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Maduros na Fé: Não que – Até que – Para que


Santificação: segredo do caráter cristão!

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Efésios 4.13)

Introdução          

A palavra “maduro” nos remete, tanto ao fruto ou produto vegetal que está pronto para ser colhido e consumido, quanto à pessoa que tem mais idade; o adulto ou velho. A maturidade, estado ou condição de ter atingido uma forma adulta ou amadurecida, na psicologia tem o significado de desenvolvimento pleno da inteligência e dos processos emocionais, do estado em que um indivíduo goza de plena e estável diferenciação e integração somática, psíquica e mental. O amadurecimento dos seres humanos não se dá de modo uniforme; pois cada um amadurece no seu próprio ritmo. O mesmo acontece no que diz respeito à maturidade na fé, de cada crente. Assim sendo, um crente mais antigo na igreja não é, necessariamente, mais maduro na fé do que outro com menos tempo.

Santificação e perfeição são processos que caminham juntos, de mãos dadas, na trajetória do cristão que se inicia na regeneração e culmina na glorificação. Mais do que uma opção dada ao crente, ou um pedido, ou um conselho, é um imperativo divino: “…sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5.48); “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pe 1.16; Lv 11.45)

Não é da vontade de Deus a paralisia no crescimento espiritual rumo a essa maturidade necessária. Também, não deve passar despercebida a palavra desafiadora de Jesus: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mt 5.20). Podemos entender a expressão “vossa justiça”, como a “vossa prática religiosa” ou, em termos de igreja, a “vossa prática da vida cristã”. Ser religioso não é difícil, o desafio maior é o de agradar a Deus fazendo a sua vontade.

Neste estudo, desenvolveremos o tema proposto, revisitando o processo da santificação, com foco em três vertentes: “Não que”, Até que” e “Para que”.

1. “Não que” – a autoconsciência do estado atual

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (Fp 3.12)

A postura e atitude daqueles escribas e fariseus contemporâneos de Jesus era a de religiosos profissionais, “senhores da verdade” divinamente revelada, guardiões e “exímios cumpridores” da lei e das tradições religiosas. Naturalmente se consideravam tão santos e perfeitos que se assentaram na cadeira de Moisés (Mt 23.2), como mestres da lei e juízes do povo, tornando-se incansáveis patrulheiros dos atos de Jesus e dos seus apóstolos (ver Mt 23.1-36). Jesus alertou às multidões e aos seus discípulos: “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.” (Mt 23.3). O ativismo religioso e a busca de uma super espiritualidade equivocados, podem levar um crente a pensar de si além do que convém (Rm 12.3) e à essa mesma postura farisaica.

No texto de Filipenses 3.4-14 o apóstolo Paulo apresenta seu brilhante currículo de vida, não para se exibir ou impressionar seus leitores, mas para deixar claro que ele não confiava na carne, nos seus méritos pessoais ou justiça própria. Pelo contrário, ele se considerava devedor do conhecimento de Cristo e do poder da sua ressurreição. Então, ele conclui com o “não que” que demonstra plena consciência das suas limitações, ao lado da sua inteira disposição de prosseguir para o alvo.

Portanto, o primeiro aspecto a se levar em conta é a autoconsciência do estado atual, sempre aquém daquele onde poderemos estar, o que nos deve motivar e desafiar a seguir nesse processo de santificação.

2. “Até que” – a consciência da necessidade de persistência:

Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4.13)

É claro que temos um alvo, um ponto de chegada, e, um caminho a percorrer até chegar lá:  “à medida da estatura da plenitude de Cristo,”. Muitos chegam a Cristo e à igreja quase que num estado de euforia, como o homem da parábola que achou um tesouro escondido e vende tudo o que tem para comprar o campo onde o havia encontrado (Mt 13.44); ou, o outro homem, da outra parábola, que achou uma pérola de grande valor e fez o mesmo para obtê-la (Mt 13.45-46). É o estado denominado de “primeiro amor” (Ap 2.4); um amor ardente e apaixonado por Deus, por Jesus, pela Bíblia, por estar junto aos irmãos nas reuniões da igreja, por falar de Cristo aos outros. Não é difícil constatar que a maioria destes, com o passar do tempo, perdem o vigor, o ardor dos primeiros anos e se deixam levar pelo automatismo da rotina. Quando mais jovem, conheci e vi pregar algumas vezes, um servo de Deus, creio que italiano, que mesmo depois de muitos anos de caminhada na fé cristã, vivia permanentemente no primeiro amor. Ele era muito intenso; pregava o que vivia e vivia o que pregava. Não perdia a oportunidade de falar de Cristo a quem estivesse no seu caminho. Tinha o hábito de beijar sua bíblia, quando a ela se referia na pregação, para demonstrar o seu grande apreço pela Palavra de Deus. Sem dúvida, um exemplo a ser seguido.

