Sete Operações do Espírito Santo

INTRODUÇÃO

O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade. Como tal, vem atuando em toda a história. É ele quem deu a inspiração aos autores humanos da Bíblia, usando suas características e estilos pessoais para a composição das Escrituras Sagradas, sob sua supervisão e direção.

No Antigo Testamento (AT) ele está presente na Criação, vindo seletivamente sobre certas pessoas para a realização de um propósito específico, capacitando-os para alguma missão ou serviço.

No Novo Testamento (NT) ele opera na vida e pessoa de Jesus Cristo, o novo Adão, na sua concepção, na sua unção confirmatória e ministério, na sua morte e  na sua ressurreição. No Pentecostes, ele veio em cumprimento às promessas do Senhor (Jo 14.15-26; At 1.8) e a igreja foi inaugurada. 

Esta abordagem tem o propósito de apresentar suscintamente as sete grandes operações do Espírito Santo nos remidos do Senhor, nos salvos, nesta era da igreja de Cristo.

1) CONVENCIMENTO

“7 Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.
8  Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:
9  do pecado, porque não creem em mim;
10  da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;
11  do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.” (Jo 16.7-11)

Convencer significa persuadir, esclarecer a verdade espiritual do Evangelho, para a salvação do pecador. A tarefa do crente é pregar e a do Espírito Santo convencer, e o convencimento dele é irresistível.

Pecado: O Espírito Santo convence as pessoas da realidade do pecado em suas vidas, da natureza humana caída e pecadora, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23), que “não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10, 12), e da necessidade de arrependimento. Enfim, ele revela a natureza do pecado e suas consequências espirituais.

Justiça: O Espírito Santo convence as pessoas da santidade de Deus que rejeita o pecado, mas ama o pecador. Que a justiça de Deus estabelece que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). Ele convence as pessoas de que a justiça de Deus é plenamente satisfeita em Jesus Cristo, que é o único meio pelo qual os seres humanos podem alcançar a justificação diante de Deus.

Juízo: O Espírito Santo convence as pessoas da realidade do juízo vindouro: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,” (Hb 9.27). Ele desperta uma consciência da necessidade de prestação de contas diante de Deus e do destino eterno das almas.

Em resumo, o Espírito Santo age para convencer as pessoas da verdade espiritual, despertando nelas uma consciência do pecado, revelando a justiça de Cristo como o único caminho para a salvação e alertando sobre o juízo futuro. Esse processo de convencimento é fundamental para a obra de regeneração e conversão espiritual na vida de um indivíduo.

2) REGENERAÇÃO

“4  Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos,
5  não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,
6  que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador,” (Tt 3.4-6)

Regenerar é tornar a gerar, é o ato divino pelo qual o Espírito Santo, pelo seu poder, transforma e renova interiormente uma pessoa. É um nascer da água e do Espírito, sendo a água a palavra de Deus (Jo 3.3-7). Essa regeneração não é um processo, é uma obra sobrenatural e instantânea do Espírito Santo na vida de uma pessoa, resultando em uma nova vida espiritual e uma mudança de coração e mente.

3) HABITAÇÃO

“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19)
“o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” (Jo 14.17)

A “habitação do Espírito Santo” nos crentes, após sua regeneração espiritual é mais elemento admirável da fé cristã. É o Espírito Santo presente e ativo na vida dos crentes de maneiras profundas e transformadoras. Alguns aspectos importantes relacionados à habitação do Espírito Santo, são:

A Promessa: Antes de sua ascensão ao céu, Jesus prometeu aos seus discípulos que enviaria o Espírito Santo para habitar neles para capacitá-los em sua missão de testemunhas (Jo 14.16-17, 26; João 16.7).

As Pessoas: A habitação do Espírito Santo é parte da experiência de ser “nascido de novo” espiritualmente. O Espírito Santo transforma o coração e a vida do crente, capacitando-o a viver uma nova vida em Cristo (Jo 3.5-8; Tt 3.5). Quem não tem o Espírito não é de Deus (Rm 8.9b). Quem o tem precisa cuidar para não apagá-lo (1Ts 5.19).

