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Estar vivo! Sentir-se vivo!

“Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gn 2.18)

A expressão “não é bom” surge aqui, pela primeira vez na bíblia, exteriorizando e revelando os pensamentos do Altíssimo em relação à solidão humana. Aparece pela última vez nos lábios de Jesus dirigindo sua resposta ao clamor daquela mulher cananeia: “Senhor, socorre-me!”…. Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.”  (Mt 15.25-26). Ao todo, essa expressão aparece na bíblia por 16 vezes, principalmente no Livro de Provérbios e fazendo referência a práticas erradas, injustas, inconvenientes ou caminhos pecaminosos.

Quando Deus acha que a solidão humana não é boa, é porque não é mesmo. Somente quem experimentou a vida cotidiana em um agradável ambiente familiar, com seu cônjuge e filhos, depois passou a morar sozinho(a) é capaz de entender esse doloroso sentimento.

Estar vivo não é tudo, também é importante sentir-se vivo! A versão da música BEING ALIVE (ESTAR VIVO) cantada por Adam Driver no filme “História  de um Casamento (MARRIAGE STORY – 2019)” nos oferece uma interessante oportunidade de refletir sobre o estar vivo e sentir-se vivo, em contraste com o vazio da solidão. 

Alguém que abrace você de perto demais.
Alguém que magoe você profundo demais.
Alguém que sente na sua cadeira.
Que faça você perder o sono.
Alguém que precise demais de você.
Alguém que conheça você bem demais.
Alguém que ponha você contra a parede.
Que jogue você no inferno.
Estar vivo.
Estar vivo.
Estar vivo.

Que alguém me abrace de perto demais.
Que alguém me magoe profundo demais.
Que alguém sente na minha cadeira.
Que me faça perder o sono.
E me deixe consciente de estar vivo.
Estar vivo.

Como é gostoso e vitalizante aquele abraço bem apertado e aconchegante de quem te ama. É aquele gesto, sem palavras, que diz tudo.

Até a mágoa tem o seu lugar e valor num relacionamento; produz reflexão, produz mudança. ”Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Pv 27.6). É claro que não há aqui qualquer apologia à violência física.

O ato de sentar-se na sua cadeira traz as ideias de proximidade e relacionamento; de presença mais demorada, de disposição para falar e ouvir. Quem não precisa disso?

Se algo é monótono e sem importância provoca desinteresse e sonolência. Se alguém faz você perder o sono, quer por seu companheirismo e cumplicidade, quer pelo que disse, significa que há alguém ou algo importante em sua vida e que desperta sensações e sentimentos no mais profundo do seu ser.

A vida passa a ter cores muito mais fortes e vigorosas quando alguém precisa de você. Não se trata daquela dependência tóxica e doentia que anula o ser do outro, mas aquela carência revigorante de quem aprecia e reconhece o valor diferenciado de quem você é e daquilo que você faz.

O conhecimento aprofundado do outro, numa relação de disputa e ódio, é sempre danoso e destrutivo. Porém, numa relação saudável, este conhecimento é muito bem-vindo. Os pontos fortes do cônjuge são reconhecidos e úteis no cotidiano do casal. Naturalmente os pontos fracos não vão passar despercebidos e merecerão aquele apoio incondicional para sua superação.

Encostar o outro contra a parede é não lhe dar espaço para fugir daquilo que precisa ser enfrentado. Pode não parecer muito agradável ser forçado a enfrentar os desafios da vida. É como ser jogado no inferno da provação. Entretanto, tem grande chance de ser recompensador e nos faz sentir vivos. Estar vivo….

Que alguém precise demais de mim.
Que alguém me conheça bem demais.
Que alguém me ponha contra a parede.
E me jogue no inferno.
E me anime, para estar vivo.
Faça-me viver,
Faça-me viver,
Me deixe confuso.

Na sequência, alguns versos são repetidos, agora na forma de um ardente desejo. O desejo se mistura com uma espécie de clamor pela sobrevivência.

