e proporciona segurança de que pertencem a ele.

(iv) O Espírito Santo confirma internamente a nossa identidade como filhos de Deus (Rm 8.16).

O selo do Espírito Santo é mais uma realidade abençoadora que deve impactar profundamente a maneira como vivemos, trazendo confiança na nossa identidade em Cristo e motivando-nos a viver vidas santas e agradáveis a Deus.

6) FRUTO

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus “9 gomos” (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito Santo para as realizações na igreja.

O fruto do Espírito Santo descreve as características ou qualidades que o Espírito Santo produz na vida daqueles que estão em comunhão com Deus. É mencionado na Bíblia, especificamente em Gálatas 5.22-23, onde Paulo lista nove atributos que são o resultado da presença e do trabalho do Espírito Santo na vida do crente. Esses atributos são:

Amor: Um amor ágape, que é um amor incondicional, sacrificial e altruísta, caracterizado por buscar o bem dos outros sem esperar nada em troca.

Alegria: Uma alegria que vai além das circunstâncias externas e é baseada na presença de Deus e na esperança em Cristo.

Paz: Uma paz interior que decorre da reconciliação com Deus e da confiança nele, resultando em harmonia e tranquilidade na vida do crente – Paz com Deus e Paz em Deus.

Longanimidade (Paciência): Uma capacidade de suportar dificuldades, adversidades e pessoas difíceis, mantendo a calma e a perseverança, sem perder a fé ou a esperança.

Benignidade: Uma disposição para tratar os outros com gentileza, bondade e compaixão, mesmo quando não merecem.

Bondade: Uma disposição para fazer o bem aos outros de maneira prática e benevolente, sem esperar recompensa ou reconhecimento.

Fidelidade: Uma confiabilidade e lealdade inabaláveis, tanto em relação a Deus quanto aos outros, mantendo promessas e compromissos.

Mansidão: Uma humildade e gentileza de espírito, manifestada em uma disposição para perdoar, suportar e resolver conflitos pacificamente.

Domínio Próprio (Autocontrole): Um domínio próprio sobre os desejos, emoções e impulsos, permitindo ao crente viver uma vida disciplinada e equilibrada de acordo com os princípios e valores da fé Cristã.

Esses elementos podem ser vistos como evidências externas da presença interior e do poder transformador do Espírito Santo na vida dos crentes, refletindo o caráter de Cristo e contribuindo para o seu crescimento espiritual e fortalecimento do seu testemunho.

7) DONS ESPIRITUAIS

“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.” (1Co 12.1)
“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.” (1Co 12.4)

É necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom espiritual ou sobrenatural”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço de Deus, na igreja e fora dela. Os salvos (nascidos de novo) recebem o dom, que é o próprio Espírito. Os carismas do Espírito são dados para habilitar o crente – aquele que tem o Espírito Santo – a servir a Deus de modo útil.

Podemos dizer que há cerca de 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11. Este assunto sempre foi e sempre será importante e sensível para igreja. Independentemente se todos esses dons continuam, se alguns deles cessaram ou quase não se manifestam, atualmente (Continuísmo, Cessacionismo e Cessacionismo moderado), são estes os 20 dons mencionados no Novo Testamento:

a) Dons Ministeriais:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para o exercício dos ministérios.)

1º) O dom de APÓSTOLO (Ef 4.11a; 1Co 12.28a)
2º) O dom de PROFETA (Ef 4.11b; 1Co 12.28b)
3º) O dom de EVANGELISTA (Ef 4.11c)
4º) O dom de PASTOR (Ef 4.11d)
5º) O dom de MESTRE (Ef 4.11; Rm12.7b; 1Co 12.28c)

b) Dons Operacionais:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para o funcionamento da Igreja.)

6º) O dom de PROFECIA (Rm 12.6; 1Co 12.10b)
7º) O dom de EXORTAÇÃO (Rm 12.8a)
8º) O dom de GOVERNO (Rm 12.8c; 1Co 12.28g)
9º) O dom de MINISTÉRIO ou SERVIÇO (Rm 12.7a)
10º) O dom de MISERICÓRDIA (Rm 12.8d)
11º) O dom de SOCORROS (1Co 12.28f)
12º) O dom de CONTRIBUIR (Rm 12.8b)

c) Dons de Revelação:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para saber.)

13º) O dom da PALAVRA DE SABEDORIA (1Co 12.8a)
14º) O dom da PALAVRA DE CONHECIMENTO (1Co 12.8b)
15º) O dom de DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS (1Co 12.10c)

d) Dons de Poder:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para agir.)

16º) O dom da FÉ (1Co 12.9a)
17º) Os dons de CURAR (1Co 12.9b; 1Co 12.28e)
18º) O dom de OPERAÇÃO DE MILAGRES (1Co 12.10a; 1Co 12.28d)

e) Dons de Comunicação:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para se comunicar.)

19º) O dom de LÍNGUAS (1Co 12.10d; 1Co 12.28h)
20º) O dom de INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS (1Co 12.10e)

Nota: No artigo “Os 20 Dons Espirituais”, link abaixo, você encontrará uma exposição detalhada de cada um desses 20 dons.

CONCLUSÃO

Distinguir as funções das três Pessoas da Trindade pode ser desafiador. Geralmente, atribuímos ao Pai a obra da criação, ao Filho a redenção e ao Espírito Santo a santificação. No entanto, as Escrituras nos mostram que nenhuma dessas obras é realizada exclusivamente por uma única Pessoa da Trindade. Em todas elas, vemos a participação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo, cada um contribuindo para a plenitude da ação divina.

