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TÍTULO
1A anatomia de um chamado e de uma nova criatura (Ezequiel 37.1-10)
2A Saga da Arca da Aliança
3Alcoolismo
4Apocalipse – Visão Panorâmica
5ARREPENDIMENTO, a ponta do iceberg
6AS BEM-AVENTURANÇAS
7AS MULHERES do Rei Davi
8Autoridade e Submissão
9Batismo – Aspersão ou Imersão?
10Epístola de 1Pedro
11Epístola de Judas
12Epístola de TIAGO
13Falar em Línguas – Dom de Línguas
14Funções Pastorais no Livro de Atos
15Governo Eclesiástico
16Homossexualidade
17JESUS CRISTO, o Messias Prometido
18Livro de Neemias
19Livros & Escritos na Bíblia
20O DNA da Verdadeira Amizade
21O que acontece com os mortos
22Os desafios do pastoreio na pós-modernidade
23Os Evangelhos
24Os três Pilares da Antiga Aliança
25Paternidade Refletida
26Perfil Pastoral
27Pobreza e Riqueza
28Quero Permanecer Casado
29SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR
30SIMÃO PEDRO
31Trabalho versus Serviço Religioso
32Vencendo a Tentação, como Jesus

Autor: Paulo Raposo Correia


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NATAL – Celebrar ou Não?

Introdução

Não sufoque o aniversariante!

Era uma manhã gelada de inverno, com os ventos cortando as ruas e a paisagem branca de geada cobrindo os telhados. No aconchego de uma casa simples, a família de João e Clara organizava a celebração do primeiro aniversário de seu bebê, Miguel. A sala estava decorada com balões e uma mesa cheia de doces feitos com carinho pela avó. Apesar do frio, os amigos e familiares começaram a chegar, trazendo presentes e sorrisos.

Os casacos pesados, típicos daquele inverno rigoroso, eram retirados na entrada e, sem muita preocupação, empilhados no quarto, sobre a cama, a cama onde o pequeno Miguel descansava, enrolado em cobertas quentinhas, aguardando seu momento de protagonismo na festa.

Com o tempo, a pilha de casacos crescia, e ninguém percebeu que o bebê estava ali, deitado. Miguel era um bebê tranquilo e não emitiu nenhum som que alertasse os adultos. O ambiente de festa, com risos e conversas altas, fazia com que ninguém suspeitasse do perigo que se aproximava.

Até que, no meio da festa, Clara sentiu a necessidade de verificar como estava seu pequeno. Ao abrir a porta do quarto, o choque foi imediato: a pilha de casacos havia praticamente enterrado o bebê. Seu coração disparou. Num gesto rápido e desesperado, ela retirou os casacos e encontrou Miguel, sonolento, mas bem.

A tensão tomou conta da casa por um instante, seguida de um alívio que trouxe lágrimas aos olhos de todos. Clara, emocionada, segurou o filho nos braços, agradecendo a Deus por sua proteção. A festa continuou, mas com um clima de maior atenção e cuidado.

E assim, aquela comemoração se tornou uma lição para todos: celebrar a vida também é estar vigilante e atento, especialmente quando se trata de certos detalhes que fazem toda a diferença. (Conto ilustrativo)

Ao longo de cada ano se renovam aquelas tradicionais datas especiais, comemoradas por muitos, ignoradas por outros e criticadas pelos “especialistas” de plantão. O termo “Natal” tem origem no latim “natalis”, que significa “nascimento” ou algo relacionado ao dia do nascimento. No contexto cristão, refere-se especificamente ao nascimento de Jesus Cristo, celebrado no dia 25 de dezembro. Considerando essas recorrentes críticas à celebração do Natal, entendemos ser importante tentar esclarecer o assunto, pois, ao longo dos anos, tem gerado muitas discussões.

No Brasil, considerando e focando a tradição cristã (católica, protestante, ortodoxa) e, dependendo da região do país, os eventos mais importantes celebrados, são:

Feriados Religiosos Oficiais:

  1. Sexta-feira Santa (móvel): Lembra a morte de Jesus Cristo na cruz.
  2. Páscoa (móvel): Celebra a ressurreição de Jesus Cristo.
  3. Corpus Christi (móvel): Destaca a presença real de Cristo na Eucaristia (mais observado pelos católicos).
  4. Natal (25 de dezembro): Comemora o nascimento de Jesus Cristo.

Datas Comemorativas Cristãs (não são feriados oficiais):

  1. Dia de Reis (6 de janeiro): Celebra a visita dos magos ao menino Jesus.
  2. Pentecostes (móvel): Marca a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e outros seguidores de Jesus.
  3. Dia de Todos os Santos (1º de novembro): Homenagem aos santos conhecidos e desconhecidos (celebrado pelos católicos).
  4. Dia da Reforma Protestante (31 de outubro): Comemora o início da Reforma Protestante em 1517 (relevante para protestantes).
  5. Dia de Ação de Graças (4ª quinta-feira de novembro): Gratidão ao Deus provedor.

Outras Celebrações e Práticas:

  1. Advento (quatro semanas antes do Natal): Preparação espiritual para o Natal.
  2. Quaresma (período de 40 dias antes da Páscoa): Tempo de penitência e reflexão (celebrado pelos católicos).
  3. Festas locais de padroeiros: Cada cidade ou comunidade pode celebrar festas dedicadas a santos específicos (celebradas pelos católicos).

