As mulheres do Rei Davi (Parte 2)

O que não te contaram sobre as mulheres do Rei Davi…

Introdução

O propósito deste estudo é abordar o que essas mulheres poderiam nos ensinar. Nosso desafio é tentar entender como uma única esposa, num casamento monogâmico e heterossexual, poderia assimilar e desenvolver em seu casamento esse aprendizado e, concentrar numa só pessoa, as virtudes de todas.

O estudo está dividido em três partes, cada uma abordando um período específico ou uma fase da vida de Davi. Abordaremos aqui a segunda fase.

2ª FASE: Davi em fuga, ainda em ascensão, de 29 a 37 anos
(líder de bando, rei de Judá: 7,5 anos com ± 30-37 anos – 2Sm 5.4-5)

1. AINOÃ, MAACA, HAGITE, ABITAL e EGLÁ (a reprodutora, a mãe)(2Sm 3.1-5)

“Este grupo representa aquela esposa que todo marido normal pede a Deus.”

Fugindo de Saul, Davi passa a ter uma vida nômade. De comandante de tropas, passou a ser comandante de um bando de seiscentos homens descontentes, endividados e amargurados (1Sm 22.2; 23.13; 25.13). Nessa nova fase é ele quem toma a iniciativa de tomar para si esposas. As duas primeiras, Ainoã e Abigail (será comentada no próximo tópico) que passaram por momentos difíceis, sendo levadas cativas pelos amalequitas e depois resgatadas (1Sm 30). Muito pouco se diz dessas cinco esposas de Davi: Ainoã, Maaca, Hagite, Abital e Eglá. Com a morte de Saul, Davi se estabeleceu em Hebrom e ali foi ungido rei de Judá (2Sm 2.1-4). Por sete anos e seis meses foi rei em Hebrom, e havia guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi (1Sm 3.1).  É nesse contexto que são listados os seis primeiros filhos de Davi, um de cada uma das seis esposas, os que nasceram ali, em Hebrom (2Sm 3.1-5; 1Cr 3.1-4):

MÃESFILHOS
AionãAMNOM – Filho mais velho (2Sm 3.2; 1Cr 3.1)
(Praticou incesto contra sua irmã Tamar e foi morto por Absalão – 2Sm 13).
AbigailQUILEABE ou DANIEL – O segundo (2Sm 3.3; 1Cr 3.1)
MaacaABSALÃO – O terceiro (2Sm 3.3; 1Cr 3.2)
(Revoltou-se contra Davi e foi morto por Joabe – 2Sm 14-18).
TAMAR (1Cr 3.9)
HagiteADONIAS – O quarto (2Sm 3.4; 1Cr 3.2)
(Tentou tomar o reino e foi morto por Benaia, por ordem de Salomão – 1Rs 2.25).
AbitalSEFATIAS – O quinto (2Sm 3.4; 1Cr 3.3)
EgláITREÃO – O sexto (2Sm 3.5; 1Cr 3.3)

Lições: Com essas esposas, que quase passam despercebidas no relato bíblico, precisamos destacar e valorizar a sublime missão de mãe, a maternidade. A rotina diária delas é extenuante e quase invisível. Já os resultados são recompensadores, quando seu trabalho de criar os filhos é feito com amor, dedicação, perseverança e sabedoria. O marido pede a Deus por uma esposa assim, porque a bênção da reprodução não vem do esforço próprio do marido ou da esposa. Nem todas as esposas e maridos são contemplados por Deus com a bênção da fertilidade. Na maioria das vezes o casal só saberá disso algum tempo depois de casados. A infertilidade em nada deve degradar a relação do casal, que certamente encontrará outros propósitos para suas existências.

Dica: Nunca subestime a maternidade, o abençoado papel de mãe. Como disse Abraham Lincoln: “A mão que embala o berço governa o mundo”.

2. ABIGAIL (a sensata, sábia e formosa) (1Sm 25)

“Aquela esposa que todo marido normal gostaria de ter.”

Essa esposa de Davi, Abigail, merece um comentário à parte. A Bíblia dedica um capítulo inteiro para contar a história de como ela passou a fazer parte da vida de Davi: 1Samuel 25.1-44. É uma das mais belas histórias bíblicas onde a protagonista foi uma mulher e esposa. Ela vivia com seu marido Nabal, cujo nome em hebraico significa “insensato, sem juízo, louco” (um nome bem apropriado para esse sujeito) em Maom, a 1,5 Km do Carmelo, que era o local onde tinha suas propriedades, pois era abastado. O Carmelo ficava a cerca de 11Km de Hebrom.

