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Archive for novembro \23\America/Sao_Paulo 2019

Comunicar é ……. SABER OUVIR!

“As grandes pessoas monopolizam a arte de escutar. As pequenas a arte de falar.”

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“Responder antes de ouvir é estultícia (estupidez) e vergonha.” (Pv 18.13)

“Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19.b)

Comunicar é arte dupla: a arte de falar, se expressar; e a arte de ouvir. Para compreender bem é preciso ouvir bem o que está sendo dito. Como, numa conversa entre duas ou mais pessoas o que vai ser dito em seguida depende do que se entendeu daquilo que foi dito antes,  é preciso concentrar-se no que se ouve, e, se necessário for, pedir para esclarecer (-Não entendi bem o que você disse) ou, confirmar o entendimento (-Então, você está dizendo que…).  

“Raríssimas são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo”,  diz Artur da Távola (1936-2008) em seu artigo “o difícil facilitário do verbo ouvir”.  A partir de uma série de observações sobre o assunto ele cita os 12 pontos, a seguir:

1º) Em geral o receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que o outro não está dizendo.

2º) O receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que quer ouvir.

3º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que já escutara antes e coloca o que o outro está falando naquilo que se acostumou a ouvir.

4º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que imagina que o outro ia falar.

5º) Numa discussão, em geral, os discutidores não ouvem o que o outro está falando. Eles ouvem quase que só o que estão pensando para dizer em seguida.

6º) O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que gostaria ou de ouvir ou que o outro dissesse.

7º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que está sentindo.

8º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que já pensava a respeito daquilo que a outra está falando.

9º) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ela retira da fala da outra apenas as partes que tenham a ver com ela e a emocionem, agradem ou molestem.

10º) A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ouve o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento. Vale dizer, ela transforma o que a outra está falando em objeto de concordância ou discordância.

11º) A pessoa não ouve o que a outra está falando: ouve o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia pela outra.

12º) A pessoa não ouve o que a outra fala. Ouve da fala dela apenas aqueles pontos que possam fazer sentido para as ideias e pontos de vista que no momento a estejam influenciando ou tocando mais diretamente.

Ele mesmo conclui…:

“Esses doze pontos mostram como é raro e difícil conversar. Como é raro e difícil se comunicar! O que há, em geral, são monólogos simultâneos trocados à guisa de conversa, ou são monólogos paralelos, à guisa de diálogo. O próprio diálogo pode haver sem que, necessariamente, haja comunicação. Pode haver até um conhecimento a dois sem que necessariamente haja comunicação. Esta só se dá quando ambos os polos ouvem-se, não, é claro, no sentido material de ´escutar`, mas no sentido de procurar compreender em sua extensão e profundidade o que o outro está dizendo.

Ouvir, portanto, é muito raro. É necessário limpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia.

Ouvir implica uma entrega ao outro, uma diluição nele. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A sua inteligência em funcionamento permanente, o seu hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo interferem como um ruído na plena recepção daquilo que o outro está falando.

Não é só a inteligência a atrapalhar a plena audiência. Outros elementos perturbam o ato de ouvir. Um deles é o mecanismo de defesa. Há pessoas que se defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam ´não ouvir` porque, `não ouvindo´, livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades diferentes das próprias, de verdades idem, e assim por diante. Livra-se do novo, que é saúde, mas as apavora. Não é, pois, um sólido mecanismo de defesa.

Ouvir é um grande desafio. Desafio de abertura interior; de impulso na direção do próximo, de comunhão com ele, de aceitação dele como é e como pensa. Ouvir é proeza, ouvir é raridade. Ouvir é ato de sabedoria.

Depois que a pessoa aprende a ouvir ela passa a fazer descobertas incríveis escondidas ou patentes em tudo aquilo que os outros estão dizendo a propósito de falar.”


Veja também:

Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

Relacionar-se é …..CONHECER-SE MELHOR E O OUTRO

Comunicar é ……. SABER SE EXPRESSAR!

 “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.” (Pv 18.21)

    “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.” (Ef 4.29)

   “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” (Ef 4.25)

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Introdução

Se você acha complicado lidar com o terminal de autoatendimento do Banco, ou com um computador, ou com o painel de controle de uma aeronave, saiba que nada disso é comparável ao lidar com outro ser humano. E, por que? Porque nós, seres humanos, somos muito mais complexos do que qualquer máquina. Nós nos “reprogramamos” mentalmente a cada nova informação recebida, temos temperamentos diferentes,  sentimentos, vontade própria, necessidades, interesses, capacidade de mentir, enganar etc. Como se isso não fosse o suficiente, ainda temos a possibilidade de nos relacionarmos com o mundo espiritual, invisível mais real, que certamente, também exerce influência em nosso comportamento. O que realmente é complicado é o relacionamento entre pessoas e não o casamento.  Como o casamento exige um elevado grau de relacionamento e comunicação, acaba se tornando um desafio. Por outro lado, oferece uma excelente oportunidade de exercitar e aprimorar a capacidade de se relacionar e se comunicar, o que é essencial para nós que vivemos em sociedade.

