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Archive for setembro \27\America/Sao_Paulo 2013

“A VIDA DE COSME E DAMIÃO”

CosmeDamião

Reprodução do folheto

CD1Foi numa tarde bem bonita do dia 27 de Setembro que Leandro recebeu a visita do seu amigo Juninho. Ele veio convidá-lo para juntos apanharem saquinhos de doces de “Cosme e Damião”.

– Juninho, você sabe que eu gosto de sair com você, mas para pegar doces de Cosme Damião eu não vou.

– Ué, você tem alguma coisa contra Cosme e Damião?

– É claro que não, Juninho! Eles eram seguidores de Jesus Cristo, assim como eu sou. Você sabia disso?

– Pra falar a verdade, eu nunca ouvi falar isso antes.

– Então posso contar só um pouco da vida deles?

– Claro que sim, você me deixou curioso. Pode contar!

CD2Bem, eles nasceram na Arábia no terceiro século depois de Cristo, eram gêmeos e seus pais eram crentes em Jesus. Quando cresceram, foram estudar num lugar chamado Síria, e lá se tornaram médicos. Mas eles tinham um apelido muito interessante: “ANARGIROS”.

– O que isto significa?

– Quer dizer “INIMIGOS DO DINHEIRO”, pois eles não cobravam nada, nenhum centavo pelo trabalho deles. E já que eles trabalhavam de graça, começaram a ser muito conhecidos atraindo assim muita gente para ouvir a mensagem que eles pregavam sobre o Salvador, Jesus Cristo, nosso Senhor.CD3

E tem mais!

Havia um homem muito mau que odiava os cristãos. O nome dele era Diocleciano, o imperador romano.

Esse homem perverso, mandou para a cidade de Egéia, aonde estavam Cosme e Damião, um representante de nome Lísias. Então, sob o comando de Lísias, começaram a torturar Cosme e Damião.

CD4Finalmente, depois de torturá-los bastante… cortaram suas cabeças. E foi assim que eles morreram no ano 283 depois de Cristo.

– Que coisa triste! Mas, eles foram mortos só porque trabalhavam de graça como médicos?

– Não, Juninho, não foi isso. O motivo foi outro! Vou lhe contar:CD5

Diocleciano, o Imperador Romano, odiava os cristãos porque eles eram fiéis a Jesus Cristo e não adoravam os ídolos fabricados por mãos humanas. Lísias mandou que eles adorassem ou se ajoelhassem diante de algumas imagens. Porém, como seguidores de Jesus, nunca poderiam fazer isso. A Bíblia diz: ”Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso” (Êxodo 20:4, 5). Então, por obedecerem às ordens de Deus e não se encurvarem ou rezarem às imagens, é que eles foram mortos.

CD6– Você me deixou confuso, Leandro.

– Por que Juninho?

– É que lá em casa tem IMAGENS de São Cosme e São Damião. E minha mãe sempre ensina a gente a rezar pedindo proteção a eles.

– E você acha que isso é certo? Você acha que Cosme e Damião se ajoelhariam ou rezariam para uma imagem pedindo proteção ou ajuda?

– Eu acho que não! Pois eles morreram justamente por não fazer o que eu e minha família estamos fazendo.

– Como você acha que eles se sentiriam vendo vocês fazendo isso?

– Acho que eles ficariam tristes.

– E quem mais ficaria triste?

– Será que JESUS CRISTO também ficaria triste!?

CD7– Isso mesmo, Juninho! Pois foi Jesus quem falou: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida, ninguém vem ao pai, senão por mim.“ (João 14:6). Portanto, não adianta pedir nada a Cosme e Damião, a São João, São Paulo, Santa Maria ou outro “santo“ qualquer. Devemos buscar somente a JESUS, o FILHO DE DEUS. Foi Ele que morreu por nós numa cruz, ressuscitou ao terceiro dia e hoje roga a DEUS por nós (I Tim. 2:5; I João 2:1).

– Isso quer dizer que comer doce de Cosme e Damião está errado?!

