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A Família e o Mundo

Família santa num mundo caído!     

Introdução          

Ao abordar um assunto tão importante como este, torna-se necessário dar resposta a perguntas como estas:

O cristianismo favorece, incentiva e fortalece a família tradicional?
Família é importante para o indivíduo e para a Sociedade?
Família é um assunto importante no ensino bíblico?
A família tem sido ameaçada pelo mundo moderno? Está sob ataque?

Aqueles que estão familiarizados com o texto bíblico sabem que foi Deus quem instituiu a família. A família é Projeto de Deus e é por ele sustentada, desde de sua origem e enquanto houver seres humanos na face da terra. Assim sendo, muita orientação e instrução quanto ao funcionamento da família pode ser encontrada na Palavra de Deus.

Neste estudo, de forma bem resumida, procuraremos abordar alguns desses aspectos, bem como as ameaças e desafios com que ela está tendo que lidar.

Desenvolvimento:

Por que Deus instituiu a família?

Diferentemente do que acontece com os animais irracionais, que basicamente são orientados pelos seus instintos ou pela “programação mental” (sinapse) previamente definida pelo Criador, a “cria” do ser humano nasce e durante seus primeiros anos de vida é totalmente dependente dos que a geraram. Daí a importância da família no provimento do sustento, da proteção, da formação do caráter e da orientação para a vida.

O que é uma família cristã saudável?

Por definição: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.” (OMS/WHO – 1946)

Uma família cristã saudável pode ser descrita como aquela em que há um casamento sólido, cada membro desempenha o seu papel, está suprida em suas necessidades, há convivência harmônica e, sobretudo, há o temor de Deus e o senhorio de Cristo no seu meio.

1. AMEAÇAS E ATAQUES, À FAMÍLIA

1.1 Ameaças e Ataques explícitos

São do tipo que:

a) Tentam reduzir sua importância e desvirtuam sua estrutura.

b) Promovem a corrupção de padrões morais na área da sexualidade:

Divórcio,  Liberação Sexual, Homossexualidade, Ideologia de gênero,  Poliamor e Poligamia e Pedofilia.

1.2 Ameaças e Ataques sutis (sedução)

a) Atraem e desviam a atenção de membros da família para:

O glamour de uma carreira profissional, produzir avidez por entretenimentos e, para a ilusão de relacionamentos não matrimoniais.

1.3 Ameaças e Ataques quase imperceptíveis (ocupação excessiva)

a) Tiram o foco, a prioridade e o tempo para o investimento na família:

Trabalho, Escola, Cursos, Atividades esportivas e sociais, Igreja (ativismo), Viagens, “Telas” ou Janelas de Tecnologia.

2. PADRÃO BÍBLICO PARA A FAMÍLIA

É preciso assimilar, vivenciar e defender os padrões e princípios bíblicos para a família cristã:

2.1 Casamento no Senhor (ideal)

a) No Antigo Testamento a orientação divina era de não casar com estrangeiros (Ex 34.15-16).

b) No Novo Testamento a instrução bíblica era para se evitar o jugo desigual ou casamento misto (2Co 6.14-15).

Em ambos os testamentos o princípio norteador é o de se preservar a fé, pois o cônjuge de outra fé, ou sem a fé no Deus vivo e verdadeiro, poderia ser agente para desviá-lo do caminho do Senhor.

2.2 Relacionamento Marido e Esposa

a) Instruções aos Maridos:

Relacionamento de amor (incondicional e sacrificial)

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,” (Ef 5.25)
“Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama.” (Ef 5.28)
“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, ….” (Ef 5.33a)

Relacionamento respeitoso (não lhe impingindo aflição)

“Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura.” (Cl 3.19)

Relacionamento participativo (com bom senso e clareza, com dignidade)

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1Pe 3.7)
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1Tm 5.8)

Relacionamento de líder e sacerdote espiritual

“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” (1Co 11.3)

b) Instruções às Esposas:

Relacionamento de respeito e amor

“… e a esposa respeite ao marido.” (Ef 5.33b)
“a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos,” (Tt 2.4)

Baseados nas instruções de Paulo aos efésios, alguns pregadores chegam a afirmar que o marido deve amar a esposa e esta, apenas respeitá-lo. Entretanto, o mesmo apóstolo dirime todas as dúvidas quando escreve a Tito e deixa claro que a esposa também deve amar ao marido e aos filhos.

Relacionamento de submissão

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor;” (Ef 5.22)
“Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.” (Ef 5.24)
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.” Cl 3.18)
“a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.” (Tt 2.5)
“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,” (1Pe 3.1)

Não são poucas as citações bíblicas instruindo a esposa a ser submissa ou sujeita ao marido. Pode-se dizer que esta era uma questão pacífica desde o início da família, quando assim Deus estabeleceu a autoridade de gênero (Gn 3.16). Depois de quase 6 milênios e como decorrência da insistente e progressiva expansão do movimento feminista em todo o mundo, as nações estão reformulando suas posições, bem como outros princípios e valores do cristianismo. A pressão e influência da sociedade secular sobre a igreja é tão grande que pode-se prever que, num futuro próximo, apenas um remanescente permanecerá fiel às Escrituras. (Comp. 1Tm 2.8-15)

