
(Mateus 9.35-38)
Cinco atitudes humanas que produzem missões.
Introdução
Missões nascem no coração de Deus, mas precisam nascer também no coração do seu povo.
Costuma-se afirmar que missões nascem no coração de Deus. A afirmação é verdadeira. Desde Gênesis até Apocalipse, Deus revela seu propósito de reunir para si um povo de todas as tribos, povos, línguas e nações. Entretanto, a obra missionária somente acontece quando aquilo que está no coração de Deus encontra espaço também no coração dos seus filhos. Não basta admirar missões. Não basta estudar missões. Não basta contribuir ocasionalmente com missões. É preciso desenvolver uma mentalidade missionária e um coração moldado pelo próprio Senhor Jesus.
Mateus 9.35-38 apresenta uma das mais completas descrições do espírito missionário de Cristo. Nesse breve texto encontramos uma sequência extraordinária. Jesus não apenas ordena que seus discípulos façam missões; ele lhes mostra como se forma um coração missionário.
O texto revela cinco atitudes que se desenvolvem de maneira progressiva:
🤝 Comprometimento
👀 Contemplação
❤️ Compadecimento
🔍 Constatação
🙏 Clamor
Esses cinco “C” descrevem o caminho percorrido por todo aquele que deseja participar da missão de Deus.
1. COMPROMETIMENTO
Com Deus, com o próximo e com o Evangelho.
“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.” (Mt 9.35)
“…percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar.” (Mc 6.6)
Antes de qualquer estratégia missionária existe um compromisso. Jesus estava totalmente comprometido com a vontade do Pai. Seu ministério não era ocasional nem circunstancial; era uma missão assumida desde a eternidade.
Seu compromisso se manifestava de forma prática:
– Ele percorria cidades.
– Ele visitava povoados.
– Ele se aproximava das pessoas.
– Ele ensinava, pregava e curava.
Seu ministério alcançava o ser humano de forma integral – Jesus cuidava da pessoa inteira.
⊳ Ensinava a verdade para a mente.
⊳ Pregava o Evangelho para o coração.
⊳ Curava enfermidades para aliviar o sofrimento humano.
A missão da Igreja também deve refletir esse equilíbrio e dimensão.
– Não basta anunciar o Evangelho sem amar pessoas.
– Não basta realizar ações sociais sem proclamar a Cristo.
– Não basta possuir conhecimento bíblico sem alcançar vidas.
Missões acontecem quando existe compromisso:
🔗 Com Deus.
🔗 Com sua Palavra.
🔗 Com sua vontade.
🔗 Com as pessoas pelas quais Cristo morreu.
Quem está comprometido deixa de perguntar:
“– Quanto preciso fazer?”
E, passa a perguntar:
“– O que ainda posso fazer pelo Reino de Deus?”
2. CONTEMPLAÇÃO
Circular, aproximar-se e conhecer a realidade.
“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9.36)
Existe uma enorme diferença entre olhar e enxergar. Muitos viam aquelas multidões, Jesus as contemplava. Sua visão ultrapassava a aparência. Ele via pessoas, via dores, via desesperança. Enfim, via almas necessitadas.
A contemplação nasce quando saímos do nosso pequeno universo. É impossível amar quem nunca conhecemos. É impossível evangelizar pessoas das quais nos mantemos distantes. Por isso Jesus percorria cidades e aldeias. Ele se fazia presente onde as pessoas estavam.
Missões exigem circulação. Quem permanece fechado entre as quatro paredes da igreja dificilmente desenvolverá visão missionária. É preciso caminhar pelas ruas, conhecer comunidades, visitar lares, conversar, ouvir, perceber e observar. Somente quem contempla a realidade consegue compreender a dimensão do desafio.
Santos em circulação
O Banco do Brasil, certa vez, publicou um cartaz incentivando a circulação das moedas. A mensagem dizia:
“Moeda foi feita para circular e não para ficar na gaveta.”
As pequenas moedas só cumprem seu propósito quando estão em circulação.
Conta-se que, durante o governo de Oliver Cromwell, houve escassez de prata na Inglaterra. Enviaram homens às catedrais em busca desse metal. Eles retornaram dizendo:
“Encontramos muita prata revestindo os santos nos altares.”
Cromwell respondeu:
“Então derretam os santos e coloquem-nos em circulação.”
A ilustração transmite uma verdade espiritual.
Infelizmente, muitos cristãos permanecem “decorando altares”, quando foram chamados para percorrer cidades, bairros e nações.
Jesus declarou:
“Eu vos escolhi… para que vades e deis fruto.” (Jo 15.16)
Cristãos foram feitos para circular.