CD8– Bem, Juninho, gosto muito de doce. Se eu quiser comer, compro um. Eu não como os doces de Cosme e Damião porque quem distribui doces nesse dia faz isso porque fez promessas a eles. E você sabia que esses doces são oferecidos aos “SANTOS“ em algum terreiro de macumba ou centro espírita como pagamento de promessas? Se eu comer estarei apoiando e concordando com o erro deles.

A Bíblia diz que não pode haver amizade entre luz e escuridão, nem entre Jesus e o diabo. (II Coríntios 6:14-16). E a Bíblia diz mais: “DEUS É LUZ E NELE NÃO HÁ TREVAS NENHUMA“. Além disso, esses que parecem ser “santos“ nos terreiros ou centros, são na realidade demônios (ajudantes do diabo) que estão enganando as pessoas (I Cor. 10:19 a 21).

Viu, porque não como os doces, balas e salgados de Cosme e Damião? Pois a Bíblia diz em Romanos 10:11 que aquele que crê em JESUS nunca fica confundido ou em dúvidas nesses assuntos.

CD9– Agora entendi, Leandro. E resolvi que não vou mais pegar esses doces. Gostei da verdadeira história de Cosme e Damião, e quero saber mais de Jesus.

– Que bom você agora tomar esta decisão!

– Mas, conte-me Leandro, onde você conseguiu estas informações?

– Minha mãe fez pesquisa na Enciclopédia Universal Ilustrada Europeo-Americana (Volume 15, páginas 1140-1142).

– Que bom! Mas o melhor foi saber que Jesus é o Filho de DEUS, amigo das crianças e Salvador dos que crêem nele.

Este folheto é uma co-produção APEC – CPR

A P E C

Aliança Pró Evangelização das Crianças

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Veja, também, neste blog:
A VIDA DE SÃO JORGE


Os invernos e as primaveras da vida

Balança

Introdução

A vida é feita de contrastes. A primavera segue o inverno. São estações de grande contraste. Nas regiões mais frias, o inverno imobiliza, intranquiliza, congela, enrijece a face, destrói a natureza e descolore as paisagens. Na primavera voltam as folhas, as flores, o calor moderado, as cores e a alegria da continuidade da vida.

A vida é feita de invernos e primaveras, de tristezas e alegrias, de escassez e de fartura, enfim, de perdas e ganhos. O grão de trigo “morre” primeiro, para depois produzir muito fruto (Jo 12.24). O homem “perde” o sêmen da vida, a mulher o “ganha” e uma nova vida física é gerada. Deus “perdeu” o seu Filho unigênito, Jesus Cristo, o mundo “ganhou” o Salvador, o autor da nova vida, da vida espiritual e eterna (Jo 3.16).

1. As crises de passagem da vida

A vida é feita de perdas e ganhos contínuos, necessários e indispensáveis ao desenvolvimento da criatura humana.

a) Útero Materno → “Útero Familiar”

No Nascimento, deixamos o útero materno, com todo o seu aconchego e nutrientes, mas ganhamos o acolhimento do “útero familiar”. Tal processo envolve uma verdadeira e dolorosa crise de passagem, do mundo interior para o mundo exterior; entretanto, proporciona novos desafios, condições de crescimento, oportunidades de relacionamento.

b) “Útero Familiar” → “Útero Social”

Da infância à juventude, deixamos gradativamente o convívio no “útero familiar”, para participar do “útero social”. Tal processo, igualmente envolve crises de passagens, desde o primeiro dia quando a criança passa um bom tempo numa creche ou numa escola, longe da sua zona de conforto familiar. Na sua juventude, também tem que deixar para trás o aconchego da vida acadêmica e seus amigos, para participar dos desafios da vida profissional, em ambientes de muita competição e esforço para manter seu emprego.

c) “Útero Familiar” → “Novo Útero Familiar”

Em algum momento da juventude ou da vida adulta também é necessário deixar, definitivamente, o “útero familiar” para constituir um “novo útero familiar”, através do casamento. Mais uma crise de passagem acontece, mais crítica para uns do que para outros, mas que vem sempre acompanhada de novas e grandes responsabilidades e desafios, como pagar contas, se relacionar bem com o cônjuge, gerar e criar filhos.

