Discipulado e Crescimento da Igreja

Introdução          

O que deve ser feito para promover o crescimento da igreja neste século 21?

Esta é uma pergunta que pastores e líderes de igreja se fazem continuamente. Muitos são os fatores que podem exercer um papel importante no crescimento de uma igreja. E é imprescindível pensar num crescimento integral, que contemple aspectos muito além de números, tais como, maturidade espiritual, estreitamento da comunhão com Deus e com os irmãos, adoração autêntica, conhecimento da palavra e prática da fé, integridade moral, influência e transformação de pessoas, famílias e da sociedade.

Ao refletirmos sobre crescimento da igreja não podemos deixar de levar em conta a importância do discipulado. Discipulado e crescimento espiritual são da responsabilidade indelegável das duas partes interessadas – do crente e da igreja. É comum se ver por aí pastores e líderes focados em encher os templos de pessoas e construírem templos cada vez maiores. Não há qualquer equívoco em investir para  expandir o Reino de Deus aqui na terra. O grande erro da liderança e da igreja é achar que a missão está cumprida e terminada quando mais uma pessoa é acrescentada ao rol de membros. A grande comissão de Jesus é para “pregar o evangelho a toda a criatura” (Mc 16.15) e “fazer discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). A chegada de um novo convertido na comunidade de fé não é o término da missão, a linha de chegada, mas, o ponto de partida, o início da jornada de uma nova criatura em Cristo, que, como um recém-nascido precisa de cuidado, alimento, proteção, orientação, enfim, de atenção. Como eu e você, a igreja e sua liderança, estamos tratando dessa questão? 

“Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores[1] em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus.” (1Co 4.15)

O apóstolo Paulo nos dá o exemplo: “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1Ts 2.11). Quem “gera” e ama também precisa cuidar e acompanhar o crescimento, assumindo a paternidade/maternidade: “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós;” (Gl 4.19). 

Alguém resumiu bem as três fases da maturidade cristã, por analogia à maturidade humana:

1ª) Ele é servido: leite (peito -> mamadeira) -> papinha -> alimento sólido).

2ª) Ele mesmo se serve.

3ª) Ele primeiro serve outros para depois se servir. Esta é a fase mais madura!

O presente estudo tem a intenção de chamar a atenção para a importância do discipulado no crescimento da igreja; na responsabilidade da liderança em preparar novos líderes e viabilizar essa assistência aos irmãos, promovendo crentes conhecedores e praticantes da Palavra de Deus.

Desenvolvimento:

1. O CRESCIMENTO DA IGREJA PRIMITIVA

O crescimento da Igreja Primitiva é um tema complexo e multifacetado que envolve diversos fatores e eventos ao longo do primeiro século do Cristianismo. Alguns dos principais aspectos que contribuíram para o crescimento da Igreja Primitiva são:

a) O Ministério de Jesus

“Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (At 1.1-3)

A pessoa de Jesus Cristo e seu ministério na Palestina impactou o mundo desde então e atraiu seguidores. Sua autoridade divina, seus ensinamentos, milagres e ressurreição foram aspectos e eventos essenciais que impulsionaram o início e expansão da Igreja.

b) O Pentecostes

“E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. … mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo,” (At 1.4-5, 8a)

O evento de Pentecostes, anunciado por Jesus antes da sua ascensão (At 1.4-5, 8) e cumprido em Atos 2, inaugurou o período da igreja Cristã e impulsionou o seu notável e expressivo crescimento inicial. No dia de Pentecostes, após a ascensão de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, capacitando-os a falar em línguas e pregar o Evangelho com ousadia e poder, bem como a operar sinais e milagres. Isso atraiu a atenção de uma multidão de judeus e prosélitos de diferentes regiões, resultando na conversão e adesão de muitos deles à fé cristã.

c) O Ministério dos Apóstolos

“… mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8)

O que teria acontecido, após a ascensão de Jesus, se ele não tivesse chamado e instruído intensivamente, por três anos, um pequeno grupo de seguidores, os apóstolos? O que acontece se um missionário realiza missões transculturais, em determinada tribo indígena ou povo isolado da civilização, por alguns anos, e retorna para seu país, sem deixar líderes locais e a Bíblia?  

Os apóstolos desempenharam um papel relevante na propagação dos ensinos de Jesus. Eles e outros convertidos viajaram por diversas regiões, pregando o Evangelho e estabelecendo comunidades de crentes. Suas ações e ensinamentos atraíram seguidores e permitiram que o Cristianismo se espalhasse rapidamente.

d) A Perseguição e a Diáspora

“Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele. … Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.” (At 1.13-14; 8.1.b)

O chamado de Jesus sempre contemplou o “estar” e o “ir”: “Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar” (Mc 3.14). A perseguição dos primeiros cristãos, especialmente no Império Romano, ao invés de destruir a igreja, serviu para espalhar os cristãos e o evangelho para outras regiões. Isso levou à disseminação do Cristianismo para além das fronteiras da Palestina, superando barreiras raciais e culturais, em cumprimento a Atos 1.8.

e) A conversão de Saulo-Paulo

O livro de Atos dos Apóstolos registra a relevante atuação e ministério de outras pessoas convertidas, além dos doze inicialmente chamados por Cristo, que também muito influenciaram na expansão da igreja: Estêvão, Felipe, Barnabé, Tiago (meio irmão de Jesus), dentre tantos outros. Merece destaque o apóstolo Paulo, que exerceu um papel significativo na expansão e sistematização da fé cristã.

f) As Comunidades cristãs locais

Se, atualmente, muito se valoriza os grandes templos, no início da igreja as comunidades cristãs locais, muitas vezes organizadas em casas particulares, proporcionaram um ambiente acolhedor e de apoio para os novos convertidos. Ressalte-se a comunhão e a generosidade dos cristãos que compartilhavam seus bens e suas vidas uns com os outros, atraindo a simpatia do povo (At 2.42-47; At 4.32-35). Essas comunidades também desempenharam um papel importante na propagação do Evangelho.

g) A escrita e literatura cristã

Desde sempre Deus orientou que se escrevesse e registrasse suas palavras, suas alianças e os acontecimentos (Êx 17.14; 34.27; Jr 30.2; Hc 2.2; Ap 1.11). A produção de escritos cristãos, como cartas e evangelhos, ajudou na disseminação dos ensinamentos cristãos e na coesão das comunidades cristãs. A Bíblia, em particular, desempenhou e desempenha um papel fundamental na formação da teologia cristã.