A sombria e gélida solidão precisa ser penetrada pela luz e calor do ânimo e entusiasmo de uma companhia amada.

Às vezes ocorre confusão de sentimentos ou dúvidas quando se pensa se vale a pena continuar juntos. Aí alguém diz algo que merece uma boa reflexão: “Podemos ter muitos motivos para não casar com alguém, mas nenhum bom motivo para ficarmos sozinhos”.

Zombe de mim com elogios.
Me deixe ser usado.
Diversifique os meus dias.
Mas sozinho,
É sozinho,
Não é vivo.

Zombar ou debochar ou achincalhar não é coisa boa e desejável. Vamos abrir uma exceção aqui desse zombar e avaliar como algo positivo, porque se é com elogios, parece compensador e estimulador.

Algumas frases podem soar repulsivas, tipo “me deixe ser usado”. Ser usado por alguém e aceitar isso passivamente parece humilhante. Numa relação de amor muito forte e intensa provavelmente será melhor isso do que o isolamento da solidão.

Se a solidão provoca certa monotonia e paralisia, no corpo e na alma, a presença do outro tem tudo para gerar mobilidade, quebra de rotina desde que os cônjuges saibam fazer bom uso da sua criatividade.

Que alguém me inunde de amor.
Que alguém me obrigue a mostrar o meu coração.
Que alguém me faça estar à altura.
Eu sempre estarei lá.
Tão amedrontado quanto você.
Pra nos ajudar a sobreviver.
Estar vivo,
Estar vivo,
Estar vivo.

Mais do que um legítimo desejo, receber atenção, afeto e amor é algo inquestionavelmente revigorante e vital. Faz brilhar os olhos, acelerar o coração, ruborizar a face,  eclodir uma sensação de euforia, enfim, provoca o pulsar da vida do corpo e da alma.

Obrigação só rima com satisfação na técnica dos poetas e compositores. Quem quer ser obrigado a fazer alguma coisa? Ah, mas para escapar da solidão aceitam-se algumas obrigações como aquela que te faz descortinar e manifestar os segredos mais íntimos do coração.

O caminhar a dois envolve muitos desafios, mas também oferece grandes e excelentes oportunidades. Uma delas é a de crescimento. É extremamente proveitoso que cada cônjuge incentive e contribua efetivamente para o desenvolvimento e amadurecimento do outro. Se são “uma só carne” é natural e esperado que isso aconteça. É mais uma vantagem da vida em comum do casal. Do contrário, quando apenas um se desenvolve resulta em disformidade, podendo tornar a relação insustentável.

Portanto, essa vida a dois pode até parecer amedrontadora pelos desafios que se impõem. Entretanto, se o amor que une o casal é maior do que as diferenças que atuam contra, é de se esperar muito mais força e garra para se viver e sobreviver!

Finalmente, vale lembrar que se você perdeu alguém muito importante em sua vida, que fazia você se sentir vivo(a), não perca de vista as promessas de Deus, nosso Criador:

“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada. Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril.” (Sl 68.5-6)

“O SENHOR é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes.” (Is 31.8)

“Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.” (Sl 73.23-26)

A nobre missão de Evangelizar

A Bíblia fala por si mesma…..

ASPECTOS REFERENTES À OBRA

01. É a proclamação do amor e da vontade de Deus.

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8)

“Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1Tm 2.3-4)

02. É reconhecer a necessidade do homem pecador.

“pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,” (Rm 3.23)

“como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Rm 3.10-12)

03. É valorizar a alma humana e o preço que foi pago no Calvário.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8.36-37)

“e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9)

“sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,” (1Pe 1.18-19)

04. É obter resultados transformadores para um futuro glorioso.

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;” (Rm 1.16)

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2Co 5.17)

“para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2Ts 2.14)

05. É tarefa permanente e urgente.

“Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.” (Mc 13.10)

“Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” (Jo 4.35)

“É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” (Jo 9.4)

“remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Ef 5.16)

“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tm 4.2)

ASPECTOS REFERENTES AO OBREIRO

06. É para os seguidores de Cristo.