“As Escrituras, porém, nos fornecem outra chave para o conhecimento das funções distintivas das três Pessoas da Divindade. No Pai reside a vontade divina, a formação dos eternos propósitos e, por conseguinte, a determinação das épocas para a efetivação dos acontecimentos respectivos; no Filho temos o mediador e agente ou executor da vontade e dos planos do Pai; no Espírito Santo se manifesta a inteligência e o impulso de Deus no mundo físico e nos homens.” (A. Almeida)

Louvamos a Deus por essas sete grandes operações do Espírito Santo, e por tantas outras,  rogando a ele que ilumine nossas mentes e entendimento para compreendê-las, auxiliando-nos a nos submetermos ao Senhorio de Cristo e às ações e direcionamentos do seu Santo Espírito.

Soli Deo gloria!

Cronologia dos 3 últimos dias de Jesus

Introdução:

“Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis, e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.” (2Pe 3.14-16)

É impressionante como certos indivíduos usam a bíblia a pretexto de difundirem heresias para confundir as pessoas com pouco ou nenhum conhecimento teológico. De um modo geral a bíblia nos foi entregue por Deus para ser lida e entendida até mesmo pelas pessoas mais simples, pelo menos os seus principais ensinos que nos revelam o caminho da salvação. Entretanto, a bíblia não é um livro como outro qualquer e precisamos contar, acima de tudo, com a iluminação do Espírito Santo para entender a mensagem divina nela contida. Há nela, também, textos difíceis de ser entendidos, talvez, alguns, jamais entenderemos plenamente neste corpo e nesta vida: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” (Dt 29.29). É, no mínimo, leviano e irresponsável, fazer a análise e interpretação dos textos bíblicos sem o uso adequado das normas básicas da hermenêutica bíblica, o que inclui, necessária e indispensavelmente, o conhecimento dos usos e costumes dos povos na época em que os textos foram escritos ou se referem.

O propósito deste breve estudo é apresentar bíblica e cronologicamente o que aconteceu nos últimos três dias do Senhor Jesus Cristo, incluindo sua ressurreição. Rejeitamos, como heresia, qualquer ideia ou tentativa de situar a ressurreição de Jesus no sábado e sua morte e ressurreição antes da sexta-feira da preparação da Páscoa. Todo esse malabarismo argumentativo é feito certamente com a intenção de defender a guarda do sábado, desprezando a importância do domingo para o cristão, o “primeiro dia da semana”, assim mencionado na bíblia (Mc 16.9; At 20.7), sendo que não é nossa intenção tratar desse assunto aqui. Isso fazem porque uma das fortes argumentações para a observância ou guarda do domingo é que Jesus ressuscitou no domingo. É muito comum que tais produtores de heresias tomem por base textos fora do seu contexto.

1. CRONOLOGIA DOS TRÊS DIAS

Diferentemente de nós, que contamos o dia completo das zero até às 24h, os judeus consideravam a contagem de 24 horas do dia, do pôr do sol (18h) de um dia, até o pôr do sol (18h) do outro dia. É por isso, por exemplo, que o sábado judaico, na realidade, ia das 18h da sexta-feira (pôr-do-sol), até às 18h do sábado (pôr do sol) (Gn 1.8). Portanto, a noite era dividida em quatro vigílias: Primeira: 18h às 21h; Segunda: 21h às 24h; Terceira: zero às 3h; Quarta: 3h às 6h. O dia era dividido em 12 horas: 6h (hora zero) até às 18h (hora duodécima).

    1. A multidão de peregrinos se dirigia para Jerusalém para a celebração da Páscoa (Jo 11.55). Jesus também subiu para a celebração da Páscoa, seis dias antes, provavelmente na sexta-feira à tarde. Ele se hospedava em Betânia (a cerca de 3Km de Jerusalém) e ia e voltava a Jerusalém. Depois do sábado (judaico), faz sua entrada triunfal em Jerusalém (Mc 11.1-11; Mt 21.1-11; Lc 19.29-44; Jo 12.12-19).
    1. Aproximando-se o dia da celebração da Páscoa, na quinta-feira, à tarde, Jesus orienta os discípulos a fazerem os preparativos, no cenáculo mobilado e pronto (Mc 14.12-16; Mt 26.17-19; Lc 22.7-13). Era quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal (Mc 14.12).
    1. Na noite de quinta-feira, que é o início da sexta-feira judaica, Jesus se reúne com os doze, no cenáculo, para a celebração da Páscoa judaica (Mc 14.17; Mt 26.20; Lc 22.14).
    1. Durante a celebração Jesus institui a Ceia Cristã (Mc 14.22-25; Mt 26.26-29; Lc 22.17-20; 1Co 11.23-26).
    1. Encerrada a celebração, tendo cantado um hino, eles saíram para o Monte das Oliveiras (Mc 14.26; Mt 26.30; Lc 22.39).
    1. No Jardim do Getsêmani Jesus é traído e preso (Mc 14.43-52; Mt 26.47-56; Lc 22.47-53; Jo 18.2-12).
    1. Naquela madrugada de sexta-feira Jesus é interrogado, ferido e zombado.
    1. Na manhã daquela sexta-feira, o processo de julgamento continua, diante das autoridades judaicas e romanas (Mc 15.1; Mt 27.1; Lc 22.66-71).
    1. Condenado, e depois de percorrer a “via dolorosa” até o Calvário,  na hora terceira (9h da manhã de sexta-feira) Jesus é crucificado (Mc 15.24-25).
    1. Jesus, estando na cruz, da hora sexta até a nona (12h até às 15h), aconteceu que houve trevas sobre toda a terra (Mc 15.33-37; Mt 27.45-50; Lc 23.44, 46).
    1. Por volta da hora nona (15h), Jesus bradou em alta voz e depois expirou. (Mc 15.34-37; Mt 27.46-50).
    1. Ao cair da tarde daquela sexta-feira, dia da preparação, como era a véspera do sábado (que começava às 18h de sexta-feira), os corpos não poderiam ficar na cruz, então, José de Arimatéia, obteve a autorização de Pilatos, cedeu um túmulo novo e providenciou o sepultamento de Jesus (Mc 15.42-46; Mt 27.57-60; Lc 23.50-54; Jo 19.31-42).  A lei mosaica estabelecia que o cadáver não deveria permanecer no madeiro durante a noite (Dt 21.23). Todo sábado[1] era especial para os judeus, mas o evangelista João se refere àquele sábado assim: “pois era grande o dia daquele sábado”. Ele assim se expressou porque aquele sábado, naquele ano, coincidia com a Páscoa, que também coincidia com o primeiro dia dos pães asmos  (Êx 12.16; Lv 23.7). No 14º dia de Nisã (ou Abibe, o primeiro mês do calendário religioso judaico[2], que corresponde a março-abril no nosso calendário gregoriano[3]), dia da preparação, o cordeiro pascal era imolado, no crepúsculo da tarde (Êx 12.5-6). À noite, já no início do 15º dia, a carne assada no fogo do cordeiro era comida com pães asmos e ervas amargas (Êx 12.8). Era o primeiro dia da festa dos pães asmos (sem fermento) que durava sete dias (Êx 12.15-20). É importante ressaltar que o 14º dia de Nisã, quando deveria ser celebrada a Páscoa ou Pessach em hebraico, pode cair em qualquer dia da semana. A “Sexta-feira Santa”, como é conhecida na tradição cristã, é a data em que muitos cristãos celebram a crucificação de Jesus, que ocorreu durante aquela Páscoa judaica. Isso não significa necessariamente que os judeus comemoravam a Páscoa na sexta-feira, mas sim que a morte de Jesus aconteceu durante o período da Páscoa judaica, e os cristãos associam esse evento à “Sexta-feira Santa”. Entretanto, para o cristão, o mais importante memorial, que foi instituído por Jesus, é a Ceia do Senhor (1Co 11.23-29).