Nosso foco aqui é a celebração do NATAL que, atualmente, é observado no dia 25 de dezembro. Em Roma, desde o ano de 336 d.C. (Séc. IV), essa data foi escolhida como o dia da celebração do nascimento de Jesus Cristo. Há alguma incerteza sobre quando e por que essa data foi escolhida. Nas páginas do Novo Testamento não há informações que nos ajudem a determinar o tempo exato, embora os pastores e seus rebanhos no campo, à noite, não favoreçam uma data no período do inverno judaico, como 25 de dezembro.

1. ARGUMENTOS CONTRA A CELEBRAÇÃO

Alguns teólogos e cristãos evangélicos defendem a não comemoração do Natal no dia 25 de dezembro por razões teológicas, históricas e culturais. Argumentos apresentados e refutados:

1.1 Origem pagã da data

Base histórica:
Alguns supõem que foi o imperador Constantino quem estabeleceu o dia do Natal a 25 de dezembro, para substituir a festa pagã em honra ao sol. A festa pagã em foco tinha o propósito de celebrar o Solstício de Inverno, no Hemisfério Norte, que acontece por volta do dia 21 ou 22 de dezembro, marcando o início do inverno. As Saturnálias romanas, uma festividade dedicada a Saturno, deus da agricultura, também tinha lugar nesse período do ano. Por conseguinte, talvez tenha sido próprio para o império romano substituir uma festa pagã por uma celebração que tinha mais sentido para os cristãos do que a celebração das meras forças da natureza.

Refutação:
Nossa intenção aqui não é negar essa origem um tanto quanto nebulosa e “pagã”, mas destacar alguns aspectos que merecem a nossa atenção.

1º) Historicamente falando, parece ter havido pouco interesse, entre os primeiros cristãos, pela celebração do nascimento de Cristo, através da fixação de alguma data com essa finalidade. Então, diz-se que somente a partir do ano 336 d.C., durante o governo do imperador Constantino, o Natal começou a ser comemorado no dia 25 de dezembro, sendo proclamado alguns anos depois, pelo papa Júlio I, como a data oficial.

2º) A decisão visava cristianizar as festividades pagãs já realizadas nesse período do ano, especialmente o festival romano de Sol Invictus (Sol Invencível), associado ao Solstício de Inverno, e as Saturnálias, festas em honra ao deus Saturno. Então, o nascimento de Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de dezembro, substituindo a veneração ao deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo. Assim, o nascimento de Cristo passou a ser comemorado no Solstício do Inverno em substituição às festividades do Dia do Nascimento do Sol Inconquistável, data ressignificada pela Igreja Católica com a finalidade de “converter” os povos pagãos sob o domínio do Império Romano.

3º) “Os Celtas, por exemplo, tratavam o Solstício do Inverno, em 25 de dezembro, como um momento extremamente importante em suas vidas. O inverno ia chegar, longas noites de frio, por vezes com poucos gêneros alimentícios e rações para si e para os animais, e não sabiam se ficariam vivos até a próxima estação. Faziam, então, um grande banquete de despedida no dia 25 de dezembro. Seguiam-se 12 dias de festas, terminando no dia 6 de Janeiro. Em Roma, o Solstício do Inverno também era celebrado muitos séculos antes do nascimento de Jesus. Os Romanos o chamavam de Saturnálias (Férias de Inverno), em homenagem a Saturno, o deus da Agricultura, que permitia o descanso da terra durante o inverno. Em 274 d.C. o Imperador Aureliano proclamou o dia 25 de dezembro, como “Dies Natalis Invicti Solis” (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol passou a ser venerado. Buscava-se o seu calor que ficava no espaço muito acima do frio do inverno na Terra. O início do inverno passou a ser festejado como o dia do deus Sol.” (Guilherme Lieven, pastor luterano).

4º) Hoje, consta do nosso calendário o feriadão de carnaval, um evento que tem origem em festividades pagãs da antiguidade e que, na visão dos cristãos é um tempo de liberação dos instintos carnais, excessos, promiscuidade e imoralidade sexual, bebedices, violência e desordem. Vamos imaginar que as lideranças de todas as igrejas cristãs evangélicas se unissem e ressignificassem para si esse feriadão de carnaval e o denominassem de “Dedicatio Tempus” (Tempo de Dedicação), um tempo de recolhimento (pessoal ou coletivo) e dedicação especial a Deus. Você deixaria de participar deste novo evento e ficaria nas redes sociais fazendo oposição e crítica por ser um feriadão de origem pagã? Antes de tudo é preciso ter bom senso.

5º) Enfim:

  • Jesus Cristo é o “personagem” mais importante da fé cristã. Portanto, é mais do que razoável e relevante lembrar e celebrar seu NASCIMENTO, MORTE e RESSURREIÇÃO!
  • Substituir celebrações pagãs profundamente enraizadas na cultura romana, associando-as ao nascimento de Cristo, o “Sol da Justiça” (Ml 4.2) foi uma ótima contribuição ao Cristianismo! Nesse caso, o esplendoroso “Sol” tomou o lugar do “sol”, o que se reveste de certa lógica, porquanto ele é a Luz do mundo espiritual.
  • Embora a data exata do nascimento de Jesus não seja mencionada na Bíblia, o simbolismo de Cristo como luz do mundo (Jo 8.12) era apropriado para associar seu nascimento ao aumento da luz solar após o Solstício de Inverno. Assim, o dia tornou-se uma oportunidade para a Igreja promover a mensagem cristã de forma mais ampla.
  • O Natal é uma data verdadeiramente importante, uma conquista relevante do Cristianismo, e comemorada em grande parte do mundo. Ela incomoda tanto o reino das trevas que algumas investidas e estratégias estão sendo usadas para desviar seu foco e desfigurar seu significado (viés comercial, uso de símbolos natalinos inadequados, foco apenas na fraternidade, substituição do FELIZ NATAL por BOAS FESTAS etc.). Isso trataremos adiante.