Davi e seu bando estavam acampados nas proximidades de suas propriedades e, sabendo que ele estava fazendo a tosquia das ovelhas, juntamente com seus servos, enviou-lhe dez dos seus moços para pedir-lhe algum alimento. A expectativa de Davi era de ser atendido, pois seu bando, não lhe subtraiu qualquer coisa, além de lhe servir de um muro de proteção contra os possíveis invasores. Nabal foi duro, insano e inconsequente em sua resposta negativa enviada a Davi, menosprezando-o, insultando-o. Davi e seu bando ficam encolerizados com a resposta e resolvem partir pra cima deles, com a intenção de matar a Nabal e a todos os seus servos do sexo masculino. Felizmente, um dos servos de Nabal foi contar a Abigail o clima de terror que seu marido havia criado. Então, Abigail entra em cena para tentar limpar a lambança feita por seu marido. 

Por que Abigail é tão admirável? Por que ela é aquela esposa que todo marido normal gostaria de ter? Então vejamos como ela era e o que fez (1Sm 25):

a) Ela era sensata e formosa, contrastando com seu marido que era duro (insensível) e maligno (1Sm 25.3) – conhece algum casal assim?

b) Ela ouviu atentamente tudo o que aquele servo tinha a contar (1Sm 25.14-18) – demonstrou saber ouvir.

c) Ela agiu rapidamente, preparando provisões e, juntamente com seus moços partiu, corajosamente, em direção a Davi, para interceptá-lo no caminho, antes que fosse tarde demais (1Sm 25.18-22) – determinação, rapidez e coragem.

d) Lançou-se aos pés de Davi, humilhando-se e pedindo permissão para falar (1Sm 25. 23-24) – postura adequada diante da situação.

e) Demonstrou extrema sabedoria e objetividade na sua fala e argumentos diante de Davi – capacidade de persuasão:

(i) Assumiu toda a culpa, sem ter culpa (1Sm 25.24);

(ii) Descreveu a insanidade do marido e que ela não teve participação no lamentável episódio (1Sm 25.25);

(iii) Evocou a providência divina como agente oportuno a evitar tal derramamento de sangue (1Sm 25.26);

(iv) Entregou, como presente, as provisões que trouxe, para abrandar sua raiva (1Sm 25.27);

(v) Suplicou por perdão (1Sm 25.28a);

(vi) Profetizou a prosperidade de Davi e o valor de uma vida sem mácula (1Sm 25.8b);

(vii) Profetizou a proteção divina sobre a vida de Davi e a derrota dos seus inimigos (1Sm 25.29);

(viii) Profetizou que quando o Senhor o levantasse por Rei de Israel, aquele mal que estava para fazer não lhe pesaria na consciência; não mancharia sua honra, não lhe seria por tropeço (1Sm 25.30-32).

(ix) Obteve êxito na sua petição, evitando uma desgraça na sua casa, e uma mancha vergonhosa no currículo do futuro rei de Israel (1Sm 25.32-35). Sabe lá o que é, em poucos minutos, fazer um homem enfurecido começar a bendizer e glorificar a Deus? Ó glória! Isso é que é ser “mulher empoderada”!

f) Suportou com paciência e respeito a alienação e insanidade do seu marido (1Sm 25.36).

g) Esperou que seu marido ficasse sóbrio, para lhe contar todo o ocorrido (1Sm 25.37).

h) Esperou em Deus por uma solução para o seu inferno conjugal. O texto bíblico relata que Deus feriu a Nabal e ele morreu. Alguns comentaristas acreditam e algumas traduções dão a entender que ao receber a notícia dada por Abigail, ele sofreu um ataque cardíaco ou derrame e ficou paralisado, morrendo dez dias depois (1Sm 25.37-38).

i) Após a morte de seu marido, aceitou o “convite” (ou intimação? rsrs) de Davi para tornar-se sua esposa. Esse pedido de casamento é um caso controverso. Aparentemente Davi mandou seus servos fazer-lhe o convite – “Mandou Davi falar a Abigail que desejava tomá-la por mulher” (v 39); mas, parece que os seus servos transformaram o convite em intimação – “Davi nos mandou a ti, para te levar por sua mulher”. (v.40).  Em tese, esse novo casamento parecia ser melhor para Abigail do que aquele que tivera com Nabal. Na cabeça de Davi era muito interessante: esposa formosa, sensata e rica. E, Davi não parou por aqui. Pior é que ele quis mais esposas!

Lições: Abigail nos ensina muitas coisas. Dentre elas, que a beleza integral de uma esposa é o somatório da beleza física com a beleza do caráter, da sensatez, da sabedoria. “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.” (Pv 14.1). Todo marido precisa de uma boa conselheira ao seu lado e vice-versa. Uma boa conversa, um bom conselho, uma boa argumentação, ajudam muito mais do que difamar o cônjuge pelas costas; do que ficar chorando e se lamentando para conseguir ser ouvida pelo cônjuge. Se Nabal tivesse dado ouvidos à sua esposa teria sido uma pessoa ricamente abençoada e feliz, proporcionando a mesma felicidade à sua esposa.