O “até que” nos remete à importância da perseverança, da constância, da persistência, qualquer que seja a condição da “estrada” ou os obstáculos interpostos no caminho que leva ao alvo que nos está proposto. Referindo-se aos dons espirituais, em Efésios 4.7-16, o apóstolo Paulo ensina que estes dons foram dados aos crentes, com vistas ao “aperfeiçoamento dos santos”, para a “edificação do corpo de Cristo”, “até que” o alvo seja alcançado. Então, entre a capa frontal (da regeneração) e a capa posterior (da glorificação), há um conteúdo e alvo vital que dá pleno sentido ao evangelho, neste livro da vida de cada cristão. “Até que todos”– Ninguém, isto é, nenhum remido pelo Senhor fica de fora, pois todos nós formamos o corpo de Cristo, esse organismo vivo chamado igreja. Nessa magnífica declaração do apóstolo, quatro aspectos desse alvo vital são mencionados:

  • Unidade na diversidade

Até que todos cheguemos à unidade da fé…”

Unidade não é uniformidade, nem padronização de conduta ou costume ou linguajar ou vestimenta. E, certamente, a fé aqui referida não é um “corpo de doutrinas e crenças”. É, sim, a fé salvadora em Cristo Jesus, nosso Senhor e Mestre. A “entrega de alma” a Cristo, debaixo da ação do Espírito Santo, nos conduzirá a essa unidade almejada. Quanto ao mais, podemos caminhar na linha do que diz Richard Baxter: “Em assuntos fundamentais, unidade. Em assuntos secundários, liberdade. Em todas as coisas, caridade (ou amor)”.

  • Conhecimento do Senhor

Até que todos cheguemos (ao) … pleno conhecimento do Filho de Deus”

O vocábulo grego “epignosis” foi corretamente traduzido aqui como “pleno conhecimento”.  Podemos conhecer alguém ouvindo ou lendo algo a seu respeito. Entretanto, esse conhecimento é teórico, limitado, sujeito à toda subjetividade da fonte de observação e informação. O desafio que nos é proposto, inicia-se com a assimilação do conhecimento da pessoa de Cristo, através do que dele é revelado na Bíblia e, materializa-se, experimentalmente, na vivência cotidiana junto dele (2Pe 1.16; Fp 3.10). Vale ressaltar que tal conhecimento, do Pai e do Filho, é recorrente no Novo Testamento (2Co 4.6; Ef 1.17; Fp 3.8; Cl 1.10; 2Pe 1.2-3; 2Pe 1.8; 2Pe 2.20; 2Pe 3.18).

  • Plena maturidade

Até que todos cheguemos … à perfeita varonilidade,”

A expressão “perfeita varonilidade” pode ser entendida como “plena maturidade” ou “pleno desenvolvimento” como é esperado no caso de um ser humano que nasce, cresce e se desenvolve até o atingimento da idade adulta. Em termos espirituais, o mesmo se espera de um remido do Senhor, nascido de novo. Precisamos nos desenvolver ao ponto de nos tornarmos mestres e discipuladores e, não crentes imaturos, crianças espirituais, permanentemente necessitados de que nos ensinem os princípios elementares da fé (Hb 5.11-14).

  • Plenitude de Cristo

Até que todos cheguemos … à medida da estatura da plenitude de Cristo,”

Por fim, nossa persistência na busca desse alvo vital deve conduzir-nos a esse mais elevado grau de maturidade e desenvolvimento espiritual – o atingimento da perfeição em Cristo. O apóstolo Paulo muito se dedicou à essa causa: “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós;”  (Gl 4.19). Essa é a meta proposta, o ponto de chegada; reproduzir em cada crente a imagem de Cristo (Rm 8.29; 2Co 3.18; Cl 3.10). Certamente que o Espírito Santo tem papel preponderante nesta missão (Jo 14.17).

3. “Para que” – a consciência dos propósitos a serem alcançados:

“Porque eu (Jesus) vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (Jo 13.15)

Quais seriam as razões e motivações para buscar, com perseverança, tão elevados alvos? Por que a santificação é o segredo do caráter cristão? A bíblia tem alguns “para que” que também respondem à essas perguntas; ela fala por si mesma:

  • Para a glória de Deus

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5.16)

para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;” (1Pe 1.7)

  • Para nossa plena satisfação e fortalecimento

“Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.” (Jo 15.11)

para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior;” (Ef 3.16)

  • Para dar o exemplo aos irmãos

“E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade.” (Jo 17.19)

“Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna.” (1Tm 1.16)

  • Para fazermos a diferença na sociedade

para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo,” (Fp 2.15)

“a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.21)

  • Para agradar a Deus

“…, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.” (Cl 4.12b)

para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.” (1Pe 4.2)

“educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,” (Tt 2.12)

Conclusão

Que Deus nos ajude a olhar para nós mesmos, como convém, com humildade, determinação e esperança, a fim de percebermos que sempre há algo a ser trabalhado e melhorado, para que possamos nos apresentar a ele como obreiros aprovados (2Tm 2.15). Que a perseverança seja nossa inseparável companheira nessa tarefa: “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” (Tg 1.4). Que jamais percamos de vista os elevados propósitos que dão sentido à nossa caminhada terrena.

“Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.” (2Co 13.11)

 

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  1. Roberto dos santos
    26/07/2017 às 8:22

    Estou gostando muito das mensagens. Deus abençoe o senhor. um grande abraço.

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