
Mateus 5.1-12; Lucas 6.17-23
Veja a introdução e a 1ª Bem-aventurança, clicando aqui.
😊Segunda Bem-aventurança⚪
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (Mt 5.4)
“Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir.” (Lc 6.21)
São inúmeros os motivos que nos levam às lágrimas:
- A dor e o sofrimento, sejam físicos ou emocionais, que nos lembram da fragilidade humana;
- A perda da saúde, que rouba liberdade e esperança;
- A morte ou o afastamento de alguém querido, deixando um vazio profundo;
- O desemprego ou o rebaixamento de padrão de vida, que abala nosso sustento e autoestima;
- A injustiça sofrida, capaz de ferir o espírito e minar a confiança no próximo;
- Decisões impulsivas ou inconsequentes, cujas consequências tardias pesam no coração;
- O fracasso de sonhos e projetos, quando planos cuidadosamente traçados desmoronam;
- O sentimento de abandono ou incompreensão, quando nos vemos isolados em nossa dor.
Em cada uma dessas situações, o choro surge como resposta humana – um alívio imediato para a alma, um sinal de que ainda nos importamos e cremos na possibilidade de restauração. Será que Jesus estaria se referindo a esses (ou, apenas a esses) motivos pessoais e particulares para chorar?
Jesus chorou por compaixão, diante do sofrimento humano e de tristeza, diante da incredulidade e do juízo que viria:
Mesmo sabendo que ressuscitaria Lázaro, Jesus se comoveu e chorou com a dor de Marta, Maria e dos amigos, mostrando empatia profunda pela aflição alheia (Jo 11.35). Ao avistar a cidade de Jerusalém, Jesus “chorou por ela”, lamentando que não reconhecesse o tempo da visitação de Deus e prevendo o cerco e a destruição que viriam por sua rejeição (Lc 19.41-44).
Que motivos devem levar um cristão a chorar?
– Por compaixão diante do sofrimento alheio, mostrando solidariedade e amor verdadeiro. (Rm 12.15)
– Pelas almas perdidas, por aqueles que ainda não conhecem o Evangelho. É o choro missionário, que clama por salvação para os que estão longe de Deus.
– Pelas injustiças do mundo, à semelhança dos profetas, diante da opressão, violência e maldade, intercedendo para que Deus traga justiça e restauração (Lm 3.48; Ez 9.4).
– Pela dor dos irmãos. No corpo de Cristo, choramos juntos nas aflições e lutos, fortalecendo uns aos outros e reafirmando a esperança da glória futura (1Pe 5.10).
– O apóstolo Paulo se refere a um choro pela ação danosa de falsos mestres que perturbavam as igrejas do seu tempo (Fp 3.18).
Relacionando essa bem-aventurança com a anterior, podemos dizer que uma coisa é ser pobre ou humilde de espírito e reconhecer isso – confissão; outra é entristecer-se e chorar por causa disso – contrição. É chorar pelo pecado cometido, em arrependimento sincero. O choro do quebrantamento espiritual (2Co 7.10) é fruto de uma tristeza segundo Deus, que leva à vida. É quando se reconhece o peso do pecado e se busca a restauração pela graça. “Em minhas devoções matinais minha alma desfez-se em lágrimas, e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza.” (missionário David Brainerd, 18/10/1740)
A bênção prometida é o consolo, no tempo presente e futuro!
Aqueles que choram e lamentam a própria maldade receberão o único consolo capaz de aliviar seu desespero: o perdão da graça de Deus. Nada há mais consolador do que a declaração de absolvição que repousa sobre o pecador contrito ainda em sua aflição. E há também uma consolação futura, para os que “vêm da grande tribulação, lavaram as suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7.14): Deus mesmo “lhe enxugará dos olhos toda lágrima.” (Ap 7.17b). Dessa forma, o consolo divino se estende do perdão presente até a plena restauração porvir, quando a própria presença de Deus secará todas as nossas dores.
É importante destacar que a “consolação”, segundo os profetas do Antigo Testamento, era missão central do Messias: ele viria como Consolador para curar os corações quebrantados e anunciar boas novas aos aflitos (Is 40.1; 61.1). Por isso, homens piedosos como Simeão aguardavam ansiosamente “a consolação de Israel” (Lc 2.25). Cristo, de fato, derrama óleo sobre nossas feridas e concede paz às consciências marcadas pela dor. Ainda assim, choramos pela devastação do sofrimento e da morte que o pecado espalha pelo mundo. Só no estado final de glória, quando o pecado tiver sido extirpado de vez, veremos o consolo de Cristo manifestado em sua plenitude.
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As Bem-aventuranças:
– Introdução e 1ª Bem-aventurança.
– 3ª e 4ª Bem-aventuranças.
– 5ª e 6ª Bem-aventuranças.
– 7ª e 8ª Bem-aventuranças.
– 9ª Bem-aventurança e Conclusão.

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