Dica: Seja uma mulher sábia, sensata e formosa. Quem sabe você conseguirá transformar o seu Nabal em Davi, sem trocar de marido?


Veja, também:
As mulheres do Rei Davi (Parte 1)
As mulheres do Rei Davi (Parte 3)

As mulheres do Rei Davi (Parte 1)

O que não te contaram sobre as mulheres do Rei Davi…

Introdução

Em primeiro lugar, vale lembrar que nosso propósito aqui é focalizar as quase esposas, as esposas e as concubinas de Davi, já que se fala muito dele e nem tanto delas.

Em segundo lugar, também é bom lembrar que a poligamia jamais fez parte do projeto de Deus para a família. Para alguns povos e culturas do passado e do presente ela é comum e legal. Entretanto, tão danosas à família e à sociedade, quanto a poligamia, são duas práticas que observamos por aí, que têm mais a ver com promiscuidade do que com liberdade. 1ª)Entre solteiros(as) que não querem assumir compromisso sério e seguem o lema: “Se posso ter todas(os) por que ficar apenas com uma (um)? 2ª)Entre casados ou juntados que ainda não entenderam o valor do casamento: adotaram a conduta do casa-separa ou junta-separa, indefinidamente, apoiando-se e tentando superar o desconforto de suas consciências na legislação vigente ou na tolerância infinita de uma sociedade pós-moderna permissiva. Isso nada mais é do que uma “promisgamia” (promiscuidade + casamento)

O propósito deste estudo é abordar o que essas mulheres poderiam nos ensinar. Nosso desafio é tentar entender como uma única esposa, num casamento monogâmico e heterossexual, poderia assimilar e desenvolver em seu casamento esse aprendizado e, concentrar numa só pessoa, as virtudes de todas.

O estudo está dividido em três partes, cada uma abordando um período específico ou uma fase da vida de Davi.

1ª FASE: Davi em ascensão, de 20 a 29 anos
(pastor de ovelhas – 1Sm 16.11, harpista e escudeiro do rei Saul – 1Sm 16.18-21, vencedor do duelo com Golias – 1Sm 17, comandante de tropas de Saul – 1Sm 18.5)

1. MERABE (a miragem, o fantasma)

“Aquela que poderia ter sido sua esposa, mas nunca foi.”

Como isso aconteceu? O que ela tem a ver com Davi?

Saul era um rei que agradava o povo pelo seu belo porte físico e família de bens (1Sm 9.2). Era capaz de ganhar qualquer concurso masculino de beleza entre os filhos de Israel (1Sm 10.23-24). O seu coração foi mudado e o Espírito de Deus se apossou dele (1Sm 10.9-10) e ele começou bem o seu reinado. Entretanto, no segundo ano de reinado, ele se precipitou oferecendo holocausto em lugar do profeta Samuel, porque este demorou a chegar, e recebeu deste um “cartão amarelo” (1Sm 13.1-14). Em outra ocasião, obedeceu parcialmente a ordem de Deus e recebeu um “cartão vermelho” de Samuel (1Sm 15). É aí que Davi entra em cena. Samuel recebe ordem de Deus para ungi-lo, em Belém. Após esta unção, o Espírito Santo se apossou de Davi (1Sm 16.12-13) e foi retirado de Saul, que passou a ser atormentado por um espírito maligno (1Sm 16.14). Davi é convocado por Saul para tocar harpa, promovendo seu alívio, e para ser seu escudeiro (1Sm 16.16-23). Foi assim que Davi passou a frequentar a casa de Saul e a ter contato com sua família. Surgiu então a afronta do filisteu Golias contra Israel. O rei Saul oferece sua filha por esposa para quem o derrotar (1Sm 17.25). Davi se apresenta, vai ao seu encontro e o derrota (1Sm 17.31-55). Agora era só aguardar a entrega do prêmio de guerra – Merabe – a filha mais velha de Saul. Uma verdadeira miragem no deserto da vida de um pobre e humilde camponês. Davi é promovido a comandante de tropas (1Sm 18.5). Acaba se saindo tão bem que é mais admirado e festejado pelas mulheres do povo do que Saul. Daí em diante passa a ser odiado e perseguido pelo rei invejoso (1Sm 18.6-16). Saul chegou a lhe apresentar Merabe, mas adiou a entrega ao máximo torcendo para que ele morresse numa das guerras. A entrega foi adiada por tanto tempo que Merabe acabou sendo entregue, por esposa, a outro homem – Adriel (1Sm 18.17-19). Ela lhe deu cinco filhos que, no reinado de Davi foram entregues por este aos gibeonitas que os enforcaram (2Sm 21.8-9). Que triste fim!

