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Porém eu

Porém Eu

Introdução:

Quando num determinado ponto da fala ou da frase se insere um “porém eu”, fica clara a intenção de expressar algo da própria individualidade que se contrapõe ao que se dizia ou escrevia. Estamos diante de mais um salmo de Davi, o Salmo 5, que confronta Deus, o justo e os ímpios. Desse confronto sempre se pode colher ensinamentos edificantes, úteis para qualquer um, em qualquer época.

1. PORÉM EU….SIRVO AO DEUS VIVO E VERDADEIRO (Sl 5.1-6)

Pode até parecer repetitiva e lugar comum essa afirmação, mas vamos combinar, vivemos num mundo em que a maioria não crê, não teme e não serve ao Deus vivo e verdadeiro. E, isso sempre foi assim. Não é sem razão que os dez mandamentos iniciam focando este ponto. Este salmo 5, nos seis primeiros versículos, apresenta quatro características desse Deus. Ele é aquele que:

a) Ouve a oração e o clamor do seu povo (vv.1-2).

“Dá ouvidos, SENHOR, às minhas palavras e acode ao meu gemido.  Escuta, Rei meu e Deus meu, a minha voz que clama, pois a ti é que imploro.”

É preciso orar e perseverar em oração, pois nosso Deus não é como os ídolos, obra das mãos e das mentes dos homens.

b) Opera no tempo por ele determinado (v.3)

“De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando.”

O melhor a fazer é iniciar o dia colocando nossas vidas e necessidades diante do Pai Celeste e esperar sua resposta sem nunca esmorecer.

c) Exige santidade de vida (v.4)

“Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal.”

Sua perfeição demanda de nós um alto padrão de conduta: “…Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” (Gn 17.1)

d) Rejeita e destrói os ímpios (vv.5-6)

“Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade. Tu destróis os que proferem mentira; o SENHOR abomina ao sanguinário e ao fraudulento;”

Os que optaram por trilhar o caminho mau, além de rejeitados, não serão poupados.

2. PORÉM EU….BUSCO A SUA PRESENÇA (Sl 5.7)

a) Não é pelo meu próprio mérito (v.7a)

“porém eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei na tua casa”

Somos pecadores, contemplados pela misericórdia do Senhor, pela sua infinita e preciosa graça e, assim, justificados pela fé, temos acesso à sua presença. No AT o Tabernáculo e, depois, o Templo eram a expressão máxima da presença de Deus no meio do seu povo. No NT, o Deus vivo e verdadeiro habitou (“tabernaculou”) entre nós, por meio de seu Filho Jesus (Jo 1.14). Após a ascensão de Jesus, no Pentecostes o Espírito Santo também desceu para fazer morada em nós (Jo 14.17). Nosso maior privilégio hoje não é o de ter acesso a um templo feito por mãos, mas buscar a comunhão do Deus que habita em nós. Os ímpios não desfrutam deste privilégio!

b) Não é de qualquer forma (v.7b)

“e me prostrarei diante do teu santo templo, no teu temor.”

É com temor e tremor que nos aproximamos do Senhor. É com atitude de respeito e reverência que falamos com ele ou nos referimos a ele. Cuidado com expressões do tipo “o cara lá de cima”.

3. PORÉM EU….TENHO FOME E SEDE DE JUSTIÇA (Sl 5.8-10)

Muitas são as necessidades que nos levam a orar. O salmista Davi destaca aqui duas delas:

a) Por uma vida de retidão (vv.8-9)

“SENHOR, guia-me na tua justiça, por causa dos meus adversários; endireita diante de mim o teu caminho; pois não têm eles sinceridade nos seus lábios; o seu íntimo é todo crimes; a sua garganta é sepulcro aberto, e com a língua lisonjeiam.”

Para que o meu pensar, sentir e agir agrade ao Senhor e em nada se assemelhe ao estilo de vida dos meus adversários. O problema do Brasil e do mundo é antes de tudo espiritual, ético e moral.

b) Pela condenação e rejeição dos ímpios (v.10)

“Declara-os culpados, ó Deus; caiam por seus próprios planos. Rejeita-os por causa de suas muitas transgressões, pois se rebelaram contra ti.”

