Arquivo

Posts Tagged ‘dízimo’

Deve o cristão fazer o pacto de Jacó?

“Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.” (Gn 28.20-22)

Introdução

Há muito tempo atrás, conversando com um casal que eu estava evangelizando, eles contaram algo inusitado. Disseram que tanto eles, como algumas pessoas de suas relações (não cristãos), estavam trabalhando como taxistas e fizeram uma espécie de voto a Deus de dar o dízimo, se tivessem sucesso na profissão. Logo me veio à mente o pacto ou voto de Jacó. Sem dúvida, trata-se de uma visão estranha do dízimo, já que Deus quer que, antes de tudo, entreguemos as nossas vidas a ele; sendo, nossos dízimos e ofertas, consequência natural daquele que é o passo mais importante.

De certa forma é comum e normalmente oportuno, nós mesmos ou os pregadores e professores da Palavra de Deus, trazermos exemplos de personagens bíblicos ou de situações por eles vividas, para aplicação na igreja, ou no cotidiano dos cristãos. Por vezes, nós cristãos, nascidos de novo, podemos ser desafiados, quando enfrentando dificuldades financeiras, desemprego, dentre outras, emocionalmente abalados, a seguir o exemplo de Jacó e fazermos, com Deus, este mesmo pacto.  Entretanto, é preciso tomar certo cuidado com esse pacto ou voto de Jacó, como veremos adiante.

1. As circunstâncias do pacto

Em que circunstâncias Jacó disse isso? No momento em que o patriarca fez esse pacto ou voto ou promessa, ele vivenciava uma crise existencial inimaginável. Ameaçado de morte, pelo seu irmão Esaú a quem enganara. Estava fugindo e deixando pra trás tudo o que tinha: sua casa, sua parentela, seus amigos, seu povo e tudo aquilo a que havia se apegado e que fazia parte integrante de sua vida até aquele momento. Olhando para frente, sua situação não era nem um pouco confortável. A viagem seria extremamente longa (Gn 28.6, 10): de Berseba a Betel, cerca de 120Km (26 horas de caminhada); e, de Betel a Padã-Arã (Harã), cerca de 860 Km (175 horas de caminhada). Os perigos da viagem, o desconforto e os desafios de sobreviver eram bem reais, e o futuro incerto. Assim, saindo de Berseba no auge da sua aflição, ele chegou à cidade de Luz. Ali ele teve um sonho e o Senhor falou com ele e lhe fez promessas (Gn 28.12-17). Tão forte foi o impacto daquele momento, que ele deu o nome de Betel (que significa “casa de Deus”), àquela cidade. Foi nestas circunstâncias que Jacó, então, fez o seu voto.

2. Alguns aspectos do pacto

a) O estabelecimento de condições (Se……, então…..)

Na gramática portuguesa:

Se – conjunção subordinativa condicional: exprime sentido de condição.
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de conclusão.

Na matemática:

Conectivos Lógicos:   Se -> Então

Que poderia ilustrar o pacto, como abaixo:

b) A petulância de Jacó

Jacó nasceu quando seu pai Isaque tinha 60 anos (Gn 25.26) e seu avô Abraão 160 anos (Gn 21.5). Abraão viveu 175 anos (Gn 25.7), sendo os seus últimos 15 anos, os 15 primeiros da vida de Jacó.

Embora muito idoso, Abraão foi contemporâneo de Jacó, e o seu impactante legado deve ter influenciado sua vida. Afinal, Abraão creu no Senhor (Gn 15.6), fez uma aliança com Deus e dele recebeu promessas (Gn 15.7-21), que foi renovada e incluiu a mudança do seu nome e a sua descendência (Gn 17). Apesar de alguns tropeços, Abraão desfrutou de comunhão com Deus, foi um profeta (Gn 20.7), foi um intercessor (Gn 20.17), foi um dizimista (Gn 14.20), foi fiel ao Senhor (Gn 26.5), foi chamado o pai da fé (Rm 4.11; Gl 3.6-7), tendo recebido grande destaque na “Galeria dos Heróis da Fé” (Hb 11.8-19).