“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mt 9.35-38)

“pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.” (1Ts 2.4)

“A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12)

07. É um ato de obediência, podendo acarretar sofrimento.

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.18-20)

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15-16)

“Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29)

“pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,” (2Tm 1.8b)

08. É um dever revestido de privilégio.

“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14)

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16)

“Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.” (1Co 9.23)

09. É manifestação de sabedoria.

“O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio.” (Pv 11.30)

“Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.” (Ef 5.17)

10. É recompensada com galardão.

“Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro.” (Jo 4.35-36)

“manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1Co 3.13, 15)

“Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.” (1Co 9.25)

REFLEXÃO E ENVIO

“Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda,  livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” (At 26.16-18)

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Perseguidos, porém não desamparados

“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;” (2Co 4.8-9)

INTRODUÇÃO

Você tem percebido algum tipo de perseguição aos cristãos no Brasil? A partir da sua conversão você já foi vítima de algum tipo de perseguição ou discriminação por causa de sua fé cristã?

Neste artigo abordaremos inicialmente a realidade da perseguição aos cristãos e, em seguida, faremos a análise de um caso real de perseguição logo no início da igreja.

1. A REALIDADE DA PERSEGUIÇÃO

1.1  Abuso do poder religioso.

Em 18/08/2020 o TSE rejeitou instituir o abuso de poder religioso em ações que podem levar a cassações de candidatos eleitos.

A tese foi proposta pelo vice-presidente do TSE 2020, Ministro Luiz Edson Fachin, ao relatar recurso da vereadora de Luziânia (GO) Valdirene Tavares dos Santos contra cassação de mandato por suposto abuso de poder religioso nas Eleições de 2016. O MPE acusou Valdirene de pedir votos durante um evento na catedral da Assembleia de Deus em Luziânia. A reunião com pastores de outras filiais foi convocada pelo pai da candidata, Sebastião Tavares, pastor e dirigente da igreja no município. Após o juiz eleitoral condenar pai e filha, o TRE de Goiás absolveu Sebastião Tavares, mas manteve a punição contra a vereadora. A Corte Regional considerou ilícito eleitoral o discurso de cerca de três minutos feito por ela para cerca de 40 jovens no local religioso. Segundo o MPE, a candidata teria usado sua autoridade religiosa para influenciar os ouvintes, interferindo no direito constitucional da liberdade de voto.

Por sua vez ao votar, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que a legislação eleitoral já prevê, de forma expressa, o abuso de poder religioso, ao vedar doações a candidatos e partidos por instituições religiosas e propaganda política em templos, de acordo com os artigos 24 e 37 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Fonte: TSE
https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2020/Agosto/tse-rejeita-instituir-abuso-de-poder-religioso-em-acoes-que-podem-levar-a-cassacoes

É claro que templo religioso não é lugar para campanha política. ”A tese do abuso religioso é eivada de uma visão equivocada, que tenta excluir as pessoas de fé do debate público. O Estado é laico[1], não laicista[2]. Não é possível excluir da discussão política quem tem e assume a fé”. (Valmir Nascimento Milomem Santos, William Douglas)

Fonte: Correio Braziliense – 01/07/2020.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/01/internas_opiniao,868335/abuso-de-poder-religioso.shtml

Entretanto, é de se estranhar que tais autoridades jurídicas nunca se incomodaram com a propagação de ideologias de esquerda e aliciamento de trabalhadores realizadas pelos sindicatos de classe nas portas das empresas e em suas assembleias, bem como com a atuação de professores em escolas e universidades doutrinando os alunos com ideologias socialistas / comunistas e progressistas.

1.2 A Perseguição ao Cristianismo no mundo.

A MISSÃO PORTAS ABERTAS realiza um trabalho sério, cuidadoso e técnico de pesquisa mundial de perseguição aos cristãos. No link abaixo você encontrará o resultado da pesquisa realizada no período de 01/10/2019 a 30/09/2020, apresentando os cinquenta países que lideram essa perseguição, bem como a explicitação dos fatores e motivações que levam a isso.