Nada se diz de Merabe. Nenhuma fala ou seu posicionamento é mencionado. Tudo leva a crer que ela não tinha interesse em Davi, mas sim por um ilustre desconhecido – Adriel. Parece que o fato de Davi ser um herói nacional, um comandante e guerreiro bem sucedido, um homem de Deus e habilidoso com a harpa não a impressionou. Ao longo da sua vida é provável que ela tenha se arrependido dessa escolha. Provavelmente seu marido morreu cedo, em alguma batalha. Talvez ela não tenha vivido tanto quanto Davi, porém deve ter visto quão importante ele se tornou. Chego a pensar que isso bem poderia ser como um fantasma do passado que atormentava sua vida. Em 2Samuel 21.8-9 há um triste relato de que seus cinco filhos foram entregues, por Davi, aos gibeonitas, que os enforcaram para pagar a dívida de sangue que a casa de Saul tinha com eles.

Lições: A história de Merabe nos ensina algumas coisas:

Merabe perdeu a oportunidade de se tornar a esposa do mais relevante rei de Israel – Davi. Não está claro se a culpa foi dela, do pai Saul ou de ambos. Quem poderia imaginar que aquela pessoa tão simples, Davi, poderia chegar onde chegou? Cuidado! Não despreze os pequenos começos!

1ª) Realmente, na insensatez e arroubo da juventude fazemos escolhas das quais iremos nos arrepender pelo resto de nossas vidas. Entretanto, não podemos viver sufocados por elas. É preciso aprender a lição, dar um reset e começar nova vida. É claro que o status, o ser bem sucedido financeiramente, não é o fator mais importante a ser avaliado. O coração deve falar mais alto.

2ª) Por outro lado, é preciso considerar que se tivéssemos escolhido a outra opção, o resultado poderia não ter sido tão exitoso quanto o que alcançamos hoje.

Dica: Enfim, esqueça as miragens, o que você poderia ter tido ou sido, exorcize os fantasmas do passado e viva plenamente o que você tem e é!

2. MICAL – Parte 1 (a determinada)

“Aquela que não era para ser sua esposa, mas acabou sendo.”

Depois da enrolação e frustração na entrega de Merabe a Davi, eis que surge Mical, a filha mais nova de Saul, usada por este para servir de tropeço e ao seu intento de tirar a vida de Davi (1Sm 18.21). Ardiloso, Saul envia seus servos secretamente a Davi para propor que este aceitasse ser seu genro, dispensando-o do dote, mas exigindo dele 100 prepúcios de filisteus, na perspectiva de que Davi morresse no combate para obtê-los. Davi concorda e não faz por menos, fere 200 homens e paga o dobro de prepúcios que Saul pediu. Então, Saul não teve como adiar mais e lhe entregou, por esposa, Mical (1Sm 18.22-27). Efetivamente esta foi sua primeira esposa. Diz o relato bíblico que ela o amava (1Sm 18.20, 28).

Davi prosperava mais do que todos os comandantes dos exércitos de Saul e a inveja e o ódio do seu sogro aumentavam, a ponto de um dia quase o matar com sua lança (1Sm 18.30; 19.1-10). Na noite desse dia quase fatídico, Saul decretou a morte de Davi. Mandou cercar sua casa para que ele não fugisse e na manhã seguinte iria mandar trazê-lo e executá-lo (1Sm 19.11). É nesse contexto desesperador que entra em cena sua esposa Mical. Ela o avisa do perigo, o ajuda na fuga, pela janela, simula que este está doente, deitando um ídolo na cama com um tecido de pelos de cabra em sua cabeça e cobrindo-o com uma manta. Tudo isso para Davi se distanciar, na fuga. Pela manhã, percebendo-se enganado por sua própria filha, Saul a interpela e ela usa uma desculpa bem esfarrapada: “Porque ele me disse: Deixa-me ir, senão eu te mato.” (1Sm 19.11-17). A partir desse momento o casal ficou separado. Passado algum tempo, Mical é dada por Saul a outro homem, Palti ou Paltiel (1Sm 25.44; 2Sm 3.15), como uma forma de afronta a Davi.

Lições: O que podemos aprender com essa esposa, Mical (parte 1)? Ela faz lembrar aquela mulher jovem, apaixonada, determinada, disposta a enfrentar os pais e o mundo pelo seu amado. Por fim acaba se rendendo à intervenção dos pais. Quem segue os passos de Mical, nesse contexto, só merece ser aplaudida. Por outro lado, temos de admitir que, infelizmente, muitas jovens empreendem uma luta contra os pais e contra a sensatez por uma causa perigosa, por um suposto amor que não vale a pena, por uma verdadeira bomba de efeito retardado.