3. COMPADECIMENTO
Comoção e paixão pelas almas.
“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9.36)
O texto não diz apenas que Jesus viu, mas que ele se compadeceu. O verbo empregado descreve uma emoção profunda, que nasce nas entranhas, no íntimo do ser. Não era pena, era amor, era misericórdia, era identificação com o sofrimento humano.
Quem contempla verdadeiramente acaba sendo transformado. Quando enxergamos pessoas apenas como números, permanecemos indiferentes. Quando enxergamos pessoas como Deus as vê, nasce uma paixão pelas almas.
Jesus viu pessoas:
⊳ Aflitas.
⊳ Cansadas.
⊳ Desorientadas.
⊳ Sem pastor.
Essa realidade continua presente. Milhões vivem sem esperança, sem direção, sem paz e sem Cristo.
Missões começam quando deixamos de perguntar:
“– Como isso me afeta?”
E, começamos a perguntar:
“– Como isso afeta o coração de Deus?”
O verdadeiro missionário aprende a sentir a dor do próximo. Ele não apenas observa o sofrimento, ele deseja aliviá-lo. Não apenas lamenta a perdição, mas trabalha para anunciar a salvação.
O compadecimento transforma espectadores em servos.
4. CONSTATAÇÃO
Reconhecer a grandeza do desafio.
“E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos.” (Mt 9.37)
Depois de contemplar e compadecer-se, Jesus apresenta uma avaliação realista. A necessidade é enorme. Os recursos humanos são insuficientes. A seara continua imensa.
As cidades crescem, os povos se multiplicam e novas gerações surgem. Entretanto, os trabalhadores continuam poucos. Jesus nunca minimizou os desafios, mas também nunca permitiu que eles produzissem desânimo. A constatação correta não leva ao pessimismo, leva à dependência.
O cristão olha para a grandeza da tarefa e declara:
“– Meu Deus é maior do que este desafio.”
Nossa limitação jamais será desculpa para a omissão. Ela é convite para confiar mais profundamente naquele que chamou sua Igreja.
5. CLAMOR
Cooperação e dependência de Deus.
“Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mt 9.38)
Curiosamente, Jesus não manda os discípulos elaborar um plano. Antes de qualquer ação, ele manda orar. A missão pertence ao Senhor. A seara pertence ao Senhor. Os trabalhadores pertencem ao Senhor. Os recursos pertencem ao Senhor.
Quem move missões, em última análise, é Deus. Por isso, a oração ocupa lugar central.
Clamar é reconhecer que nenhuma estratégia substitui a ação do Espírito Santo.
É Deus quem:
☑️ Chama missionários.
☑️ Abre portas.
☑️ Converte pecadores.
☑️ Sustenta obreiros.
☑️ Levanta mantenedores.
☑️ Desperta igrejas.
☑️ Envia recursos.
Foi exatamente isso que Jesus fez. Antes de escolher os doze apóstolos, “retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.” (Lc 6.12, 13). A oração nunca é a última alternativa, é o primeiro passo.
Quando uma igreja ora por missões, Deus começa a responder de maneiras surpreendentes:
➡ Alguns serão enviados.
➡ Outros sustentarão.
➡ Outros contribuirão.
➡ Outros intercederão.
➡ Mas todos participarão.
Conclusão
Este pequeno texto de Mateus apresenta uma verdadeira pedagogia missionária.
✔ Tudo começa com um coração comprometido.
✔ O comprometimento conduz à contemplação.
✔ A contemplação produz compadecimento.
✔ O compadecimento leva à constatação da grande necessidade.
✔ A constatação conduz ao clamor.
✔ E o clamor produz trabalhadores, recursos e a expansão do Reino de Deus.
Esse continua sendo o caminho da Igreja em qualquer geração. Não existem atalhos. Não existem substitutos.
Missões florescem quando homens e mulheres permitem que o coração de Cristo se forme dentro deles.
Que Deus desperte em nós esses cinco “C”:
✨ Comprometimento com Deus e com o Evangelho.
✨ Contemplação das pessoas ao nosso redor.
✨ Compadecimento pelas almas perdidas.
✨ Constatação da grandeza da seara.
✨ Clamor ao Senhor da seara.
Então veremos Deus fazer aquilo que somente ele pode fazer: levantar trabalhadores, abrir portas, salvar vidas e glorificar o nome de Cristo entre todas as nações.
“A missão é de Deus; o privilégio de participar dela é nosso.”
Que Deus nos ajude!
Veja, também:
Próxima postagem (aguarde!):
✍️ As cinco marcas de um missionário (E-Book gratuito)