Entretanto, é preciso ressaltar que:

a) Desde a eternidade, Deus é Pai e o céu é um lar. Ardilosamente tenta-se impor a figura de Maria “mãe de Deus”.

b) Desde a eternidade há uma cadeia de autoridade (1Co 11.3):

DEUS > CRISTO > HOMEM > MULHER

c) Essa cadeia somente funcionará satisfatoriamente se todos os elos forem respeitados.

d) Quando se sujeita ao que vem antes, se legitima o exercício da autoridade sobre os que veem depois. (Ex.: Lc 7.1-10 – centurião)

e) Quando se sujeita ao que vem antes, recebe-se autoridade como se fosse este.

f) Quando a esposa está em submissão ao marido, ela tem a autoridade dele, que é a de Cristo e que é a autoridade de Deus.

g) Quando a cadeia é quebrada em algum ponto, há quebra de autoridade, anarquia, desordem e rebelião.

h) Submissão, não inferioridade. A referência é o relacionamento entre Deus-Pai e Deus-Filho. Quando isso é entendido, o sentimento de inferioridade desaparece.

i) Aparente contradição:

“Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
“…porque o Pai é maior do que eu” (Jo 14.28; ver tb Fp 2.5).

– Enquanto houver submissão, permanecerá a união.
– No plano divino, o homem e sua mulher são uma só carne.
– A cabeça necessita do apoio do pescoço, assim como o marido precisa do apoio da sua esposa.

j) O Pai sente prazer em honrar o Filho; o Filho, por sua vez, honra e exalta o Pai. Da mesma forma o marido deve ter prazer em honrar sua esposa. Quando a esposa é tratada assim, tem grande chance de corresponder, honrando e exaltando o marido.

k) Cristo é o resplendor da glória do Pai (Hb 1.2-3). Da mesma forma a mulher é a glória do homem (1Co 11.7).

l) Quando a esposa age como a mulher virtuosa (Pv 31), o marido é estimado na sociedade (Pv 31.23).

m) Quando o marido a respeita e reconhece seu valor, o seu trabalho, todos saem ganhando (Pv 31.28).

c) Instruções ao Casal:

“mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Co 7.2)
“O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.” (1Co 7.3)

Homem e mulher necessitam do companheirismo, apoio, satisfação sexual e vivência familiar proporcionados pelo casamento instituído por Deus. A perpetuação da espécie humana depende da procriação responsável, como fruto e herança de um casamento abençoado por Deus.

“Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente.” (1Co 7.14a)

Quando um dos cônjuges se torna cristão e o outro não, isso não é motivo para a separação do casal (1Co 7.12-13). O cristão deve usar de sabedoria e buscar a santificação deste relacionamento.

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hb 13.4)

Além dos cônjuges se guardarem exclusivamente um para o outro, o casal deve preservar e guardar os limites da santidade e moralidade cristã neste relacionamento.

2.3 Relacionamento Pais e Filhos (Ef 6.1-4)

a) Instruções aos Filhos:

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” (Ef 6.1)
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor.” (Cl 3.20)

Obedecer: em que situações? até quando?
No Senhor, isto é, quando for para descumprir a Lei de Deus ou a Lei dos Homens, não!

“Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Ef 6.2-3)
“Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.” (1Tm 5.4)

O que significa honrar?
Respeitá-los, admirá-los, manter contato, cuidar deles nas suas necessidades, ampará-los etc.

É interessante o fato de não haver ênfase bíblica quanto aos filhos amarem seus pais. Se equivocam os pais que buscam ser amados pelos filhos mais do que ser por eles honrados.

b) Instruções aos Pais:

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” (Ef 6.4)
“Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.” (Cl 3.21)

O que significa não irritar ou não provocar ira nos filhos?
Não é deixar de impor limites nem deixar de discipliná-los. É não usar de coerência, bom senso. É abuso de autoridade. É usar castigo desproporcional. É humilhá-lo particularmente ou em público. É fazer comparações de conduta ou de desempenho, dele com outros, de forma a depreciá-lo.

c) Instruções ao Pai:

“e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (1Tm 3.4)
“O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.” (1Tm 3.12)

Essas recomendações do apóstolo não se aplicam apenas aos pais que almejam o pastorado, o presbiterado ou o diaconato na igreja. É para todos, pois precisam saber governar bem a sua casa.

Conclusão:

Considerando que o mundo vai de mal a pior, que a cada dia mais se afasta dos princípios e valores cristãos, então o desafio de conduzir nossas famílias nos padrões bíblicos também cresce e se agiganta a cada dia que passa. Assim, precisamos seguir em frente, firmes no Senhor e na sua Palavra, incentivando-nos e ajudando-nos uns aos outros.

Se a família é projeto de Deus, então não há motivo para se render nessa batalha contra o mal e contra o erro, pois Jesus nos prometeu que não estaríamos sozinhos: “…E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b); “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,” (Jo 14.16). E o apóstolo Paulo acrescenta: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.37)

Por fim, vale lembrar que fomos chamados por Deus para fazermos a diferença no lugar onde estamos, para sermos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14). Então, precisamos viver vidas santas, bem como, praticar e difundir o plano de Deus para a família, sem nunca ceder às pressões de um mundo caído.

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