d) “Novo Útero Familiar” → “Novo Útero Social”

Ainda na velhice as crises de passagem continuam a acontecer. São os filhos, a que estávamos tão apegados, crescendo e seguindo seus próprios caminhos. Perdemos sua companhia e ganhamos mais tempo para nós, mais liberdade para ir e vir. Alguns chegam a lidar com a Síndrome do Ninho Vazio. Profissionalmente, a carreira se encerra, chega a aposentadoria. É tempo de se envolver com novos grupos de afinidade e levar a vida sem deixar de se sentir útil. É tempo de cuidar dos pais até o último suspiro deles. Enfim, chega também o dia triste e agonizante de se despedir para sempre do cônjuge amado, lançando sobre o seu caixão a última flor. É chegada a hora de decidir o que fazer da vida, ou, dependendo da situação, de seguir o caminho que decidiram por nós.

e) “Útero Terrestre” → “Útero Espiritual”

Ninguém dura para sempre. Então, finalmente chega o dia em que se cumpre o que diz a Bíblia: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Ec 12.7) É tempo de deixar a carcaça neste “útero terrestre” e ser recebido na glória eterna, pelo Pai Celestial, privilégio esse reservado a todos os que creram e receberam a Jesus como seu Salvador e Senhor. É hora de mudar de dimensão e conferir de perto a promessa do Senhor: “mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (1Co 2.9)

2.  Lidando com as perdas da vida

“Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem; porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.” (Ec 4.2-3)

Certamente os últimos dias do Rei Salomão não foram tão radiantes assim. Basta ler o livro de Eclesiastes para perceber o sentimento de frustração de um rei que teve tudo o que um mortal poderia usufruir dessa vida terrestre: poder, sabedoria, riqueza, realizações, fama, sexo, prazer, conforto etc etc. Sua conclusão é que os mais felizes são os que não nasceram, em segundo lugar os que já morreram e em terceiro e último lugar, os que ainda vivem, os que ainda estão respirando e lendo este artigo, por exemplo. Segundo ele, viver é ter que continuar assistindo e ao alcance de toda a maldade humana.

É preciso guardar todos os bons momentos proporcionados pela vida, para ajudar a contrabalançar os maus momentos que temos que passar. Na bíblia, na história, na sociedade, no nosso círculo de amizades, na nossa família, muitos são os exemplos de perdas que provam a existência desse lado sombrio da vida. Jó tinham muitos bens e uma grande família. De forma repentina foi esvaziado de tudo, inclusive de sua saúde. Jacó lutou muito, até com Deus, para realizar seus projetos pessoais. De repente foi privado de sua esposa amada, Raquel, e de seu filho predileto, José. Por pouco ele não sucumbiu a tamanha perda. Conheci uma serva de Deus que, depois de perder seu marido, repentinamente perdeu de uma só vez, num acidente, as três filhas jovens. Pela graça de Deus ela voltou a casar e a sorrir. Com Deus ao nosso lado, sempre é possível recomeçar. Já imaginaram quantas perdas as pessoas têm sofrido na história da humanidade? São pais com filhos desaparecidos, sequestrados ou mortos violentamente que nunca mais retornaram ao convívio da família. São famílias inteiras dizimadas em acidentes aéreos, terrestres e marítimos; em desastres naturais, catástrofes e epidemias. Não dá para seguir a vida com os olhos fixos no mal que nos cerca. Antes, porém, é bem melhor seguir o conselho do profeta de Deus: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lm 3.21). É preciso contar as bênçãos e se fixar nelas!

