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Perseguidos, porém não desamparados

“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;” (2Co 4.8-9)

INTRODUÇÃO

Você tem percebido algum tipo de perseguição aos cristãos no Brasil? A partir da sua conversão você já foi vítima de algum tipo de perseguição ou discriminação por causa de sua fé cristã?

Neste artigo abordaremos inicialmente a realidade da perseguição aos cristãos e, em seguida, faremos a análise de um caso real de perseguição logo no início da igreja.

1. A REALIDADE DA PERSEGUIÇÃO

1.1  Abuso do poder religioso.

Em 18/08/2020 o TSE rejeitou instituir o abuso de poder religioso em ações que podem levar a cassações de candidatos eleitos.

A tese foi proposta pelo vice-presidente do TSE 2020, Ministro Luiz Edson Fachin, ao relatar recurso da vereadora de Luziânia (GO) Valdirene Tavares dos Santos contra cassação de mandato por suposto abuso de poder religioso nas Eleições de 2016. O MPE acusou Valdirene de pedir votos durante um evento na catedral da Assembleia de Deus em Luziânia. A reunião com pastores de outras filiais foi convocada pelo pai da candidata, Sebastião Tavares, pastor e dirigente da igreja no município. Após o juiz eleitoral condenar pai e filha, o TRE de Goiás absolveu Sebastião Tavares, mas manteve a punição contra a vereadora. A Corte Regional considerou ilícito eleitoral o discurso de cerca de três minutos feito por ela para cerca de 40 jovens no local religioso. Segundo o MPE, a candidata teria usado sua autoridade religiosa para influenciar os ouvintes, interferindo no direito constitucional da liberdade de voto.

Por sua vez ao votar, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que a legislação eleitoral já prevê, de forma expressa, o abuso de poder religioso, ao vedar doações a candidatos e partidos por instituições religiosas e propaganda política em templos, de acordo com os artigos 24 e 37 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Fonte: TSE
https://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2020/Agosto/tse-rejeita-instituir-abuso-de-poder-religioso-em-acoes-que-podem-levar-a-cassacoes

É claro que templo religioso não é lugar para campanha política. ”A tese do abuso religioso é eivada de uma visão equivocada, que tenta excluir as pessoas de fé do debate público. O Estado é laico[1], não laicista[2]. Não é possível excluir da discussão política quem tem e assume a fé”. (Valmir Nascimento Milomem Santos, William Douglas)

Fonte: Correio Braziliense – 01/07/2020.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/01/internas_opiniao,868335/abuso-de-poder-religioso.shtml

Entretanto, é de se estranhar que tais autoridades jurídicas nunca se incomodaram com a propagação de ideologias de esquerda e aliciamento de trabalhadores realizadas pelos sindicatos de classe nas portas das empresas e em suas assembleias, bem como com a atuação de professores em escolas e universidades doutrinando os alunos com ideologias socialistas / comunistas e progressistas.

1.2 A Perseguição ao Cristianismo no mundo.

A MISSÃO PORTAS ABERTAS realiza um trabalho sério, cuidadoso e técnico de pesquisa mundial de perseguição aos cristãos. No link abaixo você encontrará o resultado da pesquisa realizada no período de 01/10/2019 a 30/09/2020, apresentando os cinquenta países que lideram essa perseguição, bem como a explicitação dos fatores e motivações que levam a isso.

Resultado da Pesquisa:  TOP 50 da Perseguição ao Cristianismo 2021.pdf

1.3 As quatro estratégias de Satanás sobre a humanidade – os “4 C”:

São, pelo menos, quatro:

a) CONFUNDIR (Operação Eva)

b) CONQUISTAR (Operação Ló)(atrair e seduzir)

c) CONTROLAR (Operação Gerasa)

d) COMBATER (Operação Jó)

Uma dessas estratégias é a perseguição (combate). Veja o detalhamento de cada uma delas no artigo do link abaixo.

Fonte: https://pauloraposocorreia.com.br/2017/09/16/destruindo-fortalezas/

1.4 Reflexões sobre a perseguição

a) Qual a razão da perseguição?