Resultado da Pesquisa:  TOP 50 da Perseguição ao Cristianismo 2021.pdf

1.3 As quatro estratégias de Satanás sobre a humanidade – os “4 C”:

São, pelo menos, quatro:

a) CONFUNDIR (Operação Eva)

b) CONQUISTAR (Operação Ló)(atrair e seduzir)

c) CONTROLAR (Operação Gerasa)

d) COMBATER (Operação Jó)

Uma dessas estratégias é a perseguição (combate). Veja o detalhamento de cada uma delas no artigo do link abaixo.

Fonte: https://pauloraposocorreia.com.br/2017/09/16/destruindo-fortalezas/

1.4 Reflexões sobre a perseguição

a) Qual a razão da perseguição?

Normalmente a perseguição é motivada por algo (crença, costume, pessoa) que contrarie ou ameace determinados interesses de uma pessoa ou de algumas pessoas ou de grupos sociais ou de grupos organizados que detenham poder dominante ou que pretendam ser o poder dominante.

b) Perseguição ao crente e à igreja.

(i) Jesus falou e preanunciou a perseguição:

– No Sermão do Monte: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.10);

– Na Parábola da Semente e dos Solos: “mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mt 13.21);

– Comentando o encontro com o jovem de qualidades: “Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Mc 10.29-30).

(ii) A igreja vem sofrendo perseguições desde o início da sua história (At 8.1; 13.50; 2Ts 1.4; 2Tm 3.11).

(iii) O apóstolo Paulo adverte que os crentes piedosos serão perseguidos (2Tm 3.12).

   “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.”

(iv) Nenhum tipo de adversidade pode separar-nos do amor de Cristo: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?” (Rm 8.35).

(v) O crente fiel suporta as perseguições e não é desamparado (1Co 4.12; 2Co 4.9).

(vi) As perseguições, por amor a Cristo, devem ser motivo de prazer: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Co 12.10).

2. A PERSEGUIÇÃO DOS APÓSTOLOS (Atos 4.5-31):

2.1 O contexto

Tudo começou quando Pedro e João subiram ao templo para a oração da ora nona (15h)(At 3.1). Ali na porta do templo curaram o coxo de nascença (At 3.1-11). Na sequência, discursaram e pregaram a Cristo ressuscitado e conclamaram o povo ao arrependimento (At 3.12-26). O evento evangelístico inesperado tomou proporções tais que chamou a atenção das lideranças religiosas que providenciaram a prisão dos apóstolos Pedro e João (At 4.1-3). Entretanto, o Espírito Santo já havia operado nos corações dos ouvintes e o número dos homens que aceitaram a palavra subiu para quase cinco mil (At 4.4).  

2.2 O Sinédrio (At 4.1-3)

a) Sua composição e competência

Era o mais alto tribunal religioso dos judeus, do qual faziam parte os sumos sacerdotes (o atual e os anteriores), chefes religiosos (anciãos) e mestres da Lei (escribas). Representantes do grupo ou seita dos saduceus (At 5.17), juntamente com representantes da seita dos fariseus, compunham o Superior Tribunal Civil e Religioso de setenta juízes, chamado “Sinédrio”, que exercia autoridade quase absoluta em Israel, tanto sobre questões civis, quanto sobre questões religiosas. Embora a Judéia fosse província romana, governada por um procurador, desde o ano 6 DC, a maioria das questões do Estado era entregue nas mãos das autoridades judaicas, na pessoa do sumo sacerdote e do Sinédrio.

b) Suas preocupações

“Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais?” (Jo 11.47)

Desde o início do ministério público de Jesus estas autoridades religiosas se mostraram preocupadas com a influência e popularidade de Jesus alcançada por meio dos seus discursos e ações miraculosas. E, agora, que pensavam que se tinham livrado dele, executando-o, eis que tudo recomeçava. Os saduceus estavam desgastados e ameaçados por tal pregação. Jesus fora um terrível pesadelo para eles; só que agora havia doze de seus representantes, sem falar no número de discípulos, que crescia a olhos vistos, a cada momento. É bem provável que a perseguição à nova religião tenha se agravado mais do que no tempo de Jesus, uma vez que o grupo dominante (os saduceus) começou a tomar parte mais ativa na perseguição aos cristãos, ao passo que, anteriormente, haviam deixado a oposição ativa a Jesus mais ao encargo dos fariseus, até os últimos poucos meses de sua vida terrena.

