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Estar vivo! Sentir-se vivo!

“Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” (Gn 2.18)

A expressão “não é bom” surge aqui, pela primeira vez na bíblia, exteriorizando e revelando os pensamentos do Altíssimo em relação à solidão humana. Aparece pela última vez nos lábios de Jesus dirigindo sua resposta ao clamor daquela mulher cananeia: “Senhor, socorre-me!”…. Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.”  (Mt 15.25-26). Ao todo, essa expressão aparece na bíblia por 16 vezes, principalmente no Livro de Provérbios e fazendo referência a práticas erradas, injustas, inconvenientes ou caminhos pecaminosos.

Quando Deus acha que a solidão humana não é boa, é porque não é mesmo. Somente quem experimentou a vida cotidiana em um agradável ambiente familiar, com seu cônjuge e filhos, depois passou a morar sozinho(a) é capaz de entender esse doloroso sentimento.

Estar vivo não é tudo, também é importante sentir-se vivo! A versão da música BEING ALIVE (ESTAR VIVO) cantada por Adam Driver no filme “História  de um Casamento (MARRIAGE STORY – 2019)” nos oferece uma interessante oportunidade de refletir sobre o estar vivo e sentir-se vivo, em contraste com o vazio da solidão. 

Alguém que abrace você de perto demais.
Alguém que magoe você profundo demais.
Alguém que sente na sua cadeira.
Que faça você perder o sono.
Alguém que precise demais de você.
Alguém que conheça você bem demais.
Alguém que ponha você contra a parede.
Que jogue você no inferno.
Estar vivo.
Estar vivo.
Estar vivo.

Que alguém me abrace de perto demais.
Que alguém me magoe profundo demais.
Que alguém sente na minha cadeira.
Que me faça perder o sono.
E me deixe consciente de estar vivo.
Estar vivo.

Como é gostoso e vitalizante aquele abraço bem apertado e aconchegante de quem te ama. É aquele gesto, sem palavras, que diz tudo.

Até a mágoa tem o seu lugar e valor num relacionamento; produz reflexão, produz mudança. ”Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Pv 27.6). É claro que não há aqui qualquer apologia à violência física.

O ato de sentar-se na sua cadeira traz as ideias de proximidade e relacionamento; de presença mais demorada, de disposição para falar e ouvir. Quem não precisa disso?

Se algo é monótono e sem importância provoca desinteresse e sonolência. Se alguém faz você perder o sono, quer por seu companheirismo e cumplicidade, quer pelo que disse, significa que há alguém ou algo importante em sua vida e que desperta sensações e sentimentos no mais profundo do seu ser.

A vida passa a ter cores muito mais fortes e vigorosas quando alguém precisa de você. Não se trata daquela dependência tóxica e doentia que anula o ser do outro, mas aquela carência revigorante de quem aprecia e reconhece o valor diferenciado de quem você é e daquilo que você faz.

O conhecimento aprofundado do outro, numa relação de disputa e ódio, é sempre danoso e destrutivo. Porém, numa relação saudável, este conhecimento é muito bem-vindo. Os pontos fortes do cônjuge são reconhecidos e úteis no cotidiano do casal. Naturalmente os pontos fracos não vão passar despercebidos e merecerão aquele apoio incondicional para sua superação.

Encostar o outro contra a parede é não lhe dar espaço para fugir daquilo que precisa ser enfrentado. Pode não parecer muito agradável ser forçado a enfrentar os desafios da vida. É como ser jogado no inferno da provação. Entretanto, tem grande chance de ser recompensador e nos faz sentir vivos. Estar vivo….

Que alguém precise demais de mim.
Que alguém me conheça bem demais.
Que alguém me ponha contra a parede.
E me jogue no inferno.
E me anime, para estar vivo.
Faça-me viver,
Faça-me viver,
Me deixe confuso.

Na sequência, alguns versos são repetidos, agora na forma de um ardente desejo. O desejo se mistura com uma espécie de clamor pela sobrevivência.

A sombria e gélida solidão precisa ser penetrada pela luz e calor do ânimo e entusiasmo de uma companhia amada.

Às vezes ocorre confusão de sentimentos ou dúvidas quando se pensa se vale a pena continuar juntos. Aí alguém diz algo que merece uma boa reflexão: “Podemos ter muitos motivos para não casar com alguém, mas nenhum bom motivo para ficarmos sozinhos”.

Zombe de mim com elogios.
Me deixe ser usado.
Diversifique os meus dias.
Mas sozinho,
É sozinho,
Não é vivo.

Zombar ou debochar ou achincalhar não é coisa boa e desejável. Vamos abrir uma exceção aqui desse zombar e avaliar como algo positivo, porque se é com elogios, parece compensador e estimulador.

Algumas frases podem soar repulsivas, tipo “me deixe ser usado”. Ser usado por alguém e aceitar isso passivamente parece humilhante. Numa relação de amor muito forte e intensa provavelmente será melhor isso do que o isolamento da solidão.

Se a solidão provoca certa monotonia e paralisia, no corpo e na alma, a presença do outro tem tudo para gerar mobilidade, quebra de rotina desde que os cônjuges saibam fazer bom uso da sua criatividade.

Que alguém me inunde de amor.
Que alguém me obrigue a mostrar o meu coração.
Que alguém me faça estar à altura.
Eu sempre estarei lá.
Tão amedrontado quanto você.
Pra nos ajudar a sobreviver.
Estar vivo,
Estar vivo,
Estar vivo.

Mais do que um legítimo desejo, receber atenção, afeto e amor é algo inquestionavelmente revigorante e vital. Faz brilhar os olhos, acelerar o coração, ruborizar a face,  eclodir uma sensação de euforia, enfim, provoca o pulsar da vida do corpo e da alma.

Obrigação só rima com satisfação na técnica dos poetas e compositores. Quem quer ser obrigado a fazer alguma coisa? Ah, mas para escapar da solidão aceitam-se algumas obrigações como aquela que te faz descortinar e manifestar os segredos mais íntimos do coração.

O caminhar a dois envolve muitos desafios, mas também oferece grandes e excelentes oportunidades. Uma delas é a de crescimento. É extremamente proveitoso que cada cônjuge incentive e contribua efetivamente para o desenvolvimento e amadurecimento do outro. Se são “uma só carne” é natural e esperado que isso aconteça. É mais uma vantagem da vida em comum do casal. Do contrário, quando apenas um se desenvolve resulta em disformidade, podendo tornar a relação insustentável.

Portanto, essa vida a dois pode até parecer amedrontadora pelos desafios que se impõem. Entretanto, se o amor que une o casal é maior do que as diferenças que atuam contra, é de se esperar muito mais força e garra para se viver e sobreviver!

Finalmente, vale lembrar que se você perdeu alguém muito importante em sua vida, que fazia você se sentir vivo(a), não perca de vista as promessas de Deus, nosso Criador:

“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada. Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril.” (Sl 68.5-6)

“O SENHOR é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes.” (Is 31.8)

“Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.” (Sl 73.23-26)

  1. João Silva Júnior
    28/05/2021 às 22:16

    Parabéns pelo belíssimo texto;”caminhar a dois realmente é um desafio”…

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