Isaque, pai de Jacó, não teve um currículo tão extenso quanto o de seu pai Abraão. Também teve lá os seus tropeços, como qualquer outro ser humano. Mas, por 20 anos orou por sua esposa Rebeca e esta concebeu (Gn 25.19-21, 26); o Senhor aparecia e falava com ele (Gn 26.2-5; 26.24); o Senhor o abençoava e o fazia prosperar (Gn 26.12-14); foi um pacificador, sempre indo adiante, ao invés de ficar e lutar por seus direitos (Gn 15.16-22); foi um cavador de poços (Gn 26.18-22) e foi um edificador de altares ao Senhor (Gn 26.25).

Apesar de Jacó ter recebido um legado tão especial quanto esse, ficamos um tanto quanto chocados com o registro de suas palavras: “então, o SENHOR será o meu Deus;”. Se poderia vir a ser seu Deus é porque ainda não era! Ele não escondia de ninguém que o Deus era do seu pai e não dele (Gn 27.20; 32.9). O que dizer da vida pregressa de Jacó, além dessa triste nota? Certa vez ouvi falar de algo como a Síndrome da Terceira Geração. Não é que eu acredite nela ou que ela seja verdadeira e regra geral. Faço aqui apenas uma menção despretensiosa. Se não me falha a memória é mais ou menos assim: a primeira geração é totalmente comprometida com Deus e sua igreja; a segunda geração, nem tanto; e, então, a terceira geração tende a se desviar dos caminhos do Senhor. Estaria Jacó vivendo essa síndrome?

Sua vida e vivência familiar havia sido um tanto quanto complicada. Já no ventre materno “lutava” com seu irmão gêmeo Esaú (Gn 25.22). Era um homem pacato e caseiro, protegido da mãe, já que seu irmão Esaú era o preferido do pai (Gn 25.27-28). Quão prejudicial para a formação de filhos é essa predileção paternal e maternal! Seu primeiro ato, no teatro da vida, foi a sua “artimanha” para comprar o direito de primogenitura do seu irmão (Gn 25.29-34; ver Hb 12.16-17). No segundo ato ardiloso, para enganar o pai Isaque, a roteirista foi a sua mãe Rebeca e ele o protagonista (Gn 27). Isso porque Isaque não escondia sua predileção por Esaú e pretendia dar-lhe a bênção do primogênito (Gn 27.2-4), desconsiderando o episódio da venda daquele direito. Por outro lado, a mãe poderia estar se valendo da resposta que recebera do Senhor, antes do nascimento dos gêmeos: “Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço.” (Gn 25.23; Ml 1.2-3). Ela permanecia de prontidão, quando um dia ouviu o seu marido passar as instruções para Esaú (Gn 27.5) e tratou de colocar seu plano em ação. Plano esse que já deveria estar pronto há algum tempo. Quanta astúcia, imaginação e criatividade de Rebeca para fazer Jacó se passar por Esaú e apropriar-se da bênção da primogenitura! Quanto cuidado com os detalhes! Quanta tensão e emoção no desenrolar do ato (Gn 27.18-40); mentalmente, quase dá para ouvir aquela música de suspense, de fundo. E, foi assim que a crise familiar se instalou (Gn 27.41). Entretanto, não faltava criatividade a Rebeca para traçar planos (Gn 27.42-45) e enrolar seu marido (Gn 27.46).

Esta é a síntese da desastrosa vida pregressa de Jacó. Agora, fora da tutela da mãe, um tanto quanto despreparado para conduzir sua vida, ele mostra sua petulância e atrevimento ao impor condições a Deus, em vez de se submeter ao Senhor. Ele entristece o Senhor ao mostrar-se ser do tipo que quer ver, para crer: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29). Mas Deus tinha um propósito específico na vida de Jacó (Gn 25.23; Rm 9.11-13). Não é o caso aqui de entrarmos em detalhes sobre sua vida posterior. Basta lembrar que ele passará por muitas provações e aflições, será sustentado por Deus e acabará tendo um encontro pessoal com Deus e seu nome será mudado de Jacó, para Israel (Gn 32.22-30).