O Santuário Humano: Paulo ensina que os corpos dos crentes são templos do Espírito Santo, onde o Espírito habita (1Co 6.19-20). Por extensão a igreja, a comunidade da fé, também é o Templo do Espírito Santo. Isso destaca a proximidade e a intimidade da relação entre os salvos e Deus, que reside dentro deles.

O Propósito: A habitação do Espírito Santo, além de ser a presença de Deus nos crentes, também propicia o exercício do seu papel como guia, consolador, conselheiro e capacitador. O Espírito Santo capacita os crentes a viverem de acordo com a vontade de Deus e a crescerem em sua fé (Rm 8.14; Gl 5.16; Ef 3.16).

4) BATISMO / ENCHIMENTO / PLENITUDE

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1Co 12.13)

Não há dúvida da atuação contínua da Trindade Santa desde a criação e ao longo de toda a história. No que se refere à terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, é notório para o leitor e estudante da Bíblia que, no Antigo Testamento (AT) e na Antiga Aliança ele era concedido, de forma pontual e especial, a certas pessoas e com determinados propósitos. Entretanto, desde o período do AT havia a promessa de um derramamento mais abrangente do Espírito Santo (Jl 2.28-29). Já no início do período do Novo Testamento (NT), João Batista anuncia um batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Durante o seu ministério público, Jesus fala sobre sua ida para o Pai e o envio de outro Consolador (Jo 14.16; comp. Jo 14.26; 15.26; 16.13). Foi, finalmente, no Pentecostes que a promessa se cumpriu e a igreja de Jesus Cristo teve a sua origem histórica ou visível (At 2). Esta experiência coletiva, histórica e racional unificou os discípulos em uma comunidade espiritual que os separou do mundo ou que os distinguiu do seu meio social.

O batismo com água é uma ordenança de Jesus contida na grande comissão (Mt 28.19) e deve ser administrado como sinal externo de uma fé interna. Este batismo com água deve ser precedido pelo batismo em Cristo, que é o batismo com o Espírito Santo, quando da regeneração do indivíduo (Gl 3.27-28; Rm 6.3-6; Cl 2.11-12). É quando o Espírito Santo faz morada no crente (Jo 14.23; Gl 2.20).

O Espírito Santo é o agente da Regeneração , Purificação e da Identificação ou União do crente com Cristo. Portanto, podemos afirmar que:

– Só há um batismo que nos leva ao revestimento de Cristo (Gl 3.27);

– Só há um batismo que nos liga a um corpo, em Cristo Jesus (1Co 12.13);

– Só há um batismo que nos faz morrer, sepultar e ressuscitar em Cristo (Rm 6.3-5);

– Só há um batismo que realiza em nós a Circuncisão de Cristo (Cl 2.11-12);

– Só há um batismo que interfere em nossa vida e nos conduz a um novo nascimento e sua ação e passagem por nós é misteriosa, mas seus efeitos são marcantes (Jo 3.5-8).

É o batismo com o Espírito Santo !

Revestido de Cristo e habitado pelo Espírito Santo o cristão passa a ter o sublime desafio do Enchimento do Espírito Santo, rumo à Plenitude do Espírito Santo: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,” (Ef 5.18). “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3.19). “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.13)

O enchimento e a plenitude do Espírito Santo são experiências essenciais para a vida cristã. Ser cheio do Espírito é um processo contínuo que capacita os crentes a viverem de maneira que agrada a Deus e a testemunharem de forma eficaz. A plenitude do Espírito está enraizada em nossa união com Cristo e na dependência e submissão à sua vontade. Juntos, esses conceitos apontam para uma vida transformada e abundante, conforme nos entregamos ao Espírito Santo e permitimos que ele opere em nós e através de nós.