Dica: Nunca perca aquela garra da juventude, mas aplique-a naquilo que realmente possa valer a pena.


Veja, também:
As mulheres do Rei Davi (Parte 2)
As mulheres do Rei Davi (Parte 3)

Falsas Expectativas no Casamento

Comigo não será assim…

Texto(s) base: 1Coríntios 7.16 (1Co 7.12-17)

“Raquel entregou sua vida ao Senhor e comprometeu-se a trilhar em seus caminhos. Ela confiou que ele colocaria seu futuro marido em seu caminho. E esperou, pacientemente, confiante que o Senhor dirigiria essa área em sua vida.

E então, ela conheceu Ricardo, um rapaz forte, simpático e bonito que tinha tudo para se tornar um bom marido e bom pai. Ele só não era cristão, AINDA, mas certamente se tornaria.

´Senhor, mostra-me se não for para eu caminhar para esse lado`. Ela orou. ´Tenho confiado no Senhor para me mostrar o caminho. É meio difícil acreditar que o Senhor possa estar me dirigindo a isso, … não me deixe prosseguir se esta não for a tua vontade!`

O Senhor, porém, não a impediu. Ele simplesmente já havia declarado em sua Palavra: ´Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?` (2Co 6.14) e permitiu que ela exercesse o dom da escolha.

Naquelas áreas em que o Senhor já revelou sua vontade através da sua Palavra, ele espera que coloquemos sua vontade a nossa frente e escolhamos seguir a sua verdade através de nossa própria escolha.”[1]

O capítulo 7 de 1Coríntios é inteiramente dedicado ao casamento, com as seguintes divisões: Casamento e Celibato (7.1-9); Casamento e Divórcio (7.10-24); Casamento e tempos de tribulação (7.25-31); Casamento e Serviço Cristão (7.32-38); Casamento e novo casamento (7.39-40). O nosso texto básico está inserido na divisão que trata de Casamento e Divórcio (7.10-24) e podem ser destacadas duas subdivisões, a saber: 1ª) Casados com crentes – não se separem (7.10-11); 2ª) Casados com não crentes – não abandone o seu cônjuge (7.12-17). Neste estudo trataremos da questão do jugo desigual e do casamento misto. Abordaremos algumas questões, tais como: a importância de uma boa escolha de namorado(a) e cônjuge; de mudar-se a si mesmo e mudar o outro; das falsas expectativas em relação ao outro; do que podemos ou não fazer, e daquilo que somente Deus pode fazer.     

O que você tem a dizer de uma expressão como “Comigo não será assim…”? Determinação? Ousadia? Ou Presunção? Independentemente se a sua escolha amorosa for boa ou não você se acha capaz de controlar, dominar e mudar a situação? Você acredita que vai conseguir mudar o outro e suas atitudes, ou que ele mudará com o tempo? Que as frustrações decorrentes de expectativas equivocadas podem causar sérios danos ao casamento e à família?

1. O QUE SABER….
    Quanto a JUGO DESIGUAL e CASAMENTO MISTO

1.1 Análise dos textos

“ Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido  (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher. (1Co 7.10-11)

Ainda que o “mandamento” aqui referido seja para todos os casados, certamente o alvo principal são os casados cristãos. É interessante a forma como o apóstolo se expressa quando se refere aos casamentos cristãos e aos casamentos mistos (cristãos com não cristãos). No primeiro caso ele evoca a ordenança do Senhor Jesus (1Co 7.10) e no segundo, a manifestação da sua própria opinião (1Co 7.12-17).

“Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido. Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz. Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado. É assim que ordeno em todas as igrejas. (1Co 7.12-17)

Nos versículos 12 a 16 Paulo expressa sua opinião ao se dirigir a outros tipos de casais, aos que vivem um casamento “misto”, ou jugo desigual (2Co 6.14), isto é, um dos cônjuges era cristão e o outro não. Não se deve concluir apressadamente que o apóstolo expressa aqui o seu consentimento para casamentos mistos. Vale lembrar que o cristão que envereda por esse caminho deve ter consciência do risco que está correndo, inclusive o risco de gerar filhos para a perdição eterna, por influência do cônjuge não cristão.

Com o avanço da pregação do Evangelho muitas pessoas eram alcançadas, inclusive as casadas. Certamente haveria situações em que apenas um dos cônjuges recebeu o evangelho, enquanto o outro permaneceu incrédulo. O que aconselha o apóstolo? Sem dúvida que se mantenha o casamento, pois este é tão legítimo quanto qualquer outro. E, assim, nessa convivência do crente com o incrédulo, o incrédulo poderia vir a ser alcançado pelo bom testemunho do cônjuge crente. E se o incrédulo não aceitasse essa situação? Aí, então, aparece a exceção Paulina; que a parte incrédula se aparte. Mas, a iniciativa deveria partir da parte incrédula, nunca da parte crente.  Não se pode descartar aqui o perigo da parte crente, interessada na separação, provocar o cônjuge incrédulo a pedir o divórcio.

