Sete grandes realidades e uma cura

Marcos 9.14-29; Mateus 17.14-21; Lucas 9.37-43a

1ª) Um grande pastor
     Que se aproximava de Deus e do povo.

37  No dia seguinte, ao descerem eles do monte, veio ao encontro de Jesus grande multidão. (Lc 9)
14  Quando eles se aproximaram dos discípulos, viram numerosa multidão ao redor e que os escribas discutiam com eles. (Mc 9)
15  E logo toda a multidão, ao ver Jesus, tomada de surpresa, correu para ele e o saudava. (Mc 9)
16  Então, ele interpelou os escribas: Que é que discutíeis com eles? (Mc 9)

Jesus acabara de passar por um singular momento de glória, no monte da transfiguração (Mc 9.2-13). Ali o céu baixara à terra para o honrar. Diante da aparição de dois grandes vultos do passado, Moisés (representando a Lei) e Elias (representando os Profetas) e dos dignos discípulos ali presentes (representando a Igreja), o Pai se manifestou e revelou o Filho, distinguindo-o e apontando-o como aquele que deveria ser ouvido.

Não havia melhor lugar para se estar. No entendimento de Pedro, o tempo podia até parar e, assim eles desfrutariam ao máximo aquele pedacinho de céu. Entretanto, o grande pastor de almas – Jesus – sabia que lá embaixo havia um rebanho aflito necessitado da sua presença.

Ao pé do monte estavam os demais discípulos, e com eles uma grande multidão. Na ausência de Jesus, algo havia acontecido que ocasionou uma grande discussão entre os discípulos que ficaram e os escribas. De tal forma estavam todos envolvidos com a discussão que a multidão se surpreendeu com a chegada de Jesus. Aqui reside um interessante elemento profético: aqueles que se detêm em tantas discussões teológicas e/ou doutrinárias correm o risco de serem tomados de surpresa quando da segunda vinda de Cristo.

É interessante observar que quando Jesus chegou, imediatamente o foco de interesse passou para ele. Entretanto, para Jesus, o foco de interesse era o objeto da discussão: “Que é que discutíeis com eles?”

2ª) Um grande problema
     De dimensões física e espiritual.

17  E um, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu filho, possesso de um espírito mudo; (Mc 9)
18a  e este, onde quer que o apanha, lança-o por terra, e ele espuma, rilha os dentes e vai definhando. (Mc 9)
14  E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: (Mt 17)
15  Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. (Mt 17)
38  E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem, dizendo em alta voz: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único; (Lc 9)
39  um espírito se apodera dele, e, de repente, o menino grita, e o espírito o atira por terra, convulsiona-o até espumar; e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado. (Lc 9)

A resposta à indagação de Jesus vem logo, do meio da multidão. Um pai desesperado se aproxima de Jesus e lhe conta o grande e grave problema vivido por seu filho único. Ele descreve, com detalhes, todo o sofrimento passado pelo filho quando o espírito imundo se apodera dele. Lunático, surdo-mudo e com sintomas que se assemelhavam aos da epilepsia (descarga cerebral), no seu estado mais grave.  Mateus revela que esse pai se ajoelha diante de Jesus e lhe suplica compaixão.

3ª) Uma grande decepção
     Tentar fazer aquilo que só Jesus pode fazer.

18b  Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam. (Mc 9)
16  Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. (Mt 17)
40  Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam. (Lc 9)

O pai declara inicialmente que tinha trazido o filho para que Jesus curasse (Mc 9.17). Naturalmente, não encontrando Jesus ali, pediu ajuda aos discípulos que não haviam subido ao monte. É difícil concluir quem ficou mais decepcionado com a fracassada tentativa dos discípulos:

🔹 O pai, que não conseguiu a tão necessitada solução para o problema.
🔹 Os discípulos, que não foram capazes de fazer o que já tinham feito antes.
🔹 A multidão, que certamente esperava muito mais dos discípulos.

Quanto aos escribas, é provável que estivessem procurando tirar proveito do fracasso dos seguidores de Cristo para levar vantagem e desconstruir a imagem e a doutrina de Jesus.

4ª) Um grande desabafo
     Somos poupados pela misericórdia de Deus.