Normalmente a perseguição é motivada por algo (crença, costume, pessoa) que contrarie ou ameace determinados interesses de uma pessoa ou de algumas pessoas ou de grupos sociais ou de grupos organizados que detenham poder dominante ou que pretendam ser o poder dominante.

b) Perseguição ao crente e à igreja.

(i) Jesus falou e preanunciou a perseguição:

– No Sermão do Monte: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.10);

– Na Parábola da Semente e dos Solos: “mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mt 13.21);

– Comentando o encontro com o jovem de qualidades: “Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.” (Mc 10.29-30).

(ii) A igreja vem sofrendo perseguições desde o início da sua história (At 8.1; 13.50; 2Ts 1.4; 2Tm 3.11).

(iii) O apóstolo Paulo adverte que os crentes piedosos serão perseguidos (2Tm 3.12).

   “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.”

(iv) Nenhum tipo de adversidade pode separar-nos do amor de Cristo: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?” (Rm 8.35).

(v) O crente fiel suporta as perseguições e não é desamparado (1Co 4.12; 2Co 4.9).

(vi) As perseguições, por amor a Cristo, devem ser motivo de prazer: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Co 12.10).

2. A PERSEGUIÇÃO DOS APÓSTOLOS (Atos 4.5-31):

2.1 O contexto

Tudo começou quando Pedro e João subiram ao templo para a oração da ora nona (15h)(At 3.1). Ali na porta do templo curaram o coxo de nascença (At 3.1-11). Na sequência, discursaram e pregaram a Cristo ressuscitado e conclamaram o povo ao arrependimento (At 3.12-26). O evento evangelístico inesperado tomou proporções tais que chamou a atenção das lideranças religiosas que providenciaram a prisão dos apóstolos Pedro e João (At 4.1-3). Entretanto, o Espírito Santo já havia operado nos corações dos ouvintes e o número dos homens que aceitaram a palavra subiu para quase cinco mil (At 4.4).  

2.2 O Sinédrio (At 4.1-3)

a) Sua composição e competência

Era o mais alto tribunal religioso dos judeus, do qual faziam parte os sumos sacerdotes (o atual e os anteriores), chefes religiosos (anciãos) e mestres da Lei (escribas). Representantes do grupo ou seita dos saduceus (At 5.17), juntamente com representantes da seita dos fariseus, compunham o Superior Tribunal Civil e Religioso de setenta juízes, chamado “Sinédrio”, que exercia autoridade quase absoluta em Israel, tanto sobre questões civis, quanto sobre questões religiosas. Embora a Judéia fosse província romana, governada por um procurador, desde o ano 6 DC, a maioria das questões do Estado era entregue nas mãos das autoridades judaicas, na pessoa do sumo sacerdote e do Sinédrio.

b) Suas preocupações

“Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais?” (Jo 11.47)

Desde o início do ministério público de Jesus estas autoridades religiosas se mostraram preocupadas com a influência e popularidade de Jesus alcançada por meio dos seus discursos e ações miraculosas. E, agora, que pensavam que se tinham livrado dele, executando-o, eis que tudo recomeçava. Os saduceus estavam desgastados e ameaçados por tal pregação. Jesus fora um terrível pesadelo para eles; só que agora havia doze de seus representantes, sem falar no número de discípulos, que crescia a olhos vistos, a cada momento. É bem provável que a perseguição à nova religião tenha se agravado mais do que no tempo de Jesus, uma vez que o grupo dominante (os saduceus) começou a tomar parte mais ativa na perseguição aos cristãos, ao passo que, anteriormente, haviam deixado a oposição ativa a Jesus mais ao encargo dos fariseus, até os últimos poucos meses de sua vida terrena.