Não é fácil aceitar a morte de um ente querido idoso; quando se trata de alguém jovem, muito menos ainda. Quando estamos numa embarcação que naufraga precisamos nos apoiar em algo para não afundar. Se não há botes ou coletes à disposição, os destroços disponíveis, apesar de paliativos,  são quebra-galhos bem-vindos. Quando se lida com uma grande perda é comum questionar a Deus: “Por que? Ou, Para que?” Isso está acontecendo… Como num naufrágio necessitamos avidamente de algo concreto em que nos apoiar, de uma resposta que faça calar nossos questionamentos e inconformismo com tão abrupta e inesperada perda. Um “destroço” qualquer já ajudaria. Pensei, então, em alguns “destroços”:

1º) O Senhor Deus o queria tanto que o tomou para si, como fez com Enoque e Elias.

2º) O Senhor o poupou do mal ou do mau que estava por atingi-lo (“Perece o justo, e não há quem se impressione com isso; e os homens piedosos são arrebatados sem que alguém considere nesse fato; pois o justo é levado antes que venha o mal”) (Is 57.1)

3º) Sua missão era curta e exigia um fim “trágico” para impactar vidas e alcançar os propósitos de Deus (Estêvão – At 7, missionários em terras hostis etc).

4º) Ele não era tão bom e santo quanto aparentava ser e a mão de Deus pesou sobre ele. Conheci pessoalmente pelo menos dois casos (um era cristão e o outro não), de homens casados que viviam em adultério oculto, que foi revelado nas suas mortes trágicas. Jamais conseguiremos saber se essas mortes “prematuras” foram punição de Deus; entretanto, o fato é que com Deus não se brinca!

5º) Ele confiava exageradamente em si mesmo, na sua justiça própria; e Deus o derrubou da sua altivez. O Jó da bíblia era um pouco assim.

Em vez de ficar se apoiando num desses “destroços” acima citados, é melhor admitir que o Senhor está no controle e ele quis assim: “o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21b). Lembre-se de que os “destroços da embarcação” são meios temporários e paliativos de sobrevivência. Você não pode viver à deriva nas águas de um “naufrágio existencial”. Logo, logo você irá sucumbir também. Mova-se imediatamente para terra firme onde é o seu lugar!

3. Lidando com os questionamentos

a) Se uma pessoa honra a pai e mãe, como pode morrer jovem?

Como entender a promessa de Deus: “Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Ef 6.2-3). Encontro, pelo menos três explicações para esta promessa:

1ª) Não há aqui uma garantia total de longevidade. O assunto da longevidade é muito mais amplo e complexo do que se pode imaginar. Nossa vida não se resume a honrar pai e mãe, há muitas outras variáveis envolvidas. Jesus honrou os pais terrenos e o Pai Celestial e morreu jovem, com 33 anos.

2ª) Jesus disse: “Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.” (Mt 15.4; ver Ex 21.17 e Lv 20.9). Ou seja, quem destratasse a seu pai ou sua mãe, pela lei mosaica era sentenciado à morte. Assim sendo, poderia morrer como castigo, e não, mais adiante, por morte natural.

3ª) Finalmente, e para não me alongar muito, é fácil perceber que quem honra a pai e mãe, isto é, respeita-os e segue os seus bons conselhos tem muito maior probabilidade de viver mais do que quem os ignora.

b) Como contrair novas núpcias, sem culpa?

Se no dia do casamento você fez promessas ao cônjuge que se foi (morreu), lembre-se de que elas foram finalizadas assim: “até que a morte nos separe”. Assim, você foi fiel a ele(a) e agora está livre para assumir um novo relacionamento, se isso é exatamente o que você está precisando; se isso for o melhor para a sua vida. É bíblico (1Co 7.39); é previsto na lei de Deus e na lei dos homens e pode ser útil e necessário à sua sobrevivência. Como nas primeiras núpcias, é mais do que importante que isso seja feito com calma, maturidade e plena convicção do coração.

Guarde em sua mente a boa lembrança daquele(a) que se foi, mas retire-o(a) do seu cotidiano, caso contrário você viverá tropeçando em fantasmas e terminará sua vida na dependência de medicamentos ou num manicômio. Deixe o passado passar; diga “adeus” ou “até breve” ao(a) que se foi e vá em frente!

c) Como posso viver sem essa pessoa?

