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O desafio de ser igreja

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E partiu Barnabé para Tarso à procura de Saulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.” (Atos 11.25-26)

Introdução:

O tema e assunto têm o propósito de nos despertar para o servir, promovendo o bem de todos, por causa do amor de Deus derramado em nós. Nos estudos anteriores temos refletido sobre a bênção de participar da igreja de Cristo, de adorar a Deus e do risco de ser um desigrejado. Entretanto, não podemos nos acomodar dentro das quatro paredes, somente recebendo bênçãos. Precisamos desempenhar um papel relevante na sociedade; precisamos ser canais de bênçãos.

 1. SOMOS ENVIADOS A PREGAR O EVANGELHO

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28.19)

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16.15-16)

A Evangelização é ordem de Cristo, missão da igreja e necessária a todos. Isso é facilmente depreendido dos versículos acima. O evangelho é chamado de “boas novas” de Deus aos homens. No entendimento do apóstolo Paulo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;” (Rm 1.16)

1.1 A evangelização é ordem de Cristo

O verbo que inicia a grande comissão está no modo verbal “imperativo” – IDE (“Ir Diariamente Evangelizando” – segundo a Profª. Pâmela). Não se trata de recomendação, nem de sugestão, nem tampouco de uma opção; mas de uma ordem: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16).

a) O conteúdo da ordem.

Jesus e sua obra redentora realizada na cruz do Calvário é o conteúdo dessa ordem. Ele morreu, mas ressuscitou, por nós, pecadores: “o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.” (Rm 4.25)

b) Os receptores da ordem.

Inicialmente, os discípulos de Jesus receberam essa ordem, depois, todos os alcançados pela salvação, os salvos. Todo alcançado passa a ser também um enviado! “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;” (Mt 10.32)

c) Os que devem ser alcançados pela ordem

A grande comissão direciona os ordenados a irem por todo o mundo, numa abrangência territorial global, ao mesmo tempo que precisa alcançar a cada criatura, individualmente. “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Rm 10.9)

d) A capacitação e o roteiro para o cumprimento da ordem

Não é possível cumpri-la sem estar devidamente capacitado por Deus e não seria realizada de qualquer forma: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8)

e) O senso de urgência no cumprimento da ordem.

Essa urgência é determinada pela necessidade de alcançar o máximo de pessoas antes da morte delas. Depois da morte, só resta o juízo, assim, o tempo é agora. O apóstolo Paulo declarou que fez de tudo para ganhar o maior número de pessoas (1Co 9.19-23). E acrescentou: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades.” (Cl 4.5)

Portanto, não cumprir a ordem é uma demonstração de rebeldia contra Deus. Deus nos amou e nos deu o seu Filho Unigênito. Por que não corresponderíamos ao seu amor, obedecendo-o? Por que não cumprir essa ordem, de boa vontade, por amor aos nossos semelhantes? “O universo inteiro ouve a voz de Cristo e a obedece. O vento ouve sua voz e se aquieta. O mar escuta a sua ordem e se acalma. Os demônios obedecem sua ordem e batem em retirada. Seríamos nós, seu povo, os únicos no universo a nos rebelarmos contra sua autoridade e nos insurgirmos contra suas ordens?” (Rev. Hernandes Dias Lopes)

1.2 A evangelização é missão da igreja

A responsabilidade e tarefa de pregar o evangelho foi entregue a nós, sua igreja. Nós temos a missão de ser testemunha do Senhor Jesus, de proclamar a sua tão grande salvação. Na verdade, essa tarefa intransferível e exclusiva deve ser encarada como um alto privilégio que foi vedado aos anjos: “A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12)

Assim como Jesus foi enviado ao mundo com a missão estabelecida pelo Pai Celeste e cumpriu-a integralmente, entregando sua própria vida, nós também fomos enviados a evangelizar os perdidos, se necessário perdendo a nossa própria vida e não podemos falhar. Nossa missão se assemelha à do atalaia (Ez 33.7-9, 11):

a) O desejo explícito de Deus é a conversão do pecador.

“Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?” (Ez 33.11).

b) A tarefa do atalaia é receber a mensagem da boca de Deus e transmiti-la ao pecador.

“A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte.” (Ez 33.7)

c) Se o perverso não der ouvidos…

“Mas, se falares ao perverso, para o avisar do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma.” (Ez 33.9)

d) Mas, se o atalaia não cumprir sua missão….