Vale lembrar e ressaltar que os fariseus exerceram maior oposição a Jesus, durante o seu ministério terreno, do que os saduceus. Entretanto, após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus os saduceus marcaram presença nessa oposição aos seguidores de Cristo. Teologicamente, a hierarquia judaica daquele tempo, por estar essencialmente dominada pelos saduceus, representava uma tendência racionalista e cética (materialista), negando a existência dos anjos e dos espíritos, bem como a realidade da vida após túmulo: “Pois os saduceus declaram não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito; ao passo que os fariseus admitem todas essas coisas.” (At 23.8). Portanto, os saduceus estavam preocupados porque Pedro e João proclamavam, persistentemente e abertamente, que Jesus ressuscitara dos mortos e anunciavam, com base nessa ressurreição, a esperança da ressurreição dos homens.

c) Suas atitudes arbitrárias

Parece que esse encarceramento não foi oficial, porquanto não havia qualquer acusação formal, a não ser a possível acusação de estarem os apóstolos a perturbar a tranquilidade e o sossego públicos. Também não parece ter havido tentativa de iniciar qualquer processo legal. O resultado de tudo foi uma mera advertência feita aos líderes cristãos, e não um julgamento severo. Porém, foi assim que toda a questão da perseguição contra a Igreja Cristã primitiva começou. Jesus havia advertido os seus seguidores acerca disso, decorridas apenas algumas poucas semanas que o próprio Senhor Jesus fora arrastado à presença daquele mesmo tribunal. Cristo, pois, advertira aos seus discípulos que seriam entregues “…aos tribunais e às sinagogas…” (Mc 13.9). E agora essa predição começava a cumprir-se.

d) Sua incapacidade

Prender os apóstolos era muito fácil. Difícil era controlar as mentes e os corações daqueles que tomaram conhecimento dos fatos e participaram de uma inesperada concentração evangelística, que se desenvolveu naquela tarde-noite. Os apóstolos foram encarcerados, mas a Palavra de Deus permanecia livre e desimpedida por ser vivificada pelo Espírito Santo. E isto nos faz lembrar da declaração de Paulo em 2Timóteo 2.9: “pelo qual estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada”. Quando a igreja não sofre reação dos inimigos do evangelho é porque ela não está influenciando o mundo como deveria.

2.3 O julgamento e a libertação dos apóstolos (At 4.5-22)

a) O julgamento e os juízes (At 4.5-6)

As regulamentações judaicas proibiam que se instaurassem julgamentos no período noturno; e, neste caso, essa particularidade da lei dos judeus foi observada, porquanto as autoridades religiosas prenderam os dois apóstolos e esperaram até ao raiar do dia seguinte. Deve-se notar, entretanto, que essa lei, no caso do Senhor Jesus, foi inteiramente ignorada, certamente por causa da premência do caso, embora a decisão oficial somente tenha ocorrido na manhã seguinte. A lei contrária aos julgamentos noturnos parece ter-se alicerçado no texto de Jeremias 21.12.

No dia imediato o Sinédrio se reuniu para julgar os apóstolos. Parece que não faltou ninguém: autoridades ou sacerdotes, anciãos e escribas. Os escribas não eram, nem seita religiosa e nem partido político, e sim, um grupo de profissionais. “Doutor”, “escriba” e “mestre (da lei)” são expressões sinônimas, no NT. Tendo-se originado com Esdras, segundo certa tradição, os escribas interpretavam e ensinavam a lei do AT e baixavam decisões judiciais sobre os casos que lhes eram apresentados. A aplicação dos preceitos da lei à vida diária, tornava necessária a função interpretativa dos escribas. Nessa ocasião Caifás era o sumo sacerdote presidente do Sinédrio. Seu sogro, Anás, era o ex-sumo sacerdote e muito respeitado no Sinédrio. Quanto a João e Alexandre, nada sabemos.

b) A grande questão  (At 4.7)

Pedro e João foram levados a presença do Sinédrio e desafiados a dizer com que autoridade, leigos como eles eram, agiam daquela forma. – Apresentem suas credenciais! dizem eles. O credenciamento dado pelo Espírito Santo é o único que nos deveria importar. João Batista era um ministro aprovado por Deus. Sua vida demonstrou isso, embora não estivessem os seus padrões em consonância com os padrões das autoridades religiosas dos seus dias. Jesus teve a vida mais poderosa que alguém já viveu, e, no entanto, as autoridades de seus dias não aceitaram, nem a ele mesmo e nem a seu ministério.