1.2 Data Incorreta

Base histórica:
Historiadores e teólogos apontam que Jesus provavelmente não nasceu em 25 de dezembro, devido a fatores como o relato de pastores cuidando de rebanhos (Lc 2.8), algo incomum no inverno da Judeia. Para esses críticos, celebrar o nascimento de Cristo em uma data historicamente incerta pode ser visto como impreciso ou sem fundamento.

Refutação:
Nossa intenção aqui não é provar que 25 de dezembro é a data correta do nascimento de Cristo, mas destacar alguns aspectos que merecem a nossa atenção.

1º) Não há referências bíblicas que possam ser usadas para consubstanciar qualquer data para o nascimento de Cristo; mas, a narrativa sobre os pastores, e seus rebanhos, à noite, nos campos, tem sugerido que a época do ano seria a primavera (março a junho, temperatura entre 10 e 25º), provavelmente em abril. A única conclusão que se pode tirar desse relato é que o inverno (dezembro a março, temperatura entre 5 e 15º) seria a estação menos provável do ano, a despeito do fato de que certos hinos cristãos falem sobre a noite do nascimento de Jesus como “a fria noite de inverno que era tão fria”.

2º) Jesus nasceu em Belém da Judeia (Mt 2.1-12; Lc 2.1-20), entre 5 a.C. e 4 a.C., no fim do reinado de Herodes, o Grande (Mt 2.1; Lc 1.5), e foi crucificado em cerca de 29 DC.

3º) Naquela época os calendários eram muito confusos.

  • O Calendário Juliano (45 a.C.) foi introduzido por Júlio César, tendo sido baseado no calendário egípcio. Fixou o ano em 365,25 dias, com um ano bissexto a cada 4 anos. Apesar da precisão, causava um erro de cerca de 11 minutos por ano (deslocamento de 1 dia a cada 128 anos).
  • O Calendário Gregoriano (1582 d.C.) substituiu o Juliano por ordem do Papa Gregório XIII. Corrigiu o deslocamento acumulado, realinhando o equinócio da primavera. Ajustou as regras de anos bissextos para maior precisão.
  • Adaptação global do Gregoriano: Católicos o adotaram primeiro em 1582 (Espanha, Portugal, Itália). Países protestantes e ortodoxos aderiram ao longo dos séculos seguintes. Hoje, é o padrão civil usado globalmente, embora alguns países e religiões mantenham calendários próprios para fins litúrgicos ou culturais. Essas mudanças mostram a busca por um sistema que equilibre ciclos solares, lunares e as necessidades humanas.

4º) Vale registrar aqui um feito importante que manifesta ao mundo a relevância do nascimento de Jesus para toda a humanidade. As siglas a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) foram adotadas como convenções cronológicas no contexto da Era Cristã, que começou a ser usada na Europa a partir do século VI. A criação do sistema é atribuída ao monge Dionísio, o Exíguo, por volta do ano 525 d.C. Ele propôs contar os anos a partir da provável data do nascimento de Jesus Cristo, introduzindo a “Era Anno Domini” (Ano do Senhor). As siglas a.C. e d.C. começaram a ser amplamente usadas na cronologia histórica e acadêmica com o crescimento da influência da tradição cristã na Europa e no mundo ocidental. Os anticristãos não poderiam lidar com tal destaque passivamente, então, nos tempos modernos, termos como AEC (Antes da Era Comum) e EC (Era Comum) são usados em contextos acadêmicos ou inter-religiosos para evitar referências explícitas ao cristianismo.

5º) Enfim, muito mais importante do que celebrar o nascimento de Cristo na data correta é celebrar o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14), o Emanuel, Deus conosco (Mt 1.23). Não é que precisamos de uma determinada data no ano para glorificar a Deus pela vinda do Salvador e por sua tão grande Salvação, pois isso faremos todo o dia e em todo o tempo.

1.3 Ausência de Base Bíblica

Argumentação:
Defensores dessa posição destacam que a Bíblia não ordena nem menciona a celebração do nascimento de Jesus Cristo como prática religiosa. Enquanto eventos como a celebração da Ceia do Senhor (Santa Ceia) são ordenados (Lc 22.19-20; 1Co 11.23-26), o Natal não foi mencionado na Bíblia como uma ordenança bíblica.

Refutação:
Nossa intenção aqui não é provar que a Bíblia ordena ou ensina a celebrar o nascimento de Cristo, mas destacar alguns aspectos que merecem a nossa atenção.

1º) No “primeiro natal”, no nascimento de Cristo, houve intensa e maravilhosa celebração:

  • Os anjos envolveram os pastores de Belém nesta celebração (Lc 2.8-20);
  • A milícia celestial celebrou e louvou (Lc 2.13-15);
  • Quarenta dias depois o Espírito Santo envolveu Simeão e Ana nessa celebração (Lc 2.21-38);
  • Algum tempo depois os magos do oriente também foram envolvidos nesta celebração e adoração (Mt 2.1-12).
    Portanto, se naquele primeiro natal houve tanta celebração e glorificação a Deus, pela vinda do Messias, por que não repetir isso a cada dia, de forma natural e contínua e, de uma forma mais especial, uma vez por ano e da forma correta?

2º) Há muitas coisas que a Bíblia não menciona especificamente, ensinando/ ordenando, ou condenando. Se pararmos para analisar chegaremos a conclusão que há muitas coisas boas e lícitas, consideradas necessárias, que são feitas ou acontecem na igreja atual sobre as quais a bíblia não se pronuncia especificamente sobre o assunto: Tipos de reuniões, festividades, forma de organização, hinário, constituição, princípios denominacionais etc. O assunto é muito extenso e vamos parar por aqui.

