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Evitando a “Síndrome do ninho cheio”

NinhoCheio

Certamente você já ouviu falar na “síndrome do ninho vazio”. É aquele incômodo ou até mesmo crise existencial que acomete a mãe, o pai ou o casal, depois que todos os filhos deixam a casa paterna para viverem suas próprias vidas. A ausência dos filhos, após tanto tempo de convívio, bem como o cessar das atividades ligadas a eles, trazem aquela esquisita sensação de vazio, de esvaziamento das funções maternas ou paternas, e, em casos extremos, de perda do sentido ou objetivo de viver. Isto pode levar a um quadro de depressão.

Por outro lado, se tornou algo comum nesses tempos pós-modernos, os filhos se casarem muito mais tarde. Essa nova realidade que leva ao convívio prolongado do casal com filhos adultos jovens, tem o potencial de motivar a tal “síndrome do ninho cheio”. Não me refiro àquela frustração dos pais pela incapacidade de criar filhos independentes, incapazes de alçar voo. Não, consideraremos nesta curta abordagem aquela situação ambivalente de, satisfação por ter bem perto de si aqueles que tanto se ama, ao mesmo tempo que se sente aquele desconforto de ter muita gente dando palpite no dia a dia do casal e da família.

O convívio do casal com filhos que dependem deles é algo muito diferente do convívio do casal com filhos adultos jovens. Filhos adultos jovens, normalmente têm independência financeira, agenda própria, opinião formada, não gostam de dar satisfação das suas saídas e dos seus atos e, por vezes, se sentem no direito de interferir e direcionar as decisões do casal. Diante da complexidade de um quadro de relacionamento familiar assim, torna-se conveniente, estabelecer-se uma espécie de acordo de convivência, visando a manutenção de um ambiente familiar pleno de paz e harmonia.

A Família ou Grupo Familiar (GF), na configuração de pais com filhos adultos jovens morando com eles, há de considerar, dentre outros, os dez aspectos abaixo mencionados, que tomam por base a orientação cristã evangélica:

01) AUTORIDADE E LIDERANÇA:

  1. De acordo com os princípios bíblicos, o pai é o cabeça do seu lar e deve exercer sua liderança em plena sintonia com sua esposa, focando o bem da família. Ainda que os filhos adultos jovens tenham maior escolaridade ou cultura do que o casal, devem se submeter à lideranças deles.
  2. A liderança dos pais não deve ser confundida com o direito de impor aos seus filhos adultos jovens, suas ideologias, comportamentos, crenças etc, como que anulando a personalidade de cada um deles.

02) LIBERDADE:

  1. Cada um dos membros do GF tem livre arbítrio para agir de acordo com sua vontade, nos limites da lei, sem perder de vista o fato de que há de prestar contas dos seus atos a Deus.
  2. Dentro do lar, só é permitida a realização de práticas que não violem os princípios e valores estabelecidos pelo casal.

03) COMUNICAÇÃO:

  1. Por uma questão de ordem prática e de segurança, o membro do GF que sai de casa deve manter, pelo menos, um dos demais membros informados do seu destino e previsão de retorno.
  2. Em tempos de tanto desenvolvimento tecnológico é recomendável que o GF tenha um “grupo de contato” num desses aplicativos para smartphones (WhatsApp etc) para facilitar a comunicação.

04) RESPEITO:

  1. A forma de falar e tratar o outro, cordial, educada e respeitosa é essencial para a preservação de um relacionamento familiar saudável.
  2. Vale para a vida toda as orientações bíblicas de que os filhos devem honrar pai e mãe (Ef 6.2) e que os pais não devem irritar seus filhos (Ef 6.4).

05) PERDÃO:

  1. Como ninguém é perfeito, cada membro do GF deve estar atento às suas atitudes e palavras inconvenientes que feriram o outro e buscar sempre uma palavra ou gesto de arrependimento e retratação.
  2. Um relacionamento somente se sustenta se houver predisposição e liberação do perdão por parte da pessoa ofendida ou agredida.

06) FINANÇAS:

  1. Nada mais justo e sensato do que todos os membros do GF que têm rendimentos próprios, arcarem integralmente com o pagamento de suas despesas individuais e, também participarem, de alguma forma e na proporção devida, no pagamento das despesas de moradia do GF.
  2. Não é razoável que os pais sacrifiquem a sua qualidade de vida e lazer para bancar filhos adultos jovens que possuem rendimentos próprios; nem tampouco que pais esbanjadores queiram que seus filhos adultos jovens comprometam seu futuro para bancar os caprichos ou as irresponsabilidades dos pais.

07) COOPERAÇÃO:

  1. A regra básica aqui é a de que cada membro adulto jovem do GF deve ser o responsável pela limpeza e arrumação do seu ambiente e daquilo que usa, individualmente.
  2. Por questões de praticidade é natural que cada GF adote o seu jeito de lidar com essa questão.

08) PRIVACIDADE:

  1. As situações vividas em família são privativas de quem as vivenciou. Nenhum membro do GF tem o direito de divulgar situações constrangedoras dessas vivências sem o consentimento dos envolvidos.
  2. No ambiente de uso individual do membro do GF (quarto) há liberdade para o exercício de várias atividades normais do dia a dia, devendo-se respeitar sempre o nível do som, de modo que não incomode os demais membros da família.

09) USO DOS ESPAÇOS E ITENS COMUNS:

  1. A prioridade de uso dos espaços e itens comuns da casa é do casal. Isso não impede que todos os utilizem com a maior tranquilidade.
  2. O convite a amigos, por parte dos filhos adultos jovens, para visitar ou frequentar a casa, deve ser combinada e aprovada pelo casal.

10) PRESERVAÇÃO DA CONJUGALIDADE

  1. A preservação dos laços conjugais do casal é fundamental para a estabilidade da família e todos os membros do GF devem se empenhar neste sentido.
  2. A “formação de lobby” entre um dos cônjuges e um ou mais filhos adultos jovens, para pressionar ou outro cônjuge, será sempre um fator de risco à continuidade dos laços conjugais.

 Enfim, vale a pena levar a sério esses pontos, evitando-se muita complicação desnecessária.

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