5) SELO

“Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.” (2Co 1.21-22)
“em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa;” (Ef 1.13)
“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Ef 4.30)

Nos tempos antigos, o ato de “selar” tinha diversos significados e aplicações, muitos dos quais eram relacionados à autenticidade, segurança e autoridade. Selar um documento, carta ou contrato era uma maneira de garantir sua autenticidade e integridade. A Bíblia ensina que o selo do Espírito Santo é um sinal de propriedade e pertencimento, de autenticidade e de segurança para os crentes, ou seja:

(i) Marca os crentes como propriedade de Deus, mostrando que pertencem a ele;

(ii) Serve como uma garantia da nossa redenção futura. Ele é um penhor ou depósito que assegura nossa herança eterna.

(iii) Autentica os crentes como genuínos filhos de Deus e proporciona segurança de que pertencem a ele.

(iv) O Espírito Santo confirma internamente a nossa identidade como filhos de Deus (Rm 8.16).

O selo do Espírito Santo é mais uma realidade abençoadora que deve impactar profundamente a maneira como vivemos, trazendo confiança na nossa identidade em Cristo e motivando-nos a viver vidas santas e agradáveis a Deus.

6) FRUTO

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Não podemos confundir “FRUTO DO ESPÍRITO”, com seus “9 gomos” (Gl 5.22-23), que são manifestações do caráter do crente regenerado pelo Espírito, com os “DONS DO ESPÍRITO” que são capacitações do Espírito Santo para as realizações na igreja.

O fruto do Espírito Santo descreve as características ou qualidades que o Espírito Santo produz na vida daqueles que estão em comunhão com Deus. É mencionado na Bíblia, especificamente em Gálatas 5.22-23, onde Paulo lista nove atributos que são o resultado da presença e do trabalho do Espírito Santo na vida do crente. Esses atributos são:

Amor: Um amor ágape, que é um amor incondicional, sacrificial e altruísta, caracterizado por buscar o bem dos outros sem esperar nada em troca.

Alegria: Uma alegria que vai além das circunstâncias externas e é baseada na presença de Deus e na esperança em Cristo.

Paz: Uma paz interior que decorre da reconciliação com Deus e da confiança nele, resultando em harmonia e tranquilidade na vida do crente – Paz com Deus e Paz em Deus.

Longanimidade (Paciência): Uma capacidade de suportar dificuldades, adversidades e pessoas difíceis, mantendo a calma e a perseverança, sem perder a fé ou a esperança.

Benignidade: Uma disposição para tratar os outros com gentileza, bondade e compaixão, mesmo quando não merecem.

Bondade: Uma disposição para fazer o bem aos outros de maneira prática e benevolente, sem esperar recompensa ou reconhecimento.

Fidelidade: Uma confiabilidade e lealdade inabaláveis, tanto em relação a Deus quanto aos outros, mantendo promessas e compromissos.

Mansidão: Uma humildade e gentileza de espírito, manifestada em uma disposição para perdoar, suportar e resolver conflitos pacificamente.

Domínio Próprio (Autocontrole): Um domínio próprio sobre os desejos, emoções e impulsos, permitindo ao crente viver uma vida disciplinada e equilibrada de acordo com os princípios e valores da fé Cristã.

Esses elementos podem ser vistos como evidências externas da presença interior e do poder transformador do Espírito Santo na vida dos crentes, refletindo o caráter de Cristo e contribuindo para o seu crescimento espiritual e fortalecimento do seu testemunho.

7) DONS ESPIRITUAIS

“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.” (1Co 12.1)
“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.” (1Co 12.4)

É necessário distinguir “dom natural ou talento”, de “dom espiritual ou sobrenatural”, em que pese o valor e utilidade de ambos a serviço de Deus, na igreja e fora dela. Os salvos (nascidos de novo) recebem o dom, que é o próprio Espírito. Os carismas do Espírito são dados para habilitar o crente – aquele que tem o Espírito Santo – a servir a Deus de modo útil.