1.4 Não se deve comemorar Aniversários

Argumentação:
Alguns grupos religiosos não comemoram aniversários devido a suas crenças específicas, geralmente relacionadas a princípios teológicos, interpretações bíblicas ou tradições doutrinárias, por exemplo, as Testemunhas de Jeová. Este grupo não celebra aniversários porque acreditam que a prática não é ordenada por Deus na Bíblia e está associada a origens pagãs. Eles destacam que as únicas celebrações de aniversários mencionadas na Bíblia — a de faraó (Gn 40.20-22) e a de Herodes (Mt 14.6-10) — resultaram em eventos trágicos, como a morte do padeiro-chefe e de João Batista, respectivamente. Além disso, consideram que aniversários exaltem excessivamente a pessoa, em vez de a Deus.

Refutação:
Nossa intenção aqui é mostrar que tal posicionamento não tem base bíblica.

1º) Na antiguidade tudo nos leva a crer que as comemorações de aniversário eram mais observadas quando se tratava de pessoas consideradas ilustres, ricas ou poderosas, como faraós, reis e governantes. Entretanto, diante de Deus todos são iguais, independentemente da sua condição social ou financeira, e têm o seu valor; assim sendo, a celebração da continuação da vida é sempre bem-vinda.

2º) Os dois registros bíblicos de aniversários acima mencionados, com consequências trágicas, não passam de relatos de ações desastrosas de governantes ímpios, dentre tantas outras. Em lugar algum da bíblia encontramos a proibição ou condenação da comemoração de aniversários.

3º) Quando celebramos o Natal, celebramos muito mais do que um aniversário, celebramos a maior dádiva de Deus a humanidade – Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Salvador do mundo.

4º) Quando celebramos o aniversário de uma pessoa, estamos reconhecendo o quanto ela é importante para nós. Entretanto, nosso foco principal não pode ser a exaltação do aniversariante, mas a glorificação a Deus pelo dom da vida dessa pessoa querida e amada por nós.

2. PONTOS DE ATENÇÃO

2.1 Comercialização e Secularização

Muitos argumentam que o Natal perdeu ou vem perdendo o seu foco cristão, tornando-se uma celebração amplamente secular, centrada em consumo, decoração e figuras como o Papai Noel. Assim sendo, a celebração é vista como um desvio do verdadeiro espírito de adoração e do evangelho. Sem dúvida, os empresários sempre investirão o máximo para faturar em datas especiais. Cabe a nós cristãos ficarmos muito atentos e não nos deixarmos levar por essa sanha e pressão consumista.

2.2 Pureza da Fé

Algumas pessoas ou grupos cristãos, historicamente rejeitaram o Natal por considerá-lo uma mistura de práticas cristãs e pagãs, o que poderia comprometer a pureza da fé. Cabe a nós cristãos ficarmos muito atentos e não nos deixarmos levar por essa mesclagem ou sincretismo entre o sagrado e o profano. É preciso ter cuidado com a exaltação do bebê Jesus, sem dar a devida importância à sua missão redentora na cruz.

3. OS SÍMBOLOS NATALINOS

Com o Natal surgem vários símbolos representativos dessa data festiva. No Brasil eles são influenciados pela cultura cristã, tradições europeias e adaptações locais, cada qual com um significado distinto e com origem pagã ou religiosa. Entre eles, destacam-se:

3.1 Símbolos coerentes

a) Presépio

Uma representação ou recriação das cenas do nascimento de Jesus, com figuras de Maria, José, o menino Jesus, os pastores, os Magos e animais. Acredita-se ter sido montado e popularizado por São Francisco de Assis (1182-1226 a.C.) no século XIII.

b) Árvore de Natal


Independentemente de como esse símbolo natalino surgiu, o fato é que na hermenêutica bíblica as árvores são símbolo de reinos ou de seus governantes. Este entendimento era muito comum entre os judeus, como se vê em diversos textos bíblicos (Dn 4.10-12, 20-22; Ez 31.3-9). Israel era a videira trazida do Egito (Sl 80.8-10; Is 5.2-7); e, Jesus se apresentou como a videira verdadeira (Jo 15.1-2). Quando Jesus veio ao mundo, ele trouxe à Terra o Reino de Deus. Ele é o Messias Davídico, o Rei escolhido. Por isso João Batista, o precursor do Messias, e o próprio Jesus, anunciaram que o Reino dos Céus havia chegado, trazendo graça e juízo (Mt 3.2-12; 4.17). Entretanto, o Reino de Deus se desenvolve de tal forma a alcançar seu cumprimento pleno na consumação dos séculos.

A Bíblia inicia e termina mencionando a “árvore da vida” que carrega um rico significado espiritual e simbólico. No início, no Gênesis, ela marcou a derrocada da humanidade, com a queda e a separação de Deus (Gn 2.9; 3.22-24). No final, no Apocalipse, ela ressurge como um símbolo de restauração completa e da vida eterna concedida aos redimidos (Ap 2.7; 22.2, 14, 19). Ela indica a reconexão do ser humano com Deus, oferecendo o sustento e a plenitude da vida que foram perdidos devido ao pecado. E, Jesus Cristo é o elo entre uma e outra! Isso não é maravilhoso? Então, ela é um símbolo de esperança e da consumação do plano de Deus para a humanidade: “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” (Ap 22.14)

Em muitos países o Natal acontece no inverno, e o pinheiro é a árvore mais usada nessa celebração. É uma árvore que consegue manter suas folhas mesmo no frio intenso do inverno. Assim, simboliza vida, resistência e esperança. Geralmente é decorada com bolas (simbolizando os frutos), luzes e outros enfeites. Que belo símbolo de Jesus e de seu Reino!

