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A revolta de Coré

Revolta Coré2

Quem foi Coré ou Corá? Quais os motivos da sua rebelião? E o desfecho?

Coré não é muito citado na Bíblia. No Antigo Testamento, há algumas referências aos seus ascendentes e descendentes (os coreítas). Ele era da tribo de Levi, seu bisavô. Seu avô era Coate e seu pai Jizar (ou Isar ou Aminadabe) (Ex 6.21; 1Cr 6.22; Nm 16.1). Seus filhos foram Assir, Elcana, Abiasafe (ou Ebiasafe) (Ex 6.24; 1Cr 6.22. 37; 1Cr 9.9). A história de sua rebeldia encontra-se em Números 16. Há mais duas referências a ele em Números 26.9-11 e 27.3. No Novo Testamento há apenas uma referência a ele, em Judas 11.

1. Quem eram os rebeldes?

Levi

 

O líder dos rebeldes era Coré, bisneto de Levi e primo de Moisés. Portanto, estes eram levitas. Coré se associou a dois irmãos, Datã e Abirão (Nm 16.1, 12, 24, 25, 27; 26.9; Dt 11.6; Sl 106.17), e também a Om, sendo todos eles da tribo de Ruben. Contou ainda com o apoio de duzentos e cinquenta homens, príncipes da congregação, eleitos por ela, homens de renome (Nm 16.2). Todos eles se ajuntaram contra Moisés e Arão, para dar um basta à sua liderança sobre o povo.

 

 2. As causas da rebelião

“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, ….” (1Sm 15.23)

1ª) Uma visão equivocada

“e se ajuntaram contra Moisés e contra Arão e lhes disseram: Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; …” (Nm 16.3a)

Uma coisa é ser chamado para ser santo, outra coisa é ser santo, separado. O verdadeiro líder enfatiza a necessidade dos irmãos viverem em santidade de vida, para desfrutarem da comunhão com um Deus que é Santo. Os falsos líderes promovem a libertinagem e fazem vista grossa para o pecado. Banalizam a Graça Divina e promovem a falta de temor à Santidade de Deus. As condições estabelecidas por Deus a este respeito são muito claras: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.” (Ex 19.5-6). Santidade não é rótulo, mas um “estilo” de vida.

2ª) Ambição pelo poder

“…. por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR?” (Nm 16.3)

“…. senão que também queres fazer-te príncipe sobre nós?” (Nm 16.13)

A alegação ou acusação dos rebeldes era a suposta usurpação do poder por parte de Moisés e Arão. É espantoso verificar que, mesmo depois de tantas manifestações milagrosas e incontestáveis do poder de Deus pela intermediação de Moisés (pragas, mar se abrindo etc), essa gente pudesse ainda questionar a liderança e autoridade de Moisés e Arão. Percebe-se, da parte deles, uma inveja incontrolável de Moisés. Afinal, por que esse tal Moisés deveria ser o protagonista de tudo isso? Quem era ele? Foi criado na corte de Faraó. Depois de adulto, com quarenta anos de idade, fugiu para uma terra distante, ficando ali outros quarenta anos. Enquanto isso eles habitaram e sofreram junto ao povo cativo. Agora, depois de todo esse tempo, ele vem de fora para se fazer príncipe sobre o povo? Acontece sempre aquela velha e recorrente situação: “antiguidade é posto, temos que respeitar!”, “chegou agora e já quer se sentar à janela?”. O ser humano, inclusive o cristão, precisa entender que, não importa se o líder é de perto ou é de longe. O que realmente importa é se ele é o melhor para a função e, no caso da igreja, se ele é o designado pelo Soberano Senhor dos céus e da terra para exercer aquela liderança!