Neste caso, pode a parte crente contrair novas núpcias sem cometer adultério? Há intérpretes que entendem que o texto “em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã (v.15)” é uma concessão de Paulo a um novo casamento desse crente. Mas isso não está dito no texto. O texto fala claramente de uma espécie de libertação de uma situação complicada e escravizadora que é um relacionamento conflituoso causado por um jugo desigual. Segundo o ponto de vista de Paulo, baseado na angustiosa situação de perseguição vivida pela igreja, o melhor seria cada um permanecer como estava, isto é, solteiro, casado ou viúvo (1Co 7.25-40).

É igualmente razoável, tratar de forma diferenciada, os casos de novos convertidos que trazem sequelas conjugais de tempos anteriores à sua conversão, perdoando e dando uma nova oportunidade. É regra das igrejas solicitar que os novos crentes regularizem sua condição civil antes de serem recebidos como membros da igreja. Se, por exemplo, eram separados de um casamento anterior e agora vivem com outra pessoa, devem providenciar o divórcio legal com o cônjuge anterior e legalizar a união atual ou rompê-la imediatamente, se for o caso.

1.2 Considerações sobre o assunto

“Não lavrarás com junta de boi e jumento.” (Dt 22.10)
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?”(2Co 6.14)

Este versículo apresenta a ordenança bíblica sobre o jugo desigual. Jugo, ou canga, é uma peça de madeira que serve para unir dois animais pelo pescoço para que andem juntos no trabalho do campo. Jugo desigual seria, por exemplo, um boi e um jumento unidos pelo jugo. O resultado desta desigualdade seria ruim porque estes animais têm forças diferentes, e isto produziria diferença no ritmo do trabalho. Quando Paulo diz que não devemos nos colocar em jugo desigual com os incrédulos, ele quer dizer que não devemos nos aproximar demais dos incrédulos a ponto de ter uma íntima comunhão com eles. O povo de Israel havia recebido ordenanças neste sentido (Êx 34.10-17; Dt 7.1-6), pois era o povo de Deus, santo, separado: “Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.” (Dt 7.6). Eles não deveriam entregar seus filhos e filhas ou tomar os filhos e filhas dos demais povos, em matrimônio, porquanto eles acabariam se contaminando com suas práticas pagãs, principalmente a idolatria, rompendo a comunhão com Deus e atraindo os seus castigos (Ed 10; Ne 13.23-27). Até o sábio Salomão caiu nessa armadilha, corrompendo o seu coração: “…; e suas mulheres lhe perverteram o coração.” (1Rs 11.3b)

No contexto atual e da igreja precisamos considerar os seguintes aspectos:

a) É um assunto complexo e sensível

Será que o ensino bíblico é muito radical e ultrapassado sobre este assunto? Será que o amor supera todos os obstáculos e, no fim, dá tudo certo? Na minha humilde visão entendo que jugo desigual não é uma questão de pecado, mas uma questão de potencial risco de infelicidade e afastamento de Deus. Parafraseando o apóstolo Paulo em 1Coríntios 7.28, poderíamos dizer: “Mas, se te casares, com um(a) incrédulo(a), por isso não pecas. Ainda assim, tais pessoas sofrerão angústia na carne, e eu quisera poupar-vos.”

Homem e mulher, por natureza, são diferentes e essas diferenças não são o problema, pelo contrário, são abençoadoras e complementares, no casamento, na vida a dois. A complexidade reside no fato de quem é o outro! O que pensa da vida? Quais os seus planos, propósitos e sonhos? Qual a sua visão ideológica de mundo? E, assim por diante. O fato de ter a mesma religião, frequentar a mesma igreja ou professar a mesma fé já é um fator muito positivo. Entretanto, se tem apenas rótulo de cristão, mas não nasceu de novo, não poderia isso caracterizar jugo desigual?

b) É uma situação de alto risco

Se você tomasse conhecimento de uma estatística de acidentes na Ponte Aérea Rio-São Paulo do tipo que a cada 10 voos 8 aviões caem e todos morrem, mesmo assim você viajaria nela? E se fossem 2 quedas a cada 10 voos? Não temos estatísticas atuais sobre o percentual de casamentos mistos malsucedidos ou divórcios.  Ainda que haja exemplos de casamento misto em que o cônjuge se converteu (glória a Deus por isso!), o fato é que não é isso que a Bíblia ensina. Se essa conversão não ocorrer, jamais poderemos cobrar de Deus aquilo que ele nunca prometeu em sua Palavra! O risco da frustração e infelicidade fica mesmo por nossa conta.

c) É um fator complicador

Sendo ambos os cônjuges cristãos, estes já enfrentam as dificuldades inerentes ao relacionamento humano. Se um deles for incrédulo, as dificuldades tendem a aumentar de forma exponencial. Em termos históricos e práticos podemos enumerar os seguintes fatores:

– O povo de Israel e Salomão são exemplos de que o casamento misto provoca um relaxamento no compromisso com Deus.