As alianças do Antigo Testamento eram condicionais e estabelecidas por Deus (Dt 11.26-28). Numa época assim, o homem propor um pacto com Deus era sinal de petulância.

3. O pacto do cristão

Se, como cristãos, tivéssemos que aproveitar alguma coisa do pacto de Jacó, para formularmos o pacto do cristão, creio que poderíamos expressá-lo reestruturando as frases, trocando condição por causa, mais ou menos nesses termos:

“Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o precioso sangue do teu Filho Jesus.
E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança.
E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me vista.
Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha peregrinação neste mundo.
Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente.
Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e sustentada.”

Na gramática portuguesa:

Porque – conjunção subordinativa causal: exprime sentido de causa.
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de conclusão.

Então, vejamos:

Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o precioso sangue do teu Filho Jesus.

A certeza de que o Senhor é o meu Deus, é sim o fator preponderante para todo o meu agir. Ele sempre será Deus, independentemente do que eu pense ou faça. Ele não precisa provar para quem quer que seja ou fazer algo mais, para que alguém o possa chamar de “meu Deus”. Ele já fez tudo! Ele entregou seu Filho, nos comprando por precioso preço.

E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança.

Os desafios da vida cotidiana são muitos e, por vezes, imprevisíveis. Há muitos elementos e situações que fogem ao nosso controle, pois dependem de terceiros. Porém, isso não pode ser motivo de intranquilidade e de apreensão. Deus está no controle de tudo! Basta a nós, seus filhos, confiarmos nele; descansarmos nele e na força do seu poder!

E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me vista.

A presença do Senhor junto aos seus remidos é a garantia do seu cuidado e sustento: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.31, 33)

Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha peregrinação neste mundo.

Aquele que pertence ao Senhor pode tranquilizar seu coração, pois Jesus prometeu estar conosco: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b)

Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente.

A questão relevante aqui é que a pessoa salva por Cristo não tem o direito de estabelecer qualquer condição prévia para só, e então, responder graciosamente, após ter recebido a “bênção pactuada com Deus”. Na verdade, a pessoa remida por Cristo já recebeu o que há de mais precioso – a Vida Eterna. Desta forma, a vida presente não é mais sua. Assim, tudo o que tem, por Deus concedido, deve ser usado com sabedoria. Este não dará quando receber, porém dará na medida das suas posses, porque já recebeu uma tão grande salvação.

Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e sustentada.

Ainda que o dízimo não seja uma doutrina explícita para a igreja, o povo da Nova Aliança, fica claro nas epístolas do NT que os membros da igreja devem sustentá-la com os seus recursos. E, como fazer isso? Em termos práticos, há pelo menos duas formas: 1ª)Calcula-se o custo total de operação, manutenção e investimento da igreja e se faz um rateio do valor por todos os seus membros, proporcional: “…na medida de suas posses e mesmo acima delas,” (2Co 8.3).  2ª)A partir do valor total arrecadado com dízimos e ofertas, são estabelecidas as  condições de operação, manutenção e investimento da igreja. Essa segunda opção parece ser a mais usada pelas igrejas. Não é o caso aqui de tratarmos da doutrina neotestamentária da contribuição, mas, apenas lembrar que é nossa responsabilidade e privilégio sustentar financeiramente e moralmente a igreja de Cristo, sem estabelecer qualquer condição.

Cinco Princípios Bíblicos da Contribuição

1 Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia.
2  No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.
3  E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes.
4  Se convier que eu também vá, eles irão comigo.