Podemos dizer que há cerca de 20 dons espirituais, os quais são mencionados nas Escrituras Sagradas em Romanos 12.6-8, 1Coríntios 12.8-10, 1Coríntios 12.28 e Efésios 4.11. Este assunto sempre foi e sempre será importante e sensível para igreja. Independentemente se todos esses dons continuam, se alguns deles cessaram ou quase não se manifestam, atualmente (Continuísmo, Cessacionismo e Cessacionismo moderado), são estes os 20 dons mencionados no Novo Testamento:

a) Dons Ministeriais:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para o exercício dos ministérios.)

1º) O dom de APÓSTOLO (Ef 4.11a; 1Co 12.28a)
2º) O dom de PROFETA (Ef 4.11b; 1Co 12.28b)
3º) O dom de EVANGELISTA (Ef 4.11c)
4º) O dom de PASTOR (Ef 4.11d)
5º) O dom de MESTRE (Ef 4.11; Rm12.7b; 1Co 12.28c)

b) Dons Operacionais:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para o funcionamento da Igreja.)

6º) O dom de PROFECIA (Rm 12.6; 1Co 12.10b)
7º) O dom de EXORTAÇÃO (Rm 12.8a)
8º) O dom de GOVERNO (Rm 12.8c; 1Co 12.28g)
9º) O dom de MINISTÉRIO ou SERVIÇO (Rm 12.7a)
10º) O dom de MISERICÓRDIA (Rm 12.8d)
11º) O dom de SOCORROS (1Co 12.28f)
12º) O dom de CONTRIBUIR (Rm 12.8b)

c) Dons de Revelação:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para saber.)

13º) O dom da PALAVRA DE SABEDORIA (1Co 12.8a)
14º) O dom da PALAVRA DE CONHECIMENTO (1Co 12.8b)
15º) O dom de DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS (1Co 12.10c)

d) Dons de Poder:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para agir.)

16º) O dom da FÉ (1Co 12.9a)
17º) Os dons de CURAR (1Co 12.9b; 1Co 12.28e)
18º) O dom de OPERAÇÃO DE MILAGRES (1Co 12.10a; 1Co 12.28d)

e) Dons de Comunicação:
(Dons que concedem capacitação sobrenatural para se comunicar.)

19º) O dom de LÍNGUAS (1Co 12.10d; 1Co 12.28h)
20º) O dom de INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS (1Co 12.10e)

Nota: No artigo “Os 20 Dons Espirituais”, link abaixo, você encontrará uma exposição detalhada de cada um desses 20 dons.

CONCLUSÃO

Distinguir as funções das três Pessoas da Trindade pode ser desafiador. Geralmente, atribuímos ao Pai a obra da criação, ao Filho a redenção e ao Espírito Santo a santificação. No entanto, as Escrituras nos mostram que nenhuma dessas obras é realizada exclusivamente por uma única Pessoa da Trindade. Em todas elas, vemos a participação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo, cada um contribuindo para a plenitude da ação divina.

“As Escrituras, porém, nos fornecem outra chave para o conhecimento das funções distintivas das três Pessoas da Divindade. No Pai reside a vontade divina, a formação dos eternos propósitos e, por conseguinte, a determinação das épocas para a efetivação dos acontecimentos respectivos; no Filho temos o mediador e agente ou executor da vontade e dos planos do Pai; no Espírito Santo se manifesta a inteligência e o impulso de Deus no mundo físico e nos homens.” (A. Almeida)

Louvamos a Deus por essas sete grandes operações do Espírito Santo, e por tantas outras,  rogando a ele que ilumine nossas mentes e entendimento para compreendê-las, auxiliando-nos a nos submetermos ao Senhorio de Cristo e às ações e direcionamentos do seu Santo Espírito.

Soli Deo gloria!