– Os cônjuges têm visão de vida diferente e estão trilhando caminhos diferentes.

– O compromisso com Deus exige amor integral (Mt 22.37). Por outro lado, o amor ao marido ou à esposa também demandam muita dedicação. É como diz o apóstolo: “Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa,   e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido.” (1Co 7.33-34). Aí, as coisas complicam, conforme exemplos abaixo.

– Vão precisar lidar com situações e desejos conflitantes: O que fazer com seu dinheiro? Vai entregar o dízimo? E com seu tempo? Vai à praia no horário da Escola Dominical? Vai ao culto à noite ou ao cinema/teatro? Quando seus filhos nascerem, em que religião eles serão ensinados? Que exemplo os filhos seguirão, do cônjuge incrédulo ou do cristão? Que tipo de música vocês vão ouvir no carro ou em casa? Que tipo de amigos frequentarão sua casa ou participarão da sua vida? Manter seu compromisso com Deus é muito difícil quando o seu cônjuge diz não a Deus, não te apoia e, ainda, te atrapalha.

Um namoro/noivado/casamento com quem não teme a Deus pode parecer algo inofensivo, de menor importância, mas coloca em risco a sua fidelidade e lealdade ao Senhor. Jesus desafia a quem quer segui-lo a negar-se a si mesmo por amor a ele (Mt 16.24); a colocar diante de Deus todas as suas ansiedades e petições (Mt 6.25-33; Fp 4.6). Coloque toda a sua vida, inclusive seus sentimentos, diante de Deus em oração. Com certeza ele sabe o que é melhor para você.

2. O QUE FAZER….
     Para se livrar de um mau casamento?

2.1 Escolha bem

Não, não tem receita de bolo para conseguir um bom cônjuge. Entretanto, podemos refletir um pouco sobre algumas dicas:

(i) Se você é uma pessoa remida por Jesus Cristo e ele é o Senhor e Salvador da sua vida, coloque diante dele, em oração, essa causa, como se tudo dependesse dele.

(ii) Para tudo na vida é preciso oração e ação. Portanto, faça a sua parte. Comece estudando o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto. Pesquise e leia bons livros sobre o assunto.

(iii) Aprenda com os exemplos positivos e negativos de outros casais: seus pais, seus parentes, seus amigos, outros casais da Bíblia e da história.

(iv) Avalie tudo isso e perceba, em você mesmo, o que você precisa ser ou mudar antes de escolher a outra pessoa que fará parte da sua vida.

(v) Entenda o que Deus quer da sua vida e que tipo de pessoa teria propósitos semelhantes, alinhados com os seus, de modo que ambos se ajudassem a conquistá-los.

(vi) Aprenda sobre a forma de escolher, sobre o que é importante ou essencial, e sobre o que é secundário.

(vii) Escolha bem, com critérios adequados. Não se deixe levar apenas pela emoção e pelo coração.

(viii) O que deve ser levado em conta nessa escolha? Aparência física (beleza)? Situação financeira? Caráter? Família? Posição Social? Carisma? Simpatia? Avalie com cuidado.

(ix) O testemunho de uma vida espiritual autêntica, bem como, a leveza de um bom relacionamento são aspectos indispensáveis. Procure alguém que tenha conquistado sua atenção e coração, com as características essenciais para desfrutar de uma vida a dois tranquila, estável, harmoniosa, alegre, digna, piedosa, alicerçada em Cristo e dedicada ao seu serviço.

(x) Por fim, mais do que buscar um cônjuge perfeito, sem defeitos, ideal, é relevante esforçar-se permanentemente para ser aquilo que queremos encontrar no outro.

Portanto, escolha bem, seja um bom partido e faça a diferença! Lembre-se que a família é uma instituição criada por Deus e a base da igreja e da sociedade. É preciso ter cuidado na sua formação e na sua manutenção! O casamento é uma união tão sagrada que o Espírito de Deus o usa como uma figura da união de Cristo à Sua Igreja (Ef 5.22-27; Ap 19.6-9; 21.9; 22.17).

