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Cinco Princípios Bíblicos da Contribuição

1 Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia.
2  No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.
3  E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes.
4  Se convier que eu também vá, eles irão comigo.

 

Introdução

Ainda que este assunto seja muito extenso e amplamente tratado na bíblia, inclusive na segunda epístola aos Coríntios (caps. 8 e 9), apresentaremos, a seguir, apenas alguns princípios sobre o tema “coleta e contribuição”, ensinados por Paulo, no texto em foco. Apesar de se tratar de uma coleta especial, em benefício dos pobres dentre os santos que viviam em Jerusalém (Rm 15.26), tais princípios também são válidos para as contribuições feitas, pelos membros, para sustentar financeiramente a igreja.

Pelo exposto no primeiro versículo, introduzindo o assunto, percebe-se claramente que o apóstolo tinha a mesma linha de instrução para as diversas igrejas locais, a saber:

1º) O princípio da periodicidade (regularidade, presteza) (v.2)

“No primeiro dia da semana…”

No dia do Senhor, a cada domingo, os crentes deveriam separar a sua oferta, retirando-a de parte do rendimento semanal que obtiveram como fruto do seu labor ou ganho. Isso também ressalta a importância que o domingo tinha e tem para a igreja. A regularidade e presteza dessa providência era a garantia de que, quando o apóstolo chegasse, haveria algo a ser coletado. Deus não precisa do “nosso dinheiro” (não somos donos, somos apenas mordomos), pois ele é o dono de tudo:“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” (Jó 41.11). Mas ele quer usar os nossos recursos para a manutenção da sua obra através da igreja. Se alguém tem um rendimento mensal, então a sua periodicidade pode ser mensal e deve ser entregue com regularidade.

2º) O princípio da individualidade (sigilo). (v.2)

“…cada um de vós ponha de parte, em casa….”

Cada um tem, diante de Deus, a responsabilidade e privilégio de contribuir. Além de ser uma ordenança é parte do culto que tributamos a Deus: “…porém não aparecerá de mãos vazias perante o SENHOR;” (Dt 16.16b). Faz parte desse culto a Deus oferecer-lhe algo que nos custou alguma coisa: “porque não tomarei o que é teu para o SENHOR, nem oferecerei holocausto que não me custe nada.” (1Cr 21.24b). Isso fazemos, não para comprarmos a salvação, mas exatamente porque já somos salvos; não para comprarmos as bênçãos divinas, mas porque somos abençoados por Deus. É preciso ter consciência de que parte daquilo que Deus nos deu precisa ser usado para ajudar os necessitados e para investir no reino de Deus. Essa é uma prática que os pais, além de não descuidar, devem ensinar aos seus filhos.

Assim como não é razoável que as pessoas tornem público aquilo que ganham (seu contracheque, sua declaração de bens etc); também não é razoável que se dê publicidade à sua contribuição. Contribuição é um assunto individual, pessoal, entre cada um e Deus! Jesus, nosso Mestre por excelência, ensinou assim: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.3-4).

3º) O princípio da proporcionalidade (disponibilidade). (v.2)

“…conforme a sua prosperidade…”

A contribuição é proporcional ao que cada um recebe de rendimentos, pela indispensável e magnânima providência do Senhor nosso Deus. Deus nos dá primeiro para que possamos devolver uma parte para ele: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.” (1Cr 29.14). É conforme o que cada um tem, como retribuição às bênçãos recebidas: “cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido.” (Dt 16.17). Não é razoável que alguém vá fazer um empréstimo para poder contribuir com a igreja: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.”(2Co 8.12). Da mesma forma, não é razoável que a pessoa se encha de dívidas, para pretender justificar a sua incapacidade de contribuir. É sempre bom lembrar que o crente não contribui fazendo contas do que lhe sobra e sim do que recebe!

Em se tratando de proporcionalidade, vale destacar aqui o que, às vezes, passa despercebido, devido à forte influência que recebemos da sociedade. Diante de Deus, uma oferta de 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 1 salário mínimo é, no mínimo, equivalente a 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 10 salários mínimos. Mais importante para Deus é o valor relativo e não o valor absoluto. Se lembram da humilde oferta da viúva e da reação de Jesus? “Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.” (Mc 12.44). Que bom seria se os crentes entendessem essa contabilidade divina, tão simples! Que bom seria se os crentes não se tratassem, uns aos outros, rotulando-se de pequenos ou grandes contribuintes, a partir dos valores absolutos ofertados. Merece especial destaque o fato do apóstolo não estabelecer valores.

