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Diga-me…e eu te direi quem és!

Diga-me

“Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. Quem nunca ouviu este provérbio tão popular? Claro que você já ouviu. Agora, imagina só a ousadia dessa afirmação: pretender definir um ser humano a partir do outro, isto é, de alguém com quem o sujeito se relaciona mais proximamente. A complexidade de um ser, neste caso, humano, é tão elevada que, às vezes, você convive com alguém durante vários anos e ainda pode se surpreender, descobrindo que este alguém não é bem aquilo que você achava. Se você considerar, ainda, que uma pessoa pode mudar várias vezes ao longo do tempo, aí é que a coisa se complica mesmo.

Deixando de lado as elucubrações existenciais do ser e partindo para aspectos mais práticos, do cotidiano de cada um de nós, simples mortais, diria que o provérbio faz sentido. O Profeta Amós mencionou várias situações óbvias, começando por esta: “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” (Am 3.3). O andar aqui mencionado por Amós e o andar do provérbio é muito mais do que um relacionamento eventual e quase obrigatório como no trabalho, na escola etc. É um relacionamento muito mais próximo e contínuo, envolvendo uma agenda comum, comprometimento mútuo, cumplicidade, conivência, alinhamento de ideias e valores etc. Ninguém está disposto a caminhar junto com outra pessoa se ambos não tiverem muito em comum, salvo se por motivos escusos ou interesseiros. Assim, se conhecermos bem aquele ou aquela com quem a pessoa anda, é factível dizer-lhe quem é! Vale lembrar o conselho do salmista: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.” (Sl 1.1-3)

Na verdade, a minha intenção neste artigo é fazer uma ponte e combinação, entre este provérbio popular e o que Jesus falou: “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6.21). Então, o resultado poderia ser assim: “Diga-me qual é o teu tesouro e eu te direi onde está o teu coração” ou, “Diga-me qual é o teu tesouro e eu te direi quem és”. Vamos acrescentar mais esta máxima, de Jesus: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.20). Fruto é algo muito visível, que traduz necessariamente a essência de quem o produz. Agora, continuando nesta mesma linha bem prática, do cotidiano, quero ser contundente e provocativo para que você se sinta forçado a reavaliar sua prática cotidiana e, se for o caso, alinhar ou realinhar suas atitudes, sua conduta etc, com os mais autênticos valores e princípios bíblicos e cristãos. Como é importante e oportuno fazer essa avaliação de vez em quando. Talvez isso possa ser potencializado, diante das motivações e desafios, de mais um aniversário ou de um novo ano que inicia! Então, vamos lá às afirmações provocativas:

 

  1. “Diga-me as músicas que ouves e as que cantas e eu te direi quem és”. Como anda a tua audioteca? Quantos CDs evangélicos (gospel) e quantos não evangélicos você tem (vale também para outros tipos de mídia, ipod etc)? Que tipo de música você mais frequentemente anda ouvindo ou cantarolando no dia a dia, evangélica ou não evangélica? Jesus disse assim: “Porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Mt 12.34b).

 

  1. “Diga-me os vídeos e filmes que vês e eu te direi quem és”. Como anda a tua videoteca? Quantos DVDs evangélicos (gospel) e quantos não evangélicos você tem? O que mais você anda trazendo pra dentro da tua mente ou pra dentro da tua casa? O que você anda vendo na TV? O que te dá prazer ver na TV? Devo admitir que não é fácil encontrar um bom programa evangélico no Rádio ou na TV. Por isso, normalmente dou preferência a programas de notícias.

 

  1. “Diga-me os livros que lês e eu te direi quem és”. Como anda a tua biblioteca? Quantos livros evangélicos (gospel) e quantos não evangélicos você tem? O que mais você anda lendo nos teus momentos de lazer? Está havendo um equilíbrio entre o “sagrado” e o “secular”? Como vai a leitura da bíblia e a oração?