A vida precisa seguir ou retornar ao seu curso natural! Não coloque sobre si fardos que você não possa suportar! Deus dimensiona um fardo para cada um (Gl 6.5). Cuidado, pois o texto bíblico diz: “levai as cargas uns dos outros” (Gl 6.2) e não “Levai as cargas de todos os outros”!

Resiliência é uma palavra que se torna cada vez mais conhecida. É um termo que vem da física, como o fenômeno de retorno da mola, quando cessa a pressão sobre ela; é o retorno à posição vertical daquele boneco “João teimoso”. Na psicologia, significa o poder de recuperação do indivíduo após ser submetido a situações estressantes e dolorosas, a perdas, a calamidade. “O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de uma construção; se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, doenças intestinais, hipertensão arterial, entre outros males” (Dr. Alberto D’Auria). Precisamos ser como bambus e varas verdes, que se dobram sob a pressão do vento, mas não se quebram. A vida é feita de perdas e ganhos, não podemos paralisá-la diante das perdas. Em nome de Jesus é preciso se libertar do passado. Isso é doentio! Não vale a pena ficar no fundo do poço: “Então, disse eu: já pereceu a minha glória, como também a minha esperança no SENHOR.” (Lm 3.18).

A depressão pode surgir do vazio da alma, pela perda de alguém ou de alguma coisa preciosa, que necessita ser preenchido imediatamente. Jesus nos ensinou isso. Quando ele estava para voltar para o Pai, sabedor do vazio que isso traria à almas dos discípulos, logo os confortou dizendo que quando ele fosse, enviaria o Consolador, o Espírito Santo. Não cultue o vazio; preencha-o com algo precioso!

Conclusão:

Não seja insensato nem insano, deixe o inverno passar e receba com ações de graças a primavera que Deus te oferece!

 

Nota: A motivação deste artigo foi a perda de um grande amigo, com 38 anos de idade, há um ano atrás (21/09/2012), de forma abrupta e inesperada. Um marido fiel, pai de três filhas, servo de Deus, executivo bem sucedido de uma grande empresa, carismático e espaçoso em nossos corações. Entretanto, cesse agora todo o choro e toda a lágrima porque ele está melhor do que nós, está com o Pai Celestial. E a vida precisa continuar. Nós iremos a ele, mas ele não mais virá a nós!

“o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (Jó 1.21b)

O volver do rosto de Daniel

Daniel

“Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza.” (Dn 9.3)(ARA)

“E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza.” (Dn 9.3)(ARC)

“Por isso me voltei para o Senhor Deus com orações e súplicas, em jejum, em pano de saco e coberto de cinza.” (Dn 9.3)(NVI)

O personagem bíblico Daniel não passa despercebido nas muitas páginas do Antigo Testamento. As histórias contidas no livro de Daniel, um dos profetas maiores (não em importância, mas em quantidade de escritos) são muito contadas pelos professores de crianças, que, ao ouvi-las, vibram com cada cena. Ao lê-las ou ouvi-las, quando criança, eu era (e ainda continuo sendo) impactado por alguns aspectos:

  • Pela determinação de Daniel e seus três amigos, ainda jovens, de não se contaminarem naquela terra estrangeira onde estavam cativos. Um santo e radical compromisso de viver uma vida diferenciada, de obediência a Deus e a seus mandamentos.
  • Pela coragem inabalável de Daniel e seus três amigos, de arriscarem suas próprias vidas ao não se submeterem à idolatria ou à veneração de homens.
  • Pelo livramento milagroso de Daniel, da cova dos leões, e de seus três amigos, da fornalha ardente.
  • Pela capacitação dada por Deus a Daniel para interpretar sonhos e situações.
  • Por sua projeção na corte dos impérios Babilônico e Medo-Persa, mesmo sendo ele um estrangeiro, um judeu exilado. Ele foi e sempre será lembrado também como um estadista bem sucedido.