c) Estrela de Natal

Simboliza a estrela de Belém que guiou os Magos até o local do nascimento de Jesus. A estrela é um astro que tem luz própria, e serve para sinal (Gn 1.14). Jesus é a brilhante estrela da manhã (Ap 2.28; 22.16). Muitas vezes a estrela é colocada no topo da árvore de Natal.


d) Velas

Simbolizam a luz de Cristo no mundo e frequentemente são usadas em decorações de Natal e cerimônias religiosas. “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.” (Is 9.2). “De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (Jo 8.12)

e) Guirlanda

Uma decoração tradicionalmente usada durante as festividades natalinas. Sua forma circular simboliza a eternidade e o ciclo contínuo da vida. Colocada na porta principal da casa, também é símbolo de boas-vindas. Ali colocada, mais do que uma peça decorativa de Natal, deve servir de testemunho de que Jesus é bem-vindo naquela casa. Bem que também poderia ressoar o amoroso convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28)

f) Sinos

Associados ao anúncio do nascimento de Jesus e ao chamado para a celebração. São usados na decoração das árvores de Natal e nas portas. Em alguns cânticos de Natal, o som dos sinos é utilizado para enriquecer as melodias, evocando o espírito festivo e a mensagem de esperança da época.

g) Flores e Plantas Natalinas

A poinsétia (conhecida como flor-do-natal) é típica no Brasil, representando a beleza e simplicidade natalina.

h) Cartões de Natal

Utilizados para expressar votos de felicidades e reforçar laços afetivos durante a época natalina. Natal é tempo de comunicar fé, amor e esperança. Os anjos, que são os mensageiros de Deus, anunciaram: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” (Lc 2.14)

i) Ceia de Natal

É muito mais do que uma tradição gastronômica. A mesa natalina deve ser um momento e tempo muito especial de comunhão, união e gratidão a Deus. Antes da sua crucificação Jesus reuniu os doze para a última ceia. Para os salvos está reservada a Ceia das Bodas do Cordeiro (Ap 19.9).

Enfim, esses símbolos são amplamente utilizados para celebrar o Natal e reforçam os valores de esperança, união e fé cristã.

3.2 Símbolos que corrompem

São aqueles símbolos que não guardam qualquer relação com o Natal, ao contrário desfiguram e corrompem o verdadeiro sentido e significado do Natal. Vejamos um desses exemplos:

a) Papai Noel
Inspirado em São Nicolau, um bispo conhecido por sua generosidade. No Brasil, é um dos símbolos mais populares entre as crianças.

Origem:
“O gordo, bonachão e bárbaro Papai-Noel deriva-se de São Nicolau, do século IV d.C. Bispo na Ásia Menor, Nicolau era, na realidade, um homem de aparência bastante austera, embora com reputação de homem que fazia o bem e era generoso. E essa foi parte de seu caráter que inspirou o costume da distribuir presentes e brinquedos na época natalina. Detalhes como a gordura, a espontaneidade, a alegria etc., podem ser atribuídos à história criada pelo escritor norte-americano Washington Irving, ou à narrativa de Clement Moore, Visit From St. Nicholas (1822) que começa com a famosa linha: Era a véspera de Natal. A imagem do Papai-Noel em um traje com abas de couro, a guiar o seu trenó na neve, pousando-o sobre os topos dos telhados, capturou a imaginação do povo americano, nos desenhos do cartunista Thomas Nast, em 1863. Depois disso, o Natal tornou-se uma festividade jubilosa para as crianças, que chegavam a ouvir os guizos do trenó do Papai-Noel a bimbalhar, enquanto esperavam o momento certo para abrirem seus pacotes de presentes, quase sem dormir durante a noite inteira.” (R. N. Champlin, Ph. D. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia & Filosofia)

Certos símbolos como o Papai Noel, no Natal, e o Coelho da Páscoa e ovos de chocolate, na Páscoa (aliás, coelhos são mamíferos e não põem ovos), nada têm a ver com essas respectivas celebrações. Não devem ser considerados símbolos graciosos, carismáticos, inofensivos, uma tradição cultural sem maior relevância espiritual, uma vez que tiram o foco e desfiguram o verdadeiro significado daquelas datas. A figura do Papai Noel deve ser vista como uma distração que coloca o foco no consumismo, nos presentes e na fantasia, desviando a atenção da mensagem cristã. A figura moderna do Papai Noel é amplamente reconhecida como um ícone comercial e secular, especialmente popularizado pela publicidade. Sua figura está fortemente associada à cultura de consumo e incentiva um comportamento voltado para o materialismo, em contraste com o espírito de humildade e adoração que deveria marcar o Natal.

Introduzir o Papai Noel na narrativa do Natal pode ser visto como enganar as crianças, já que ele é uma figura fictícia e não simboliza aspectos relacionados ao nascimento de Jesus, nem a redenção ou o seu sacrifício. Enfim, ele é visto como uma figura que não contribui para a mensagem espiritual do Natal, ao contrário, desvia o foco.

🌲No Natal,  lembre-se  que  o aniversariante  não  passou por chaminé para te dar presentes…passou pela “CRUZ” para te dar “SALVAÇÃO”. ✝️

Conclusão

Nos meios de comunicação fala-se muito em “Magia do Natal” e “Espírito de Natal” (ou “Espírito Natalino”) que são conceitos que capturam os sentimentos e valores associados à celebração natalina, transcendendo aspectos religiosos e culturais. “– Eles representam a essência do Natal, marcada por esperança, amor, generosidade e união.” É incrível ter que mencionar aqui que alguns chamados cristãos e críticos de plantão têm a ousadia de afirmar que esse espírito de Natal é um espírito maligno que adentra os lares que fixam uma guirlanda natalina na porta de entrada da casa.