19  Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-mo. (Mc 9)
17  Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. (Mt 17)
41  Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho. (Lc 9)

A quem Jesus dirigiu o seu desabafo: aos discípulos, aos escribas, ao pai ou à multidão?

Suposições, para debate.

– Aos discípulos:

✔👍Porque o fracasso dos discípulos expunha Jesus ao ridículo.

✔👍Porque eles tentaram aproveitar a oportunidade da ausência de Jesus para exibirem poder diante da multidão e Deus não os atendeu.

✔👍Porque eles ficaram com ciúme por não terem sido convidados a subir o monte com Jesus.

✔👍Porque em casa Jesus confirmou que eles não conseguiram por causa da pequenez de sua fé;

❌👎Porque Jesus não seria capaz de acrescentar à tamanha humilhação porque estavam passando, o rótulo de incredulidade e de perversidade, diante de todos;

❌👎Porque eles agiram por solidariedade à aflição daquele pai e tentaram libertar aquele jovem de tamanho sofrimento, cooperando assim com o ministério de Jesus;

❌👎Porque Jesus não chamaria seus discípulos, a quem ele mesmo escolheu, de perversos.

❌👎Porque em casa Jesus confirmou que eles não conseguiram por se tratar de uma casta de demônios diferente, que exige muita oração e jejum;

❌👎Porque o Espírito Santo ainda não havia sido derramado sobre eles, para habitação permanente e unção com poder.

– Aos escribas:

✔👍Porque é provável que estivessem procurando tirar proveito do fracasso dos seguidores de Cristo para levar vantagem e desconstruir a imagem e a doutrina de Jesus.

❌👎Porque a discussão girava em torno de encontrar uma solução para o problema. Eles também queriam ajudar.

– Ao pai:

✔👍Porque ele não tinha certeza de que Jesus poderia fazer aquele milagre, pois falou “se podes…”

❌👎Porque Jesus não seria capaz de humilhar uma alma aflita que se chega a ele suplicando por ajuda.

– À multidão:

✔👍Porque ela seguia a Jesus só por interesse material e Jesus já estava cansado dessa hipocrisia.

❌👎Porque Jesus tinha o interesse de aproximá-la para a orientar e não de despedi-la.

Não podemos afirmar com convicção quem era o destinatário dessa palavra dura de Jesus. Entretanto, temos certeza de que cada um que a ouviu e a ouvir ainda hoje, podia e poderá tomá-la como para si próprio, pois todos temos alguma incredulidade.

5ª) Um grande confronto
    Cósmico e humano.

42a  Quando se ia aproximando, o demônio o atirou no chão e o convulsionou;(Lc 9)
20  E trouxeram-lho; quando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando. (Mc 9)
21  Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu; (Mc 9)
22  e muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o matar; mas, se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. (Mc 9)
23  Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê. (Mc 9)
24  E imediatamente o pai do menino exclamou, com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé! (Mc 9)

Há dois confrontos sendo travados aqui:

1º) Jesus com o demônio.
Finalmente o jovem foi trazido à presença de Jesus. Ao aproximar-se de Jesus o demônio ficou transtornado e promoveu um terrível espetáculo. Jesus reage com tranquilidade a toda a agitação do demônio. Ele não se deixa impressionar com aquela aparente demonstração de poder. Jesus deixa de lado o demônio e concentra-se naquele pai.

2º) O pai com sua (falta de) fé.
Jesus conversa com aquele pai sobre o histórico do problema. Aquele pai, demonstra estar totalmente focado no problema e em qualquer tipo de solução, ainda que paliativa: “se tu podes alguma coisa…”.

Ele se contentava com qualquer coisa, porém, Jesus só se contentava com uma fé integral. Jesus dá a entender que só prosseguiria se ele declarasse sua fé no poder de Deus.  

Ele buscava uma solução sem ter que assumir qualquer compromisso. Conhece gente assim? Jesus o insere como corresponsável para a solução do problema. A fé dele era elemento indispensável para a realização do milagre. Jesus devolve o “se podes” e acrescenta, “tudo é possível ao que crê”. No ápice da crise, em lágrimas, ele, finalmente, declara sua fé ao mesmo tempo em que suplica ajuda pela sua incredulidade.

Ele oferece o que tem e pede ajuda pelo que falta. Essa demonstração de sinceridade e humildade foi aceita por Jesus.