    [1] Etimologicamente, a palavra “sábado” tem suas raízes no hebraico “Shabbat”, que significa “descanso” ou “cessação”. Na tradição judaica, o sábado é considerado um dia sagrado, estabelecido como um dia de descanso em memória da criação do mundo por Deus, conforme descrito na Bíblia (Gn 2.2; Êx 16.23; 20.8).

    [2] Os judeus usavam um calendário lunissolar, que é uma combinação de elementos do calendário lunar e solar. O calendário mencionado na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, é baseado nesse sistema. Este calendário era usado para determinar as datas das festas religiosas e cerimônias importantes, bem como para marcar eventos históricos.

    [3] O calendário gregoriano é o calendário solar internacionalmente aceito hoje em dia. Ele é baseado no ciclo anual da Terra em torno do Sol e foi introduzido pelo Papa Gregório XIII em 1582 como uma reforma do calendário juliano anterior.

    1. Por solicitação dos principais sacerdotes e dos fariseus, feita a Pilatos, o túmulo foi guardado com segurança (com soldados e, também, lacraram a pedra de entrada) porque Jesus tinha dito que ressuscitaria: “Depois de três dias ressuscitarei” (Mt 27.62-66).
    1. O evangelista Lucas registra que as mulheres que vieram da Galileia viram onde Jesus foi sepultado e se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento (Lc 23.56).
    1. O evangelista Marcos registra: “Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo.” (Mc 16.1). O sábado terminava às 18h, quando começava (entrava, despontava) o primeiro dia da semana, o domingo, ao anoitecer. Nesta mesma linha, o evangelista Mateus registra o que parece ter sido uma “primeira” visita: “No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (Mt 28.1)
    1. O evangelista Mateus registra (de forma isolada) que, em algum momento do domingo (provavelmente no final da madrugada), houve uma intervenção angelical no sepulcro: “E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos.” (Mt 28.2-4). Vale ressaltar que os textos registrados nos Evangelhos não obedecem necessariamente a uma ordem cronológica. Portanto, é um equívoco colocar este registro de Mateus 28.2-4 imediatamente após Mateus 28.1!
    1. Sem fazer menção ao término do sábado e início noturno do domingo, os evangelistas Marcos, Lucas e João registram o que seria a “segunda” visita das mulheres, agora próximo ao início diurno do domingo, o primeiro dia da semana, a saber:

    “E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo.” (Mc 16.2)

     “Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.” (Lc 24.1)

    “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida.” (Jo 20.1)

    Desses três textos, bem como do contexto, podemos fazer algumas considerações:

    • Elas saíram muito cedo para irem ao túmulo. Entretanto, não é dito de onde partiram, quanto tempo levaram para chegar e a que horas chegaram ao túmulo.
    • Ao chegarem ao túmulo, viram que a pedra fora removida, não que fora removida quando ainda estava escuro.
    • Não sabemos se naquela época do ano, às 6h da manhã, o dia ainda estava escuro.
    • É fato que quando chegaram ao túmulo as mulheres não viram o corpo de Jesus.

    Portanto, desconsiderar o claro registro desses três evangelistas, fixando-se apenas no registro de Mateus 28.1 associado ao texto de Mateus 28.2-3 é de uma incoerência gigantesca e desrespeito completo às regras, princípios e métodos da hermenêutica.

    1. Os anjos anunciaram às mulheres que Jesus havia ressuscitado (Mc 16.5-8; Mt 28.5-8; Lc 24.4-8).
    1. É fato que Jesus ressuscitou no domingo, no final do período noturno ou no início do período diurno, isto é, antes ou um pouco depois da 6h da manhã.
    1. Aparições de Jesus no domingo da ressurreição.