A “Magia do Natal” refere-se ao encantamento e à atmosfera especial que cercam essa época do ano, o que inclui elementos como: decorações e enfeites, árvore de Natal, luzes brilhantes, troca de presentes, expectativas das crianças pelo recebimento de presentes e, músicas natalinas que criam um “ambiente mágico”.

O “Espírito de Natal” tem um significado mais ético e emocional, ligado a atitudes e comportamentos que refletem secundariamente o sentido da celebração. Alguns aspectos que evidenciam isso são:

  • Generosidade e solidariedade que se expressam no compartilhamento e ajuda aos necessitados.
  • É um momento propício para reconciliação, perdão e fraternidade.

Aquele primeiro Natal, o do nascimento de Jesus, foi singular, uma verdadeira imersão do céu na terra, criando toda uma atmosfera de glorificação a Deus, esperança e paz na terra, porque o Verbo se fez carne. A pergunta que não quer calar é por que alguns cristãos combatem as celebrações do Natal? O que mais deveria interessar a um verdadeiro cristão é que aquela atmosfera do primeiro Natal se renove, em grande escala, pelo menos uma vez por ano.

Entretanto, há o “outro lado da moeda”. Iniciamos este artigo com uma estória intitulada “Não sufoque o aniversariante!”. É inegável a tendência de descaracterização do Natal, tirando o foco do Filho de Deus que veio habitar entre nós, atribuindo à data um viés consumista e materialista, bem como festeiro e gastronômico.

O cristão precisa estar permanentemente atento a todo tipo de celebração da qual participa. É preciso ter cuidado com honrarias e glorificação do homem. Só para lembrar a primeira pergunta do Catecismo Maior de Westminster é: “Qual é o fim supremo e principal do homem?”. A resposta é: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

“Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor, e sim para pior.” (1Co 11.17)

Finalmente, vale ressaltar que desde o início da igreja, por exemplo, naquela chamada “festa do amor” celebrada juntamente com a Ceia do Senhor, já havia desvirtuamentos que o apóstolo Paulo procurou alertar e corrigir (1Co 11. 17-34). Assim sendo, a nós cristãos evangélicos não nos é oferecida a opção de descuidar, em se tratando de assunto tão relevante!

Celebre corretamente, sem culpa, com um olho na manjedoura e o outro na cruz. Não se esqueça de que o mais importante é que…:
A manjedoura está vazia!
A cruz está vazia!
O sepulcro está vazio!
✅ O trono está ocupado, porque Jesus Cristo vive e reinará para sempre!🙌

🌲Feliz Natal! 🌲Merry Christmas! 🌲¡Feliz navidad!

Bibliografia

  1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
  2. A Bíblia Anotada (MC – Editora Mundo Cristão).
  3. Bíblia Online – SBB.
  4. Bíblia de Estudo da Fé Reformada (R. C. Sproul – Editor geral)(Ed. Fiel – 2020).
  5. A BÍBLIA em ordem cronológica – Reese, Edward / Klassen, Frank – Ed. Vida – 2003.
  6. R. N. Champlin, Ph. D. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia & Filosofia (Ed. Hagnos).
  7. Enciclopédia Mirador Internacional
  8. Internet / ChatGPT / IA.

Solstícios e Equinócios nos Hemisférios Norte e Sul.

A essência do culto a Deus (Salmo 50)

Introdução

O Salmo 50, escrito por Asafe como uma exortação profética, descreve a manifestação de Deus – o Poderoso – ao seu povo e aos ímpios. Aborda “A essência do culto a Deus” ou “A verdadeira adoração”. Inicia enfatizando a soberania e justiça de Deus. Em seguida, condena a ritualística repetitiva e vazia. Por fim, apresenta advertências contra a hipocrisia religiosa, com explícito descasamento entre o que se professa com os lábios e a perversidade dos atos praticados; também chama o povo de Deus a uma vida de gratidão e obediência sincera. Há neste salmo uma ênfase à ação de graças (vv.14-15; 22-23).

1. O CENÁRIO E O JULGAMENTO

1.1 Deus é o juiz supremo (vv.1-6)

O cenário descrito nestes primeiros versículos é apresentado como uma solene seção de julgamento celestial. A corte é convocada em nome do Rei dos reis, e o Juiz Supremo toma seu lugar de autoridade. A audiência está formada, os anjos estão atentos, e os réus são chamados à presença divina para prestar contas de suas ações. O tom é de majestade, justiça e soberania divina.

Deus é soberano, o supremo poder e governante sobre toda a terra. Ele fala e não guarda silêncio, ele chama a humanidade para prestar contas de suas ações, ele intima céus e terra, do oriente ao ocidente. Ele não é um Deus distante, ele é um Deus relacional, ele tem um povo, o povo que fez aliança com ele, o que envolve a expiação do seu pecado, pois Deus é Santo. Este seu povo tem privilégios, mas, também, responsabilidades e compromissos. Ele é o justo juiz que sonda e conhece os corações do seu povo, e apresenta acusação contra os que oferecem sacrifícios não sinceros.

Em face de tudo isso, o melhor a fazer é viver de forma que nossas ações reflitam o temor e o respeito a Deus, sabendo que ele vê além das aparências. Ele é misericordioso, mas, também é um justo juiz. Você tem consciência disso?