 

Introdução

Ainda que este assunto seja muito extenso e amplamente tratado na bíblia, inclusive na segunda epístola aos Coríntios (caps. 8 e 9), apresentaremos, a seguir, apenas alguns princípios sobre o tema “coleta e contribuição”, ensinados por Paulo, no texto em foco. Apesar de se tratar de uma coleta especial, em benefício dos pobres dentre os santos que viviam em Jerusalém (Rm 15.26), tais princípios também são válidos para as contribuições feitas, pelos membros, para sustentar financeiramente a igreja.

Pelo exposto no primeiro versículo, introduzindo o assunto, percebe-se claramente que o apóstolo tinha a mesma linha de instrução para as diversas igrejas locais, a saber:

1º) O princípio da periodicidade (regularidade, presteza) (v.2)

“No primeiro dia da semana…”

No dia do Senhor, a cada domingo, os crentes deveriam separar a sua oferta, retirando-a de parte do rendimento semanal que obtiveram como fruto do seu labor ou ganho. Isso também ressalta a importância que o domingo tinha e tem para a igreja. A regularidade e presteza dessa providência era a garantia de que, quando o apóstolo chegasse, haveria algo a ser coletado. Deus não precisa do “nosso dinheiro” (não somos donos, somos apenas mordomos), pois ele é o dono de tudo:“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” (Jó 41.11). Mas ele quer usar os nossos recursos para a manutenção da sua obra através da igreja. Se alguém tem um rendimento mensal, então a sua periodicidade pode ser mensal e deve ser entregue com regularidade.

2º) O princípio da individualidade (sigilo). (v.2)

“…cada um de vós ponha de parte, em casa….”

Cada um tem, diante de Deus, a responsabilidade e privilégio de contribuir. Além de ser uma ordenança é parte do culto que tributamos a Deus: “…porém não aparecerá de mãos vazias perante o SENHOR;” (Dt 16.16b). Faz parte desse culto a Deus oferecer-lhe algo que nos custou alguma coisa: “porque não tomarei o que é teu para o SENHOR, nem oferecerei holocausto que não me custe nada.” (1Cr 21.24b). Isso fazemos, não para comprarmos a salvação, mas exatamente porque já somos salvos; não para comprarmos as bênçãos divinas, mas porque somos abençoados por Deus. É preciso ter consciência de que parte daquilo que Deus nos deu precisa ser usado para ajudar os necessitados e para investir no reino de Deus. Essa é uma prática que os pais, além de não descuidar, devem ensinar aos seus filhos.

Assim como não é razoável que as pessoas tornem público aquilo que ganham (seu contracheque, sua declaração de bens etc); também não é razoável que se dê publicidade à sua contribuição. Contribuição é um assunto individual, pessoal, entre cada um e Deus! Jesus, nosso Mestre por excelência, ensinou assim: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.3-4).

3º) O princípio da proporcionalidade (disponibilidade). (v.2)

“…conforme a sua prosperidade…”

A contribuição é proporcional ao que cada um recebe de rendimentos, pela indispensável e magnânima providência do Senhor nosso Deus. Deus nos dá primeiro para que possamos devolver uma parte para ele: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.” (1Cr 29.14). É conforme o que cada um tem, como retribuição às bênçãos recebidas: “cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido.” (Dt 16.17). Não é razoável que alguém vá fazer um empréstimo para poder contribuir com a igreja: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.”(2Co 8.12). Da mesma forma, não é razoável que a pessoa se encha de dívidas, para pretender justificar a sua incapacidade de contribuir. É sempre bom lembrar que o crente não contribui fazendo contas do que lhe sobra e sim do que recebe!

Em se tratando de proporcionalidade, vale destacar aqui o que, às vezes, passa despercebido, devido à forte influência que recebemos da sociedade. Diante de Deus, uma oferta de 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 1 salário mínimo é, no mínimo, equivalente a 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 10 salários mínimos. Mais importante para Deus é o valor relativo e não o valor absoluto. Se lembram da humilde oferta da viúva e da reação de Jesus? “Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.” (Mc 12.44). Que bom seria se os crentes entendessem essa contabilidade divina, tão simples! Que bom seria se os crentes não se tratassem, uns aos outros, rotulando-se de pequenos ou grandes contribuintes, a partir dos valores absolutos ofertados. Merece especial destaque o fato do apóstolo não estabelecer valores.