c) A resposta de Pedro  (At 4.8-12)

  • A transformação de Pedro

É maravilhoso pensar na transformação ocorrida em Pedro. Antes, se escondendo de todos e negando o Mestre; agora, porém, sabendo com que tipo de homens estava lidando, enfrentou-os com não menor bravura do que o fizera o Senhor Jesus, o que era, afinal de contas, uma das grandes características de Pedro.

  • A assistência divina

A fonte da coragem de Pedro fica aqui bem evidenciada e era o cumprimento da promessa de Jesus: “Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.” (Mc 13.11; comp. Mt 10.19-20; Lc 21.14-15). Destaca-se novamente o fato, tal como nas ações e intervenções anteriores de Simão Pedro, desde o dia de Pentecoste, de que o temor que o subjugou, durante o breve período da grande prova do Senhor Jesus, que fez Simão tremer ante a indagação de uma simples criada, cedera lugar a uma intrepidez extraordinária, que emprestava a Pedro o poder e a confiança mais patentes, na presença do mais augusto grupo de juízes da terra, a saber, do próprio tribunal que condenara o Senhor Jesus à morte.

  • A defesa de Pedro

Pedro destacou que nada fez além de ajudar um aleijado e declarou que sua cura fora efetuada em nome de Jesus Cristo de Nazaré. Pedro estava presumivelmente defendendo-se, mas depois abandonou a defesa e começou a proclamar o Evangelho (vv.11 e 12). Ele citou o Salmo 118.22, já citado por Cristo (Mc 12.10; Mt 21.42 e Lc 20.17), declarando que Cristo era a pedra que os construtores da nação judia rejeitaram, mas a qual Deus estabeleceu por mais importante pedra do edifício. Além disso, disse que só nele havia salvação; e que se os judeus rejeitassem o poder salvador do seu nome, não haveria outro meio de encontrarem salvação. Pedra angular parece referir-se a uma pedra do alicerce, o que se encaixa bem com a referência a Isaías 28.16 (citada em Rm 9.33) e a Efésios 2.20.

d) O dilema dos juízes  (At 4.13-14)

A atuação dos apóstolos deixou o Sinédrio admirado. “Iletrados e incultos” provavelmente não se referem à sua inteligência ou capacidade de ler e escrever, mas ao fato de que não eram escolados ou educados na tradição dos escribas, sendo de fato leigos. Era coisa incomum que leigos, sem preparo, falassem com tal eficiência e autoridade. Os líderes já sabiam que Pedro e João eram discípulos de Jesus, mas lembravam-se agora do fato de que Jesus, mesmo não sendo educado nas tradições dos escribas (Jo 7.15), também tinha deixado o povo maravilhado com a autoridade com que falava (Mc 1.22). Algo dessa mesma autoridade refletia-se agora nos seus discípulos.

A presença do coxo ali, em pé, curado, junto com eles, tornava difícil negar a eficácia dessa autoridade.

e) A deliberação do Sinédrio  (At 4.15-17)

Embora Pedro e João não tivessem infringido qualquer lei, estavam ganhando uma popularidade perigosa. O Sinédrio deliberou que a única atitude possível era ameaçá-los, ordenando-lhes que não pregassem mais em nome de Jesus. O Sinédrio não tomou qualquer providência para desacreditar a afirmação central da pregação dos apóstolos – que Jesus ressuscitara dos mortos. A pregação dos apóstolos poderia ser facilmente frustrada se a proclamação da ressurreição fosse comprovadamente falsa. O corpo de Jesus desvanecera-se tão completamente que o Sinédrio se sentia inteiramente impotente para refutar a mensagem. 

f) O veredito final e a liberação (At 4.18-22)

Nada podiam eles fazer, senão proibi-los de falar em nome de Jesus e ameaçá-los, pois, tanto as evidências, quanto a reação do povo eram favoráveis aos apóstolos. Antes de saírem, Pedro e João, corajosamente manifestaram ao Sinédrio a disposição de obedecer a Deus a qualquer preço. Não devemos nos abater com as perseguições pois há uma autoridade maior, nosso Deus Todo-Poderoso, que nos guarda e nos assiste nesses momentos. É a ele que devemos obediência!