1.2 A verdadeira adoração (vv.7-15)

A primeira categoria de pessoas a ser julgada é composta pelos formalistas de Israel. Fala Deus: “Não te repreendo pelos teus sacrifícios…” (v.8), pois o problema não era a observância desses ritos sacrificiais. O fato é que Deus não se agrada de rituais vazios ou sacrifícios feitos apenas por obrigação ou por mera rotina e automatismo. O que ele busca é um coração grato e uma vida de obediência. Como isso aconteceria no âmbito da igreja atual?

A ênfase é: “Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo” (v.14). A adoração verdadeira vai além de práticas externas e envolve uma comunhão verdadeira com Deus, permeada de gratidão e confiança. Essa postura e prática recomendadas no versículo 14 habilitam o ofertante a recorrer ao Senhor e por ele ser socorrido no dia mau, no dia da angústia, conforme promessa expressa no versículo 15: “invoca-me…eu te livrarei…e tu me glorificarás”. Você já experimentou isso?

A Bíblia menciona várias vezes que Deus leva em conta, tanto o ofertante, quanto a oferta:

“Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou.” (Gn 4.4b-5a)

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros.” (1Sm 15.22)

“O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento.” (Pv 15.8)

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? – diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal.” (Is 1.11, 16)

“Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.” (Os 6.6)

1.3 Advertência contra a hipocrisia (vv.16-21)

A segunda categoria a ser julgada é a dos ímpios de Israel. Deus classifica como ímpios, e rejeita, aqueles que propalam com os lábios a sua aliança, mas vivem de forma contrária aos seus mandamentos. A hipocrisia religiosa é condenada. “Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras?” (v.16-17). Não basta professar fé; é preciso viver de acordo com os princípios dessa fé, com sinceridade e integridade. Os versículos 16 a 20 expressam o perfil desse ímpio como:

  • Hipocrisia religiosa;
  • Rebeldia contra os princípios divinos;
  • Cumplicidade com ladrões;
  • Associação com adúlteros demonstrando conivência e participação indireta ou direta em atos imorais;
  • Falatório contra o irmão e difamação de membro da própria família, indicando quebra de relacionamentos fundamentais, com desrespeito aos laços familiares.

1.4 O chamado ao arrependimento e à retidão (vv.22-23)

Deus chama ao arrependimento, advertindo sobre as consequências do esquecimento dele, mas também prometendo salvação àqueles que o adoram verdadeiramente. “O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus.” (v.23). A gratidão e a obediência a Deus são os verdadeiros caminhos para agradá-lo e experimentar suas bênçãos.

2. LIÇÕES PRÁTICAS

  • Reconheça a soberania de Deus. Lembre-se de que ele é justo e deseja que seus filhos vivam com responsabilidade diante dele.
  • Viva uma fé autêntica. Examine se sua relação com Deus é marcada por sinceridade ou apenas rituais repetitivos e vazios. Busque viver em alinhamento com os princípios divinos, evitando a hipocrisia.
  • Exercite a gratidão como adoração. Cultive um coração grato, reconhecendo Deus como a fonte de todas as coisas boas.

O Salmo 50 nos lembra que Deus busca corações sinceros e submissos, não apenas rituais ou palavras. Ele é um juiz justo, mas também misericordioso, pronto para guiar aqueles que se voltam para ele em arrependimento e gratidão. Antes de abordar o que seriam esses “sacrifícios de ações de graças” mencionados neste salmo, vale lembrar:

3. TIPOS DE OFERTA PRESCRITAS NA LEI MOSAICA

Na Lei Mosaica, várias ofertas foram prescritas como parte do sistema sacrificial instituído por Deus para o povo de Israel. Cada tipo de oferta tinha um propósito específico relacionado à adoração, expiação de pecados, ações de graças e comunhão com Deus. Os cinco principais tipos de oferta são descritos no livro de Levítico (capítulos 1-7), a saber:

SACRIFÍCIO – O CAMINHO PARA DEUS

TIPO OFERTASIGNIFICADO
Holocausto
Lv 1; 6.8-13
– Oferta queimada sobre o altar, de aroma agradável ao Senhor.
– Gado de rebanho ou miúdo (macho, sem defeito) / Aves.
Representava entrega e dedicação completa a Deus.
Manjares
Lv 2; 6.14-23
– Oferta queimada, não sangrenta, de aroma agradável ao Senhor.
– Bolos sem fermento feitos com a melhor farinha, amassados com azeite e pãezinhos bem finos, sem fermento e untados com azeite. Sobre a oferta, incenso. O fermento e o mel eram excluídos, porque fermentam, simbolizando corrupção.
Representava lembrança e gratidão pela provisão de Deus do alimento básico, e a dedicação de si mesmo a Deus.
Sacrifício Pacífico
Lv 3; 7.11-34
– Oferta queimada sobre o altar, de aroma agradável ao Senhor.
– Gado de rebanho ou miúdo (macho ou fêmea, sem defeito).
Também chamada de oferta de comunhão, celebrava a paz entre Deus e o ofertante.
Pelo Pecado
Lv 4; 6.24-30
– Oferta queimada sobre o altar, de aroma agradável ao Senhor.
– Pelo sacerdote: Novilho // Pelo príncipe: Bode // Pessoa comum, conforme as posses: Cabra; Cordeira; duas rolas ou dois pombinhos [todos sem defeito]; pequena porção de flor de farinha.
Feita para expiar pecados específicos, tanto intencionais quanto não intencionais.
Pela Culpa
Lv 5.14–6:7; 7.1-7
– Oferta queimada sobre o altar.
– Carneiro, sem defeito.
Também chamada de oferta de reparação, era feita para expiar pecados cometidos contra Deus ou contra outra pessoa, especialmente aqueles que envolviam danos materiais ou financeiros.

Holocausto
No grego essa palavra é composta de holos, “inteiro”, e kaustos, “queimar”. A Septuaginta usa essa palavra para traduzir o termo hebraico עֹלָה (olah), que significa “trazido a Deus”. Um sinônimo, kalil, significa “queima completa”, referindo-se ao consumo dos sacrifícios em sua totalidade, incluindo os órgãos internos, a gordura e tudo o mais, até tudo tornar-se em cinzas. Também traz a ideia de “aquilo que sobe” ou “ascensão”. Esse termo está associado ao conceito de queimar algo completamente no altar, de modo que a fumaça subisse até Deus, simbolizando dedicação total e aceitação divina. Diferentemente do que se possa pensar, este primeiro tipo de oferta não é a principal no que se refere à expiação de pecado.

No contexto da adoração israelita, o holocausto tem a intenção de consagração, dedicação total e entrega espiritual do ofertante. A palavra holocausto também foi usada para descrever eventos como o genocídio de 6 milhões de judeus, por ordem de Adolf Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, o termo é empregado de forma metafórica, referindo-se ao sofrimento extremo e à destruição total, como do animal do sacrifício, mas sem a conotação religiosa de dedicação a Deus que o termo hebraico originalmente carregava.

Quanto a essas cinco ofertas acima mencionadas e como se pode relacioná-las a Cristo, na Nova Aliança, seria o caso de um estudo específico e aprofundado, o que não é objeto desta abordagem.

4. SACRIFÍCIOS DE AÇÕES DE GRAÇAS

“Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo;” (Sl 50.14)
“O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus.” (Sl 50.23)

A expressão “ações de graças” a Deus é recorrente na bíblia; por sua misericórdia, por seus livramentos, por suas bênçãos. Entretanto, algumas vezes esse termo é precedido por “ofertas e sacrifícios de….”.

No hebraico, a palavra mais comum para oferta é מִנְחָה (minchah), que significa literalmente “presente”, “tributo” ou “oferta”. Ela era usada no contexto de algo oferecido a Deus ou a outra pessoa como sinal de reverência, gratidão ou reconhecimento. Traz, de forma especial, a ideia de aproximação de Deus.

No hebraico, a palavra para sacrifício é זֶבַח (zevach), que significa literalmente “oferta” ou “sacrifício” e geralmente se refere a um ato de imolação de um animal como parte do culto a Deus.

No Antigo Testamento (AT):
Nos tempos do Antigo Testamento, os sacrifícios eram uma parte central da adoração a Deus. Entre os vários tipos de ofertas prescritos na Lei de Moisés, o sacrifício de ações de graças pode ser enquadrado nos três primeiros dos cinco tipos de ofertas acima mencionados: “holocausto”, “manjares” e “sacrifício pacífico”. Esses sacrifícios eram feitos de forma voluntária, pelo ofertante, para expressar: consagração e entrega completa a Deus; gratidão por bênçãos específicas, como livramentos, colheitas abundantes ou vitórias; e, a celebração da reconciliação, comunhão e paz com Deus.

No Novo Testamento (NT):
Com a vinda de Cristo, o sistema de sacrifícios de animais foi substituído por um relacionamento direto com Deus, fundamentado no sacrifício único e perfeito de Jesus. Ele é o nosso sacrifício, sendo o antítipo de todos os outros sacrifícios, que eram meramente simbólicos (Hb 10; Jo 1.29). Contudo, a ideia de sacrifícios de ações de graças continua como uma prática espiritual.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.1-2)

No Novo Testamento, aquelas mesmas ideias do Antigo Testamento devem ter continuidade, pois a consagração, dedicação e gratidão são vistas como formas de adoração e sacrifício que agrada a Deus: consagração e entrega completa a Deus; gratidão por bênçãos específicas, como livramentos, colheitas abundantes ou vitórias; e, a celebração da reconciliação, comunhão e paz com Deus. “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.” (Hb 13.15).

Portanto, no NT, o sacrifício de ações de graças não envolve rituais externos, mas sim a expressão de gratidão, santificação e dedicação a Deus através de palavras, obediência e atos de serviço a Deus e ao próximo.

Conclusão

A partir do que foi expresso neste Salmo 50 e dos outros textos bíblicos acima mencionados, a igreja atual pode se apropriar dos seguintes ensinamentos, dentre outros:

  • Redimidos por Cristo e seu sacrifício vicário, devemos entregar totalmente nossa vida a ele, para o louvor da sua glória e para o servir.
  • Reconhecer a salvação eterna, o cuidado e as bênçãos de Deus nos leva a adorá-lo com gratidão, seja em oração, louvor ou ações concretas.
  • Mais do que ofertas materiais e rituais, Deus se agrada de um coração obediente, humilde, sincero e grato.
  • Viver com gratidão fortalece a fé, renova a esperança e nos ajuda a enfrentar as dificuldades com confiança em Deus.

Assim, o verdadeiro culto a Deus inclui oferecer sacrifícios de ações de graças que é um chamado a lembrar continuamente das suas bênçãos, adorá-lo com sinceridade e demonstrar nossa gratidão em palavras, atitudes e serviço ao próximo.

Bibliografia

  1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
  2. A Bíblia Anotada (MC – Editora Mundo Cristão).
  3. Bíblia Online – SBB.
  4. Bíblia de Estudo da Fé Reformada (R. C. Sproul – Editor geral)(Ed. Fiel – 2020).
  5. Malgo, Wim – Jesus nos cinco sacrifícios do Antigo Testamento.
  6. R. N. Champlin, Ph. D. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia & Filosofia (Ed. Hagnos).
  7. Internet / ChatGPT / IA.