Em muitos Salmos e textos do AT há um tom de imprecação. A oração imprecatória não soa bem aos ouvidos cristãos. Diante da maldade, da opressão, da violência ou da injustiça, eles não só clamavam ao Senhor por suas vidas, mas também pediam a Deus que fizesse cair sobre os seus inimigos os piores males. Assim, se unem numa mesma oração, as súplicas mais ardentes e as mais violentas imprecações (Sl 58.6-11; 83.9-18; 109.6-19; 137.7-9). De fato, na época do AT, naquele contexto, prevalecia no âmbito do povo de Israel o conceito de que a obediência a Deus e aos seus mandamentos, deveria ser recompensada na vida presente, com longevidade e prosperidade; enquanto os transgressores da lei mosaica (judeus) e os ímpios (pagãos) deveriam receber o seu justo castigo o quanto antes, para que ficasse evidente que há um Deus vivo e presente, retribuindo a cada um conforme suas ações (Sl 7.9; 37.28; 75.10; 58.11).

4. PORÉM EU….SOU ABENÇOADO E GUARDADO PELO SENHOR (Sl 5.11-12)

 “Mas regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome. Pois tu, SENHOR, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua benevolência.”

Finalmente, o salmo termina com um tom de regozijo e confiança. O justo não está isento de provações; dos momentos difíceis. Mas sobre ele deve repousar a certeza de que há um Deus, Todo Poderoso, que zela por sua vida e detém o controle de todas as coisas.

Conclusão:

Estamos vivendo dias complicados que precedem a volta do Senhor Jesus. Tempos em que as práticas pecaminosas dominam a sociedade e pressionam as igrejas evangélicas. Muitas já estão sucumbindo; “…porém eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei na tua casa e me prostrarei diante do teu santo templo, no teu temor.” (Sl 5.7)

Na galeria dos que responderam com um, “porém eu”, poderíamos colocar alguns homens e mulheres de Deus que se dispuseram a fazer toda a diferença, tais como:

Moisés, tinha tudo para usufruir do status de príncipe do Egito, mas respondeu com um sonoro “porém eu” prefiro ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado. (Hb 11.24-27).

José, no assédio sexual da mulher de Potifar, lhe deixou claro: outros, no meu lugar, aceitariam com prazer a tua proposta, porém eu, não desonrarei o meu patrão e não pecarei contra o meu Deus – “…como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn 39.9)

Josué, disse ao povo de Israel que escolhesse entre servir aos deuses daquelas nações e servir ao SENHOR, e acrescentou sua posição individual, o seu porém eu: “Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.” (Js 24.15b).

Daniel, na corte de Nabucodonozor, deixou claro: outros, no meu lugar, aproveitariam os banquetes do rei, enquanto o povo exilado padece, porém eu, não me contaminarei com as finas iguarias do rei, nem com o seu vinho. (ver Dn 1.8)

Neemias, disse aos nobres e magistrados do seu povo, que haviam retornado do exílio: “Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, oprimiram o povo e lhe tomaram pão e vinho, além de quarenta siclos de prata; até os seus moços dominavam sobre o povo, porém eu assim não fiz, por causa do temor de Deus.” (Ne 5.15)

Maria, irmã de Marta e Lázaro, nos diria: – eu poderia ter me ocupado com muitas tarefas, porém eu, quando vi o Mestre ali ensinando, preferi estar aos seus pés para ouvi-lo (Lc 10.39).

Finalmente, fica aqui a grande indagação: Você será lembrado(a), pelas próximas gerações, pelos seus “porém eu”, que o levaram a alinhar-se com estes que tudo renunciaram por amor a Deus, ou pelos seus “igualmente eu”, que o levaram a alinhar-se com a maioria que segue o curso desse mundo pecador?

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