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Um atendimento bem sucedido (2Rs 5.1-19a)

Introdução:

Cremos na “diaconia” universal dos crentes – homens e mulheres – ao lado do sacerdócio universal dos crentes. Todos os remidos foram chamados pelo Senhor para servir, para realizar as boas obras: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10). Servir, no grego, “doulos” (escravo, aquele que deve cumprir a vontade do seu Senhor, sem se importar com sua própria vontade) ou “diakonos” (aquele que realiza tarefas para ajudar os outros) é a nobre missão de cada crente, pois o Senhor Jesus é o exemplo maior. “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mc 10.45). Para servir não é necessário ter um cargo ou um ofício. Assim é que o termo servir é empregado em todo o Novo Testamento no sentido não-técnico, referindo-se a homens e mulheres que serviam a essa ou àquela igreja local: “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia,..” (Rm 16.1). Na igreja primitiva, a pergunta que se fazia a outro cristão era: “– em qual igreja você está servindo ao Senhor?”; enquanto hoje se pergunta: “– de que igreja você é?”.

É importante destacar que nosso Senhor Jesus Cristo foi, simultaneamente, pastor, presbítero e diácono. Isso, por si só mostra o quanto esses ofícios são importantes diante de Deus e dos homens.

NÍVEIS DE ATUAÇÃO – Ilustração contada por certo pastor:

Imaginemos, naqueles tempos de escravatura, um escravo recapturado e açoitado pelo seu senhor. Há três níveis de atuação aplicáveis ao caso:

1º) ASSISTÊNCIA SOCIAL

Seria cuidar das feridas do escravo ferido pelos açoites do seu senhor.

2º) AÇÃO SOCIAL

Seria recolher donativos da comunidade para comprar a liberdade dele.

3º) AÇÃO POLÍTICA

Seria lutar pela abolição da escravatura pois o problema não é somente deste escravo.

Na história da cura de Naamã (2Rs 5.1-19a), há lições interessantes, inclusive no que diz respeito à assistência aos necessitados realizada pela Junta Diaconal. No processo de assistência, há seis elementos aqui simbolizados:

  • O necessitado: Naamã
  • O agente do encaminhamento: Menina judia
  • O agente da solução: Eliseu
  • O recurso: Rio Jordão
  • O resultado: Cura e transformação
  • A recompensa: O presente recusado?

1. O necessitado (Naamã) (v.1)

Quando pensamos no necessitado é comum vir logo à nossa mente a figura do pobre, do carente. Jesus disse: “Porque os pobres, sempre os tendes convosco…” (Mc 14.7). Eles são uma realidade na nossa sociedade e são muitos. Entretanto, é bom não perder de vista que os pobres são apenas uma parte do universo dos necessitados. Naamã era uma pessoa do alto escalão da Síria, mas um necessitado de cura física e espiritual. Todos os necessitados devem merecer nossa atenção , porém, prioritariamente, os domésticos na fé (Gl 6.10).

2. O agente do encaminhamento (Jovem judia) (vv.2-4)

Não basta existir um agente de solução, é necessário que este seja conhecido, que se saiba da sua existência. O agente de encaminhamento é a ponte entre o necessitado e o agente da solução.

Encontramos nesta jovem, pelo menos três marcas interessantes quanto ao “agente de encaminhamento”:

a) Anonimato: Certamente ela tinha um nome, mas foi aqui omitido. Esse anonimato nos conduz a pensar que há tantas pessoas e canais que podem ser usados nessa importante missão que nem há necessidade de identificação.

b) Bondade incondicional: Mesmo sendo cativa de guerra, retirada do seio de sua família e nação, talvez tendo sua família e amigos exterminados pelo inimigo invasor que agora se apoderara dela, foi capaz de ter compaixão pelo seu senhor.

c) Confiança plena (no agente da solução): Mesmo tendo saído do meio do seu povo com pouca idade, tinha uma confiança tal no profeta de Deus que impressionou e influenciou seus senhores na busca dessa solução.

3. O agente da solução (Eliseu) (vv.8-13)

Vejamos algumas características deste atendimento:

a)Proatividade: Sabedor da existência do necessitado, um tanto quanto desorientado nessa busca pelo agente de solução, toma a iniciativa de assumir o caso (v.8).

b) Recepção sem discriminação: Eliseu se propôs a recebê-lo sem levar em conta que se tratava de um estrangeiro, pertencente a uma nação inimiga do seu povo (v.9).

c) Recepção sem privilégios: Eliseu não se deixou impressionar pela pompa ou aparato de Naamã (v.10). Todos merecem um tratamento digno e justo.

d) Estabelecimento das condições: Quem atende estabelece as condições, que levam em conta suprir a necessidade e não o desejo da pessoa em atendimento (vv.10-13). Tais condições precisam ser estabelecidas com sabedoria de modo a produzir resultados eficazes.

4. O recurso (Rio Jordão) (v.14)

O rio é sempre símbolo de recursos: a água que rega as plantações, abastece a casa, sacia os homens e os animais etc, portanto, essencial à vida. Neste caso, não há dificuldade em se perceber que não havia qualquer potencial miraculoso nas águas do rio Jordão, muito menos no ritual de sete mergulhos. Muitos falsos profetas e pregadores, de ontem e de hoje, não se cansam de iludir seus seguidores com ritos sem qualquer valor. A grande proposta de Eliseu para Naamã nada mais era do que um desafio de fé e obediência. Incluía um “ir” e um “fazer” segundo a palavra do profeta. A lição que tiramos daqui é que os recursos são sempre limitados e devem ser vistos como soluções paliativas e provisórias para suprir temporariamente uma necessidade. Entretanto, o grande milagre vem sempre de Deus, usando ou não os insignificantes recursos dos humanos.

5. O resultado (Cura e Transformação) (vv.15a; 17-18)

O mais importante num processo de atendimento é o atendido “ir e fazer” de tal maneira que sua vida seja transformada, material e espiritualmente. Do contrário, se torna assistencialismo continuado. Não basta dar o peixe é preciso ensinar a pescar!

6. A recompensa (O presente recusado?) (vv.15b-16)

Eliseu se negou a receber qualquer presente, qualquer recompensa pela sua boa ação praticada a Naamã. Quem exerce esse ministério de servir ao próximo já sabe ou precisa saber que:

a) A recompensa não vem de algo material dado pelo atendido.

b) A recompensa vem de Deus e será dada na eternidade: “e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.” (Lc 14.14)

c) A maior recompensa é contemplar a saciedade imediata do atendido, bem como sua transformação espiritual, física e financeira.

“Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.” (Lc 17.10)


Nota: Mensagem por mim dirigida à Junta Diaconal da Catedral Presbiteriana do Rio em 08/09/2014.

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