3ª) Ambição pelo sacerdócio

“acaso, é para vós outros coisa de somenos que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de cumprirdes o serviço do tabernáculo do SENHOR e estardes perante a congregação para ministrar-lhe; e te fez chegar, Coré, e todos os teus irmãos, os filhos de Levi, contigo? Ainda também procurais o sacerdócio?” (Nm 16.9-10)

Na matança dos primogênitos dos egípcios, os primogênitos de Israel foram poupados. Assim, os primogênitos de Israel passaram a pertencer ao Senhor. Então, Deus fez uma troca, desses primogênitos (inclusive dos animais), por todos os homens da tribo de Levi (Nm 3.12-13). Quando Deus separou a tribo de Levi das demais tribos de Israel, não lhe deu herança de terra, mas eles deveriam receber cidades no meio das possessões das demais tribos (Nm 35.2ss). Também os consagrou para o serviço de Deus, primeiramente no Tabernáculo, depois, no Templo. Todos os levitas foram designados para exercer algum encargo na tenda da congregação. Eles deveriam atuar sob a liderança de Arão e seus filhos (Nm 3.9). Em Números 3 e 4 as tarefas relativas ao Tabernáculo são distribuídas pelas famílias dos três filhos de Levi: Gerson, Coate e Merari. Basicamente, coube aos filhos de Gerson cuidar da infraestrutura externa (montagem, desmontagem e transporte) (Nm 3.21-26; 4.21-28); aos filhos de Merari cuidar da infraestrutura interna (montagem, desmontagem e transporte) (Nm 3.33-37; 4.29-33); e, aos filhos de Coate cuidar do mobiliário e utensílios sagrados do santuário (montagem, desmontagem e transporte) (Nm 3.27-32; 4.1-20). É importante observar que coube à família de Coate a parte mais delicada, cuidar das “coisas santíssimas” (Nm 4.4), como a arca, com risco de morte: “Isto, porém, lhe fareis, para que vivam e não morram, quando se aproximarem das coisas santíssimas: Arão e seus filhos entrarão e lhes designarão a cada um o seu serviço e a sua carga. Porém os coatitas não entrarão, nem por um instante, para ver as coisas santas, para que não morram.” (Nm 4.19-20). Tudo isso foi estabelecido por Deus, por intermédio de Moisés, inclusive o tão cobiçado sacerdócio: “Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que se dediquem só ao seu sacerdócio, e o estranho que se aproximar morrerá.” (Nm 3.10).

A igreja é o corpo de Cristo, onde cada membro tem a sua função. É o próprio Senhor quem vocaciona, chama e elege aqueles que devem ser reconhecidos como líderes do rebanho. É danoso para o Corpo de Cristo, quando alguém ambiciona posições e cargos, para os quais o Senhor não o designou, ou quando queremos impor, pela força, aqueles que o Senhor não escolheu para determinada missão. Cada um tem uma missão importante e específica a realizar no reino de Deus e deve se deixar conduzir pelo Espírito Santo de Deus!

3. O desenrolar da rebelião

  •  A prova do líder e dos santos (Nm 16.4-7; 16-19; 27-30)

“E falou a Coré e a todo o seu grupo, dizendo: Amanhã pela manhã, o SENHOR fará saber quem é dele e quem é o santo que ele fará chegar a si; aquele a quem escolher fará chegar a si.” (Nm 16.5)

Diante da inesperada rebelião, Moisés não teve outra alternativa senão submeter ao Senhor o arbítrio daquela questão. Moisés estabeleceu dia e hora para o confronto entre a liderança espiritual divinamente instituída e a liderança rebelde. A resposta seria dada pelo próprio Deus! Duas situações haveriam de ser julgadas ali: 1ª) Quem é dele; 2ª) Quem é o santo autorizado a aproximar-se do Senhor. As instruções da prova foram passadas. Ambos os lados deveriam comparecer diante de Deus com os seus incensários acesos; Moisés com o fogo tirado do altar e os rebeldes com o fogo estranho (Nm 16.16-19). Na sua fala final, Moisés esclarece que se algo fora do comum, se coisa inaudita acontecesse ali, levando os rebeldes à morte, ficaria provado que ele era um enviado do Senhor e os seus opositores aqueles que desprezaram ao Senhor (Nm 16.27.30)