6ª) Uma grande libertação
    Nada pode resistir à ordem de Jesus!

25  Vendo Jesus que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele. (Mc 9)
26  E ele, clamando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de muitos dizerem: Morreu. (Mc 9)
27  Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. (Mc 9)
18  E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado. (Mt 17)
42b mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou a seu pai. (Lc 9)
43a  E todos ficaram maravilhados ante a majestade de Deus. (Lc 9)

Era hora de agir. A multidão já se agitava. Jesus não fala ao demônio, ele ordena a sua retirada definitiva. A reação demoníaca é muito espalhafatosa, como que para dar a entender que a ordem não funcionara, como que para testar a fé e convicção de quem ordena. Nessa hora, não se pode vacilar. O jovem, após ser liberto, fica inerte, como se estivesse morto. Fazia tempo que o seu espírito não dirigia o próprio corpo. Mas Jesus o tomou pela mão e ele se levantou e reassumiu o controle de sua própria vida. Assim restaurado, Jesus o entregou ao seu pai. O milagre estava feito. A fé do pai foi contemplada e recompensada. A multidão teve mais uma prova da divindade de Jesus.

7ª) Uma grande questão
     Como prevalecer sobre Satanás?

28  Quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não pudemos nós expulsá-lo? (Mc 9)
29  Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum. (Mc 9)
19  Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? (Mt 17)
20  E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível. (Mt 17)
21  Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum. (Mt 17)

A prioridade máxima deve ser resolver o problema; as dúvidas ficam para depois. É na intimidade da vida privada que se tratam determinadas questões. Os discípulos estavam confusos e inseguros. Quem não estaria? Ao chegarem em casa perguntaram ao Mestre: por que não conseguimos? O que faltou? A resposta de Jesus registrada por Marcos parece contradizer a revelada por Mateus. Marcos coloca a questão em termos de uma casta ou categoria de demônios mais difícil de ser exorcizada, o que requereria maior preparação espiritual (oração e jejum) para lidar com ela. Mateus diz que a causa foi “pouca fé”. Na verdade, as duas coisas são complementares e essenciais: preparação ou consagração, e fé. 

Uma outra razão de não terem conseguido é que aquele momento estava reservado para que se manifestasse a glória de Deus, em Jesus.

Conclusão

A narrativa da cura do jovem possesso revela que, diante das grandes lutas espirituais e humanas, apenas a presença e a ação de Jesus trazem solução plena. O episódio expõe a limitação dos discípulos, a angústia de um pai, o poder opressor do mal e, sobretudo, a necessidade de fé genuína, oração e dependência profunda de Deus. Ao final, fica claro que nenhuma força pode resistir à autoridade de Cristo, e que a vitória espiritual nasce da comunhão com ele e da confiança rendida no seu poder.

Que Deus nos ajude!


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A Palavra da Fé e os 4 “M”

Texto base: Atos 16.11-24; 32-34 (Romanos 10.8-10)

Introdução: (Contexto histórico)

Trata-se da segunda viagem missionária de Paulo (50-54 dC). O Objetivo inicial era visitar os irmãos de todas as cidades da primeira viagem (45-47 dC) para fortalecer-lhes a fé, depois de uns três anos.

A equipe inicial era composta por Paulo e Barnabé. Surge o primeiro problema. Uma grande desavença entre eles por causa de João Marcos (primo de Barnabé – Cl 4.10 e escritor do Evangelho segundo Marcos), que Barnabé queria que os acompanhasse e Paulo não concordava, pois este havia se afastado deles na primeira viagem (At 13.13).

Novas equipes são formadas: Barnabé e João Marcos vão para Chipre, com destino a Ásia, “assumindo ou usurpando” a rota inicialmente planejada da 1ª viagem. Nenhuma recomendação da igreja é mencionada e a viagem deles não aparece no registro Bíblico. Cerca de 12 anos depois, há registro de que Marcos assistia a Paulo na prisão (Cl 4.10; Fm 24) e que Paulo o manda chamar antes de ser executado (2Tm 4.11), o que demonstra que um fracasso não é necessariamente o fim de tudo.

Paulo e Silas partem para a mesma rota, só que no sentido contrário. Saem recomendados pela igreja de Antioquia e Lucas registra no livro de Atos os acontecimentos dessa viagem. Na cidade de Listra a equipe é reforçada por Timóteo.

