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Um apelo irrecusável

Apelo

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.1-2)

Na terceira parte da epístola aos romanos (Rm 12.1–15.3), o apóstolo Paulo faz exortações práticas à igreja. Particularmente em Romanos 12.1-2 o assunto é “o cristão e o seu dever para consigo mesmo”, ou seja, santidade de vida, consagração a Deus e dedicação pessoal ao seu serviço. Estes aspectos são recorrentes nos escritos de Paulo e em outros escritos do Novo Testamento. Aliás, este tema vem de muito mais longe. Desde o tempo de Abraão, “…apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” (Gn 17.1) e, mesmo antes dele. Deus sempre manifestou sua vontade de ter um povo separado, exclusivo e de boas obras.

1. A caracterização (Rm 12.1)

“Rogo-vos, pois, irmãos,…”

A expressão “Rogo-vos” que inicia o versículo caracteriza o apelo, sério e ardoroso, aos irmãos, aos crentes em Cristo. O assunto se revestia de tamanha importância que ele não apenas recomendou ou disse que era algo interessante. Ele se expressa da forma mais forte e convincente que podia encontrar, para demonstrar seu intenso e total interesse no sentido de que seus leitores levassem a sério a questão em foco. E, certamente, o seu apelo podia ser acreditado em função do seu próprio exemplo de vida. Ele tudo deixou e tudo sofreu por amor a Cristo. Vale lembrar que em outras questões de real importância para os crentes, nesta e em outras epístolas, ele também recorreu ao expediente de apelar às suas mentes e corações (“rogo-vos” – Rm 15.30; 16.17; 1Co 1.10; Ef 4.1).

2. A evocação (Rm 12.1)

“pelas misericórdias de Deus,”

O apelo do apóstolo não está fiado em si mesmo, nos seus próprios méritos, grandeza ou poder. Ele evoca o Deus altíssimo e sua maravilhosa e sublime Graça. Graça é favor imerecido. É Deus, na sua infinita misericórdia, não nos imputar o castigo merecido pelo nosso pecado. Pois Cristo levou sobre si este fardo e pagou o preço com sua morte, e morte de cruz. Então, esse grandioso feito de Deus por nós deve ser suficientemente motivador para atendermos ao apelo de vivermos uma vida santificada e dedicada ao Senhor! Em outra ocorrência do “rogo-vos” Paulo evoca explicitamente “o Senhor Jesus e o amor do Espírito Santo” (Rm 15.30).

3. O foco – o culto racional (Rm 12.1)

“que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”

O apelo de Paulo traspassa culturas e épocas e chega até nós, a igreja de qualquer tempo e contexto. Quando hoje se fala em culto, nossa mente nos remete imediatamente para aquele ajuntamento coletivo realizado nos templos ou em outro lugar. Porém, o culto aqui referido é um culto pessoal e espiritual. Deve ocorrer cotidianamente no contexto da “liturgia da vida”. Nossa participação no culto coletivo (da igreja) só será aceita nos céus se o nosso culto pessoal e individual também for aceitável diante de Deus.

Quando o apóstolo se refere ao corpo, está tratando da individualidade e totalidade do nosso ser. Esse ser deve ser apresentado ou oferecido a Deus de três maneiras: Em….

a) Sacrifício vivo

Para um povo tão familiarizado com os sacrifícios e rituais da lei mosaica, Paulo propõe uma abordagem comparativa. Nas ordenanças da lei mosaica, o pecador e transgressor deveria oferecer em sacrifício um animal para que o sangue deste cobrisse ou expiasse sua culpa. Tais sacrifícios eram repetitivos e imperfeitos. Na graça, Cristo, com o seu sacrifício único e perfeito já providenciou essa expiação, por nós, de uma vez por todas (Hb 9.28). Nos resta, agora, comparecer diante de Deus não com animais mortos, mas com o nosso corpo ou ser, muito vivo e lhe dizer: “Eis-me aqui, envia-me, a mim” (Is 6.8); “usa-me, Senhor”.

b) Sacrifício santo

Nas ordenanças da lei, o animal a ser sacrificado devia ser sem defeito e separado, isto é, santo (Ex 12.5). Era uma exigência que não admitia exceções. Semelhantemente, nosso culto pessoal só será aceito se nos apresentarmos a Deus em santidade de vida. Templo sempre foi lugar de santidade e nós somos o templo do Espírito Santo, santuário de Deus que também precisa ser santo: Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16)

c)  Sacrifício agradável a Deus

Numa visão antropocentrista, o homem está sempre procurando algo que lhe agrade e satisfaça. Entretanto, o culto racional é realizado para agradar a Deus. Para tanto, tem que ser em conformidade com suas exigências.