2.2 O que você é e faz afeta o outro

“Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos; mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes” (provérbio oriental)

Como o outro reflete ou reage ao seu modo de ser, às suas atitudes ou ao que você fala ou faz? Não podemos perder de vista o fato de que a convivência na família ou com outras pessoas ou grupos, de alguma forma nos afeta e permite que também afetemos os outros. No relacionamento entre cônjuges, sem perceber, podemos estar afetando o jeito de ser e agir da outra pessoa. Vejamos alguns exemplos:

  • O acomodado – O cônjuge acomodado se omite no desempenho do seu papel. Então, o outro terá de atuar pelos dois, gerando sobrecarga, cansaço e, provavelmente irritação. Ele ou ela não era assim, mas tornou-se assim como reação ao jeito de ser do outro cônjuge.
  • O crítico – Gera, no outro, um comportamento agressivo ou inseguro.
  • O bonzinho – Não estabelece limites, nunca diz não, para os filhos. Gera no outro cônjuge a imagem de insensível, rigoroso etc. porque tem que dizer não pelos dois.
  • O autoritário – Procura impor sempre sua vontade. Gera no outro desânimo, irritação ou até mesmo revolta.  

Mas, também há comportamentos, atitudes e exemplos que se reproduzem no outro:

  • O líder – O bom líder na sua casa forma outros líderes.
  • O honesto – Estimula no outro a virtude da honestidade.

É preciso ter muito cuidado com o que você critica, reprova ou condena no seu cônjuge, pois pode ser puro reflexo do que você mesmo é ou faz! Não é sem razão que psicólogos defendem a “Terapia Sistêmica” para tratar problemas envolvendo um membro da família, já que o sistema familiar doente gera pacientes.

3. O QUE ESPERAR….
    De Deus, de Você mesmo e do Cônjuge

“Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?” (1Co 7.16)

No texto acima o apóstolo Paulo deixa no ar uma angustiante dúvida. Por mais efetivo, adequado e maravilhoso que seja o testemunho no lar de um cônjuge cristão para o seu cônjuge incrédulo, não há garantia de que ele se converterá ao Senhor. Com o passar do tempo, o cônjuge pode melhorar, pode piorar ou se manter indiferente!

Você conhece a estória da princesa e do sapo? Sabe contá-la? Há algumas versões, porém, o final é sempre o mesmo, o beijo da princesa no sapo fez que ele se transformasse num príncipe. Em algumas versões, o beijo foi por amor ou piedade, em outras, para se livrar dele. Quantas pessoas entram em relacionamentos ou se casam com a esperança ou expectativa de que seu amor, sua dedicação ou seja lá o que for vai transformar o outro numa pessoa melhor.

Não namore ou não se case com uma pessoa incrédula esperando que Deus ou você vai convertê-la ou a pessoa vai mudar com o tempo. Não existe promessa bíblica neste sentido! “Não existe namoro nem casamento ´missionário`.”

É preciso aceitar e amar o outro pelo que a pessoa é, não pelo que poderá vir a ser! Nós amamos o nosso cônjuge ou futuro cônjuge pelo que ele é hoje, pelas suas virtudes, mas, também, apesar dos seus defeitos e imperfeições.

Quanto à salvação do cônjuge, é sempre oportuno lembrar que a obra redentiva é única e exclusiva do Espírito Santo nos corações. Jamais poderemos tomar o lugar de Deus. Também é bom lembrar que Deus age em nós, através de nós, e apesar de nós. Por mais bem intencionados que sejamos, se agirmos por conta própria, sem a direção e orientação de Deus, podemos até atrapalhar mais do que ajudar que o nosso cônjuge tenha um encontro salvador com Cristo.

Conclusão

Deus nos chamou para sermos cooperadores dele e com ele, e não protagonistas independentes nas ações que somente ele pode realizar. Assim sendo, não confie na força do seu braço achando que, apesar de outros casamentos terem falhado pelas escolhas erradas que as pessoas fizeram, por exemplo, a do jugo desigual, com você será diferente, porque você tem capacidade e habilidade para mudar o outro. Não seja presunçoso! Não se iluda! Não se engane! Não confie no que não está sob o seu domínio e poder!

Por outro lado, se você se converteu e seu cônjuge não, ou se você se arriscou e está vivendo um casamento misto, um jugo desigual, não perca a esperança. Faça a sua parte e continue suplicando a intervenção e misericórdia divinas.

Que Deus nos ajude!

Bibliografia:
1. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada).
2. Bíblia Online – SBB.
3. Revista Nossa Fé – Falsas expectativas no casamento (Ed. Cultura Cristã).
4. Champlin, Russell Norman, Ph.D. – O Novo Testamento Interpretado, versículo por versículo – Hagnos.
5. Internet.


[1] Revista Lar Cristão, nº 38 (SET-NOV 1997) Pg. 48