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A Verdade que Liberta

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8.31-32)

Introdução

Lá pelos idos da década de 1980, com um filho bem pequeno, fui sozinho à uma farmácia comprar remédio pra ele. Estando lá dentro, bem ao fundo, de repente começou um certo tumulto. Percebi, então, que havia um homem na entrada anunciando um assalto. Nunca tinha passado por isso e fiquei um tanto quanto apreensivo. Numa hora como essa a gente sente a total falta de liberdade. Não se pode sair do local para escapar e nem pensar em reagir, enfrentando o meliante. É só contar com a graça e misericórdia de Deus para que nenhuma tragédia aconteça. Felizmente o desfecho foi muito melhor do que se podia imaginar. O sujeito estufava a camisa parecendo estar com uma arma por baixo dela. De algum modo perceberam que era uma simulação, que não era uma arma, mas um toco de madeira e colocaram o homem pra correr. Sem dúvida, quando a verdade veio à tona fomos libertos daquela situação.

Nosso propósito aqui é refletir sobre a Verdade que traz a mais grandiosa liberdade.

1) A necessidade de liberdade

Por que necessitamos de algo? Porque não temos. Porque de alguma forma estamos convencidos de que precisamos. Porque este algo trará um certo equilíbrio ao nosso ser, como um todo. Através do equilíbrio do nosso organismo (metabolismo físico), do nosso intelecto (mente, razão) e do nosso emocional (sentimentos, afetos), teoricamente se consegue um estado de bem estar, de paz e de tranquilidade. Na prática tenho a certeza de que o ser humano, por si só, é incapaz de conseguir isso.  As variáveis são muitas e não temos o controle sobre todas elas.

A natureza que nos cerca busca o estado de equilíbrio em todo o tempo.  A diferença entre o que temos ou somos, e o que queremos ter ou ser, constitui um desequilíbrio que gera a vontade, que por sua vez exige condições mínimas para nos mover. E a vontade é a força motriz da vida!

Supondo que o ser humano natural sempre pudesse exercer a sua vontade no sentido de buscar as coisas verdadeiramente necessárias para trazer equilíbrio ao seu ser, o que seria muito nobre (desde que não infringisse a lei dos homens e a de Deus), ainda assim ele não conseguiria alcançar a plenitude do seu ser, porque além das barreiras naturais (as necessidades humanas são infinitas e insaciáveis) existe a barreira da vontade do outro que não necessariamente é conciliável com a dele e, certamente, em algum momento entrará em choque com a sua.

Parece que numa acepção mais simples da palavra, liberdade é o exercício da vontade, sem restrições internas ou externas ao ser. Se assim é, então, podemos dizer que a liberdade se constitui no alvo mais importante a ser conquistado pelo ser humano natural.

2) A busca da liberdade

Por que buscamos algo? Porque não temos. Quem sabe já tivemos, porém perdemos. Ou, nunca tivemos e sentimos a necessidade de ter.

A busca da liberdade, então, é a busca pela realização da nossa vontade, no sentido da realização completa do nosso ser. Para melhor entender essa situação, precisamos retornar às nossas origens.

Deus criou com todo o esmero todas as coisas necessárias à sobrevivência do homem. Por fim, criou também o ser humano, à sua imagem e semelhança (Gn 1.27 – pessoal, racional e moral). Deus colocou toda a criação sob o domínio de Adão (Gn 1.27-28). Porém, faltava-lhe algo. Adão não se completava naqueles animais ou nas demais coisas criadas (Gn 2.20). Deus, então, lhe fez uma companheira idônea e Adão suspirou aliviado (Gn 2.21-24). Então, Deus propôs ao casal o exercício da sua vontade (Gn 1.28-30), num tempo em que havia perfeita harmonia na natureza. Antes, porém, Deus os submeteu a um teste para provar sua vontade (Gn 2.16-17) e o casal falhou (Gn 3). Surgem aqui algumas perguntas que precisam ser consideradas e esclarecidas à luz da verdade: 1ª) Deus foi o culpado: a)Ele restringiu a liberdade de um ser que foi criado para exercer sua própria vontade. Errado! Adão, ao exercer sua vontade, violou a vontade de outrem que lhe era infinitamente superior. Com isso demonstrou que seria incapaz de respeitar a vontade dos seus semelhantes, muito mais ainda porque estes estariam no mesmo nível humano dele. Com a falta de domínio sobre sua vontade ficou provado que ele não tinha condições para viver harmoniosamente em sociedade. b) Deus não o alertou sobre a tragédia que essa desobediência traria para ele e para o mundo. Errado! É só conferir em Gênesis 2.17 a advertência divina. c) Deus falhou na constituição do ser humano. Errado! Deus criou um ser à sua imagem, com vontade própria e não um robô. Além disso se propunha a orientá-lo diretamente, se esse lhe fosse submisso.  d) Deus deixou tudo pronto para Adão e com isso ele não tinha onde aplicar a sua vontade. Errado! Deus lhe entregou um mundo na “forma bruta”, lhe deu todos os recursos materiais e inteligência para dele cuidar. O grande problema de Adão e Eva é que eles escolheram dar ouvidos a uma outra voz que questionava a ordem de Deus. Esta voz satânica lhe apresentou uma nova versão da ordem divina, mais fácil, mais atraente e ambiciosa, porém mentirosa, “ser como Deus”.

3) A verdadeira liberdade

As consequências da queda do homem no Éden foram devastadoras. Desde a queda se vê a atuação de Deus no mundo controlando gente pecadora e um mundo contaminado pelo pecado. No dilúvio Deus destruiu o mundo de então, promovendo um novo início da humanidade, a partir da família de Noé e dos animais que foram preservados na arca. Porém os pecadores e seus pecados continuaram. Entretanto, em todo o tempo, Deus tinha em mente resgatar e salvar o ser humano caído. Ele pavimentou esse caminho e manifestou seu propósito à humanidade através de uma revelação progressiva: o patriarca Abraão, o povo de Israel e, por fim, Jesus Cristo, seu filho encarnado. Este, além de dar a sua vida para pagar o preço dos nossos pecados e nos reconciliar com Deus, nos deu a sua nova lei, a sua palavra (Mt 22.36-39). Deus, também, no deu o seu Espírito Santo, para habitar em nós e instituiu a sua igreja, para ajuntamento do seu povo (1Co 6.9-11).

Jesus é a Verdade que Liberta; através da sua vida, da sua redenção, da sua palavra e do Espírito Santo que em nós habita!

Conclusão

Estas palavras do apóstolo Paulo expressam bem a missão de Jesus realizada em nosso favor para nos conduzir à verdadeira liberdade.

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,  aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,  o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tt 2.11-14).

Essa verdadeira liberdade pode ser descrita como a nossa vontade pessoal dentro da vontade perfeita de Deus, dirigida e controlada pelo Espírito de Deus que habita em nós, o que foi objeto da oração de Jesus ao Pai Celestial: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.20-21)

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