2.4 O reencontro com a igreja (At 4.23-31)

É possível imaginar o alívio dos apóstolos após a liberação, bem como o anseio e a expectativa de se encontrarem com os irmãos, que certamente estavam em oração por eles.

a) O compartilhamento das experiências vivenciadas (At 4.23)

Como família da fé é natural e importante que busquemos o convívio dos irmãos para mantermos comunhão e compartilharmos as experiências vividas. Desta forma poderemos apoiar e ajudar efetivamente uns aos outros, bem como orar com mais conhecimento de causa uns pelos outros.

b) A oração (At 4.24-30)

Na oração expressa nestes versículos verifica-se:

  • Uma invocação ao Deus Criador e Sustentador de todas as coisas, que tudo governa.
  • A palavra profética, ora realizada, das investidas contra o Senhor Deus e o seu Ungido.
  • Uma súplica ao Senhor para que mesmo diante de tantas ameaças pudessem continuar a anunciar o evangelho e a operar milagres. 

c) O revestimento do Espírito (At 4.31)

Como resposta divina a oração, o Espírito do Senhor se manifestou de forma extraordinária, enchendo-os e concedendo-lhes intrepidez para seguirem em frente, cumprindo sua missão. O que aconteceu aqui podemos chamar de um novo pentecoste, o “pentecoste eclesiástico”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde o início da história, desde o Éden, o grande objetivo de Satanás tem sido o de afastar o ser humano de Deus e da sua vontade. A perseguição é uma das suas opções estratégicas, provavelmente utilizada quando as outras não surtem o efeito desejado. Entretanto, muitas vezes, o resultado é exatamente o oposto; os cristãos perseguidos se tornam fortes instrumentos de Deus no avanço da fé.

Pregar ou defender os bons costumes, a família e os valores judaico-cristãos, significa atrair e desencadear todas as forças movidas pelo inferno em sua direção. Porém, Deus é o nosso refúgio e fortaleza e não nos desampara. Nada escapa ao seu governo e controle sobre tudo e sobre todos. Além disso, vale ressaltar que foi através da grande perseguição contra a igreja em Jerusalém que os cristãos foram dispersos e o Evangelho se espalhou (At 8).

Finalmente, é lamentável ter que citar aqui a existência de “fogo amigo”, quando cristãos perseguem cristãos. Porém mesmo em situações tão negativas como essa, que podem servir de escândalo para os incrédulos, Deus tem os seus propósitos e caminhos em toda e qualquer circunstância, sendo capaz de transformar o mal em bem.


[1] Laico: significa o que ou quem não pertence ou não está sujeito a uma religião ou não é influenciado por ela.

[2] Laicista: Quem segue ou defende o laicismo, doutrina ou ideologia que prega a não intervenção das organizações religiões em instituições políticas e sociais.

Cristão e Política

Cristão e Política – Pronunciar-se ou Silenciar-se? Participar ou Distanciar-se?

Introdução

O assunto CRISTÃO ou IGREJA e POLÍTICA recebe os holofotes da mídia e ganha ainda mais notoriedade na sociedade em geral quando um candidato disputa as eleições presidenciais em 2018, no Brasil, e sai vencedor, empunhando a bandeira de “Deus acima de todos”. Não somente o ingrediente religioso, acompanhado do discurso conservador em defesa da família e dos usos e costumes da sociedade atraíram a atenção e impactaram a opinião pública e da grande mídia, mas, também, o uso maciço das redes sociais e da internet como elemento de convencimento para o voto. Os profissionais do marketing eleitoral, os partidos e políticos, ou seja, a sociedade brasileira como um todo, se surpreendeu perplexa e se deu conta de que dispor de muito dinheiro e tempo na grande mídia televisiva e radiofônica não são mais fatores determinantes para se ganhar uma eleição.