Alguns crentes têm a ideia equivocada de que para agradar a Deus deve maltratar, desprezar e impor sacrifícios ao seu corpo. É preciso mortificar os feitos do corpo e não o corpo: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.” (Rm 8.13). Vale lembrar que a verdadeira força do jejum não está simplesmente na abstinência de alimentos, mas sim no volver de todo o nosso ser para Deus durante aquele período e, antes de tudo, viver em santidade. “Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?” (Is 58.5-6)

Finalmente, ao tratar de culto racional, precisamos nos referir aos escritos de Pedro. Em 1Pedro 2 o apóstolo também focaliza a individualidade e a coletividade deste culto. Cada remido é “pedra viva” e o conjunto dos remidos do Senhor são edificados “casa espiritual”, para dois ofícios:

  • Sacerdócio santo (1Pe 2.5)

Quando essas “pedras vivas” exercem o “sacerdócio santo” o alvo é bem definido: “a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”. Os crentes-sacerdotes oferecem “sacrifícios espirituais” ao Senhor: individualmente e coletivamente. Individualmente, quando na intimidade de sua vida privada mantém intima comunhão com o Senhor: em oração, na leitura e meditação da sua Palavra, no louvor com os lábios, mente e coração etc. Coletivamente, quando os crentes-sacerdotes se reúnem para cultuá-lo em espírito e em verdade. Vale lembrar que sem a intermediação de Jesus, nada disso chega ao Pai Celestial.

  • Sacerdócio real (1Pe 2.9)

Quando essas “pedras vivas” exercem o “sacerdócio real” o alvo também é bem definido: “a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;”. Certamente isso diz respeito ao IDE de Jesus, ao testemunho e evangelização dos de fora pelos crentes-sacerdotes.

4. A exigência – Diferenciação (Rm 12.2)

“E não vos conformeis com este século,”

O mesmo Deus de Israel, que exigia do seu povo um viver diferenciado das outras nações, agora, em tempos da Nova Aliança, da Graça, também requer dos cristãos um viver diferenciado em relação ao estilo de vida presente em cada época. É tão claro e tão óbvio, mas como é difícil para os crentes entenderem e obedecerem a essa inequívoca, inquestionável e inflexível vontade de Deus! A palavra “conformeis” ou “amoldeis” tem o sentido de “tomar a forma”, modelar, se ajustar a uma fôrma ou molde ou padrão. Quem determina a modelagem de caráter, de comportamento, de princípios e valores, de motivação existencial, de linguajar etc etc do cristão é a Bíblia, pelo Espírito Santo que nele habita! O apóstolo Pedro também apela aos crentes, neste sentido: “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;” (1Pe 1.14). O apóstolo João acrescenta: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele;” (1Jo 2.15). E, Jesus, nos convoca: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16.24)

5. O desafio – Transformação (Rm 12.2)

“mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,”

Não basta recusar a se ajustar ao molde social do presente século. Além de blindar a mente das más influências e comportamentos é indispensável moldá-la pela Palavra de Deus. O cristão precisa aprontar a sua mente para viver a nova vida sem dar espaço para a vida antiga, para as obras das trevas. Esse preparo da mente passa, primeiramente, por uma vida devocional disciplinada e, também, pela assimilação da Palavra de Deus, participando de uma igreja séria que não se presta à promoção de uma superficialidade cultual, entretenimento ocupacional e emocionalismo terapêutico. A mente precisa mesmo de atenção, pois dela procedem o pensar e o agir. Ela é a sede das concepções, que condicionam as percepções, que influenciam comportamentos. Tanto isso é verdade, que o Senhor Jesus dedicou atenção especial ao ensino dos seus discípulos, a preparar suas mentes. Uma mente renovada produz uma vida transformada que agrada a Deus!

6. A recompensa – Bênção (Rm 12.2)

“para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Deus não tem compromisso com ímpios, nem com “cristãos” que não estão dispostos a pagar o preço de “negarem-se a si mesmo”, nem “as paixões do mundo” e, que também não estão dispostos a dedicarem suas vidas ao Senhor. Mas aqueles que obedecerem ao Senhor e dedicarem seus talentos, sua vida, ao Senhor, receberão suas bênçãos aqui e agora, e por fim, a vida eterna. Podem até enfrentar provações, dificuldades e perseguições, mas desfrutarão sempre da preciosa presença, consolação e força do Senhor.

Que assim Deus nos ajude!

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Apostila: Os três pilares da Antiga Aliança

Os três pilares da Antiga Aliança:

TABERNÁCULO – SACERDÓCIO – SACRIFÍCIO


Apresentação

O material apresentado nesta apostila não tem a pretensão de esgotar o assunto e nem de inovar. Caracteriza-se por mesclar comentários de vários autores, com os dos anotadores, numa abordagem que procura estabelecer uma ponte entre a Antiga Aliança e a Nova Aliança a partir de uma cuidadosa interpretação do significado dos símbolos. A inserção de textos ou recortes de textos e ilustrações permitiu um maior enriquecimento no tratamento do assunto.

“Não havendo sábia direção cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança.” (Provérbios 11.14)

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