Outro problema à vista. Em Antioquia da Pisídia resolveram sair da rota, provavelmente para não se encontrarem com a equipe de Barnabé, continuando em frente, até às proximidades da Mísia. Dali, tentaram retornar pela esquerda, para pregarem a Palavra na Ásia, mas foram impedidos pelo Espírito. Tentaram, então, tomar o sentido oposto, à direita, em direção à Bitínia e, outra vez foram impedidos pelo Espírito.  Entenderam, então, que o Senhor os impelia a seguir em frente, à Trôade, uma cidade litorânea do mar Egeu, que separa o continente Asiático do Europeu.

Em Trôade, aparentemente sem rumo, duas coisas acontecem:

1ª) Numa visão, à noite, o Espírito os direciona para a Macedônia (Europa);

2ª) Lucas, o médico amado, se junta à equipe. Na manhã seguinte, em pronta obediência à visão, navegam para a região da Macedônia, passando primeiramente pela ilha de Samotrácia, chegando à cidade de Neápolis e prosseguindo viagem até Filipos, cidade importante da Macedônia, a primeira do distrito e colônia romana e, localizada atualmente na Grécia. Ali permaneceram alguns dias.

1. UMA MULHER TEMENTE A DEUS (At 16.13-15)

A palavra da fé produz transformação!

A palavra da fé foi pregada a várias mulheres, porém, aparentemente foi recebida apenas por Lídia, provavelmente a primeira convertida na Europa. O texto destaca algumas informações sobre Lídia:

1ª) Uma mulher engajada no mercado de trabalho, no segmento de vendas (tintura purpúrea), que talvez estivesse ali no exercício da sua profissão;

2ª) Uma mulher temente a Deus que necessitava de salvação.

Lídia representa um grande grupo de pessoas que, por um lado tentam ganhar a vida honestamente, exercendo sua profissão; por outro lado, estão acomodadas a um sistema de vida que, consciente ou inconscientemente elaboraram para si próprias e, se acham seguras de que isso lhes garantirá a salvação eterna. Triste ilusão!

Há muita gente assim, fora e dentro das igrejas. É como diz o apóstolo Paulo em Romanos 10.2-3: têm zelo por Deus, sem entendimento; desconhecendo a justiça de Deus, adotam a justiça própria, ou seja, estabelecem seus próprios critérios de salvação. Pensando nesse tipo de gente, especialmente os que estão mais próximos das igrejas, podemos chamá-los, com todo respeito de GDS, os GOSPELS, DOMINGUEIROS e SIMPATIZANTES:

Golpel, porque virou moda; eles vão ao embalo da moda…

Domingueiro, porque afinal, domingo sem culto … semana sem graça (parafraseando)

Simpatizante, porque: “não sou da igreja mas gosto muito do culto: Que coral! Que pregações! Que gente legal!”

Ser batizado não é tudo! Participar de alguma atividade da igreja, também não é tudo! É preciso NASCER DE NOVO! É preciso CONVERSÃO, MUDANÇA DE VIDA!

É preciso ter cuidado com certas ideias ou doutrinas que ancoram esses sistemas de justiça própria! Alguns deles podem ser simbolizados por:

1ª) Balança de Pescador (Doutrina da compensação)

Atos bons > Atos maus = salvação

2ª) Bumerangue – vai e volta (Doutrina da reencarnação)

Na próxima existência vou me aprimorar mais.

3ª) Bom velhinho (Doutrina da compaixão final)

Deus é amor e bondade. No fim ele vai me perdoar….

Paulo pregou ali a Palavra da Cruz, aquela que é loucura para os que se perdem, mas, o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

De alguma forma, ele expôs o Plano da Salvação, aquele que satisfaz a justiça de Deus, como por exemplo, aquele que a gente conta às crianças usando os dedos das mãos:

1 – Polegar: Adão pecou e o pecado passou a todos os homens. Pelo pecado veio a morte eterna, a separação eterna de Deus; (Rm 5.12)

2 – Indicador: Eu sou homem, logo sou pecador e estou perdido eternamente;

3 – Médio: Jesus Cristo morreu na cruz para que todo aquele que nele crer, tenha a vida eterna;

4 – Anelar: Eu me arrependo dos meus pecados, eu creio e confesso a Jesus como Salvador e Senhor da minha vida;

5 – Mínimo: Eu estou salvo!