As redes sociais, através da internet, têm sido o palco de manifestações profusas, de discussões e debates candentes dos mais variados assuntos e temas, inclusive os de natureza política, isto é, tornou-se um verdadeiro espaço democrático de divulgação e debate de ideias. Para aqueles líderes alinhados com alguma ideologia totalitária e para aquelas autoridades públicas que não desejam que os seus malfeitos venham a público, as redes sociais se tornaram o inimigo da vez. Para aqueles governantes que compravam a grande mídia para divulgarem apenas o que lhes interessava, as redes sociais se tornaram o adversário a ser silenciado. Assim, viveremos tempos difíceis de combate feroz às redes sociais, à liberdade de expressão e manifestação, quer nas redes sociais, quer nos púlpitos das igrejas. Certas autoridades públicas brasileiras parecem estar muito preocupadas agora com a qualificação e legislação para punição de um tal “abuso do poder religioso”, como se pastores e padres pudessem ter afetado o resultado do pleito, convencendo ou coagindo seus fiéis a votarem no candidato que ganhou as últimas eleições presidenciais. Naturalmente que repudiamos qualquer ação neste sentido que possa ser exercida por  parte da liderança de uma igreja. Entretanto, sem dúvida, estão procurando brechas para poderem controlar o que é dito nos púlpitos das igrejas: política, homossexualidade etc.! Por que tais autoridades nunca se preocuparam com o discurso ideológico da esquerda sindicalista nas portas das fábricas e das empresas? E com a propagação ideológica da esquerda nas escolas e universidades? Por que não apoiam iniciativas como “Escola Sem Partido”? Por que não se dedicam mais a coibir o patrocínio de candidatos por gente fora da lei e sua investida nas comunidades carentes?

Reafirmamos aqui que a relação do Cristão com o Estado é diferente da relação da Igreja com o Estado. Sendo o Estado laico não há que se pensar em interferência direta da instituição Igreja na Instituição Estado. O inverso também não é aceito. Assim sendo, qual deveria ser o papel do cristão na política? Deve pronunciar-se ou silenciar-se? Participar ou distanciar-se?

1. Pronunciar-se ou Silenciar-se?

Há duas realidades relevantes e irrefutáveis na pátria brasileira que não podem ser desconsideradas numa abordagem como esta. A primeira é a crescente disponibilização das ferramentas virtuais vinculadas à internet, cada vez mais acessíveis a todos os cidadãos, de todas as faixas de renda, principalmente através dos aparelhos celulares (smartphones), com planos de dados mais baratos, resultante da grande competição entre as operadoras. A segunda é o crescimento da população evangélica que iremos abordar no final deste artigo. O acesso às notícias e informações disponíveis e que circulam no mundo virtual e o crescente número de usuários estão mudando o nosso cotidiano. Não é mais concebível ficar indiferente aos acontecimentos que nos chegam a cada instante, inclusive ao que acontece com as figuras públicas e com as autoridades constituídas, porque tudo isso produz consequências que afetam a todos.

Jesus nos deu o exemplo se pronunciando sobre temas “religiosos”, tais como, jejum, guarda do sábado, oração, falsos profetas, ressurreição, dízimo, escatologia, vida eterna, galardão no céu, Espírito Santo, dentre outros. Porém, também se pronunciou sobre diversos temas que dizem respeito ao cotidiano de qualquer pessoa, tais como: amar, praticar a caridade, ansiedade, julgamento alheio, perdão, ambição, senhores e servos, justiça, matar, adulterar, revidar, acúmulo de bens e riqueza, divórcio, pagamento de tributos, salário, dentre tantos outros.