Vale lembrar e ressaltar que os fariseus exerceram maior oposição a Jesus, durante o seu ministério terreno, do que os saduceus. Entretanto, após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus os saduceus marcaram presença nessa oposição aos seguidores de Cristo. Teologicamente, a hierarquia judaica daquele tempo, por estar essencialmente dominada pelos saduceus, representava uma tendência racionalista e cética (materialista), negando a existência dos anjos e dos espíritos, bem como a realidade da vida após túmulo: “Pois os saduceus declaram não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito; ao passo que os fariseus admitem todas essas coisas.” (At 23.8). Portanto, os saduceus estavam preocupados porque Pedro e João proclamavam, persistentemente e abertamente, que Jesus ressuscitara dos mortos e anunciavam, com base nessa ressurreição, a esperança da ressurreição dos homens.

c) Suas atitudes arbitrárias

Parece que esse encarceramento não foi oficial, porquanto não havia qualquer acusação formal, a não ser a possível acusação de estarem os apóstolos a perturbar a tranquilidade e o sossego públicos. Também não parece ter havido tentativa de iniciar qualquer processo legal. O resultado de tudo foi uma mera advertência feita aos líderes cristãos, e não um julgamento severo. Porém, foi assim que toda a questão da perseguição contra a Igreja Cristã primitiva começou. Jesus havia advertido os seus seguidores acerca disso, decorridas apenas algumas poucas semanas que o próprio Senhor Jesus fora arrastado à presença daquele mesmo tribunal. Cristo, pois, advertira aos seus discípulos que seriam entregues “…aos tribunais e às sinagogas…” (Mc 13.9). E agora essa predição começava a cumprir-se.

d) Sua incapacidade

Prender os apóstolos era muito fácil. Difícil era controlar as mentes e os corações daqueles que tomaram conhecimento dos fatos e participaram de uma inesperada concentração evangelística, que se desenvolveu naquela tarde-noite. Os apóstolos foram encarcerados, mas a Palavra de Deus permanecia livre e desimpedida por ser vivificada pelo Espírito Santo. E isto nos faz lembrar da declaração de Paulo em 2Timóteo 2.9: “pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada”. Quando a igreja não sofre reação dos inimigos do evangelho é porque ela não está influenciando o mundo como deveria.

2.3 O julgamento e a libertação dos apóstolos (At 4.5-22)

a) O julgamento e os juízes (At 4.5-6)

As regulamentações judaicas proibiam que se instaurassem julgamentos no período noturno; e, neste caso, essa particularidade da lei dos judeus foi observada, porquanto as autoridades religiosas prenderam os dois apóstolos e esperaram até ao raiar do dia seguinte. Deve-se notar, entretanto, que essa lei, no caso do Senhor Jesus, foi inteiramente ignorada, certamente por causa da premência do caso, embora a decisão oficial somente tenha ocorrido na manhã seguinte. A lei contrária aos julgamentos noturnos parece ter-se alicerçado no texto de Jeremias 21.12.

No dia imediato o Sinédrio se reuniu para julgar os apóstolos. Parece que não faltou ninguém: autoridades ou sacerdotes, anciãos e escribas. Os escribas não eram, nem seita religiosa e nem partido político, e sim, um grupo de profissionais. “Doutor”, “escriba” e “mestre (da lei)” são expressões sinônimas, no NT. Tendo-se originado com Esdras, segundo certa tradição, os escribas interpretavam e ensinavam a lei do AT e baixavam decisões judiciais sobre os casos que lhes eram apresentados. A aplicação dos preceitos da lei à vida diária, tornava necessária a função interpretativa dos escribas. Nessa ocasião Caifás era o sumo sacerdote presidente do Sinédrio. Seu sogro, Anás, era o ex-sumo sacerdote e muito respeitado no Sinédrio. Quanto a João e Alexandre, nada sabemos.

b) A grande questão  (At 4.7)

Pedro e João foram levados a presença do Sinédrio e desafiados a dizer com que autoridade, leigos como eles eram, agiam daquela forma. – Apresentem suas credenciais! dizem eles. O credenciamento dado pelo Espírito Santo é o único que nos deveria importar. João Batista era um ministro aprovado por Deus. Sua vida demonstrou isso, embora não estivessem os seus padrões em consonância com os padrões das autoridades religiosas dos seus dias. Jesus teve a vida mais poderosa que alguém já viveu, e, no entanto, as autoridades de seus dias não aceitaram, nem a ele mesmo e nem a seu ministério.

c) A resposta de Pedro  (At 4.8-12)

  • A transformação de Pedro

É maravilhoso pensar na transformação ocorrida em Pedro. Antes, se escondendo de todos e negando o Mestre; agora, porém, sabendo com que tipo de homens estava lidando, enfrentou-os com não menor bravura do que o fizera o Senhor Jesus, o que era, afinal de contas, uma das grandes características de Pedro.

  • A assistência divina

A fonte da coragem de Pedro fica aqui bem evidenciada e era o cumprimento da promessa de Jesus: “Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.” (Mc 13.11; comp. Mt 10.19-20; Lc 21.14-15). Destaca-se novamente o fato, tal como nas ações e intervenções anteriores de Simão Pedro, desde o dia de Pentecoste, de que o temor que o subjugou, durante o breve período da grande prova do Senhor Jesus, que fez Simão tremer ante a indagação de uma simples criada, cedera lugar a uma intrepidez extraordinária, que emprestava a Pedro o poder e a confiança mais patentes, na presença do mais augusto grupo de juízes da terra, a saber, do próprio tribunal que condenara o Senhor Jesus à morte.

  • A defesa de Pedro

Pedro destacou que nada fez além de ajudar um aleijado e declarou que sua cura fora efetuada em nome de Jesus Cristo de Nazaré. Pedro estava presumivelmente defendendo-se, mas depois abandonou a defesa e começou a proclamar o Evangelho (vv.11 e 12). Ele citou o Salmo 118.22, já citado por Cristo (Mc 12.10; Mt 21.42 e Lc 20.17), declarando que Cristo era a pedra que os construtores da nação judia rejeitaram, mas a qual Deus estabeleceu por mais importante pedra do edifício. Além disso, disse que só nele havia salvação; e que se os judeus rejeitassem o poder salvador do seu nome, não haveria outro meio de encontrarem salvação. Pedra angular parece referir-se a uma pedra do alicerce, o que se encaixa bem com a referência a Isaías 28.16 (citada em Rm 9.33) e a Efésios 2.20.

d) O dilema dos juízes  (At 4.13-14)

A atuação dos apóstolos deixou o Sinédrio admirado. “Iletrados e incultos” provavelmente não se referem à sua inteligência ou capacidade de ler e escrever, mas ao fato de que não eram escolados ou educados na tradição dos escribas, sendo de fato leigos. Era coisa incomum que leigos, sem preparo, falassem com tal eficiência e autoridade. Os líderes já sabiam que Pedro e João eram discípulos de Jesus, mas lembravam-se agora do fato de que Jesus, mesmo não sendo educado nas tradições dos escribas (Jo 7.15), também tinha deixado o povo maravilhado com a autoridade com que falava (Mc 1.22). Algo dessa mesma autoridade refletia-se agora nos seus discípulos.