Passados, agora, muitos anos na minha vida, numa fase de mais maturidade, além daquilo que sempre me impactou, posso ir além e encontrar em Daniel mais alguns aspectos relevantes. O texto de Daniel 9.3 registra que este servo do “Deus do céu” (Dn 2.18-19; 2.37, 44), voltou seu rosto para o Senhor (ARA).  O verbo sugere a ação de “dirigir o rosto para” (ARC). Gosto, também, da expressão “volver o rosto para”, que tem tudo a ver com mobilidade, palavra tão popular nesta sociedade pós-moderna. Esse “volver o rosto” é muito mais do que um ato físico comandado pelo cérebro e articulado pelo pescoço. É direcionar o ser para alguém ou para alguma coisa. Com esta ideia em mente, passei os olhos no livro de Daniel com a intenção de descobrir para onde ele, Daniel, volvia seu rosto e, para onde ele não volvia seu rosto, e, assim, procurar extrair algumas lições de vida.

1. O rosto de Daniel se volvia para:

 a) O TEMPO

(O passado, o presente e o futuro)

Daniel era uma pessoa “antenada” no tempo. Talvez você ache isso uma característica corriqueira e justifique: “– qualquer ser humano normal é “ligado” no tempo; no passado-presente-futuro. Até certo ponto isso é verdade. Entretanto, vivemos numa época em que a maioria das pessoas está extremamente focada no presente, sendo seu principal interesse, aproveitar a vida. “Porém é só gozo e alegria que se vêem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos.” (Is 22.13). Em se tratando de tempo, Daniel é uma pessoa diferenciada. Ele estudava e conhecia o passado, não somente através da tradição oral, como também pelos livros (Dn 9.2). Afinal, “a história é a mestra da vida”.  Estuda-se o passado, para se entender o presente e se evitar erros futuros. Ele não se contentava em simplesmente deixar o presente acontecer; ele o fazia acontecer. É como diz a letra da música: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Ele investia suas energias para que o presente fosse melhor do que o passado. A época desta oração de Daniel é cerca de 538 aC. O período de setenta anos de cativeiro estava terminando (605 a 535 aC) (Jr 25.8-11). Assim, ainda segundo a palavra profética era chegado o tempo da restauração, do retorno do povo de Israel à sua terra (Jr 29.10). O 1º retorno aconteceu sob a liderança de Zorobabel, em 538-537 aC (Ed 2.1-2). Em relação ao futuro, efetivamente Daniel foi um privilegiado. Deus lhe fez extensas e detalhadas revelações sobre o futuro próximo e o futuro distante, tanto de alguns impérios, como da humanidade. Isso é tão vasto e interessante que precisa ser estudado à parte.

Então, concluímos dizendo:

O passado alicerça e sedimenta o nosso chão; o futuro motiva e direciona a nossa energia; no presente se edifica e se preenche cada etapa entre ambos.

b) O QUE ELE DEVIA SER

(Íntegro de caráter, Confiante em Deus e Firme em seus propósitos)

Daniel era um homem de Deus, irrepreensível, um dos três presidentes do império Medo-Persa. Tomados por inveja, os outros presidentes e os sátrapas (governadores de províncias) tentaram desqualifica-lo para tirá-lo do poder, porém não encontravam falhas no seu caráter e proceder (Dn 6.4). Foi então que decidiram apelar para o seu modo diferenciado de cultuar a seu Deus e prepararam uma armadilha que o fizesse quebrar a lei do seu Deus, para não ser morto. Conseguiram que o rei editasse um decreto estabelecendo que durante 30 dias ninguém poderia fazer petição a qualquer deus ou homem, senão ao rei. Daniel tinha uma confiança tão firme e forte em Deus que tomou conhecimento, porém transgrediu o decreto. Abria as janelas de sua casa, se punha de joelhos e orava três vezes no dia. Como castigo foi lançado na cova dos leões, porém Deus o livrou (Dn 6).