 

  1. “Diga-me que lugares frequentas e eu te direi quem és”. Está na dúvida se deveria ou não ir a determinado lugar? Então faça a pergunta: “Em meus passos, que faria Jesus?” Você acha natural que um cristão veja um filme de cinema de baixo nível moral, ou que faça a apologia ao pecado etc? E para determinadas peças de teatro? Será que fica bem ao cristão participar de shows de rock, bailes funks, pagodes etc, em ambientes completamente avessos ao evangelho? Fica bem ao cristão participar de shows Gospels que em nada glorificam a Deus? Você acha que uma pessoa regenerada e habitada pelo Espírito Santo teria prazer nessas coisas? Diga-me…e eu te direi quem és!

 

  1. “Diga-me o que és capaz de fazer e eu te direi quem és”. O que você é capaz de fazer para agradar a Deus e fazer a sua vontade? Diga-me, ou melhor, faça…e eu te direi quem és! O que você é capaz de fazer para alcançar teus objetivos pessoais e interesses próprios, ainda que desagradando a Deus e prejudicando o teu próximo, o teu irmão na fé, a igreja de Cristo? Diga-me, ou melhor, espere eu ficar sabendo…e eu te direi quem és!

 

Há, ainda, inúmeras possibilidades para esse “Diga-me…e eu te direi quem és!”. Vou ficar apenas nesses exemplos, pois você já entendeu o recado de Deus. Cabe, agora, a você mesmo perguntar-se sobre tantos outros pontos. Preciso reafirmar aqui algo que tenho escrito em tantos artigos neste blog. Cristão não é um ET, um ser que deve viver alienado do que acontece em sua volta. Ao contrário, ele tem que ser bem informado e fazer a diferença onde quer que esteja. Ele deve viver com a cabeça no céu e com os pés aqui na terra (Cl 3.2). Estou cansado e angustiado de ver gente com vida dupla como membro de igreja. Não dá pra aceitar pessoas chamadas cristãs fazendo barganha com Deus. Dando uma de cristão, para ganhar a salvação eterna e tendo imenso prazer em participar desse sistema mundano que nos cerca. Querendo ganhar o céu, sem perder o mundo, os prazeres ilícitos da carne, como se isso fosse possível. Vivendo uma vida mundana enquanto há irmãos nossos sendo perseguidos e mortos por professarem a fé cristã.

Vale lembrar que não adianta querer mudar de fora pra dentro. Quando o Espírito Santo nos faz novas criaturas, o nosso prazer passa a estar no Senhor, isto é, muito mais nas coisas espirituais do que nas materiais e efêmeras do presente século. E, é ele mesmo quem nos capacita a resistir à pressão daqueles que querem que andemos juntos com eles em lugares reprováveis. O apóstolo Paulo, que deu a sua vida pelo Evangelho, nos adverte: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” (1Co 6.12). Quando Deus tirou o povo de Israel do Egito, insistiu muito com eles para que não se contaminassem com os costumes dos povos gentios, pois, por causa disso eles estavam sendo destruídos: “Não andeis nos costumes da gente que eu lanço de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; por isso, me aborreci deles.” (Lv 20.23). Não se trata de legalismo, nem de moralismo estéril; mas de compromisso com Deus e coragem para ser diferente! “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele;” (1Jo 2.15)

Como apelo final ao seu coração e contando que o Espírito Santo fará a boa obra em minha vida e em sua vida, no estilo dos escritores bíblicos, rogo-vos, queridos, que não transformeis em libertinagem a Graça de Deus. Jesus pagou um preço imensurável, o seu sangue derramado na cruz, a sua vida doada em lugar da nossa, para nos transportar do império das trevas para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.3), para que nós vivêssemos em novidade de vida, uma vida diferenciada, agradável a Deus (1Pe 1.18). Por que voltar para as trevas? Por que transformar a Graça de Deus em Graça Conveniente, fazendo o que agrada a carne e não ao Espírito Santo?

Concluindo, no estilo do apóstolo Paulo, rogo-vos que vos abstenhais, nesse breve tempo de passagem por este mundo, das obras da carne. Comece agora mesmo um novo ciclo em sua vida, um novo tempo de vida abundante com Deus, sem concessões à carne: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.” (Rm 8.13)

E, que “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1Ts 5.23). Maranata, ora vem Senhor Jesus!

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  1. 29/12/2014 às 12:59

    Como sempre um texto muito coerente e oportuno com os dias de hoje.

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