(1-mata piolho, 2-fura-bolo, 3-maior de todos, 4-seu vizinho, 5-dedo mindinho)

A palavra da fé pregada por Paulo, juntamente com a intervenção do Espírito de Deus, fez com que Lídia abandonasse suas posições religiosas e se rendesse à justiça de Deus. Em seguida, ela recebeu o batismo, e já começou a fazer evangelismo e missões, levando sua família aos pés de Cristo e hospedando os missionários Cristãos.

2. UMA MOÇA ADIVINHADORA (At 16.16-18)

A palavra da fé é poder!

O texto nos informa que:

1º) Essa moça participava de um estranho negócio, altamente lucrativo, baseado em adivinhações;

2º) Ela era duplamente escravizada: pelo demônio e pelos patrões.

Já imaginaram do que ela era capaz? Quantas consultas, quantas revelações?

Ela representa aquele grupo de pessoas que está refém de Satanás, envolvido em pactos e/ou estranhos negócios lucrativos. Quantos empresários e governantes apelam para este tipo de compromisso diabólico?

Ela também necessitava de libertação; não do seu senso de justiça própria, como Lídia, mas de uma libertação espiritual. Ela estava sendo vítima do 3º tipo de ataque maligno: 1º)CONFUNDIR; 2º)CONQUISTAR; 3º)CONTROLAR ; 4º)COMBATER.

Ela, diariamente e gratuitamente, “adivinhava” a identidade dos missionários de Deus – servos do Deus Altíssimo. É interessante como a alma humana, mesmo aprisionada desse jeito, vai ao encontro do socorro necessitado. E, assim, no momento certo, Paulo a libertou em nome de Jesus.

“E ele na mesma hora saiu”

Essa palavra de fé é muito mais do que filosofia, um conjunto de doutrinas, etc. É “power”, é o poder de Deus para a salvação e libertação da escravidão de Satanás. A graça libertadora de Deus age na parte mais fraca, a jovem explorada. A liberdade implica em subjugar o maior tirano, o pecado (Jo 8.34; Pv 5.21-22). Esta fé traz nova esperança nas palavras daquele que é o alvo da fé (Jo 8.36).

Ninguém deve interpretar erroneamente os sentimentos de Paulo que eram de compaixão por aquela jovem e de indignação para com o espírito demoníaco que nela agia.

3. UMA MULTIDÃO MANIPULADA (At 16.19-24)

A palavra da fé é combatida!

Você tem certeza de que não tem sido manipulado pelos poderosos deste mundo?

“propagando costumes que não podemos receber nem praticar porque somos romanos”

A suposta acusação contra os missionários cristãos era a de “interferência cultural”, pois estavam propagando costumes que se contrapunham aos costumes romanos. A palavra aqui traduzida por “costumes”, no grego “étos”[1] (comp. At 6.14) parece incorporar práticas religiosas e ritualistas, além de hábitos sociais. Em outras palavras, quase que certamente se refere a todo o sistema judaico de vida.

Como se originam, se incorporam e se propagam os costumes? Por que é tão difícil resistir?

QUE MUNDO É ESSE?

Vivemos num verdadeiro CONSUMISMO DESCARTÁVEL (coisas, pessoas, valores, etc):

  • Culto ao corpo;
  • O que importa é o aqui e agora.

Nossa cultura brasileira foi impregnada por refrãos que produzem  valores e comportamentos altamente destrutivos:

  • O importante é levar vantagem em tudo;
  • Jeitinho brasileiro;
  • Eu só peço a Deus um pouco de malandragem…
  • Tô nem aí!
  • Deixa a vida me levar, vida leva eu.

É incrível como um mau costume pega! É incrível como uma tradição é aceita sem um prévio questionamento! Como é difícil deixar um sistema de vida, mesmo percebendo que este não atende aos anseios mais profundos da alma! Quão intensa é a pressão das massas sobre aqueles que não têm ou se propõem a deixar os seus costumes!