A presença do coxo ali, em pé, curado, junto com eles, tornava difícil negar a eficácia dessa autoridade.

e) A deliberação do Sinédrio  (At 4.15-17)

Embora Pedro e João não tivessem infringido qualquer lei, estavam ganhando uma popularidade perigosa. O Sinédrio deliberou que a única atitude possível era ameaçá-los, ordenando-lhes que não pregassem mais em nome de Jesus. O Sinédrio não tomou qualquer providência para desacreditar a afirmação central da pregação dos apóstolos – que Jesus ressuscitara dos mortos. A pregação dos apóstolos poderia ser facilmente frustrada se a proclamação da ressurreição fosse comprovadamente falsa. O corpo de Jesus desvanecera-se tão completamente que o Sinédrio se sentia inteiramente impotente para refutar a mensagem. 

f) O veredito final e a liberação (At 4.18-22)

Nada podiam eles fazer, senão proibi-los de falar em nome de Jesus e ameaçá-los, pois, tanto as evidências, quanto a reação do povo eram favoráveis aos apóstolos. Antes de saírem, Pedro e João, corajosamente manifestaram ao Sinédrio a disposição de obedecer a Deus a qualquer preço. Não devemos nos abater com as perseguições pois há uma autoridade maior, nosso Deus Todo-Poderoso, que nos guarda e nos assiste nesses momentos. É a ele que devemos obediência!

2.4 O reencontro com a igreja (At 4.23-31)

É possível imaginar o alívio dos apóstolos após a liberação, bem como o anseio e a expectativa de se encontrarem com os irmãos, que certamente estavam em oração por eles.

a) O compartilhamento das experiências vivenciadas (At 4.23)

Como família da fé é natural e importante que busquemos o convívio dos irmãos para mantermos comunhão e compartilharmos as experiências vividas. Desta forma poderemos apoiar e ajudar efetivamente uns aos outros, bem como orar com mais conhecimento de causa uns pelos outros.

b) A oração (At 4.24-30)

Na oração expressa nestes versículos verifica-se:

  • Uma invocação ao Deus Criador e Sustentador de todas as coisas, que tudo governa.
  • A palavra profética, ora realizada, das investidas contra o Senhor Deus e o seu Ungido.
  • Uma súplica ao Senhor para que mesmo diante de tantas ameaças pudessem continuar a anunciar o evangelho e a operar milagres. 

c) O revestimento do Espírito (At 4.31)

Como resposta divina a oração, o Espírito do Senhor se manifestou de forma extraordinária, enchendo-os e concedendo-lhes intrepidez para seguirem em frente, cumprindo sua missão. O que aconteceu aqui podemos chamar de um novo pentecoste, o “pentecoste eclesiástico”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde o início da história, desde o Éden, o grande objetivo de Satanás tem sido o de afastar o ser humano de Deus e da sua vontade. A perseguição é uma das suas opções estratégicas, provavelmente utilizada quando as outras não surtem o efeito desejado. Entretanto, muitas vezes, o resultado é exatamente o oposto; os cristãos perseguidos se tornam fortes instrumentos de Deus no avanço da fé.

Pregar ou defender os bons costumes, a família e os valores judaico-cristãos, significa atrair e desencadear todas as forças movidas pelo inferno em sua direção. Porém, Deus é o nosso refúgio e fortaleza e não nos desampara. Nada escapa ao seu governo e controle sobre tudo e sobre todos. Além disso, vale ressaltar que foi através da grande perseguição contra a igreja em Jerusalém que os cristãos foram dispersos e o Evangelho se espalhou (At 8).

Finalmente, é lamentável ter que citar aqui a existência de “fogo amigo”, quando cristãos perseguem cristãos. Porém mesmo em situações tão negativas como essa, que podem servir de escândalo para os incrédulos, Deus tem os seus propósitos e caminhos em toda e qualquer circunstância, sendo capaz de transformar o mal em bem.


[1] Laico: significa o que ou quem não pertence ou não está sujeito a uma religião ou não é influenciado por ela.

[2] Laicista: Quem segue ou defende o laicismo, doutrina ou ideologia que prega a não intervenção das organizações religiões em instituições políticas e sociais.

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