  • A intransigência dos rebeldes e a ira de Moisés (Nm 16.12-15)

Os rebeldes não demonstraram qualquer interesse em dialogar. Eles fizeram o que é característico dos rebeldes: 1º) Acusar os líderes de não dar ao povo uma boa qualidade de vida; 2º) Acusar os líderes de usurpação de poder, de poder não legitimado pelo povo; 3º) Acusar os líderes de enganar os mais simples. É interessante como Moisés, o homem mais manso da terra (“Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.” Nm 12.3) perde a paciência e desabafa com Deus. Aí, quem perde a paciência é Deus e Moisés tenta aplacar sua ira.

  •  A ira divina e a intercessão de Moisés (Nm 16.20-27)

Diante de tanto atrevimento e rebeldia, a vontade de Deus era de exterminar toda a congregação, imediatamente. Essa era já a terceira vez que Deus manifestou este desejo e foi contido por Moisés (Ver as outras duas: Ex 32.10; Nm 14.11). Mais uma vez o Senhor cedeu e aguardou a separação física entre os rebeldes e o restante da congregação (Nm 16.23-26).

 4. As consequências da rebelião

1º castigo: A Coré, Datã e Abirão (Nm 16.31-34)

A terra se abriu e engoliu os três líderes, seus homens e seus bens. E o povo fugiu. Em Números 26.11 há o seguinte registro: “Mas os filhos de Corá (Coré) não morreram.”

2º castigo: Aos 250 príncipes da congregação (Nm 16.35)

Fogo procedente do Senhor consumiu os duzentos e cinquenta homens que se apresentaram diante do Senhor com fogo estranho.

3º castigo: Aos 14.700 murmuradores da congregação (Nm 16.41-50)

Como se as tragédias ocorridas não fossem suficientes para convencer aquela congregação também rebelde, eles tiveram a ousadia de murmurar contra Moisés e Arão, culpando-os de tamanha matança. Mais uma vez a ira divina se manifesta, agora pela 4ª vez (Nm 16.45), para exterminar toda a congregação. A praga dizimou 14.700 murmuradores. Não fora a expiação do povo, providenciada por Arão, sob a ordem de Moisés, toda a congregação teria sido dizimada. Na verdade, desde que a sentença divina fora pronunciada, por ocasião do relatório negativo dos 10 espias, isto é, que os de vinte anos para cima (exceto Josué e Calebe), não entrariam na terra prometida (Nm 14.20-30), a congregação se tornou propensa a rebeldia.

De tudo o que foi exposto anteriormente, fica claro o alto preço que é pago pelos rebeldes e seus seguidores!!!


Este é o terceiro artigo baseado no versículo abaixo:

“Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Coré. (Judas 11)

Veja, também, os seguintes artigos:

  • O caminho de Caim
  • Balaão e o Jogo dos 7 Erros

Carta à Rede Globo

Carta Globo


Rio de Janeiro, 23 de novembro de 1985

À
Rede Globo de Televisão

Prezados Diretores

É de incontestável valor a contribuição prestada por essa conceituada emissora ao povo brasileiro.

As sociedades modernas não podem mais prescindir de informações sobre os fatos que interferem direta ou indiretamente em sua vida.

Sem sombra de dúvida o veículo de comunicação de massa de maior alcance e penetração, na atualidade, é a televisão. Se por um lado isto representa um aspecto facilitador da comunicação social, por outro lado impõe uma responsabilidade acentuada àqueles que preparam o conteúdo das comunicações que, por sua vez, devem se curvar aos interesses da sociedade e por ela serem vigiados.

Estamos vivendo os primeiros meses da tão propagada “Nova República”, nitidamente identificada com as propostas de mudanças há muito reclamadas pela sociedade. Surge então a grande dúvida: até que ponto esta e outras emissoras estão contribuindo para amenizar os problemas da nossa sociedade? Que tipo de participação terão para a construção de uma sociedade com personalidade definida, cientificamente evoluída, socialmente justa e humana, e culturalmente invejável?