Felizmente há uma boa notícia para aqueles que sentem a necessidade de uma mudança de vida. A fé verdadeira em Jesus é capaz de operar uma mudança radical, removendo todos aqueles costumes que não têm sua origem no próprio Deus. Sua eficácia está no fato de que a mudança ocorre de dentro para fora. Inicia-se no interior, nas concepções e convicções e transborda para o exterior, tornando plena a mudança. É como alguém disse: “A beleza do cristianismo é que ele tira o homem do mundo e depois o mundo de dentro dele”. O mundo aqui não é o mundo físico, porém todo o sistema organizado que se opõe a Deus.

Na acusação está patente um falso patriotismo, uma ignorância quanto a distinção entre Judaísmo e Cristianismo, tudo isto a título de vingança. Ainda hoje o Cristianismo tem sido acusado de interferir na cultura ocidental, com suas regras e costumes que nunca deveriam ter saído de Israel. É uma visão totalmente distorcida dos fatos. “O Cristianismo, com todas as suas regras divinas e sua essência apresenta um referencial padrão de conduta para o homem. Aqueles que estão distantes desse referencial tentam destruí-lo para que não sejam condenados quando aferidos pelo mesmo.” (Exemplo: Sexo, família, moda, etc). Uma grande prova da distinção entre Cristianismo e Judaísmo é que o próprio judeu se mantém afastado. A fé é universal: “compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação…” (Ap 5.9-10)

Aqui nós encontramos a fórmula pela qual os costumes (sistemas) tentam prevalecer contra a palavra da fé:

  1. Motivação material: financeira – lucro;
  2. Violência;
  3. Discurso falso;
  4. Manipulação das massas (Poder de comunicação de massa – apenas alguns ditam as regras para todos);
  5. Obediência autômata das massas;
  6. Manipulação da justiça;
  7. Força física.

4. OS MISSIONÁRIOS CRISTÃOS (At 16.32-34)

A palavra da fé implica em compromisso!

“E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa.” (At 16.32)

Esses servos do Deus altíssimo – Paulo, Silas, Timóteo e Lucas – eram autênticas encarnações da palavra da fé, um dos sinais do novo nascimento. Viviam a essência do evangelho, ou seja:

  • Comunhão com Deus pela oração (16.13, 16)
  • Pregação do Evangelho (16.13)
  • Libertação dos oprimidos pelo diabo (16.18)
  • Edificação dos crentes (15.36)
  • Serviço à igreja (16.4)

Em resumo, trata-se de “Negócio humanitário”, sem fins lucrativos.

A palavra da fé é vencedora!

Toda a força que sustenta o sistema mundano não representa qualquer ameaça para os que estão na fé (1Jo 5.1a, 4). Satanás já está vencido (1Jo 4.4b).

É uma estranha maneira de vencer e paradoxalmente intrigante: os que estão do lado de Deus têm todo o poder sobre o reino das trevas; entretanto, este poder não os isenta da humilhação, do sofrimento físico, das perseguições e até da perda da vida. Na contabilidade divina, a vitória está no alcance dos objetivos maiores do Pai Celeste. Cristo morreu, mas venceu.

Tudo começou com uma visão onde alguém pedia ajuda. O fato é que duas pessoas, juntamente com suas famílias, foram alcançadas pela graça de Deus e uma jovem foi liberta. Paulo e Silas sofreram, mas venceram, pois, um testemunho de fé foi deixado ali em Filipos; mais uma igreja foi organizada. A vitória foi alcançada apenas com as armas espirituais.

Conclusão: Com qual desses grupos você se identifica?

Jesus disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas ESPADA.” (Mt 10.34). O cristianismo autêntico implica em confronto direto com o reino das trevas e todos os seus sistemas de vida. Assim é que ninguém pode viver debaixo dos dois sistemas. Terá que seguir a um e abandonar o outro.

“Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.” (Fernando Pessoa – 1888/1935)

…………………………………………………

[1] Costumes = Hábito: Lc 2.42; 22.39 + Rito: Lc 1.9; At 6.14; 15.1

“Os costumes atuam como um impermeabilizante, criando uma película em torno do indivíduo, isolando-o e sufocando-o. Só a fé em Jesus é capaz de tirar o homem deste cativeiro e dar-lhe verdadeira liberdade.”

 


Catedral Presbiteriana do Rio
22/08/2004 – Culto Vespertino (19h)
Esboço da Mensagem pregada pelo Presbítero Paulo Raposo Correia