2. QUANTO TEMPO JESUS FICOU NO TÚMULO?

Conforme já exposto, o sepultamento de Jesus ocorreu no final da tarde de sexta-feira, antes do início (noturno) do sábado e ressuscitou próximo ao raiar do sol de domingo.

Entretanto, existem aqueles que se dedicam arduamente a tarefa de demonstrar que Jesus permaneceu no sepulcro por 72 horas – o equivalente a três dias e três noites – para que pudesse se cumprir o “sinal de Jonas”. Para tratar  e refutar essa ideia podemos analisar quatro casos, além das declarações explícitas nos evangelhos sobre os dias da crucificação. Então vejamos:

1º) O SINAL DE JONAS (Mt 12.39-40; 16.4; Lc 11.29-30; comp. Jn 1.17)

“Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” (Mt 12.40)

“Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se.” (Mt 16.4)

“Como afluíssem as multidões, passou Jesus a dizer: Esta é geração perversa! Pede sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração.” (Lc 11.29-30)

“Deparou o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe.” (Jn 1.17)

 Verifica-se aqui que apenas o evangelista Mateus registra detalhadamente este sinal anunciado por Jesus.

É amplamente conhecido que os judeus tinham o costume de considerar uma parte do dia como equivalente a “um dia”. Assim, uma fração de dia ou noite seria contada como um dia inteiro, considerando o termo “dia” em ambos os sentidos – abrangendo tanto o período diurno quanto o noturno, com o dia contrastando com a noite. Era uma forma natural deles  se expressarem. Nesse contexto, uma fração de sexta-feira seria considerada um dia, o sábado outro, e a fração de domingo, o terceiro dia. Esse método de contagem de tempo era bem aceito entre os judeus e não gerava controvérsias. Então, no costume judaico, quando se diz “três dias e três noites”, simplesmente se quer dizer três dias.

2º) O SINAL DO TEMPLO (Jo 2.19; 2.20; Mt 26.61; Mc 14.58; Mt 27.40; Mc 15.29)

“Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.” (Jo 2.19)

“Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?” (Jo 2.20)

No início do seu ministério de três anos, estando próxima a Páscoa, Jesus sobe a Jerusalém e efetua a primeira purificação do templo (Jo 2.13-22). Os judeus protestam sua ação e lhe perguntam: “Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas?” (Jo 2.18b). Foi neste contexto que Jesus lhes respondeu (Jo 2.19) e eles replicaram a partir de um entendimento literal do templo físico (Jo 2.20). Então, o evangelista João traz uma palavra de esclarecimento: Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo.” (Jo 2.21). E, ainda mais, que quando da ressurreição de Jesus seus discípulos se lembraram dessa sua fala (Jo 2.22).

“Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.” (Mt 26.61)

“Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.” (Mc 14.58)

Três anos depois, no processo de julgamento de Jesus pelas autoridades judaicas, quando tentavam reunir provas para condená-lo, eis que surgem duas testemunhas lembrando dessa fala de Jesus (Mt 26.57-61; Mc 14.53-59)

“Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz! (Mt 27.40)

“Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! Tu que destróis o santuário e, em três dias, o reedificas!” (Mc 15.29)

Por fim, quando Jesus estava pendurado na cruz, os que iam passando blasfemavam citando aquela fala de Jesus sobre a destruição e reconstrução do templo em três dias, sem a compreensão de que Jesus havia se referido ao seu corpo (Mt 27.35-39; Mc 15.24-29).

Enfim, temos aqui mais um sinal contundente e predição dos três dias entre a morte e ressurreição de Jesus!

3º) “NO” ou “AO” TERCEIRO DIA (Mt 16.21; 17.23; 20.19; Lc 9.22; 24.7; 24.46; At 10.40; 1Co 15.4; ver tb Lc 24.21)

“Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.” (Mt 16.21)

“e estes o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará. Então, os discípulos se entristeceram grandemente.” (Mt 17.23)

“A este ressuscitou Deus no terceiro dia e concedeu que fosse manifesto,” (At 10.40)

“e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1Co 15.4)

As expressões “no terceiro dia” e “ao terceiro dia” têm que significar que a ressurreição ocorreu nesse dia; porque, se ocorresse depois do terceiro dia, seria no quarto dia, e não no terceiro. Ora, acontece que esta expressão “no” ou “ao” “terceiro dia” ocorre oito vezes referindo-se ao tempo da ressurreição de Cristo. Portanto, são abundantes e irrefutáveis evidências, de caráter profético e histórico, de que Jesus ressurgiu “no ou ao terceiro dia”.

“Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.” (Lc 4.21)

Além das oito evidências anteriores, temos aqui uma nona. “Naquele mesmo dia” (Lc 24.13), o dia da ressurreição, ainda no domingo, Jesus aparece a dois discípulos no caminho de Emaús. Eles nos dão conta do tempo decorrido desde a condenação à morte e crucificação de Jesus: 1º dia: sexta-feira; 2º dia: sábado; e 3º dia: domingo.

4º) DEPOIS DE TRÊS DIAS (Mc 8.31; 9.31; 10.34; Mt 27.63)

“Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.” (Mc 8.31)

“porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará.” (Mc 9.31)

“hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará.” (Mc 10.34)

“disseram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei.” (Mt 27.63)

Não há razão para encontrar aqui uma contradição entre as expressões “depois de três dias” e “no/ao terceiro dia” como se o “depois” pudesse forçar uma interpretação de que as vinte e quatro horas do terceiro dia deveriam ter transcorrido. Seria uma outra forma de dizer a mesma coisa, diante dos argumentos já expostos.

3. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

a) Jonas não é um tipo de Cristo, é apenas um sinal, como o sinal do templo (destruição e reconstrução em três dias). Jonas estava fugindo e se esquivando de obedecer à vontade e missão de Deus; Jesus veio ao mundo em obediência e para cumprir a vontade de Deus. Jonas permaneceu vivo dentro do peixe; Jesus permaneceu um tempo morto no sepulcro.

b) O sinal de Jonas não deve ser considerado como um fator de vital importância para confirmar o plano da salvação. O fato da morte e ressurreição de Cristo é sim muito mais importante do que o tempo que ele ficou sepultado.

c) O sinal de Jonas está muito longe de ser a única prova da autenticidade de Jesus como o Messias prometido. São muitas as predições da primeira vinda de Jesus, o Messias, no Antigo Testamento, que se cumpriram, além das prefigurações da expiação de Cristo (a oferta de Abel,  a Arca da Salvação, o sacrifício de Isaque, a Páscoa judaica, o Dia da Expiação, a serpente abrasadora). A mulher samaritana esperava pelo Messias e creu que Jesus era o Messias, pela autoridade com que falava e por lhe ter revelado tudo quanto tinha feito (Jo 4.25-26); da mesma forma creram muitos samaritanos (Jo 4.39-42). Na pregação do Pentecostes, o apóstolo Pedro ressalta a messianidade de Jesus manifestada nos milagres, prodígios e sinais por ele realizados (At 2.22ss). Portanto, Jesus jamais declarou que o sinal de Jonas era a única prova da autenticidade da sua messianidade, porém que era o único sinal que aqueles religiosos incrédulos receberiam dele.

d) É fato que Deus é perfeito e detalhista na obra que realiza, particularmente na criação. No que se refere a profecias, ele nos revela muitos detalhes. Entretanto, no que se refere ao tempo, ele não nos revela precisamente data e hora: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.” (Mt 24.36). Ele sempre nos orienta a observar os sinais (Mt 16.3). Por que, então, alguns insistem no equívoco de afirmar que Jonas e Jesus, permaneceram no peixe e no sepulcro, respectivamente, 72 horas (3 dias inteiros de 24h)? Onde está explicitada na bíblia esta quantidade de horas?

Conclusão:

Para aqueles que fincam muito o pé no “sinal de Jonas”, nos três dias e três noites ou 72 horas que Jesus deveria ficar sepultado, deixamos algumas considerações finais para reflexão:

1ª) A fala de Jesus quanto ao “sinal de Jonas” ocorre num contexto beligerante produzido pelos religiosos hipócritas da época. Primeiramente, escribas e fariseus, provocam Jesus pedindo-lhe um sinal provando que ele era o Messias. Não há, da parte de Jesus, a intenção de “lançar pérolas aos porcos” (Mt 7.6). Se observarmos bem o registro deste incidente (Mt 12.38-42), veremos que o foco de Jesus está posto no que vem depois da citação dos “três dias e três noites”, isto é, a receptividade à pregação de arrependimento que ocorreu em Nínive, o que Jesus não via neles e nem naquela geração. Da mesma forma, no segundo evento, quando fariseus e saduceus tentando-o lhes pediram um sinal vindo do céu, a resposta de Jesus foi o sinal de Jonas, sem referência a tempo (Mt 16.1-4).

2ª) Quando Jesus se dirigia diretamente aos seus discípulos, a quem desejava instruir e preparar para o que haveria de acontecer com ele, a sua ênfase era a respeito da sua morte e ressurreição “no ou ao terceiro dia”, conforme os vários textos já mencionados, registrados por Mateus, Lucas e o apóstolo Paulo.

3ª) Não é razoável desconsiderar, ou não dar a devida atenção, para os vários textos que narram, e deixam muito claro, o que aconteceu nesses três últimos dias do Jesus encarnado, incluindo a sua ressurreição no terceiro dia.

Finalmente, é preciso dizer que há pessoas sempre ávidas a se dedicar a minúcias doutrinárias, visando a descontruir a doutrina da fé alheia, enaltecendo a sua própria visão doutrinária. Acima e antes de tudo precisamos realmente é de testemunhar do Cristo morto e ressurreto, para a salvação de tantos que estão por aí perdidos, chafurdados nos seus delitos e pecados.

Quando Deus criou as MÃES…


No dia em que o bom Deus criou as mães (já vinha virando dia e noite há seis dias) um anjo apareceu e disse:

“- Por que tanta inquietação por causa dessa criação, Senhor?” 

E o Senhor respondeu:

“- Você já leu as especificações desta encomenda?

. Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico;

. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis;

. Funcionar à base de café e sobras de comida;

. Ter um colo macio que sirva para matar a fome das crianças;

. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde perna quebrada até namoro terminado…

. E seis pares de mãos.”

O anjo balançou lento a cabeça e disse:

“- Seis pares, Senhor? Parece impossível”.

“- Não é esse o problema”, disse o Senhor. “E os três pares de olhos que as mães têm que ter?”

“- O modelo padrão tem isso?” indagou o anjo.

O Senhor assentiu.

“- Um par para ver através das portas fechadas, para quando se perguntar o que é que as crianças estão fazendo lá dentro ! (embora já o saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber. E, naturalmente, os olhos normais capazes de fitar uma criança em apuros dizendo-lhe: “Eu te compreendo e te amo, sem proferir uma palavra.”

“- Senhor,”

disse o anjo, tocando-lhe levemente na manga,

“- É hora de dormir. Amanhã é um novo dia…”

“- Não posso”, replicou Deus. “- Está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e convence uma criança de nove anos a tomar banho”.