4º) O princípio, sutilmente apresentado aqui, é o da liberalidade (generosidade, alegria). (v.2)

“…e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.”

Liberalidade é a virtude daquele que, em seus atos ou em suas intenções, dá o que não tem obrigação de dar e sem esperanças de receber qualquer coisa em troca. Generosidade é a virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem. Os crentes deveriam, liberalmente e generosamente, separar aquilo que quisessem dar, conforme o Senhor colocasse no coração de cada um. “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.” (2Co 9.7). Ninguém era obrigado a dar. Ninguém seria ridicularizado e humilhado se não pudesse dar; ou exaltado se desse. Não era a presença física do apóstolo, com um bom e convincente discurso apelativo que importava. Deve-se considerar, também, que o apóstolo não tinha a intenção de se promover lá na “igreja-mãe” (de Jerusalém), arrecadando e levando uma expressiva oferta às custas de “tirar o couro” dos irmãos gentios. Quanta diferença para o que se vê por aí entre os pregadores da prosperidade, ou melhor, “predadores da prosperidade alheia”! Eles fazem questão do discurso pessoal, da coação emocional, psicológica e pseudoteológica. Eles usam todos os recursos, artimanhas e métodos para sugar os bens dos ingênuos, dos despreparados e, também, dos ambiciosos, que gostam de barganhar com Deus. Sim, porque muitas vezes só é ludibriado aquele que também quer se dar bem sem ter que pagar o preço do benefício que deseja alcançar.

5º) O princípio da transparência (honestidade). (vv. 3-4)

3  E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes.
4  Se convier que eu também vá, eles irão comigo.

Percebam que o apóstolo não se ofereceu para levar, sozinho, a oferta à Jerusalém; nem ainda indicou pessoas da sua confiança. Antes, porém, se prontificou a enviar, com carta de explicação, aquelas pessoas que os próprios doadores, isto é, a igreja de Corinto, aprovasse. Manusear dinheiro ou recursos de terceiros, inclusive no âmbito da igreja, exige honestidade, prudência e total transparência: “evitando, assim, que alguém nos acuse em face desta generosa dádiva administrada por nós; pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens.” (2Co 8.20-21). Na igreja, ninguém deve manusear dinheiro sozinho; seja na contagem e registro de dízimos e ofertas, seja na distribuição, mesmo que seja um tesoureiro de confiança, eleito para o exercício de tal função, ou um diácono honesto. Embora pouco frequente, tem havido casos de desvio de dinheiro de dízimos e ofertas até mesmo dentro de igrejas evangélicas. Se a iniciativa do procedimento transparente partir do próprio responsável pela função é bem melhor; não gera o constrangimento dele ter que receber a recomendação de terceiros, ainda que não haja suspeitas. Melhor ainda é que a Instituição estabeleça isso como norma de procedimento.

Conclusão:

Assim exposto, podemos considerar esses cinco princípios como técnica e teologicamente basilares, pilares, no que diz respeito à contribuição. Para enriquecer ainda mais esta abordagem, podemos, então, finalizar e complementar, apenas citando, alguns outros aspectos que expressam a importância e os consequentes desdobramentos da contribuição:

– Promove equilíbrio e igualdade: “Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade,” (2Co 8.13) “e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” (2Co 8.14b-15)

– Permite a reciprocidade e mutualidade: “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta,” (2Co 8.14a)

– Expressa e evidencia amor: “Manifestai, pois, perante as igrejas, a prova do vosso amor e da nossa exultação a vosso respeito na presença destes homens.” (2Co 8.24)

– Tem a promessa de colheita proporcional à semeadura: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.” (2Co 9.6)

– Tem a promessa de prosperidade: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade,” (2Co 9.8-11a)

– É causa de ações de graças a Deus: “a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.” (2Co 9.11b)

%d blogueiros gostam disto: