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Archive for outubro \26\UTC 2018

Quanto vale uma pessoa?

Se há um assunto que nunca sai da pauta é o do valor ou importância de uma pessoa. Muito se tem discutido, também, sobre o relacionamento entre os seres humanos ao longo do tempo: governantes e governados, senhores e escravos, ricos e pobres, patrões e empregados, marido e esposa, pais e filhos, nativos e estrangeiros, brancos e negros, homens e mulheres etc.

Em relação a este assunto, nas últimas décadas, parece que o foco das atenções tem sido:

– a questão da liberdade (estado democrático de direito),
– a questão racial (combate ao racismo),
– a questão trabalhista (a defesa do trabalhador),
– a questão da mulher (feminismo: igualdade, empoderamento e violência) e,
– a questão sexual (liberalismo, homossexualidade e transexualidade).

Ainda que muitas dessas causas possam ser vistas como legítimas, pela sociedade, e alguns resultados positivos tenham sido alcançados, constata-se que a sociedade pós-moderna vive debaixo do jugo do politicamente correto. Há, em certas causas, a tentativa explícita de combater e desconstruir conceitos e padrões absolutos e irrevogáveis estabelecidos por Deus, nosso Criador, principalmente no que tange à questão sexual. Alguns grupos militantes têm se levantado e feito muito barulho e pressão, com o apoio da mídia e de determinados segmentos que estão mais interessados em promover um estado ou ambiente de anarquia para tomarem o poder e ditarem as regras do jogo, do que em promover o bem comum e o desenvolvimento da sociedade.

Desta forma:

– a liberdade tem sido confundida com libertinagem (“para uma geração sem limites, obedecer regras torna-se uma ditadura”);
– o patrão e empresário que gera empregos e movimenta a economia virou vilão e opressor;
– o empregado se coloca como vítima e os sindicatos como os defensores do trabalhador;
– fala-se muito em direitos e não querem saber de deveres;
– tem que se ter muito cuidado com o que se diz para não ser processado por racismo, homofobia, transfobia, misoginia, xenofobia;
– querem empurrar goela abaixo da sociedade um equivocado sistema de cotas com o falso discurso da promoção da igualdade e justiça social.

Tudo isso, tendo como pano de fundo uma diabólica estratégia de promoção da divisão entre as pessoas, na intenção velada de “dividir para conquistar”.

Num tempo em que se defende tanto a valorização das pessoas, principalmente das minorias, infelizmente constata-se, cada vez mais, a degradação do ser humano. Gente que se expõe ao ridículo por causas absurdas. Gente que arrisca a vida por robbies extravagantes. Gente que se entrega às drogas, à bebedeira, à promiscuidade. Gente que estraga sua saúde física, mental e emocional porque não consegue estabelecer limites para os seus atos.

Entretanto, você, eu, nós temos valor. E, qual é esse valor?

1. Valor absoluto (ou básico)

Por que há obras de arte tão bem avaliadas? Normalmente, por causa da obra e do seu criador. Há quem defenda que o toque do criador, a complexidade do quadro e o requinte dos materiais, não são os fatores que elevam o preço de uma obra. O principal critério é o renome do artista, a marca que sua assinatura atribui ao quadro. Quando falamos em valor absoluto, estamos nos referindo ao valor que a pessoa tem em si mesma, na condição de um ser humano. Deus é simplesmente o maior “artista” que existe e o gênero humano, a sua obra prima, o clímax da sua extraordinária criação, sendo criado à sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn 1.26-27; 5.1-2; 9.6). Esse valor absoluto pode ser expresso assim:

a) Cada ser humano é único e incrivelmente dotado pelo Criador.

b) Valemos muito mais do que as aves (Mt 6.26b; Lc 12.7b) e do que todos os seres criados na terra, tendo recebido de Deus o mandato de domínio sobre a sua criação.

c) Somos todos criaturas e iguais diante de Deus. Um exemplo disso se encontra na lei mosaica do recenseamento, em que pobres e ricos deveriam dar o mesmo valor: “metade de um siclo de prata” – cerca de 14g (Êx 30.11-16). Isso independe do que nós pensamos ou fazemos, pois Deus ama o pecador, embora odeie o pecado. Deus não faz acepção de Pessoas (tratamento desigual de pessoas, com favoritismo, parcialidade e injustiça) e nos ensina a agir assim (Dt 16.19; At 10.34)

d) Pela redenção em Cristo e pelo novo nascimento a “criatura” se torna “filho de Deus” (1Jo 3.1-2). E, estes, filhos de Deus são iguais diante do Pai Celestial, pois foram remidos pelo mesmo sangue de Cristo: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3.28). O valor absoluto dos crentes é igual diante de Deus, independentemente de nacionalidade, de condição socioeconômica, sexo etc. Isso nada tem a ver com igualdade de papéis, principalmente no que tange a sexo, pois conflitaria com outros ensinos bíblicos.

2. Valor relativo (ou agregado)

Quando falamos em valor relativo, estamos nos referindo ao valor que a pessoa tem em face do seu potencial e poder de realização. A ideia de valor agregado é no sentido de que essa capacidade de realização pode ser adquirida e incorporada no seu ser. Assim sendo, essa incorporação pode se dar de forma NATURAL, ESTIMULADA ou SOBRENATURAL.

i) NATURAL: Quando adquirida por herança genética; portanto de forma independente da pessoa.

ii) ESTIMULADA: Quando adquirida através de aprendizagem teórica e prática; portanto dependente do empenho e oportunidade da pessoa.

iii) SOBRENATURAL: Quando adquirida da parte de Deus.

 “Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o SENHOR chamou pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento em todo artifício, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, e para lapidação de pedras de engaste, e para entalho de madeira, e para toda sorte de lavores. Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Encheu-os de habilidade para fazer toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão, sim, toda sorte de obra e a elaborar desenhos.” (Bezalel: Êx 35.30-35)

Este valor relativo também pode ser considerado levando-se em conta o tipo de valor, como, por exemplo:

a) Valor Intelectual

Este valor reflete a competência da pessoa em termos de cultura geral e cultura específica. Um exemplo clássico desse valor é o próprio rei Salomão. A rainha de Sabá ficou como fora de si ao visitar, provar com perguntas e constatar a grandeza do seu conhecimento e sabedoria (2Cr 9.1-12).

b) Valor laboral

Este valor reflete a competência da pessoa em termos de realizar um trabalho específico. Em termos de mercado de trabalho, os profissionais costumam ter o seu valor laboral traduzido em termos de remuneração salarial e benefícios. Assim, cada profissão tem seu nível de exigência e complexidade na realização laboral, o que, em princípio, determina o valor da remuneração.

c) Valor estético

Este valor reflete a competência da pessoa em termos de cuidar de si, da sua aparência, modo de vestir, modo de falar e agir etc. É fato que todos nós devemos cuidar da forma como nos apresentamos para os outros. Entretanto, precisamos ter cuidado, para não julgar e avaliar as pessoas em função do seu exterior (Tg 2.2-7).

Conclusão:

Por quais causas devemos lutar? Nada mais justo e nobre do que lutar as verdadeiras causas que busquem promover o respeito e a dignidade de todos os seres humanos. Cautela, moderação, sensatez e coerência são alguns dos aspectos que devem balizar essa luta. Também é preciso ficar muito atento a grupos dissimulados que, hasteando a bandeira da luta pela valorização de determinado grupo, o fazem, apenas com o propósito de implantar suas diabólicas ideologias socialistas e comunistas. Não nos iludamos, pois o progresso é resultado de muito trabalho, justiça e ordem!

O cristão é convocado a seguir o exemplo de Jesus, seu Mestre: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10.10). Assim, além de lutar pela valorização das pessoas na vida terrena, o mais importante mesmo é lutar para ajuda-las a encontrarem a vida eterna, por meio de Cristo Jesus, nosso Salvador.

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Dinâmica sugerida: (Estudo em Grupo)

Segue arquivo intitulado “ABRIGO SUBTERRÂNEO” que pode ser usado para uma dinâmica de grupo antes de iniciar o estudo deste tema.

Clique no link ao lado para abrir o arquivo: Abrigo Subterrâneo.pdf

 

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Cristãos num mundo tecnológico

Adoração virtual?

Introdução:

O tema proposto é atual e oportuno. Ao longo deste estudo, algumas palavras e expressões merecerão nossa atenção. Ciência e Tecnologia são conceitos ou áreas próximas, porém distintas. A ciência busca as explicações sobre os fenômenos que ocorrem na natureza, mas a tecnologia tem seu foco na aplicação prática do conhecimento, de modo a atender às necessidades do ser humano, nas coisas que se tornam essenciais à vida cotidiana. Como se diz, por aí: “Ciência é aquilo que você sabe, Tecnologia é aquilo que você usa.”. No entender de Jack Challoner: “Ciência e tecnologia são interdependentes. A ciência é nossa maneira de revelar as leis da natureza por meio de teoria e experimentação. A tecnologia é a aplicação prática da nossa compreensão do mundo para alcançar aquilo que precisamos ou queremos fazer. Ela vai além de “coisas” como computadores ou bicicletas: inclui técnicas e processos como, por exemplo, o alfabeto, os sistemas numéricos e a extração de metais.”. A ciência diz ao homem que a carne de peixe é excelente alimento, mas é a tecnologia que fez surgir, há milhares de anos atrás, o anzol para fisgar o peixe. Após a queda, nossos primeiros pais perceberam que estavam nus. Então, o instinto inventivo tecnológico entrou em cena e eles fabricaram suas primeiras vestes: “coseram folhas de figueira” (Gn 3.7). Desde então, quantas invenções tecnológicas aconteceram, tais como: ferramentas de pedra, domínio do fogo, construção de abrigos, armas e talhas e lâminas de pedra, arco e flecha, corda trançada, lampião a óleo, utilização do metal, calçado, tecido, mapa, carpintaria, canoa, barco a vela, roda com eixo, carro etc etc. E, agora, depois de tantas invenções tecnológicas, vivemos num mundo dominado pela tecnologia. O mesmo Jack Challoner acrescenta, num tom de êxito, mas, também, de preocupação: “As invenções tiveram um papel crucial na história da humanidade, nos transformando de caçadores-coletores primitivos em uma espécie sofisticada, estável e autossuficiente. O mundo atual conta com inúmeras tecnologias de vários calibres que enriquecem nossa vida. Entretanto, nem todas as invenções foram para o bem; algumas causam males, de forma intencional ou não. E há o persuasivo argumento de que o processo tecnológico em si poderia ameaçar nossa sobrevivência por causa do irrestrito crescimento da população e do desequilíbrio natural do planeta.”

Neste estudo consideraremos alguns aspectos envolvendo a tecnologia e suas implicações na vida do cristão e da igreja.

Desenvolvimento:

1. A QUESTÃO DO VIRTUAL E DO REAL

O termo “virtual” vem do latim medieval virtuale ou virtualis, cujo radical virtus foi mantido e significa: virtude, força ou potência. De um modo geral, virtual é algo existente como possibilidade, porém, sem efeito real; tem a virtude de produzir um efeito, apesar de não o produzir verdadeiramente. O virtual, mesmo não sendo o real, tem a força e o poder de afetar a mente. E, em termos psicossomáticos, o imaginário subjetivo pode afetar diretamente o corpo.

Com o avanço tecnológico nas áreas de telecomunicações e computação, e o advento das redes de computadores e internet, na década de 1980, a utilização da palavra virtual ficou fortemente associada à simulação, com o sentido de “fisicamente não existente, mas simulado por software”. Cada vez mais, a realidade que está sendo vivenciada em qualquer ambiente, está sendo gravada e disponibilizada na internet ou em outros meios, ou está sendo transmitida ao vivo, para quem estiver online. Como se isso fora pouco, cada vez se tornam mais populares dois outros inventos:

a) Realidade Virtual (RV): É uma tecnologia de interface avançada entre um usuário e um sistema operacional. O objetivo dessa tecnologia é recriar ao máximo a sensação de realidade para um indivíduo, levando-o a adotar essa interação como uma de suas realidades temporais. Assim, com os óculos de Realidade Virtual (VR – virtual reality), você vai se sentir dentro da cena do vídeo, o que provoca reações incríveis no cérebro, e, ainda, o não desejado efeito colateral de sensação de náusea (enjoo e tontura).

b) Realidade Aumentada (RA): É uma tecnologia que permite que o mundo virtual seja misturado ao real, possibilitando maior interação e abrindo uma nova dimensão na maneira como nós executamos tarefas, ou mesmo as que nós incumbimos às máquinas. Na Realidade Aumentada você pulará para dentro do mundo virtual para interagir com objetos que só estão limitados à sua imaginação.

2. IGREJA E TECNOLOGIA

A tecnologia e o avanço tecnológico afetam e impactam direta e cotidianamente a vida das pessoas e das igrejas. De um modo geral, os inventos tecnológicos sempre serão vistos como oportunidade de melhoria de alguma coisa, bem como, ameaça de produzir algum efeito negativo. Uma panela de pressão é ótima para cozinhar o feijão, mas, eventualmente, pode explodir, se não for bem fabricada ou bem manuseada. Inventos tecnológicos com potencial de influenciar usos e costumes são vistos com muita desconfiança e preocupação por certa parcela da população evangélica.

2.1 O impacto das grandes invenções tecnológicas

a) A Imprensa

Quando em 1450 dC Johannes Gutenberg inventou a Máquina de Impressão com tipos móveis de liga metálica, e a Bíblia passou a ser impressa e disponibilizada para mais pessoas, certamente que os reformadores ficaram em estado de graça. Entretanto, quando começaram a ser publicados outros livros, religiosos ou não, com conteúdo contrário ao ensino bíblico, dá para imaginar a preocupação e desconforto de muitos cristãos, com o receio da corrupção dos valores cristãos.

b) A Televisão

Em 1949 já havia 10 milhões de aparelhos de TV preto e branco nos Estados Unidos. Alguns anos depois, com a chegada da TV no Brasil, a reação de alguns evangélicos ou, até mesmo, de determinadas denominações evangélicas, foi de repulsa. A TV foi taxada, por estes, como um instrumento de Satanás dentro da casa. A explicação é a de que os telespectadores cristãos seriam corrompidos por conteúdo impróprio ou contrário ao ensinamento bíblico. Até hoje, há uma grande discussão quanto à questão das novelas e determinados programas: a TV imita a vida ou a vida imita a TV? Não sejamos ingênuos; Satanás não deixaria de usar pessoas e programações, para influenciar sutilmente pessoas e famílias, afastando-os dos valores e princípios cristãos.

c) A internet, o Computador Pessoal, o Smartphone e as Redes Sociais

A partir da década de 1980, o foco de atenção e preocupação de muitos cristãos se volta para esses novos inventos. A facilidade de acesso a conteúdos com potencial de corromper princípios e valores cristãos, de afetar usos e costumes é o grande motivo de desconfiança e desconforto.

Analisando os efeitos e impacto das grandes invenções tecnológicas, pode-se afirmar:

i) Como já foi expresso logo no início, sempre haverá resultados positivos e negativos como consequência do avanço tecnológico.

ii) É preciso ter em mente que, a tecnologia, em si mesma, não é boa nem ruim para o caráter dos crentes ou das pessoas. A forma como ela é usada sim, pode produzir consequências benéficas ou danosas.

iii) Considerando o seu uso, é preciso ter sempre respeito e paciência com aqueles irmãos que são mais conservadores, não aceitam ou demoram a aceitar as inovações tecnológicas, com medo de possíveis danos no caráter dos crentes mais fracos na fé.

iv) É preciso ter em mente que não é possível deter o avanço tecnológico.

v) Considerando que é necessário conviver com as tecnologias, devemos concentrar nossos esforços no sentido de tirar o melhor proveito delas. Isso tem tudo a ver com a produção e disponibilização, em escala crescente, de conteúdo saudável, capaz de facilitar a vida, edificar os crentes e evangelizar os perdidos.

vi) Considerando que os maus conteúdos sempre existirão, seja qual for a tecnologia considerada, revistas, livros, CDs, DVDs, Rádio, TV, Computador, Internet, Smartphone etc, cabe à liderança (eclesiástica ou familiar) manter orientação segura e permanente, e a todos nós, crentes em Cristo, vigiar e orar para não nos deixarmos contaminar com certas coisas deste mundo ímpio.

3. CULTO E TECNOLOGIA

3.1 O uso da tecnologia no local do culto

Se a humanidade como um todo se beneficia da tecnologia, a igreja não é uma exceção. Um templo bem construído e com boas instalações hidráulicas, elétricas e de refrigeração, é apenas o começo. Banco de igreja confortável também é fruto da tecnologia. Um bom sistema de sonorização é essencial para que todos ouçam a pregação da Palavra. E os instrumentos musicais são tecnologias que vêm sendo criados e aperfeiçoados desde a antiguidade. O instrumento musical em si mesmo, também não é, nem sacro, nem profano. Entretanto, como os hinos cantados são em adoração e louvor a Deus, sempre haverá instrumentos que combinam melhor com o repertório sacro. Hinos e Cânticos espirituais são constituídos de Letra e Música. A Letra deve exaltar a Deus e ser coerente com o ensino bíblico. A Música é composta de Melodia, Harmonia e Ritmo. Dizem que “a Melodia é para o espírito, a Harmonia é para a alma e o Ritmo é para o corpo. A música sacra litúrgica que agrada a Deus é eminentemente melódica, secundariamente harmônica e o ritmo nela só existe, exclusivamente o necessário, para ordená-la e dar-lhe sequência e pausa”. É claro que a cultura de cada povo tem tudo a ver com essa questão.

Considerando a diversidade que é a comunidade dos santos – a igreja de Jesus Cristo – é preciso ter em mente, quando construímos e equipamos um templo, ou quando nos reunimos nele para adorar ao Senhor, que não há espaço para a ditadura do gosto pessoal.

3.2 Culto virtual

O avanço tecnológico tem ocasionado determinados debates na igreja que não existiam até o Século 19. É o caso do debate sobre o Culto à distância, ou o Culto virtual. Com o advento da Radiodifusão e a transmissão de Cultos pelo Rádio, começou a discussão se tal iniciativa não afastaria os crentes das igrejas. Com o surgimento da TV a discussão continuou. Atualmente, com a facilidade e custo reduzido da transmissão dos cultos pela Internet, a discussão ficou ainda mais acirrada. Será que essa iniciativa, de muitas igrejas, está mesmo afastando os crentes dos cultos? Alguns acham que sim, outros acham que não, e o debate não tem prazo para acabar. Entretanto, o que temos de concreto mesmo é que algumas pessoas idosas ou enfermas, impossibilitadas de se locomoverem até ao templo, estão tendo a bênção de acompanhar a liturgia do culto, de casa ou até mesmo de um quarto de hospital. O mesmo pode ser dito de membros da igreja que estão viajando; ali onde estão, podem acompanhar os cultos da sua igreja. E aquelas pessoas que, porventura, estejam morando em uma cidade que não tenha sequer uma igreja evangélica, também podem fazê-lo agora, gratuitamente.

3.3 A importância do Culto presencial

A ideia e iniciativa de um local de Culto e Adoração partiu do próprio Deus: “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles.” (Êx 25.8). E, Davi, expressando o sentimento do povo de Israel, diz assim: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR.” (Sl 122.1, ver também Sl 22.22; 26.12). Jesus nos convida a congregar e confirma sua presença, dizendo: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” (Mt 18.20). O autor de Hebreus ressalta a importância de nos estimularmos, uns aos outros, a nos congregarmos: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10.25)

Não há nada que possa substituir o Culto real e presencial. Nem mesmo o avanço e popularização da Realidade Virtual ou Realidade Aumentada, dando a sensação de que você está dentro do ambiente de culto. Nada substitui o calor humano do contato pessoal. É como diz o cântico:

Como é precioso irmão
Estar bem junto a ti
E Juntos lado a lado
Andarmos com Jesus
E expressarmos o amor
Que um dia Ele nos deu
Pelo sangue no calvário
Sua vida trouxe a nós.

Conclusão:

Desde o início da sua existência, o ser humano passou a ser alvo de apelos e chamamentos: bons, não tão bons e maus. Jesus, antes de iniciar o seu ministério, recebeu várias propostas de Satanás, mas fez sempre a escolha certa. A vida é repleta de opções e as escolhas que fazemos determinam nosso presente e futuro. Educar filhos, ou orientar os membros de uma igreja, não se faz blindando-os das más propostas, dos maus apelos, dos maus conteúdos. Antes, porém, é necessário investir para forjar neles princípios e valores que os permitam resistir às más propostas, fazendo, por si próprios as decisões certas (1Ts 5.21-22).

Não há como impedir os avanços tecnológicos. A Bíblia, o Hinário, e tantos outros aplicativos estão ou estarão no aparelho celular (smartphone). Em vez de combater, vamos sim, fazer o melhor uso da tecnologia; administrar bem o seu uso. Precisamos adotar uma postura de protagonista das boas práticas, a favor do bem e do Reino, para não nos tornarmos meros figurantes ou plateia, consumindo os maus conteúdos propostos pelos ímpios de qualquer tempo. Por exemplo, um simples estudo, guardado numa pasta, não produz qualquer efeito, porém, quando publicado hoje, num site ou blog, pode ser acessado e lido por milhares de pessoas, no mundo inteiro, edificando vidas.

Os avanços tecnológicos vieram para ficar e mudar o status quo. Não há como deter a circulação da informação, seja ela fato ou fake. As redes sociais, os grupos de relacionamento estão por aí desempenhando este papel. Decisões de Concílios Superiores circulam imediatamente. Infelizmente, alguns chamados crentes, se utilizam de espaços virtuais públicos para externarem suas críticas à igreja ou à sua liderança. O desafio é grande, de saber lidar com tudo isso, de forma adequada. Que o Senhor nos dê sabedoria.

Finalmente, há outras questões sérias, que surgiram como consequência desse avanço tecnológico, que, de tão relevantes e complexas, mereceriam um estudo à parte: Dependência Virtual e Isolamento Virtual. Países com muita tecnologia, como o Japão, estão enfrentando problemas graves nesse sentido. Já há lá empreendimentos sendo desenvolvidos para proporcionar algum tipo de convivência entre pessoas que se isolaram no seu mundinho virtual e tratamentos para curar a dependência tecnológica. Vamos nos mobilizar para estar em comunhão real com Deus e com os irmãos, para não nos sentirmos sozinhos na multidão.

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