4º) O princípio, sutilmente apresentado aqui, é o da liberalidade (generosidade, alegria). (v.2)

“…e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.”

Liberalidade é a virtude daquele que, em seus atos ou em suas intenções, dá o que não tem obrigação de dar e sem esperanças de receber qualquer coisa em troca. Generosidade é a virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem. Os crentes deveriam, liberalmente e generosamente, separar aquilo que quisessem dar, conforme o Senhor colocasse no coração de cada um. “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.” (2Co 9.7). Ninguém era obrigado a dar. Ninguém seria ridicularizado e humilhado se não pudesse dar; ou exaltado se desse. Não era a presença física do apóstolo, com um bom e convincente discurso apelativo que importava. Deve-se considerar, também, que o apóstolo não tinha a intenção de se promover lá na “igreja-mãe” (de Jerusalém), arrecadando e levando uma expressiva oferta às custas de “tirar o couro” dos irmãos gentios. Quanta diferença para o que se vê por aí entre os pregadores da prosperidade, ou melhor, “predadores da prosperidade alheia”! Eles fazem questão do discurso pessoal, da coação emocional, psicológica e pseudoteológica. Eles usam todos os recursos, artimanhas e métodos para sugar os bens dos ingênuos, dos despreparados e, também, dos ambiciosos, que gostam de barganhar com Deus. Sim, porque muitas vezes só é ludibriado aquele que também quer se dar bem sem ter que pagar o preço do benefício que deseja alcançar.

5º) O princípio da transparência (honestidade). (vv. 3-4)

3  E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes.
4  Se convier que eu também vá, eles irão comigo.

Percebam que o apóstolo não se ofereceu para levar, sozinho, a oferta à Jerusalém; nem ainda indicou pessoas da sua confiança. Antes, porém, se prontificou a enviar, com carta de explicação, aquelas pessoas que os próprios doadores, isto é, a igreja de Corinto, aprovasse. Manusear dinheiro ou recursos de terceiros, inclusive no âmbito da igreja, exige honestidade, prudência e total transparência: “evitando, assim, que alguém nos acuse em face desta generosa dádiva administrada por nós; pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens.” (2Co 8.20-21). Na igreja, ninguém deve manusear dinheiro sozinho; seja na contagem e registro de dízimos e ofertas, seja na distribuição, mesmo que seja um tesoureiro de confiança, eleito para o exercício de tal função, ou um diácono honesto. Embora pouco frequente, tem havido casos de desvio de dinheiro de dízimos e ofertas até mesmo dentro de igrejas evangélicas. Se a iniciativa do procedimento transparente partir do próprio responsável pela função é bem melhor; não gera o constrangimento dele ter que receber a recomendação de terceiros, ainda que não haja suspeitas. Melhor ainda é que a Instituição estabeleça isso como norma de procedimento.

Conclusão:

Assim exposto, podemos considerar esses cinco princípios como técnica e teologicamente basilares, pilares, no que diz respeito à contribuição. Para enriquecer ainda mais esta abordagem, podemos, então, finalizar e complementar, apenas citando, alguns outros aspectos que expressam a importância e os consequentes desdobramentos da contribuição:

– Promove equilíbrio e igualdade: “Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade,” (2Co 8.13) “e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” (2Co 8.14b-15)

– Permite a reciprocidade e mutualidade: “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta,” (2Co 8.14a)

– Expressa e evidencia amor: “Manifestai, pois, perante as igrejas, a prova do vosso amor e da nossa exultação a vosso respeito na presença destes homens.” (2Co 8.24)

– Tem a promessa de colheita proporcional à semeadura: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.” (2Co 9.6)

– Tem a promessa de prosperidade: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade,” (2Co 9.8-11a)

– É causa de ações de graças a Deus: “a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.” (2Co 9.11b)

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  1. 11/07/2017 às 9:02

    Excelente texto. Muito edificante.

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