Neste estudo focaremos a comunicação do casal como elemento importante para a harmonia no casamento.

O que é, e como funciona a comunicação?

Uma das mais simples e interessantes conceituações diz que: Comunicação, é a “ação de tornar algo comum”. Por exemplo: o que eu acho, o que eu desejo, o que eu estou sentindo etc. É interessante como cada um dos sentidos que Deus nos deu – visão, audição, olfato, paladar e tato – participa desse processo de comunicação; nossa, com o mundo exterior. É a comunicação verbal e não-verbal. A boca fala, mas também todo o nosso corpo “fala e ouve”, se comunica – é a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. Marido e esposa se comunicam com tanta frequência e intensidade, que depois de um certo tempo de convivência, só em olhar o outro, já sabe o que ele está sentindo, ou escondendo, ou comunicando.

Uma cena simples de escola:

– Bruno senta perto de Rebeca, na sala de aula. No intervalo entre aulas, se demoram um pouco a sair da sala. “Rebeca é uma garota muito legal e linda!” (pensa)

– Sente que deve se aproximar dela e que seria interessante convidá-la para ir ao shopping, no próximo sábado. (objetivo)

– Seu sistema nervoso central (fonte/emissor), agindo como fonte de comunicação, cria a mensagem e aciona seu mecanismo vocal etc, para executar a missão de codificá-la. (codificador)

– Seu mecanismo vocal (codificador) produz a seguinte mensagem: – Quer ir comigo ao shopping no próximo sábado, Rebeca? A mensagem é transmitida em ondas sonoras através das moléculas do ar (canal) até ao mecanismo auditivo de Rebeca (decodificador) que transforma as ondas sonoras em impulso nervoso (decodificação), enviando-o ao sistema nervoso central de Rebeca (receptor/destinatário)

Aspectos facilitadores da comunicação:

Vejamos alguns aspectos facilitadores no processo da comunicação humana; certamente importantes, ainda que pareçam óbvios.

1º) Pense bem antes de falar ou se expressar corporalmente através dos gestos e/ou expressões faciais. Lembre-se de que o que falamos, expressamos e fazemos revela aos outros quem nós somos! “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldades.” (Pv 15.28)

2º) Tenha consciência do objetivo que está movendo a essa comunicação para que depois você possa verificar se foi ou não alcançado. De um modo geral, usamos a comunicação para: informar (apelo à mente); persuadir (apelo à alma); divertir (divertimento) e influenciar (afetar com intenção). “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.” (Pv 16.1)

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“Nosso objetivo básico na comunicação é tornarmo-nos agentes influentes e afetarmos outros, nosso ambiente físico e nós próprios, é tornarmo-nos agentes determinantes, é termos opção no andamento das coisas. Em suma, nós nos comunicamos para influenciar – para afetar com intenção.” (David K. Berlo)

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3º) Estruture bem a mensagem a ser transmitida para que ela expresse exatamente aquilo que você quer comunicar. Vale lembrar que o outro não ouve os nossos pensamentos; apenas o que expressamos, de forma verbal e não-verbal. Portanto, uma mensagem deve ter uma quantidade adequada de informações para o bom entendimento pelo outro. Use o “código” adequado, isto é,  o linguajar que o outro entenda e irá usar para “decodificar” a mensagem. Não perca de vista que aquilo que tem um significado para você pode ter outro para a outra pessoa (Estrutura de Significação).

4º) Transmita a mensagem de forma adequada, isto é, com a carga adequada de conteúdo racional e emocional. Afinal, somos seres racionais e emocionais. Coisas certas, ditas do modo errado,  colocam tudo a perder. Module a voz  e use expressões não-verbais, de acordo com a mensagem que está sendo transmitida. É importante impressionar bem o outro. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” “A língua serena é árvore de vida, mas a perversa quebranta o espírito.” “O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.” (Pv 15.1, 4; 16.21)

5º) Avalie bem se o momento e o lugar são apropriados; se o seu estado de espírito e o do outro estão favoráveis; se você e o outro estão preparados para emitir e receber essa mensagem etc. “O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!” (Pv 15.23)


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