É certo que não podemos viver alienados dos acontecimentos que nos cercam, inclusive na esfera política, nem vivermos como que dividindo e separando aquilo que supostamente é “espiritual” do que é “material” e focando somente o espiritual. Entretanto, para o cristão exercer esse direito e dever de pronunciar-se, deve levar em conta alguns aspectos, tais como:

a) É preciso buscar um crescimento integral e equilibrado em todas as dimensões da existência humana: física, mental, social e espiritual (Lc 2.52).

b) Um cidadão dos céus, precisa pensar nas coisas lá do alto, não nas daqui da terra (Cl 3.2). Isso significa que o seu foco e missão vão muito mais além das coisas efêmeras desta vida. Entretanto, ele foi chamado para ser sal da terra e luz do mundo, isto é, para afetar positivamente o seu entorno.

c) Um cristão ingênuo, despreparado, sem sabedoria e sem o conhecimento das coisas desta vida, além de dispor de reduzidas condições para agregar valor à sociedade, corre o risco de ser enganado e usado por pessoas vis e inescrupulosas, inclusive no campo da política partidária.

d) É preferível silenciar-se a pronunciar-se de forma equivocada ou inadequada. Ao invés de contribuir para elevar e dignificar a causa do evangelho e o bem comum, manchará a imagem da igreja. Se um cristão for se pronunciar sobre algum assunto que o faça com sabedoria e conhecimento de causa, usando os melhores argumentos e tendo a sensibilidade necessária ao se expressar.

Enfim, sendo o cristão um cidadão da pátria deve praticar uma cidadania responsável, exercendo os seus direitos constitucionais e legais, expressando-se de forma respeitosa, dentro dos limites da lei, com base em fatos e dados verdadeiros. Acima de tudo deve também cuidar de cumprir os seus deveres, sempre fazendo a diferença, dando um bom testemunho da sua ética cristã, para não ser traído e condenado por suas atitudes divergentes das suas palavras.

2. Participar ou Distanciar-se?

Qual deve ser o papel do cristão na política? Deve participar ou distanciar-se?

Essa ideia de fazer separação entre “vida eclesiástica ou cristã” e “vida secular”, entre “coisas espirituais” e “coisas materiais”, é, no mínimo, equivocada, sem base bíblica.  A vida que cada um tem para viver é uma só e deve ser vivida plenamente, ainda que alguns o façam com motivação carnal e outros com motivação espiritual. Cada cidadão, cristão ou não cristão, tem sua contribuição a dar para a sociedade, usando suas habilidades, dons e talentos. Um empregado ou empregador, um profissional (médico, advogado, operário, servidor público etc.) cristão serve ao Senhor, de “modo integral”, através do serviço que executa servindo ao próximo e à sociedade. O trabalho é um meio e não o fim em si mesmo. É o que Jesus nos ensinou quando disse “trabalhai, não pela comida que perece” (Jo 6.27). Trabalhar pelo sustento é regra da vida, conforme o apóstolo Paulo enfatiza: “se alguém não quer trabalhar, também não coma.” (2Ts 3.10). Entretanto, alguns são chamados e vocacionados para se dedicarem de “tempo integral” aos serviços da igreja e do reino de Deus.

Na história bíblica revelada no Antigo Testamento há dois exemplos clássicos da atuação de pessoas, indivíduos tementes a Deus e por ele chamados e vocacionados, junto a governos: José, no Egito; e, Daniel, na Babilônia.  E, merece destaque, o fato deles terem dado o seu melhor, direcionados e usados por Deus, em governos que não eram os da sua própria pátria, porém, que de certa forma contribuíram para o bem do seu povo. Também há o exemplo relevante de Neemias, que deixa sua zona de conforto junto à corte do Império Persa, para coordenar todo o esforço de restauração física e espiritual da sua nação.