Vale ressaltar que o crescimento da Igreja Primitiva, além de perseguições externas, também enfrentou desafios e controvérsias internas, como questões teológicas e divergências doutrinárias. No entanto, esses fatores mencionados foram contornados e não a impediram de pavimentar o caminho para a sua expansão, nos primeiros séculos, e seu subsequente avanço alcançando o mundo, atravessando séculos e chegando até nós.

2. A IMPORTÂNCIA DOS PEQUENOS GRUPOS

Pequenos grupos de convivência, compartilhamento e desenvolvimento são verdadeiramente muito especiais para o discipulado e crescimento da igreja. Assim sendo, resolvemos dedicar-lhe um artigo exclusivo para abordar e desenvolver um pouco mais o assunto.

Veja o artigo: Pequenos Grupos, Grandes Resultados

3. O CRESCIMENTO DA IGREJA ATUAL

Alguns dos fatores para esse crescimento são:

  • Liderança eficaz: Uma liderança sólida, agregadora e inspiradora é fundamental para o crescimento de uma igreja. Um pastor carismático, dedicado e que prega e ensina a palavra de maneira envolvente pode atrair novos membros e manter os existentes fortalecidos e engajados.
  • Comunidade acolhedora: Uma igreja amorosa, que ama a Deus e cuida do irmão, que faz com que os visitantes e novos membros se sintam bem-vindos e incluídos é um ambiente favorável ao crescimento. A construção de relacionamentos saudáveis e o oferecimento de oportunidades a todos dentro da congregação são aspectos importantes.
  • Dependência de Deus e Santificação: Uma igreja que busca sinceramente a orientação de Deus e unção do Espírito Santo, que mantém contínua oração. Estes são aspectos fundamentais para o seu crescimento espiritual e numérico. Certamente que a separação do mundo, pela santificação, é fator preponderante para ação de Deus na igreja.
  • Ensino bíblico sólido: Um ensino bíblico consistente, relevante e aplicável pode atrair e manter membros.
  • Evangelismo: O compartilhamento da fé e a busca ativa por novos membros através do evangelismo são práticas importantes para o crescimento da igreja.
  • Qualidade do culto: Um culto que agrade a Deus, incluindo música, louvor e adoração, liturgia e mensagem, pode desempenhar um papel significativo na atração e retenção de membros.
  • Programas e ministérios diversificados: Oferecer uma variedade de programas, ministérios e oportunidades de serviço que atendam às necessidades espirituais, sociais e emocionais dos membros e da comunidade em geral pode promover o crescimento da igreja
  • Atuação na comunidade: Uma igreja ativa na comunidade local, envolvida em atividades de serviço e ajuda aos necessitados, pode atrair a atenção positiva e construir uma reputação benéfica.
  • Crescimento orgânico: À medida que os membros existentes crescem espiritualmente e são ativos na igreja, eles podem convidar outras pessoas para se juntarem à comunidade. A formação de pequenos grupos ou células nos lares que aproximam e discipulam os membros e visitantes é um aspecto extremamente relevante a se considerar e desenvolver.
  • Uso da tecnologia: A utilização eficaz da tecnologia, como transmissões ao vivo, redes sociais e sites, pode ajudar a alcançar um público mais amplo e a manter os membros conectados.

É claro que existem muitos outros fatores que favorecem o crescimento da igreja, tais como: a localização geográfica do templo e a acessibilidade, estacionamento, a gestão adequada dos recursos financeiros, a decisão da liderança de investir no crescimento e mobilizar os membros, dentre outros.

É importante ressaltar que o crescimento de uma igreja deve se dar em números, mas também em termos de maturidade espiritual dos membros e do impacto positivo que a igreja tem na comunidade e na vida das pessoas. Cada igreja local é única e pode precisar adaptar suas abordagens de acordo com suas circunstâncias específicas.

Conclusão

Considerando que estamos tratando de discipulado e crescimento da igreja vale olhar para o passado, para a igreja neotestamentária, vale investir nos Pequenos Grupos e vale, também, olhar com atenção para os fatores elencados no tópico 3 acima tão relevantes para esse crescimento.

Que Deus nos ajude!

Bibliografia

1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Fazei Discípulos (Ed. Didaquê).
4. Internet.


[1] Educador, mentor, instrutor.

Autor: Paulo Raposo Correia

Um servo de Deus empenhado em fazer a sua vontade.

3 comentários em “Discipulado e Crescimento da Igreja”

  1. Excelente texto! Um caminho aberto ao pensamento de todo cristão. Todos os ítens nos levam a uma reflexão profunda sobre participação da membresia e o comprometimento pastoral no que tange a evangelização. Destaco: As Comunidades cristãs locais; Atuação na comunidade; Dependência de Deus e Santificação. Que a Unção do Alto nos ajude a alegrar sempre o Coração de Deus!

  2. Ótimo estudo e vou compartilhar nos grupos de Estudos bíblicos nos quais estou inserido.

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