O anjo rodeou vagarosamente o modelo de mãe.

“- É muito delicada”, suspirou.

“- Mas é resistente”, respondeu o Senhor entusiasmado. “- Você não imagina o que esta mãe pode fazer ou suportar.”

“- E ela pensa?”

“- Não apenas pensa, mas discute e faz acordos”, explicou o Criador.

Finalmente, o anjo se curvou, e passou os dedos pelo rosto do modelo.

“- Há um vazamento”, retrucou.

“- Não é um vazamento”, disse Deus. “- É uma lágrima.”

“- E para que serve?”

“- Para exprimir alegria, tristeza, desapontamento, dor, solidão e orgulho”.

“- Vós sois um gênio!”, disse o anjo.

Mas o Senhor ficou melancólico:

“- Isso apareceu assim; não fui eu quem colocou nela…”

(Erma Bombeck)
(Extraído de “Seleções” do mês de maio de 1979)

O Amado e a Amada

Texto base: Cântico dos Cânticos 8.6-7

Introdução

O livro é o “Cântico dos Cânticos” de Salomão (Ct 1.1), isto é, o seu mais excelente e belo cântico, e não foram poucos os que ele escreveu (1005 cânticos, além de 3000 provérbios, conforme 1Rs 4.32). Assim como no livro de Ester, o nome de Deus não é mencionado. Não é correta a espiritualização deste livro, como se fora uma alegoria para ilustrar o relacionamento e o amor mútuo entre Deus e sua igreja, pelo menos, não há evidências de que teria sido escrito originalmente com este propósito. É claro que, eventualmente, é possível encontrar aqui alguns pontos de semelhança entre “o amado e sua amada” e “Cristo e sua noiva (a igreja)”. É um livro da bíblia diferenciado que poeticamente celebra o amor mútuo entre um homem e uma mulher, entre o Amado e a Amada, entre Salomão e a Sulamita. Se o cântico é uma ficção ou referência a uma situação real, não sabemos. Se essa Sulamita é a jovem Abisague, a jovem virgem Sunamita “sobremodo formosa” que cuidou de Davi na sua velhice, não sendo por ele possuída (1Rs 1.1-4) e pretendida por Adonias, custando-lhe a vida (1Rs 2.13-24), não sabemos. É significativo que a palavra “amado” ocorre no livro 38 vezes.

Portanto, o tema é o amor entre um homem e uma mulher, que poderia ser assim descrito:

Num reino antigo, num cenário campestre envolvendo vinha e pastoreio de rebanhos, floresceu um amor ardente e profundo entre um rei sábio e uma formosa camponesa. O rei, cuja sabedoria era tão vasta quanto sua riqueza, era conhecido como Salomão. A camponesa, cuja beleza era tão radiante quanto sua humildade, era chamada de Sulamita. Desde o momento em que seus olhares se encontraram, os corações de Salomão e da Sulamita foram capturados por um amor que transcendia os limites do tempo e do espaço. Numa primavera (Ct 2.10-13), entre os campos dourados de trigo e os jardins perfumados de flores, eles se encontravam, trocando juras de amor sob a luz do sol e à sombra das árvores. As trocas de palavras do amor deles ecoavam pelas montanhas e vales, como uma sinfonia celestial entoada pela própria natureza. Cada palavra, cada suspiro, era como uma promessa eterna de devoção e paixão.

Assim, o Cântico dos Cânticos é uma exaltação ao amor puro e intenso, uma celebração da beleza do amor humano em sua forma mais divina e transcendente. É a exalação de sentimentos, desejos, medos, dúvidas, sonhos, saudade, paixão, típicos dos enamorados. É a celebração da sexualidade com compromisso, no casamento. A beleza física é frequente e cuidadosamente referida e enaltecida, com o uso de metáforas tiradas do ambiente natural em que viviam, um tanto quanto estranhas e nada românticas para os padrões atuais: “Os teus cabelos são como o rebanho de cabras que descem ondeantes do monte de Gileade.” (Ct 4.1c).

O cântico se desenvolve com sucessivas e alternadas falas carregadas de ardente paixão, adornadas de expressões que envolvem os cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato):

Beijo – “Beija-me com os beijos de tua boca” (Ct 1.2a).

Cheiro – “Suave é o aroma dos teus unguentos,” (Ct 1.3a).

Abraço – “A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace.” (Ct 2.6; 8.3). 

Voz – “Ouço a voz do meu amado;” (Ct 2.8a). faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e o teu rosto, amável.” (Ct 2.14c).

Olhar – “arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar.” (Ct 4.9b; vtb 6.5a).

Sabor – “Os teus beijos são como o bom vinho,” (Ct 2.3).

Caminhar e molejo – “Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ó filha do príncipe! Os meneios dos teus quadris são como colares trabalhados por mãos de artista.” (Ct 7.1)

Uma adequada incursão no texto deste intrigante livro, nos permite explorar e desvendar um pouco mais os mistérios do amor, que permanece como um farol de esperança e inspiração para todas as gerações que buscam o seu verdadeiro significado.

Desenvolvimento:

1. O COMPROMISSO DE AMOR

“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço,…” (Ct 8.6a)

A fala é da mulher, da esposa para o seu amado marido. Qual o sentido e significado da sua proposta?