Daniel era uma pessoa destemida, ousada, firme em suas atitudes e propósitos, porque sua vida estava alicerçada em Deus, que lhe dava forças e discernimento para agir retamente e jamais vacilar. Desde cedo ele ousou adotar uma dieta diferente na corte babilônica e foi bem sucedido. No seu primeiro desafio de revelar o sonho do rei e sua interpretação, coisa humanamente impossível, mesmo antes de obter de Deus a revelação, se apresentou ao rei, pediu mais um tempo e comprometeu-se a dar-lhe as respostas. A firmeza de propósitos de Daniel, incluía não apenas servir a Deus de todo o seu coração, como também buscar o bem-estar do seu povo de Israel.

c) O QUE ELE DEVIA FAZER

(Orar, buscar a Palavra de Deus e cumprir a sua Missão)

Daniel era um servo de Deus com total foco e compromisso nessas três áreas. Destaca-se por ter sido um homem de oração. Isso lhe proporcionou uma íntima comunhão com Deus. O Espírito de Deus estava sobre ele. O rei Nabucodonosor reconhecia isso e testemunhou, se expressando do seu jeito: “pois há em ti o espírito dos deuses santos” (Dn 4.18; ver tb Dn 5.11). Ele falava com Deus e Deus lhe respondia em visões (Dn 2.19; 7.1; 8.1; 10.1) ou enviando anjos (Dn 9.21) e, até mesmo antes dele se expressar diante de Deus (“No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado;” – Dn 9.23a). Na aflição ele buscava a Deus em oração (Dn 2.17-23; 6.10-11; 9.3-19).

Daniel tinha um apreço especial pelas Escrituras (Dn 9.2). Era nelas que se baseava para conhecer os mandamentos do Senhor e como viver uma vida que lhe agradasse. As Escrituras não eram mera teoria; ele buscava aplica-las ao seu dia a dia. Foi assim que encontrou “nos livros” o que Deus falara a Jeremias sobre aquele tempo.

Finalmente, pode-se observar que Daniel era totalmente comprometido com sua missão. Deus o chamou e o capacitou para a sua obra e Daniel, em todo o tempo, procurava corresponder a este chamado.

 2. O rosto de Daniel não se volvia para:

Já vimos os principais focos da atenção de Daniel. Agora veremos algumas coisas que não lhe atraiam a atenção, para as quais não volvia o seu rosto nem colocava nelas o seu coração.

a) Sua “bagagem pessoal”

Daniel tinha atributos físicos e intelectuais diferenciados. Ele estava entre os que foram selecionados e que atendiam os requisitos do rei: “Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus.” (Dn 1-3-4). E, como se isso fosse pouco, Deus ainda acrescentou: “Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos.” (Dn 1.17). Apesar de toda essa “bagagem pessoal” não encontramos em todo o livro de Daniel qualquer indício de orgulho, vaidade, altivez e soberba por parte dele. Pelo contrário, ele direcionava para Deus toda a honra e glória (Dn 2.27-28, 30) e, em decorrência, Deus era exaltado também por outros (Dn 2.47).  

b) Regalias e bens materiais

Daniel foi levado para a corte e podia simplesmente se alienar da miséria do seu povo e aproveitar a vida. Entretanto, não trilhou esse caminho. Logo rejeitou participar das iguarias oferecidas pelo rei, e não quis se contaminar (Dn 1.5, 8). Em outra ocasião, já idoso, rejeitou presentes e prêmios oferecidos pelo rei Belsazar (Dn 5.17), tal qual o profeta Eliseu (2Rs 5.15-16). Teve uma vida inteira de desapego às coisas materiais.

c) Projeção e poder

Tal qual José no Egito, Daniel ocupou lugar de destaque na corte. Logo no início, foi promovido a governador da província de Babilônia e a chefe supremo de todos os sábios (Dn 2.49). Mesmo idoso, provavelmente com mais de 80 anos, já no império Medo-Persa, foi constituído um dos três presidentes sobre os 120 sátrapas ou assistentes do rei Dario (Dn 6.1-3). Nada disso lhe subiu à cabeça ou mudou seu jeito simples e humilde de ser.

Conclusão:

Temos na vida deste homem de Deus inúmeros e proveitosos exemplos de “para onde volver ou não volver nosso rosto”, isto é, direcionar nossa vida. Se, assim fazendo ele foi vitorioso, assim o imitando, também poderemos ser. Que o Senhor nos ajude e ilumine!

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