Ao longo da história da igreja já se viu de tudo no que diz respeito a relação Igreja x Estado. Em certas épocas e lugares, reis, soberanos e governantes exerceram poder e controle sobre a igreja. Em outras, vê-se a elite religiosa influenciando e dominando os governos. Em outro artigo já tratamos de como deve ser  essa relação Igreja x Estado. Aqui queremos tratar do envolvimento do cristão com a política. De longa data vem uma ideia equivocada quanto à santificação. Foi assim que no monasticismo se defendia o isolamento e renúncia das coisas materiais para se obter essa verdadeira santificação e consagração. Desde longa época paira sobre a igreja a ideia de que os cristãos farão melhor quando se mantiverem distantes da política, com suas disputas pelo poder, intrigas e corrupções. Entendemos que santificação tem a ver com separação do pecado e não com isolamento social! Quando os cristãos verdadeiros deixam de participar ativamente da vida pública, deixam de agregar a ela relevantes contribuições para o bem comum.

Resumindo a resposta:

a) Empregue os seus dons e talentos para o bem da sociedade onde Deus te chamar e vocacionar para fazê-lo, dentro e fora da igreja, o que pode incluir envolvimento político ou o exercício de um cargo público.

b) Lembre-se do exemplo digno, ilibado e eficaz dos personagens bíblicos José, Daniel e Neemias (dentre outros). Se você se omitir de participar outros o farão, muitas vezes sem a ética cristã, acarretando muito prejuízo social.

c) Tenha em mente que santificação tem a ver com separação do pecado e não com isolamento social ou político.

d) Fuja à tentação de obter vantagens pessoais ou corporativas em detrimento do bem coletivo. Nunca perca de vista que o alvo é o bem comum, o que inclui todas as pessoas com suas diferenças de sexo, raça, classe social, crença etc.

e) Não se envolva ou assuma compromissos com partidos políticos e ideologias que violem a liberdade democrática e os princípios e valores bíblicos.

f) Considere que desvios de conduta de um cristão que exerce atividade pública (ou privada) é sempre motivo de escândalo e um desserviço à causa do Evangelho.

3. O crescimento evangélico e suas consequências

Pelos dados do IBGE na tabela abaixo, constatamos o seguinte, em dez anos (2000 a 2010):

– Crescimento da população brasileira: 12,29%
– Crescimento da população evangélica: 61,45%
– Decrescimento da população católica: – 1,36%
– Total de cristãos (católicos e evangélicos): 86,79%

Nota: Tabela gerada diretamente no site do IBGE.

Independentemente do grau de envolvimento e compromisso desses católicos e evangélicos com a fé cristã, o fato evidente é que o Brasil continua tendo uma maioria cristã, o que significa um certo grau de alinhamento com os princípios e valores cristãos, rotulados pelos progressistas de valores conservadores. Entretanto, o que mais tem chamado a atenção e gerado preocupação na ala progressista é esse relevante crescimento da população evangélica. É de se esperar uma investida cada vez maior do reino das trevas para tentar impedir a continuação desse crescimento. Por outro lado, os evangélicos têm diante de si a oportunidade, o desafio e a responsabilidade de saírem da sua zona de conforto e contribuir efetivamente, em todas as áreas da sociedade, para o desenvolvimento da nação. É mandatório participarem dos debates de temas relevantes, tais como, liberdade de expressão, aborto, ideologia de gênero, homossexualidade, justiça social, ética na política, combate a corrupção, cotas raciais, preservação do meio ambiente, dentre tantos outros.

Conclusão

Os cristãos têm muito a dizer, a se pronunciar. Precisam se engajar nas lutas legítimas por uma sociedade melhor. É muito cômodo se esconder nas máximas de que “o mundo jaz no maligno” e que está determinado que “o mundo vai de mal a pior” e, assim, cruzar os braços e reclamar da situação. Somos arregimentados pelo Senhor da Igreja para proclamar a sua tão grande salvação, nutrindo a esperança do desdobramento na transformação de vidas. Se a população evangélica cresce de forma tão relevante, se não houver influência efetiva desta que produza mudança na sociedade, esse crescimento será rotulado de inócuo e visto com muita desconfiança.

Não basta orar pelas autoridades, pois a nossa cidadania celeste não nos isenta dos labores terrenos. “Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mc 12.17)

Que Deus nos ajude!

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