Nos tempos antigos, o ato de “selar” tinha diversos significados e aplicações, muitos dos quais eram relacionados à autenticidade, segurança e autoridade. Selar um documento, carta ou contrato era uma maneira de garantir sua autenticidade e integridade. Um selo, geralmente feito de cera quente ou outro material, era aplicado sobre o fecho de uma carta ou sobre a borda de um documento, indicando que não havia sido violado e que seu conteúdo era confiável. Selar algo podia servir como uma marca de propriedade ou identificação. Por exemplo, selos eram frequentemente usados em mercadorias comerciais para identificar o proprietário ou o fabricante, ou em documentos legais para indicar a origem ou o responsável por sua emissão.

A ideia e intenção é que seu amado carregasse, em todo o tempo, no seu próprio corpo, uma autêntica, inequívoca, indelével e visível marca dela. Sobre o coração, como sede da vida e dos sentimentos; sobre o braço, como símbolo de força e trabalho dedicados ao provimento do seu lar. Era uma proposta legitima de compromisso de amor, com exclusividade, que por sinal destoava muito da poligamia vivida por Salomão.  

“Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;…” (Ct 6.3a)

Por três vezes ela se declara pertencer ao seu amado e, em duas, que o seu amado era dela (Ct 2.16; 6.3; 7.10). Esse mútuo pertencimento expressa lindamente o conceito e fundamento do casamento, de ser uma só carne (Gn 2.24), o que encontra eco no ensino do apóstolo Paulo (1Co 7.3-4).

2. A FORÇA DO AMOR

 “porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas.” (Ct 8.6b)

A frase “o amor é forte como a morte” é uma expressão poética e metafórica que destaca a intensidade e a permanência do amor, equiparando-o à força inegável da morte. Essa metáfora pode ser assim exemplificada:

1º) Assim como a morte é uma força universal poderosa e inevitável que não pode ser ignorada, o amor é retratado como algo igualmente forte, universal e irresistível. Ele pode consumir uma pessoa completamente, dominando seus pensamentos, sentimentos e ações.

2º) Assim como a morte não pode separar as pessoas na lembrança dos seus entes queridos, o amor é retratado como uma força que une duas pessoas de maneira tão forte que nada pode separá-las.

3º) Assim como a morte põe um ponto final nas expectativas e escolhas da vida, o amor autêntico e verdadeiro põe um ponto final nos anseios e na procura da pessoa amada que, ao ser encontrada, promove uma ligação profunda e indissolúvel entre o amado e a amada.

“e duro como a sepultura, o ciúme;”

O ciúme, aqui comparado à sepultura, é uma deturpação ou anomalia do amor, tão danosa e cruel.

O ciúme é uma reação à percepção de uma ameaça real ou imaginária ao relacionamento, posse ou afeto de uma pessoa por outra. Essa reação pode ser desencadeada por diversos fatores, como o medo de perder a atenção, o carinho ou a lealdade do(a) amado(a) para alguém ou algo considerado uma ameaça. O ciúme pode se manifestar de diferentes formas e em diferentes graus, desde sentimentos leves de insegurança até reações extremas de possessividade, raiva e comportamento controlador. Torna-se insuportável quando a desconfiança em relação ao outro, leva a uma vigilância constante, questionamentos repetidos e investigações para confirmar ou refutar as suspeitas. Pode desencadear uma série de reações emocionais, incluindo ansiedade, tristeza, raiva, ressentimento e até mesmo depressão, levando ao fim do relacionamento. Portanto, é importante reconhecer e compreender o ciúme, comunicar-se abertamente com o outro e trabalhar juntos para construir uma relação de confiança e segurança mútuas.

Um aspecto normal e natural do ciúme, motivado pelo legítimo sentimento de “posse com exclusividade”, é aquele cuidado, preocupação e acompanhamento do(a) amado(a). Neste sentido, o ato do simples flertar com alguém ou algo, pode despertá-lo no outro cônjuge. É o receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem; o que não deixa de ser um zelo aceitável. Neste sentido é que se pode entender  o “ciúme ou zelo de Deus”, pelo seu povo (Ez 8.3; Tg 4.5).

Este amor, assim tão forte, tem algumas características delineadas neste cântico:

1ª) Precisa acontecer naturalmente:

“Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.” (Ct 8.4)

Neste livro, por três vezes encontramos a expressão “não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.” (Ct 2.7; 3.5; 8.4). Isso nos remete ao início do amor, à sua origem, à forma como ele acontece, ao momento em que ele acorda. Ele deve acontecer naturalmente, de forma espontânea, pois não pode ser forçado. Um relacionamento que nasce de interesses escusos (financeiro, poder etc.) ou equivocados (rebeldia e pressa em deixar a casa paterna; busca de liberdade; desejo de ter filhos; vontade de mudar de cidade, estado ou país etc.), não redundam nesse amor poderoso.

2ª) Precisa ser alimentado:

Depois que nasce, o amor precisa ser alimentado e fortalecido, tal qual um novo ser. Neste cântico, chama a atenção as sete falas de lisonjeio do amado à sua amada (Ct 1.9-10; Ct 1.15; Ct 2.2; Ct 2.14; Ct 4.1-15; Ct 6.4-10; Ct 7.1-9) e cinco da sua amada ao seu amado (Ct 1.13-14; Ct 1.16; Ct 2.9; Ct 2.17; Ct 5.10-16). O reconhecimento do outro e de suas atitudes, bem como o uso da “pedagogia do elogio” são atitudes muito bem-vindas. Uma boa dieta para nutrir o amor é a valorização do cônjuge, não apenas com palavras vazias que se perdem no ar, mas com gestos e atitudes concretas e práticas. O amor é muito mais do que a manifestação de sentimentos; envolve a dedicação e doação ao cônjuge.  