“Se eu disser ao perverso: Ó perverso, certamente, morrerás; e tu não falares, para avisar o perverso do seu caminho, morrerá esse perverso na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o demandarei de ti.” (Ez 33.8)

Assim sendo, esse tamanho privilégio está atrelado a uma grande responsabilidade que será cobrada de cada um de nós pelo Senhor!

1.3  A evangelização é necessária a todos

Não há qualquer outra opção de salvação para o pecador, senão através da cruz de Cristo: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (At 4.12). Suas boas obras, autoflagelação, religiosidade, esforços próprios, não poderão salvá-lo; nada disso o absolverá dos seus pecados, reconciliando-o com Deus.  Então, por amor às almas perdidas, precisamos sair da nossa zona de conforto e parar de acalmar nossa consciência com a falsa ilusão de que Deus vai dar um jeito, mesmo que eu, ou a igreja, não cumpramos nosso papel. Ainda que esses perdidos pareçam estar bem de saúde e bem financeiramente; pareçam estar curtindo sua família, amigos e bens; se não se renderem e confessarem a Cristo como Salvador e Senhor, irão diretamente para o inferno.

A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. A prova disso é a visão profética da grande multidão, em pé, diante do Cordeiro, composta de salvos provenientes de todas as nações, tribos, povos e línguas (Ap 7.9).

2. SOMOS ENVIADOS A FAZER O BEM

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.” (Gl 6.9)

Não resta a menor dúvida de que o melhor que podemos fazer por alguém é leva-lo aos pés de Cristo. Apesar de ser essa a principal tarefa da igreja, de cada crente, não é a única. Também somos enviados a fazer o bem. O Novo Testamento nos lembra e nos ensina isso:

a) No ministério de Jesus (Lc 4.18)

“Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo.” (Mt 4.23)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.” (Lc 4.18-19)

b) Nos primórdios da igreja (At 4.32, 34-35; 6.1-3)

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.” (At 4.32, 34-35).

c) Nas epístolas (Tg 2.15-17; 1Jo 3.16)

“Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” (Tg 2.15-17)

“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” (1Jo 3.16)

Aqueles irmãos mais necessitados que convivem conosco, na igreja, precisam merecer a nossa atenção e cuidado. No ensino do apóstolo Paulo, eles devem ser cuidados com prioridade, em relação aos de fora, que, por sua vez, não devem ser esquecidos, na nossa generosidade: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” (Gl 6.10)

REGRA GERAL: Mais importante do que dar o que a pessoa pede é dar o que ela necessita.

Finalmente, é bom deixar claro a diferença entre: Assistência Social, Ação Social e Política Social. Vejamos o que expôs o Pr. Carlos Alberto Chaves, na Igreja Presbiteriana da Tijuca, em 22/11/1997, num encontro de diáconos, a seguir resumido:

………..

NÍVEIS DE ATUAÇÃO

ILUSTRAÇÃO: No caso de um escravo recapturado e açoitado pelo seu senhor, como seriam esses níveis de atuação?

  • ASSISTÊNCIA SOCIAL

Cuidar das feridas do escravo ferido.

  • AÇÃO SOCIAL

Recolher donativos da comunidade para comprar a liberdade dele.

  • AÇÃO POLÍTICA

Lutar pela abolição da escravatura, pois o problema não é somente deste escravo.

……………..

Não podemos perder de vista que a igreja não é uma ONG e não foi chamada para resolver todos os problemas do mundo. Por outro lado, ela não pode se alienar totalmente, fazendo de conta que nada tem a ver com os males que nos afligem. Seu chamado é para atuar no campo espiritual e não no político-social, empresarial etc. Entretanto, isso não a impede de promover ou participar de pequenas ações, visando a melhoria da qualidade de vida, dos de dentro ou dos de fora. Individualmente, cada um de seus membros, tem a oportunidade e responsabilidade de fazer a diferença onde quer que for colocado, profissionalmente ou não.

Conclusão:

Precisamos ter sempre em mente que somos igreja e, como tal, fomos convocados para pregar o evangelho com exclusividade, através da nossa vida e testemunho; e, se preciso for, também usando as palavras. Também fomos chamados por Deus, em Cristo, para ajudar ao nosso irmão e ao próximo: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10). A igreja precisa mostrar a face de Deus.

Você tem sido proativo na evangelização e zeloso em fazer o bem aos necessitados, por amor a Cristo e ao próximo?


Nota: esboço pessoal de aula, preparado por mim, para facilitar a ministração da Aula 7 (A igreja somos nós) – Módulo 5 – EBD Catedral 2016, de modo a atender a temática proposta no material elaborado pelo Pr. Joel Theodoro para os alunos. Foram feitas algumas alterações para divulgação neste blog.

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