Na atual fase de transição, é preciso que se façam colocações sérias acerca do “modus vivendis” da Nova República. Muitos confundem as mudanças propugnadas com a liberalização do comportamento, comprometendo assim a nossa já tão corrompida moralidade. Somos absolutamente intransigentes, quando indivíduos inescrupulosos, amantes da desgraça alheia e desejosos de lucro fácil, buscam aproveitar-se dos ventos democratizantes para transformar o nosso país em uma imensa terra de ninguém, onde a imoralidade seja o apa­nágio de todas as classes. De nada adiantarão todos os esforços para tornar o Brasil uma nação próspera, socialmente justa, se as bases forem carcomidas no que há de mais sagrado: os princípios éticos que devem reger o comportamento humano.

No tocante ao desempenho dessa conceituada emissora é com pesar que cumpro o dever de denunciar o crescente desrespeito aos valores éticos de nossa sociedade, principalmente a instituição do casamento e a família.

Temos percebido, num estado quase que de pânico, a liberalização moral, quer na novela ROQUE SANTEIRO, onde predominam os casais ilegais e a infidelidade conjugal, sepultando definitivamente a instituição do casamento; quer em comerciais que vêm explorando o nudismo feminino (JEANS CALVIN KLEIN, ELLUS, DUCHA LORENZETE etc) e, agora o seriado GRANDE SERTÃO VEREDAS que promete ser um es­timulante sem precedentes à já tão insuportável violência urbana, ao sexo barato e à vida sub-humana.

O problema se torna ainda mais grave, na medida em que as cenas retratam apenas uma parte da realidade, isto é, toda a ênfase é colocada nas cenas que excitam os desejos sexuais, enquanto que aquelas que revelam as consequências na vida profissional, na família, na sociedade etc, são levemente abordadas ou cuidadosamente encobertas. Certamente o público telespectador não estará muito interessado em assistir a cenas de doença venérea, desequilíbrio psicológico, insegurança, insônia, desespero, que são as consequências naturais da quebra dos valores éticos enfatizados.

Meu Deus! Democracia não significa conivência com a de­gradação. Enquanto, em outros tempos, o homossexualismo era sinônimo de indecência humana, hoje é considerado como um estilo normal de vida.

Que país desejamos legar aos nossos filhos? Como cons­truir um futuro melhor, se muitos dos que deveriam constituir-se como paradigma para a juventude preferem que o Brasil seja o país da liberdade sexual, do aborto voluntário e de outras práticas que degradam o homem?

Finalmente, gostaria de apelar à consciência dos senhores diretores quanto ao respeito aos espaços públicos e aos horários em que certos comerciais e programas são exibidos. Democracia é dar li­berdade aos cidadãos para exercerem a sua vontade, dentro da lei vigente, respeitando, porém, o espaço público. Todo o espaço privado está à disposição daqueles que optarem por outro tipo de moralida­de. É só verificar como as nações democráticas mais evoluídas uti­lizaram o espaço privado e seguir seus exemplos.

Atenciosamente,
Paulo Raposo Correia
Engenheiro

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Resposta da Rede Globo a esta carta: Resposta Rede Globo.pdf

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Obs.: Esta carta foi escrita há quase 30 anos, num outro contexto político-social. A intenção de publicá-la aqui é para incentivar outras pessoas a também exercerem seu dever de cidadão e cobrar da mídia televisiva uma postura adequada. Nessa cobrança é importante ressaltar os aspectos positivos da emissora e, ao denunciar os abusos, pronunciar-se como um cidadão comum. Não se deve envolver convicções religiosas nesse momento. Naquela época as manifestações surtiram algum efeito. A imprensa repercutiu rumores de que a programação ia mudar por causa de manifestações dos “moralistas”. Hoje, a coisa está feia! Além de reclamar, temos também a arma do boicote, inclusive para os produtos dos patrocinadores. Se a população fizer as duas coisas certamente será ouvida.  Fica aí a dica!

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