3ª) Precisa ser protegido:

“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor.” (Ct 2.15)

As raposas e outros animais são conhecidos por sua ação destruidora nos plantios. Os ataques de animais a uma plantação e os desafios enfrentados em um relacionamento conjugal têm algumas semelhanças:

– Assim como os animais podem gradualmente destruir uma plantação, os problemas e conflitos não resolvidos podem corroer lentamente a saúde de um relacionamento conjugal ao longo do tempo, minando a confiança e a intimidade.

– Da mesma forma que os agricultores precisam proteger sua plantação contra pragas e animais invasores, os cônjuges precisam estar atentos às ameaças externas e internas, e agir preventivamente, tomando medidas adequadas para proteger seu relacionamento, desenvolvendo habilidades para lidar com os desafios que surgem ao longo do caminho.

– Assim como os agricultores precisam reparar os danos causados ​​pelos ataques à sua plantação, os casais também precisam trabalhar juntos para reparar os danos causados ​​por conflitos e desentendimentos, buscando a reconciliação e a restauração do relacionamento.

Em resumo, a analogia entre os ataques de animais a uma plantação e os desafios enfrentados em um relacionamento conjugal destaca a importância da proteção, manutenção, reparação e cuidado contínuo para preservar e fortalecer os laços afetivos e construir um relacionamento duradouro e harmônico.

3. A SOLIDEZ DO AMOR

“… as suas brasas são brasas de fogo, labaredas do SENHOR.“ (Ct 8.6)
“As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.” (Ct 8.7)

Há labaredas divinas no amor que, partindo do céu alcançam a terra, porque, afinal, Deus é amor. 

O amor é indestrutível

As torrentes de água não podem extinguir as chamas do amor, nem mesmo os dilúvios mais intensos podem afogá-lo. Mesmo diante das dificuldades, desafios e mudanças da vida, o amor pode persistir e resistir ao teste do tempo. É fato a força descomunal da correnteza das águas inundantes, arrastando e destruindo tudo o que encontram pela frente. Entretanto, a metáfora ressalta a implacável capacidade de resistência do amor a qualquer tipo de ataque. Também é fato que muitos relacionamentos se desfazem. No entanto, aqueles que foram unidos por um amor verdadeiro e autêntico permanecerão firmes. Nenhuma força terrena poderá separá-los, e nenhum poder celestial teria o desejo de fazê-lo.

O amor é inegociável

O amor não pode ser comprado ou subornado, e as tentativas podem se dar de muitas formas.  O verdadeiro amor  jamais cederá às investidas de terceiros com suas cantadas sedutoras, sua beleza estonteante, oportunidade de ascensão social ou  prosperidade financeira. Se um relacionamento de namoro ou noivado ou o casamento é abalado quando entra em cena outra pessoa que tenha dinheiro é porque não existe ali um amor maduro e verdadeiro. Por outro lado, com dinheiro pode se comprar sexo e acompanhante, profissional ou não. Não são poucos os casos em que o verdadeiro amor é relegado a um segundo plano, ou totalmente ignorado, em prol de um bem-estar financeiro e projeção social.

No texto em análise, a simples tentativa de comprar o amor, oferecendo um alto e substancial preço, tornaria o pretendente alguém desprezado. O amor genuíno é como um tesouro oculto no coração, de valor inestimável. São dignos de destaque e honra aqueles casos de casais simples,  que não se rendem aos apelos sedutores já mencionados; antes, porém, unem seu amor e seus esforços e, ao longo da vida, realizam seus sonhos de um casamento feliz, de uma família bem estruturada e a da desejada e necessária estabilidade financeira. Porque a força do amor, também é maior do que a força do dinheiro. 

Se o amor não pode ser comprado, pode ser conquistado. E é conquistado quando é livremente dado. O amor emana de Deus e é insuflado como fruto do Espírito (Gl 5.22). É o elo que nos une em torno do mistério da existência. Onde houver vida, haverá também o verdadeiro amor. Ele não se submete ao tempo, nem reconhece barreiras ou obstáculos.

“O amor não se desvanece com as horas fugazes ou o passar dos dias, mas suporta tudo, até mesmo diante da iminência da condenação. Se isso for um equívoco e se provar que estou errado, então nunca mais ousarei escrever, pois nenhum homem jamais conheceu o verdadeiro amor.” (parafraseando Shakespeare)

Conclusão

Temos discorrido sobre o compromisso inarredável do amor, inspirando aquele saudável sentimento de “posse mútua e exclusividade”. É oportuno destacar o apreço mútuo, em que cada um dos enamorados se expressa distinguindo-o dos demais. Ele diz: “Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.” (Ct 2.3). E, ela responde: “Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar.” (Ct 2.3). E, ele, mais adiante, ainda diz: ”Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas, e as virgens, sem número. Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada, de sua mãe, a única, a predileta daquela que a deu à luz; viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa; viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.” (Ct 6.8-9)

Também fomos lembrados que, tal como a morte, o amor é forte, universal e irresistível, capaz de manter duas pessoas unidas; que o ciúme exacerbado é uma anomalia do amor e deletéria ao relacionamento; que o amor precisa acontecer naturalmente e precisa ser fortalecido com palavras e ações.

Finalmente, abordamos que o amor é indestrutível e inegociável. Ainda que surjam quaisquer dificuldades e obstáculos, com a devida paciência, compreensão, sabedoria, perdão e auxílio do alto, do Deus Eterno, tudo pode ser superado, pois o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1Co 13.7).  

Que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista CRESCENDO JUNTOS (Ed. Didaquê).
4. Alexander, Pat e David – Manual Bíblico SBB (SBB).
5. Unger, Merrill Frederick – Manual Bíblico UNGER (Vida Nova).
6. R. N. Champlin, Ph. D. – O Antigo Testamento Interpretado – Versículo por versículo (Ed. Hagnos).
7. Internet / ChatGPT.